Saúde

GORDINHOS PARA SEMPRE: Casais que vivem juntos por mais de um ano dobram o risco de engordar, revela estudo

Se as coisas vão bem, a vida a dois é como uma pizza: você engorda, não importa a hora que coma. Alguns estudos até indicam que a felicidade significa mais ganho de peso. Se as coisas derem errado, parece que podemos perder aqueles quilos extras na expectativa de “voltar ao mercado”.

Especialistas alertam que estudar o ganho de peso dos casais é um assunto particularmente difícil. Por um lado, geralmente há dados insuficientes sobre o consumo de alimentos a dois — nos ensaios apenas um de seus membros costuma participar a finco. Também não é fácil para os pesquisadores coletar informações sobre os hábitos que cada um tinha antes do relacionamento. Por fim, com a convivência costumam vir outros eventos vitais, como uma mudança de bairro, um novo emprego, outros amigos ou uma vida mais sedentária. Difícil calcular qual deles pode ser decisivo no ganho de peso.

Mas é possível chegar bem perto. Um dos primeiros estudo que associou a vida de casal ao ganho de peso foi publicado na revista Obesity. De acordo com os resultados, quanto mais tempo uma mulher passa em um relacionamento estável, mais quilos ela ganha. Para os homens, esse risco disparou nos dois primeiros anos de convivência e depois se estabilizou, mas as mulheres, alguns anos após começarem a viver juntos como casal, já dobravam o risco de obesidade em comparação com aquelas que ainda eram solteiras ou namoravam alguém.

A endocrinologista Ana de Hollanda, coordenadora da área de Obesidade da Sociedade Espanhola de Endocrinologia e Nutrição (GOSEEN), dá sua opinião sobre esse trabalho.

“O estudo mostrou que casais que começaram um relacionamento tinham tendência a ganhar peso, especialmente se a coabitação durou mais de um ano. É provável que uma situação mais estável facilite o ganho de peso, pois não estão procurando um parceiro. Provavelmente, o aumento da responsabilidade nos compromissos conjugais atrelado ao aumento da carga de trabalho, sedentarismo e estresse também podem explicar essas mudanças no peso.”

Para os autores era impossível apontar um único culpado. Em vez disso, eles indicaram uma série de mudanças na vida: horários e logística mais complicados que impossibilitavam dedicar tempo aos esportes ou a um estilo de vida mais ativo, mais refeições em restaurantes com amigos e mais tempo no sofá assistindo TV. Acima de todos esses fatores paira uma característica do ser humano: comer em boa companhia nos deixa eufóricos, então se estamos com alguém que come mais do que nós, provavelmente nos servimos porções maiores do que quando estamos sozinhos.

“Casal pede mais delivery para comer em casa”, confirma a nutricionista especialista em transtornos do comportamento alimentar e obesidade, Azahara Nieto. “E costumam pedir coisas que não são feitas em casa: pizza, hambúrguer, comida chinesa, sushi… tudo muito calórico” acrescenta.

O nutricionista Pablo Zumaquero, que acabou d epublicar o livro ‘Na segunda-feira já começo a dieta’ explica o porquê morar junto do companheiro é capaz de modificar os hábitos de alimentação.

“Diga-me com quem você mora e eu lhe direi como você come. O Junk food é mais agradável e se há um no casal que quer se cuidar e o outro não, o mais comum é que os maus hábitos vençam. Por outro lado, quando as pessoas vão morar juntas, as preocupações estéticas diminuem. Todo o peixe já está vendido.”

Para o especialista, o descontrole começa pelo lanche. “Pegue um vinho com batatas fritas como aperitivo ou assista a um filme da Netflix com sorvete e alguns biscoitos.”

Em 2016, outro teste mostrou que quanto mais feliz um casal era, mais gordos ficavam. Quem estava chateado ou prestes a sair de um relacionamento começou a lutar contra o excesso de peso, antes mesmo de pronunciar o clássico “precisamos conversar”. A pesquisa confirmou que casais que viviam juntos há mais de quatro anos dobravam o risco de excesso de peso em comparação com aqueles que não se sentiam muito à vontade com o relacionamento. Ao longo de quatro anos, os felizes ganharam em média quatro quilos.

“É um indicador de que as pessoas estão confortáveis ​​e priorizam o bem-estar sobre questões estéticas e físicas. Os menos felizes já estão motivados a sair no mercado e querem atrair um novo parceiro em potencial, então investem novamente na academia e cuidam mais da alimentação”, explica a professora de Psicologia da Hofstra University, e um dos coautores do estudo, Sarah Novak.

