Um cartaz com um comunicado foi afixado no prédio onde estava localizada a sede da BraisCompany em São Paulo, ressaltando que o local era alugado e os proprietários não possuem relação com a corretora de criptomoedas de Antônio Neto Ais e Fabrícia Farias, que é alvo de operação da Polícia Federal. A imagem foi enviada com exclusividade ao Paraíba Já.
O prédio está localizado no Itaim Bibi, uma das regiões nobres da capital paulista. Não há confirmação da autoria do comunicado, nem assinatura no cartaz, apesar do teor apontar para os próprios donos do local.
O comunicado informa que o prédio está lacrado por decisão judicial, e não há funcionários da BraisCompany em seu interior. “Outras informações deverão ser obtidas diretamente junto à delegacia da Polícia Federal”, diz trecho.
Em outro ponto, o aviso ressalta que o imóvel é apenas alugado à empresa de Ais e Fabrícia.
Para finalizar, o comunicado destaca que os proprietários não têm relação com a BraisCompany e seus possíveis crimes.
“Os proprietários do imóvel não possuem qualquer relação ou envolvimento com os fatos ocorridos com a BraisCompany”, finaliza o aviso.
Mais uma empresa de criptomoedas com sede na Paraíba está sob investigação do Ministério Público da Paraíba (MPPB) por não realizar pagamentos aos seus investidores. Depois da Braiscompany e da Fiji, a R4 Capital Intermediação também deixou de cumprir com suas obrigações financeiras, e o MPPB abriu um procedimento para investigar o caso.
O promotor Sócrates Agra, que já estava cuidando do caso Fiji, confirmou a abertura do procedimento para investigar a R4 Capital Intermediação após receber uma reclamação. Ele quer saber como a empresa funcionava e se tinha autorização legal para realizar as operações.
A empresa, que possui sedes em Campina Grande, João Pessoa, São Paulo e Rio de Janeiro, é dirigida por Roberto Barreto, Thiago Monnay, Roberto Botelho, Jailson Ramos e Hermane Jasher.
Em uma nota divulgada para a imprensa, a empresa afirmou que suspendeu temporariamente as operações e marcou uma reunião virtual com os clientes para explicar a situação. A empresa pede paciência aos investidores enquanto tenta resolver a situação.
O responsável por um dos maiores calotes da história da Paraíba, continua foragido. Antônio Neto, criador da Braiscompany (empresa de aluguéis de criptomoedas) foi alvo de mandado de prisão por possíveis golpes financeiros contra investidores de todo o Brasil.
Apesar do pronunciamento tardio feito no mês passado, ele não mostrou o rosto em nenhum momento e não disse onde está o dinheiro dos investidores.
Ou seja, pouco mudou para quem sofre sem o acesso aos rendimentos prometidos pela Braiscompany.
Mas, o advogado em Campina Grande (cidade sede da empresa), Bira Souto revelou o possível paradeiro de Ais.
A tese, segundo o especialista em segurança pública e inteligência, é que ‘Toim’ esteja em El Salvador, país da América Central.
Segundo ele, esse pequeno país pode servir de esconderijo porque em 2021 o Governo autorizou que a moeda oficial fosse o dólar e também o Bitcoin.
“É um paraíso para o casal golpista fugitivo da polícia federal… um prato cheio para corromper pessoas, políticos e funcionários públicos; com um alto percentual de pessoas em vulnerabilidade”.
O vereador de João Pessoa, Carlão Pelo Bem (PL-PB), da Paraíba, pediu que a mídia ajude nas investigações do golpe da Braiscompany, dando uma melhor repercussão a pirâmide que lesou milhares de famílias brasileiras.
De acordo com um desabafo em redes sociais, “a garantia será ele” de que o golpe não passará impune, ironizando uma fala do líder da Braiscompany, Antônio Neto, que chegou a dizer que ele era a única garantia de que seu negócio continuava funcionando.
O parlamentar ainda demonstrou irritação de ver que o caso do “Rei das Criptomoedas”, um golpista do Canadá que ficou em cativeiro por três dias, repercutiu mais no Brasil que o golpe da Braiscompany.
Vereador pede repercussão e agilidade da justiça no caso Braiscompany: “temos que caçar os picaretas”
Em seu desabafo público, Carlão lembrou que as famílias da Paraíba estão sem seus recursos para viver, com um rombo que ele acredita superar o 1 bilhão de reais.
