Brasil

Filho de Lula recebeu mesada do Careca do INSS, diz testemunha

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS tem indícios apurados pela Polícia Federal de que Fábio Luís Lula da Silva, 50 anos, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com Marisa Letícia (1950-2017), manteve relação de proximidade e até uma sociedade empresarial com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido nos meios políticos como Careca do INSS e que está preso desde 12 de setembro de 2025.

Em um depoimento relevante sobre as fraudes na Previdência, uma pessoa afirmou que Lulinha, como o filho do presidente é chamado, foi recebedor de valores do Careca do INSS: uma cifra aproximada de 25 milhões (a CPMI não sabe em qual moeda) e pagamentos mensais de “cerca de R$ 300 mil” (que é tratado como “mesada”), sem especificar o período. Além disso, o filho do presidente da República também fez viagens junto com o Careca do INSS para Portugal, segundo depoimento coletado nas investigações. Todos esses dados foram antecipados pelo Drive, a newsletter exclusiva para assinantes corporativos do Poder360.

Essas informações eram até agora desconhecidas com esse nível de detalhe e foram fornecidas por Edson Claro, ex-funcionário do Careca do INSS e que se diz ameaçado pelo ex-patrão. O Poder360 teve acesso aos dados por meio de integrantes da CPMI do INSS.

A investigação em curso no Congresso sobre fraudes contra beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social tentou convocar Edson Claro para depor. Houve fortíssima resistência por parte dos deputados e senadores governistas quando a proposta foi apresentada, em 2 de outubro de 2025. Prevaleceu o desejo do Planalto e a convocação foi barrada.

Só que Edson Claro é um dos alvos da investigação que está em curso na PF. Ele prestou depoimento em 29 de outubro de 2025. O conteúdo chegou para alguns integrantes da CPMI e o Poder360 também teve acesso na condição de não divulgar a íntegra. Edson Claro fez nessa ocasião revelações graves contra Lulinha – embora não tenha havido até agora coleta de provas para comprovar o que afirma o ex-funcionário do Careca do INSS.

O Poder360 tentou durante a quarta-feira (3) entrar em contato com todos os citados nesta reportagem. Fábio Luís Lula da Silva vive na Espanha e o Poder360 tentou contactá-lo por meio de seu ex-advogado e amigo Marco Aurélio Carvalho. “Não consegui falar com Fábio, talvez por causa do fuso horário. Mas acho que essa acusação é absolutamente pirotécnica e improvável. É mais uma tentativa de desgastar a imagem de Fábio Luís”, disse Marco Aurélio. Leia ao final desta reportagem o que dizem os citados nas investigações.

Não fica claro o tipo de sociedade que Lulinha tem ou pode ter mantido com o Careca do INSS com base no que diz Edson Claro. Uma possibilidade que está nas investigações é que ambos possam ter relação com um empreendimento chamado World Cannabis, cujas operações estão no Brasil, em Portugal, nos Estados Unidos e na Colômbia. A empresa tem sede em Brasília. O nome fantasia é World Cannabis, mas a razão social Camilo Comércio e Serviços S/A (CNPJ 50.442.926/0001-05) e está registrada na Quadra QS 1, rua 212, Lotes 19, 21 e, 23, bloco D, sala 2.601, parte C2 no bairro Areal, na região administrativa Águas Claras, em Brasília. Os sócios públicos são Antônio Carlos Camilo Antunes e Romeu Carvalho Antunes.

A finalidade oficial da empresa é a venda de Cannabis medicinal, que seria produzida em Portugal. A PF suspeita, entretanto, que a empresa servia para o Careca do INSS lavar dinheiro que havia sido obtido ilegalmente por meio das fraudes em descontos associativos de beneficiários do INSS. É essa a conclusão da investigação até agora, segundo consta em documentos com a CPMI.

CONTADOR, PT, ROBERTA E PORTUGAL

As citações a Fábio Luís Lula da Silva nas investigações conduzidas até agora são fartas. O filho do presidente é citado em situações em que ele poderia ajudar de alguma forma os acusados de fraudar o INSS.