O ‘boicote’ do casal

Em casais é comum haver boicote. É assim que os nutricionistas entrevistados para esta reportagem chamam alguém que vai ao supermercado e compra tudo o que o outro não quer comer, ou alguém que insiste que faça duas refeições, porque não gosta de verduras, por exemplo.

“Na minha experiência, os boicotadores geralmente são homens, as mulheres são mais empáticas e facilitadoras, e estão mais acostumadas a cuidar da alimentação; é mais difícil para eles se adaptarem”, diz Azahara Nieto.

Em suas consultas, Pablo Zumaquero vê um padrão se repetir. Homens que comem mal e são ativos e mulheres que comem melhor, mas são sedentárias.

“Elas estão acostumadas a fechar a boca e a estar sempre de dieta. Os homens acreditam que não tem problema ir as vezes à academia.”

Zumaquero tem o hábito de iniciar suas consultas com uma pergunta: O que seu parceiro acha de você vir aqui? Segundo ele, as mudanças devem ser acordadas entre os três — médico e o casal.

“Sim, porque as mudanças têm que ser acordadas entre os três, eles e eu, e tenho que saber se estou pisando em terreno hostil. É muito difícil um casal fazer dieta”, diz a nutricionista, que prefere não recomendar mudanças muito radicais para evitar a rejeição.

A endocrinologista e nutricionista do Hospital Clínic de Barcelona, Ana de Hollanda, afirma que quando uma família faz dieta e emagrece, há um “contágio” para os demais que não foram submetidos a nenhuma dieta.

“Há dados espanhóis que comprovam isso. Se temos amigos que praticam esportes ou são obesos, é mais provável que também pratiquemos esportes ou sejamos obesos. Por isso, as intervenções para todo o grupo familiar podem ter um alcance maior do que as individuais.”

“O bom e o ruim se espalham e os hábitos são reeducados”, resume Nieto e alerta que nada será alcançado se as mudanças no estilo de vida não forem mantidas por mais de seis meses ou um ano. Outra questão é se os casais felizes querem deixar de ser felizes por perder alguns quilos.

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Brasil

Cervejas podem contribuir com a prevenção do Alzheimer, diz novo estudo

Uma das bebidas mais populares e antigas do mundo, a cerveja, pode causar diversos problemas se usada em excesso, entretanto, um novo estudo, publicado recentemente na revista ACS Chemical Neuroscience, mostra que produtos químicos extraídos das flores de lúpulo, responsáveis pelo amargor e aroma à cerveja, podem inibir a aglomeração de proteínas beta amiloides, que está associada à doença de Alzheimer.

Os pesquisadores criaram e caracterizaram extratos de quatro variedades comuns de lúpulo usando um método semelhante ao usado no processo de fabricação de cerveja. Em testes, eles descobriram que os extratos tinham propriedades antioxidantes e poderiam impedir que as proteínas beta amiloides se aglutinassem nas células nervosas humanas. O extrato de maior sucesso foi do lúpulo Tettnang, encontrado em muitos tipos de cervejas.

Quando esse extrato foi separado em frações, aquele contendo um alto nível de polifenóis mostrou a atividade antibiótica e inibidora de agregação mais potente. Também promoveu processos que permitem que o corpo elimine proteínas neurotóxicas mal dobradas.

Por fim, a equipe testou o extrato de Tettnang em um modelo de verme microscópico e descobriu que o protegia de paralisias relacionadas ao Alzheimer.

O Globo

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Covid-19

Bebês a partir dos seis meses podem se vacinar contra a Covid-19 nesta segunda em JP

Nesta segunda-feira (14), além das unidades de saúde da família (USF) e policlínicas municipais, as vacinas contra a Covid-19 também podem ser administradas no Centro de Imunização, localizado na Torre a partir das 8h. Já o Shopping Mangabeira, que conta com um ponto fixo de apoio no estacionamento, funciona no período das 13h às 22h e está vacinando com todas as vacinas de campanha e de rotina.

Podem receber as vacinas contra a Covid-19 o público a partir de seis meses de idade com comorbidade (1ª dose); três anos de idade (1ª dose); além das segundas doses da Coronavac (28 dias após a primeira), Pfizer (60 dias), Astrazeneca (90 dias) e Janssen. A vacina Coronavac está sendo ofertada apenas na Policlínica Municipal de Mangabeira, enquanto a rede municipal aguarda novas remessas do imunizante do Governo Federal.