Contudo, o vereador mostrou incomodo em ver que as pessoas no Brasil tomaram maior ciência de um golpe no Canadá que no próprio país. O parlamentar municipal pediu que o silêncio sobre o caso de Campina Grande não continue, com o caso sendo escancarado.
“Diversas famílias na Paraíba e no Brasil tiveram sua subsistência retirada por um empresário que causou uma fraude de R$ 420 milhões e os meios de comunicação de nosso país dão destaque ao sequestro do ‘Rei das Criptomoedas’ do Canadá. Vejo o silêncio sobre o caso de Campina Grande onde famílias perderam sua subsistência e tiveram suas vidas devastadas.”
Ele disse que os golpistas que estão se aproveitando do dinheiro da economia familiar das famílias paraibanas serão encontrados e presos. Para isso, ele pede que o Ministério Público e a Justiça sejam céleres em suas ações, para culpabilizar os golpistas que atuaram no estado nordestino.
“O Ministério Público e a Justiça precisam ser céleres porque o sofrimento destas famílias é grande. Não podemos silenciar e vou me colocar para ajudar na caça desses picaretas. Vamos extirpar essas pessoas da nossa economia.”
Para o futuro, ele prometeu ajudar na caça do casal dono da Braiscompany, Antônio Neto e Fabrícia Ais, ainda foragidos desde a Operação Halving da Polícia Federal.
“Vocês venderam sonhos e entregaram inferno na vida das pessoas”, diz vereador
Ao final de seu desabafo, gravado na tribuna da Câmara Municipal no dia 28 de março de 2023, Carlão lembrou que a empresa fraudulenta e seu líder, Antônio Neto, está deixando crianças sem dinheiro e seus pais sem recursos.
Com isso, ele entende que a Braiscompany vendeu muitos sonhos aos investidores, mas entregou apenas prejuízos.
O presidente da Associação Comercial e Empresarial de Campina Grande, Antônio Andrade, esteve na tarde desta quinta-feira, (30) na Audiência Pública promovida pela Câmara Municipal de Vereadores de Campina Grande para discutir o caso Braiscompany.
Antonio Andrade foi convidado pela Casa de Félix Araújo não só para representar a ACCG, mas todas as entidades representativas de classe do setor produtivo. Na oportunidade, Andrade falou sobre os impactos nos segmentos do setor produtivo e as possíveis providências que todos os entes podem tomar para minimizar os danos causados e aqueles que ainda irão impactar a economia da cidade.
Durante a Audiência, o presidente Antônio Andrade discorreu sobre os impactos que a cidade tem sentido, mas apontou que a força do empreendedor campinense deverá superar a crise enfrentada. “Apesar do impacto negativo sentido, não se tem ainda a quantificação; o prejuízo não é maior por conta do espírito aguerrido dos empreendedores, que fazem de tudo para manter suas empresas gerando emprego e renda”, frisou.
Andrade ainda lembrou que o “rombo” de 1,5 bilhão representa a mesma cifra que foi aprovada na CMCG como orçamento da prefeitura municipal e também equivale a 10% do PIB campinense. “É preciso recorrer às vias judiciais, que não é fácil, mas temos que essencialmente trabalhar conjuntamente, ou seja, setor privado, e tantos outros órgãos para encontrar caminhos para contornar a grave crise que poderá vir”, finalizou.
Termina hoje (31), o prazo para os consumidores com contratos com a Braiscompany realizarem o preenchimento do formulário online disponibilizado pelo MP-Procon (Programa de Proteção e Defesa do Consumidor do Ministério Público da Paraíba) para cadastro de reclamações.
Desde o último dia 2 de março, o MP já recebeu aproximadamente 900 reclamações sobre o caso.
Conforme explicou o diretor-geral do MP-Procon, o promotor Romualdo Tadeu, a partir de abril o formulário online não estará mais disponível, pois será iniciada uma nova fase da investigação.
Ele explicou a necessidade de estabelecer aos consumidores uma data-limite para o envio de reclamações, tendo em vista os prazos previstos na lei para que o MPPB ingresse com ação civil pública contra a empresa.
Entenda o caso
Em fevereiro deste ano o MPPB instaurou o Inquérito Civil para apurar denúncias de consumidores sobre o descumprimento de contratos celebrados com a empresa de criptoativos “Braiscompany”, com sede em Campina Grande. As informações enviadas ao órgão ministerial estão sendo anexadas ao inquérito civil, que tramita em sigilo.
A investigação na Braiscompany
A operação investiga uma movimentação financeira de R$ 1,5 bilhão feita pela Braiscompany em criptoativos. Dois mandados de prisão foram expedidos tendo como alvos o empresário, Antônio Neto, e a esposa dele, Fabrícia Farias Campos, que continuam foragidos.
Na operação a Justiça Federal também determinou o bloqueio de bens e a suspensão parcial das atividades da empresa.
Oito mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Campina Grande, João Pessoa e São Paulo.
Um vídeo flagrou a ação de pelo menos dois homens que entraram facilmente na sede da Braiscompany, em São Paulo, e removeram itens e bens do local. Até a última quarta-feira (29), todos os itens foram removidos do prédio, acabando com a operação paulista da empresa.
Nascida em Campina Grande, na Paraíba, a Braiscompany se espalhou pelo Brasil, enquanto prometia rendimentos fixos no mercado de criptomoedas. Com o casal Antônio e Fabrícia Ais comandando as operações, eles contavam com a ajuda de brokers na captação de novos investidores.
Muitos dos ex-brokers da Braiscompany defendiam a empresa, mesmo quando o atraso de saques aos clientes começou, no final de 2022.
Com o fechamento das sedes, tudo indica que o negócio acabou de vez, mesmo com alguns ainda defendendo a possível pirâmide financeira publicamente.
Enquanto clientes procuram na justiça alguma forma de reaver valores perdidos na Braiscompany, a empresa segue desocupando os imóveis que utilizou.
Um deles, em São Paulo, é mais um a ter todos os itens removidos do local, com um vídeo mostrando o início dos trabalhos.
De acordo com o material, que data do dia 26 de março de 2023, dois homens chegam na sede e começam a desocupar o local.
Entenda o fim da Braiscompany
Operando no mercado de criptomoedas, a Braiscompany surgiu em 2019, captando seus primeiros clientes, que acreditavam estar investindo em um negócio legítimo. Para convencer e captar novos clientes, a empresa alegava realizar a locação de criptoativos.
No ano de 2020, a empresa recebeu os primeiros indícios de fraude, quando a Operação Faraó de Tiago Reis denunciou publicamente a Braiscompany.
Desde então, a empresa tentou se defender e processou o fundador da Suno, em busca de passar uma falsa sensação de legalidade. Com suas operações se tornando mais famosas, o fundador da Braiscompany chegou a participar de uma audiência pública em Brasília, que discutia sobre golpes de criptomoedas.
Contudo, desde novembro de 2022, a Braiscompany começou a atrasar pela primeira vez os saques a clientes, situação que piorou no mês seguinte, em dezembro.
Ao entrar em 2023, nenhum cliente da empresa recebeu mais as promessas mensais fixas da empresa, o que escancarou a crise do possível golpe financeiro.
Com denúncias de investidores de todo o Brasil, a Polícia Federal deflagrou a Operação Halving contra o negócio em fevereiro de 2023, mas não encontrou os principais líderes, que seguem foragidos.
O juiz Francisco de Assis Barbosa Junior, da 2ª Vara do Trabalho de Campina Grande, determinou o bloqueio imediato de valores existentes em nome da Braiscompany Soluções Digitais e Treinamentos LTDA. A decisão tem a finalidade de garantir a execução futura de crédito trabalhista relativo a um funcionário da empresa que, desde janeiro deste ano, não recebe corretamente suas verbas salariais.
Na ação trabalhista, o autor pediu a liberação, por alvará judicial, dos valores depositados a título de FGTS, bem como para fins de processamento do seguro desemprego e pagamento de verbas rescisórias. Levando em consideração a ampla divulgação na imprensa do fim das atividades da empresa, aliado ao desconhecimento do paradeiro dos sócios, atualmente foragidos da justiça criminal, o magistrado avaliou que restam configurados o perigo de dano irreparável ou de difícil reparação.