Já a terceira dose está disponível ao público 12+ (120 dias após a segunda dose), imunossuprimidos (28 dias) e trabalhadores de saúde (120 dias); e a quarta dose é voltada ao público de 30 e 39 anos, que recebeu a terceira dose há pelo menos 120 dias.

“Para crianças de 3 e 4 anos estamos aguardando a reposição do Ministério da Saúde com novas remessas da Coronavac, que é produzida pelo Instituto Butantan. A Pfizer pode ser utilizada em crianças a partir de 5 anos e nesta segunda, a Prefeitura recebeu novos imunizantes específicos destinadas a crianças a partir de seis meses de idade a 2 anos, ampliando e garantindo a proteção da população”, explicou Fernando Virgolino, chefe da Seção de Imunização da Prefeitura.

“Assim que recebermos os novos lotes de imunizantes da Coronavac, faremos comunicado, com divulgação ampla com objetivo de promover e garantir o cuidado preventivo desse grupo em especial”, completou o coordenador.

O Ministério da Saúde (MS) recomenda que as vacinas contra a Covid-19 podem ser administradas simultaneamente com os imunizantes do calendário vacinal.

G1

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Covid-19

Secretaria do Ministério da Saúde recomenda uso de máscara após avanço da Covid

Em nota técnica divulgada neste sábado (12), a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde recomenda aos estados e municípios a retomada do uso de máscara e a higienização frequente das mãos com álcool em gel ou água e sabão.

O órgão ressalta que a medida deve ser seguida principalmente “por indivíduos com fatores de risco para complicações da covid-19 (em especial imunossuprimidos, idosos, gestantes e pessoas com múltiplas comorbidades)”. Também devem ser levadas em consideração as pessoas que tiveram contato com casos confirmados de Covid-19 e quem frequentar locais fechados e mal ventilados, com aglomeração e serviços de saúde.

A orientação é feita após o número de novos casos de Covid-19 encerrar a semana com alta de 134% em relação ao dias anteriores, segundo dados do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass).

De 6 a 12 de novembro, o país registrou 61.564 infecções pelo coronavírus. Nos 7 dias anteriores, de 30 de outubro até o dia 5 deste mês, foram contabilizadas 26.304 contaminações.

O total de mortes causadas pela Covid-19 também subiu, mas em um ritmo menor. Foram 312 óbitos na semana encerrada neste sábado, contra 251 do período anterior. Alta de 24,3%.

Metrópoles

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Brasil

Marcelo Queiroga faz apelo após avanço da Covid-19 no país: “Busquem as salas de vacinação”

O Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, fez um apelo neste sábado (12) para que a população brasileira busque as salas de vacinação espalhadas pelo país,  após o Brasil registrar um aumento no número de casos de Covid-19. Nas redes sociais, o paraibano lembrou dos brasileiros que ainda não tomaram nem a primeira dose do imunizante.

“Quero lembrar também que mais de 69 milhões de brasileiros não tomaram a primeira dose de reforço contra a Covid-19. Já 32,8 milhões de pessoas poderiam ter recebido a segunda dose de reforço contra a doença, mas ainda não se vacinaram.” lembrou.

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Saúde

Após Paraíba registrar casos graves de covid-19, JP retoma testes de forma espontânea, nesta quarta-feira

É possível ter covid-19 duas vezes em menos de 90 dias? | Saúde
Após aumentar para dez, o número de casos de coronavírus registrados apenas nesta primeira semana de novembro, na Paraíba, a Prefeitura de João Pessoa retornará a oferta de testes para detecção da Covid-19 por demanda espontânea, ou seja, sem necessidade de solicitação de um médico.

Os testes serão realizados, por meio de agendamento, em Unidades de Saúde da Família (USF) e sem necessidade de agendamento nas Policlínicas do Cristo e de Jaguaribe, a partir desta quarta-feira (9).

Podem ter acesso à testagem pessoas que estão no período de três a sete dias de sintomas gripais ou que tiveram contato com pessoas que testaram positivo para a doença. Para agendar o teste, o interessado deverá acessar o aplicativo Vacina JP ou o site vacina.joaopessoa.pb.gov.br, a partir das 19h do dia anterior.

As unidades disponíveis para realização dos testes estarão listadas no canal de agendamento. O horário de testagem nas USF é das 13h às 16h, de segunda a sexta-feira. Já na Policlínica de Jaguaribe é das 8h às 11h; e na Policlínica do Cristo é das 8h às 11h e das 13h às 16h.

No momento da testagem, é preciso apresentar os documentos pessoais (RG e CPF) e comprovante de residência em João Pessoa. O resultado do teste é disponibilizado em um tempo médio de 15 minutos e os casos positivos para Covid-19 serão orientados pelo médico da unidade, que fará os encaminhamentos necessários.

Blog do BG PB

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Saúde

ALERTA: Paraíba durante primeira semana de novembro, registra aumento de casos graves de covid-19,

Por que as variantes BA.4 e BA.5 da Omicron estão causando novos surtos nos  EUA? | National Geographic

A Secretaria de Estado da Saúde (SES) registrou um aumento de casos graves da covid-19 neste início do mês de novembro. Até esta segunda-feira (7) foram regulados 10 pacientes para a rede hospitalar de referência para o agravo. O quantitativo já corresponde ao total de internações de todo o mês outubro, sendo a maioria composta pela população acima de 18 anos. Nas últimas 24h foram registrados 80 casos, destes 60 no município de João Pessoa, 5 em Cajazeiras e 3 em Cabedelo.

De acordo com a secretária de Saúde da Paraíba, Renata Nóbrega, as formas de evitar casos graves da doença são por meio do esquema vacinal completo, com duas doses primárias somadas aos devidos reforços (de acordo com a faixa etária) e com o uso de máscaras para proteção pessoal, ou em caso de sintomas.

Atualmente, a cobertura vacinal para primeira dose de reforço acima dos 12 anos gira em torno de 55,88%, enquanto o segundo reforço, para a população acima de 30 anos, é de 20,56%.

Blog do BG

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Paraíba

AVANÇOS: Projeto da UFPB pretende evitar riscos de amputação de pés de diabéticos

Diabetes

Problemas de circulação nos membros inferiores e infecções são só algumas das alterações que podem ocorrer em pessoas com a diabetes não controlada. A questão se agrava quando as complicações provocam o aumento de feridas que não cicatrizam e podem levar a situações preocupantes, chegando até à necessidade de amputação, em alguns casos.

De acordo com o médico e professor Francisco Chavier Vieira Bandeira, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), mais de 30% dos pacientes diabéticos desenvolvem uma úlcera nos pés ao longo da vida e 85% das amputações nos diabéticos têm como causa inicial uma úlcera nos pés.

Nesse sentido, um grupo de alunos de medicina, coordenado pelo professor Francisco Bandeira, do Departamento de Cirurgia do Centro de Ciências Médicas da UFPB (CCM), desenvolve o projeto “Intervenção educativa contínua para conscientização da população sobre os cuidados com o pé diabético”.

Iniciado em 2016, o projeto de abordagem educativa alcança cerca de 100 pacientes do Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW), por semestre, com orientações sobre os cuidados com os pés dos diabéticos. “Uma das principais orientações é sobre como evitar a micose, a exemplo da frieira, entre os dedos, que é uma porta de entrada para infecção e, se não tratada, a infecção pode iniciar, ascender e terminar em uma amputação do pé ou da perna, ou até da coxa e, dependendo da evolução, pode até causar a morte do paciente”, exemplificou o professor Francisco Chavier Vieira Bandeira

Blog do BG

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Brasil

Consumo de ultraprocessados provoca 57 mil mortes por ano no Brasil, revela estudo

Um estudo realizado por pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo), da Fiocruz e da Universidad de Santiago de Chile, publicado no American Journal of Preventive Medicine, pela primeira vez calculou o número de mortes prematuras (de 30 a 69 anos) associadas ao consumo de ultraprocessados no Brasil: são aproximadamente 57 mil óbitos por ano, com base em dados de 2019.

Só para se ter uma ideia, isso é mais do que o total de homicídios no país no mesmo período —foram 45,5 mil em 2019, segundo o Atlas da Violência— e do que a soma de mortes ao ano por câncer de pulmão (28,6 mil) e de mama (18 mil), os dois tipos de tumores que mais matam no país, segundo dados do Inca (Instituto Nacional de Câncer).