“A empresa reclamada descumpriu as obrigações legais quanto ao pagamento correto das verbas salariais de seus funcionários, razão pela qual a declaração de rescisão indireta do pacto de labor é um mister legal. O perigo da demora resta provado pelo caráter alimentício das verbas trabalhistas”, destacou, declarando a rescisão indireta do contrato de trabalho do funcionário.
O caso
O Ministério Público da Paraíba instaurou um inquérito civil, em fevereiro deste ano, para apurar denúncias referentes à empresa de criptoativos Braiscompany, que estaria descumprindo contratos previamente firmados junto a consumidores. Além disso, os funcionários da empresa também ficaram prejudicados com a falta de pagamento de verbas salariais.
O caso se tornou um escândalo nacional, com dezenas de pessoas prejudicadas e com os sócios da empresa em paradeiro desconhecido. Entre as iniciativas com vistas a reparar os danos causados, estão a concessão, na Justiça Comum, de medidas restritivas como bloqueio de valores em contas bancárias e aplicações financeiras, bem como o sequestro de bens em nome da empresa e eventuais responsáveis.
A Câmara Municipal de Campina Grande vai realizar nesta quinta-feira (30), precisamente às 10h da manhã, uma audiência pública que tratará do impacto financeiro da empresa Braiscompany, investigada e alvo de uma operação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, por aplicar golpes por meio de investimentos no mercado cripto. As investigações apontam fortemente para a existência de uma pirâmide financeira.
O propositor da discussão é o vereador Anderson Almeida (foto), conhecido como “Pila”, do MDB. Em entrevista ao Jornal da Manhã, da rádio Caturité FM – maior audiência de Campina e região -, nesta quarta-feira, o edil comentou quem, além dos parlamentares, estará presente na audiência.
“Convidamos os chefes do Fórum de Campina, o MP-Procon, a OAB e os Procons estadual e municipal. Nós formalizamos um convite ao presidente da Associação Comercial e Empresarial de Campina Grande (ACCG), Antônio Andrade, porque precisamos saber se o comércio de Campina já está sentindo os impactos desse prejuízo financeiro gerado por essa empresa”, falou.
“Muita gente do comércio investiu nessa empresa. Só na Justiça de Campina Grande são cerca de 1.200 denúncias. Teve gente usando dinheiro de uma vida nesse negócio. Hoje o casal está foragido e nós precisamos levantar essa discussão para dar alguma resposta à cidade”, emendou.
Um levantamento feito pelo Judiciário paraibano aponta que só na cidade de Campina Grande, onde havia a sede da Braiscompany, já foram contabilizados um mil e setecentos processos judiciais de clientes contra a empresa.
A informação foi confirmada em entrevista na última sexta-feira (24) pelo advogado Rodrigo Reul, especialista em Direito do Consumidor. “O prejuízo estimado, de acordo com o MP, é de R$ 1,5 bilhão, e quando fazemos o raio-x de novas demandas que estão surgindo, contabilizamos mais de 1.700 processos só em Campina Grande”.
Ele fez um panorama das vítimas da empresa de criptoativos que foi alvo da Polícia Federal. O SEO da Braiscompany, Antônio Neto Ais, e sua esposa, Fabricia Ais, que também fazia parte do esquema, segundo as investigações, seguem foragidos.
De acordo com Reul, muitas vítimas se endividaram, perderam bens e fizeram empréstimos comprando a ideia de segurança passada pela empresa.
– A gente observa que o prejuízo imediato são daqueles investidores que fizeram aporte e deixaram de receber e outro são de pessoas que não tinham e colocaram bens como garantias para hipotecar, pegar empréstimo para colocar na empresa. O que mais assusta era a garantia de lucros físicos, a segurança que era vendida, colocaram suas vidas lá dentro – explicou.
O advogado também fez uma crítica ao sistema judiciário alegando que “O Estado falhou. O sistema de proteção ao consumidor falhou ao deixar que isso acontecesse e não foi feito nada. Isso não vem de hoje. O próprio Ministério Público havia aberto uma investigação e ela foi arquivada”, pontuou Reul.
Ele fez um alerta para que as vítimas da empresa denunciem e se cadastrem no MP e busquem os direitos dos consumidores para tentarem minimizar os prejuízos.
– O MP está com cadastro aberto para que as vítimas preencham. O consumidor pode se valer desse canal para tentar reaver seus prejuízos. É muito importante buscar orientação profissional e acionar os meios legais – finalizou.
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