Os ultraprocessados são formulações industriais feitas com partes de alimentos e que geralmente contêm aditivos sintetizados em laboratório, como corantes, conservantes e aromatizantes: são guloseimas industrializadas, salgadinhos de pacote, refrigerantes, pizzas congeladas, salsichas, nuggets etc.

Existe um conjunto crescente de pesquisas robustas apontando que o consumo desses produtos está relacionado ao aumento de peso e ao risco de várias doenças não transmissíveis, como diabetes, problemas cardiovasculares e câncer. Os autores do artigo partiram desse acúmulo de evidências para construir um modelo que leva em conta os riscos do consumo de ultraprocessados e os associa a mortes em geral.

Embora estudos de modelagem anteriores tenham estimado os impactos na saúde dos chamados “nutrientes críticos” —como sódio, gordura saturada e açúcar—, ainda não havia nenhum que calculasse as mortes prematuras atribuíveis ao consumo de ultraprocessados em geral.

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Imagem: Denise Matsumoto/ O Joio e O Trigo

Eduardo Nilson, pesquisador do Nupens (Núcleo de Pesquisas em Nutrição e Saúde) da USP e um dos autores do trabalho, aponta que, justamente pelo fato de os ultraprocessados afetarem o organismo de tantas formas, ele e seus colegas optaram por estimar as mortes por todas as causas —e não apenas por doenças determinadas.

Quando ele diz que o modelo inclui mortes por todas as causas, são todas mesmo, inclusive as não naturais. Isso pode parecer estranho à primeira vista, mas o autor explica: “Essa é uma forma de dimensionar a carga total de determinado fator de risco —nesse caso, o consumo de ultraprocessados— nas mortes totais na população desta faixa etária.”

Segundo o pesquisador, se não existisse nenhum consumo desses produtos, é claro que ainda haveria muitas mortes, já que pessoas continuariam sofrendo acidentes, sendo vítimas de homicídio, tendo doenças infectocontagiosas e até mesmo desenvolvendo doenças crônicas não transmissíveis, pois há muitos outros fatores de risco para elas. “Mas a ideia do estudo foi justamente estimar, entre as mortes prematuras por todas as causas possíveis, quantas são associadas ao consumo de ultraprocessados, pois os riscos relativos utilizados nos cálculos incorporam isso”, afirma ele.

Chegando aos números

Segundo a última Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE —que englobou os anos de 2017 e 2018—, em média, 19,7% das calorias ingeridas pelos brasileiros vêm de ultraprocessados. Se pensarmos em um consumo de duas mil calorias por dia para uma pessoa, seriam cerca de 400 calorias provenientes de ultraprocessados —o que equivale a um pacote de macarrão instantâneo, por exemplo.

Para criar o modelo que calcula as mortes, os pesquisadores utilizaram as informações da POF junto com dados demográficos e de mortalidade para 2019. Acrescentaram a isso os riscos relativos a cada faixa de consumo de ultraprocessados. Esses riscos, por sua vez, foram calculados com base em uma recente metanálise— uma pesquisa extensa que revisou sistematicamente vários estudos sobre a relação entre o consumo de ultraprocessados e o estado de saúde.

“As estatísticas sobre o consumo de ultraprocessados e o risco disponível na literatura científica geraram um percentual que multiplicamos pelas mortes totais, para descobrir quantas são atribuíveis ao consumo”, explica Nilson.

Ao todo, 541,1 mil pessoas de 30 a 69 anos morreram no Brasil em 2019. Desse total de mortes, consideradas prematuras, 57 mil, ou 10,5%, foram associadas ao consumo de ultraprocessados, segundo a estimativa do modelo. A maioria das mortes atribuíveis aos ultraprocessados ocorreu entre homens (60%). Em relação à faixa etária, os óbitos foram mais numerosos entre pessoas entre 50 e 69 anos (68%).

Os pesquisadores estimaram ainda os óbitos que poderiam ser evitados se o consumo total desses produtos por parte dos brasileiros diminuísse. Caso a população como um todo reduzisse a proporção de ultraprocessados na ingestão total de energia em 10%, 20% ou 50%, seriam poupadas 5,9 mil, 12 mil e 29,3 mil vidas por ano, respectivamente.

São três cenários em que o Brasil já esteve:

“Reduzir o consumo em 20% seria retornar ao que tínhamos há apenas uma década. Ou seja, se não tivesse havido aumento no consumo, hoje teríamos 12 mil mortes a menos por ano. Já a redução de 50% equivale ao consumo que tínhamos ainda antes, nos anos 1990. Se nós já tivemos consumo menor, então é factível voltar a isso”

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Imagem: Denise Matsumoto/ O Joio e O Trigo

Só que, em vez de diminuir, nosso consumo de ultraprocessados não para de crescer. “A gente vê uma tendência de crescimento dos ultraprocessados substituindo a dieta tradicional. Há vários motivos para isso, mas um fator determinante é, sem dúvidas, o preço: temos estudos mostrando que há uma tendência de redução nos preços dos ultraprocessados, enquanto o de alimentos frescos, in natura e minimamente processados está crescendo. Isso é muito cruel porque afeta principalmente as populações de menor renda, mais vulneráveis”, analisa o pesquisador.

Este ano, pela primeira vez, os ultraprocessados estão se tornando, na média, mais baratos do que os alimentos frescos.

O futuro é logo ali

Em alguns países de alta renda, como Estados Unidos e Canadá, os ultraprocessados já representam perto de metade do total de energia dietética consumida. O Brasil, com seus 19,7%, ainda não está lá. Mas o que acontece se o consumo continuar subindo?

Com o mesmo modelo utilizado na pesquisa, Nilson já fez estimativas nesse sentido. Se o Brasil se igualar ao México, onde a participação calórica de ultraprocessados é de 29,8%, as mortes atribuíveis a esse consumo podem praticamente dobrar, chegando a 113 mil.

Se chegarmos ao nível dos Estados Unidos (onde os ultraprocessados já representam em média 57% do consumo calórico), podemos ter, todos os anos, 194 mil mortes por conta desses produtos

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Imagem: Denise Matsumoto/ O Joio e O Trigo

Essas estimativas foram apresentadas recentemente à Rede Informas (uma rede global de organizações e pesquisadores que estuda sistemas alimentares, obesidade e doenças não transmissíveis).

Viva Bem – UOL

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Brasil

VÍDEO: Marcelo Queiroga faz apelo aos pais sobre a poliomielite: ‘Vacinem suas crianças’

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, realizou neste domingo (6) um pronunciamento em rede nacional de rádio e TV, para incentivar a vacinação contra a poliomielite e pediu que pais e responsáveis “vacinem suas crianças”. O chefe da pasta lembrou que a cobertura vacinal contra a doença está abaixo do ideal.

“Faço um apelo aos pais, avós e responsáveis: vacinem suas crianças contra a poliomielite. Não podemos negar esses direito ao futuro do nosso Brasil. Não podemos aceitar que ninguém, especialmente as nossas crianças, adoeçam e morram de doenças para as quais já existe vacina há tanto tempo”, disse.

O Brasil não registra casos de poliomielite desde 1989, graças à boa cobertura vacinal do público-alvo, que são as crianças até 5 anos. Em 1994, o país recebeu certificação da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) de que é uma área livre do poliovírus selvagem.

Mas, recentemente, a representante da Opas no Brasil, Socorro Gross, reafirmou que o risco de retorno da poliomielite é real nas Américas.

O ministro destacou que a baixa cobertura, na casa dos 70%, tem sido uma dificuldade enfrentada também por outros países. Para mostrar que é possível atingir a meta no Brasil, Queiroga citou exemplos de estados como a Paraíba e o Amapá, que superaram a marca de 90% do público-alvo.

Queiroga também garantiu que o ministério está “empenhado para manter o Brasil livre da poliomielite”. Ele citou ações que incluem a campanha de vacinação e disponibilização das vacinas nos centros de saúde.

“Nessa semana, o Ministério da Saúde lançou o Plano Nacional de Resposta à Poliomielite, que tem como base o fortalecimento da vigilância epidemiológica e laboratorial, e será implementado em conjunto com estados e municípios, com o objetivo de manter a erradicação do vírus”, explicou.

O plano de trabalho foi lançado na última terça-feira (1º). Entre as ações prioritárias está o fortalecimento da vigilância epidemiológica e da vacinação.

O Plano Nacional de Resposta a Evento de Detecção de Poliovírus e Surto de Poliomielite pretende estabelecer uma resposta coordenada, diretrizes e cronogramas para o fluxo de notificação, investigação e avaliação dos casos.

Nos dias 17 e 18 deste mês, o plano deve ser discutido com os estados. A capacitação de profissionais está marcada para iniciar no primeiro semestre de 2023.

UOL

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