Nas conversas pelo aplicativo de mensagens WhatsApp, uma pessoa que conversa com o Careca do INSS diz estar preocupada com a possibilidade de a mídia associá-lo a Lulinha por causa dos negócios da World Cannabis. O Careca do INSS responde tentando tranquilizar a pessoa dizendo que seu aparelho telefônico não havia sido apreendido. Essa e outras reproduções de conversas via WhatsApp fazem parte da investigação em curso.

Lulinha aparece de várias formas em imagens com as reproduções das conversas de WhatsApp. Às vezes é “nosso amigo”. É também citado num envelope com um ingresso para um show como “Fábio (filho Lula)”. Em outro trecho, tem isto: “Mas eh mais do mesmo. Vão tentar jogar o Fábio dentro disso”. Num diálogo, há uma afirmação sobre Lulinha: “Meu amigo gostou”. Não se sabe exatamente o que teria agradado ao filho do presidente da República.

As dúvidas que ainda persistem sobre a exata relação entre Lulinha e o Careca do INSS se dão porque a prospecção de dados segue de maneira lenta. O escândalo do INSS se tornou público em abril. Até agora, as investigações não avançaram a respeito do que poderia ser o eventual envolvimento do filho do presidente.

É que há no momento um racha dentro da Polícia Federal, segundo apurou o Poder360. Uma ala acha que deveria ser acelerada a investigação para esclarecer a participação ou não de Lulinha em algum esquema com o Careca do INSS. Outro grupo dentro da PF considera ser precipitado avançar com alguma medida mais drástica e que só há indícios frágeis.

Até agora, tem prevalecido na Polícia Federal o entendimento de que o filho do presidente da República não está “diretamente envolvido nas condutas relativas aos descontos associativos fraudulentos”.

Para essa ala da PF mais fiel ao presidente Lula, a interpretação geral é que no meio político é comum indivíduos afirmarem deter proximidade ou influência junto a terceiros para tentar obter vantagens. Ocorre que a proximidade de Lulinha com os envolvidos nas fraudes do INSS, pelo que foi coletado até agora, sugere haver indícios que poderiam ser mais investigados.

Para começar há um RIF (Relatório de Inteligência Financeira) emitido pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) e guardado pela CPMI do INSS. Trata-se do RIF nº 133.609 (íntegra da transcrição do arquivo – PDF – 230 kB).

Esse documento trata de movimentações de dinheiro de Ricardo Bimbo Troccolli, secretário Nacional de Ciência e Tecnologia da Informação do Partido dos Trabalhadores (PT). Bimbo é dono da Datacore Informática, que recebeu R$ 11,1 milhões de empresas ligadas a associações que são acusadas de fraudar aposentados e beneficiários do INSS.

O mais relevante no relatório do Coaf, entretanto, é que foi identificada “a realização de pagamentos de boletos de cobrança a terceiros” que, numa amostragem, revelam que Ricardo Bimbo fez um pagamento para João Muniz Leite no valor de R$ 10.354,60. Muniz Leite foi no passado contador de integrantes da família do presidente Lula, inclusive do próprio Lula e de Lulinha.

As investigações também atestam que Fábio Luís Lula da Silva tem relação de amizade com Roberta Moreira Luchsinger. Ela se apresenta como uma pessoa bem relacionada em Brasília e com muitos contatos com integrantes do governo Lula.

No que foi descoberto até agora, Roberta e o Careca do INSS passaram a discutir formas de criar esquemas para esquentar o dinheiro que as investigações indicam ter sido obtido com fraudes contra aposentados. Segundo a Polícia Federal informou à CPMI, os indícios mostram que não havia uma relação de subordinação entre ambos, mas uma espécie de “atuação societária”. Os 2 frequentaram órgãos públicos, citando projetos que seriam implementados no governo federal e demonstravam ter um vínculo colaborativo que, no curso das investigações, foi considerado uma conduta descrita no artigo 332 do Código Penal: tráfico de influência.

Nas conversas entre Roberta e o Careca do INSS que estão no material na CPMI, é comum haver citações a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Só que além dessas menções que podem resultar ao final da investigação como prova da relação entre eles, há também outros indícios da proximidade de Roberta com o filho do presidente da República.

O Poder360 apurou, e a PF tem essa relação, que Roberta e Lulinha têm registros de várias viagens de avião juntos e com reservas com o mesmo código localizador compartilhado:

  •     Guarulhos para Lisboa (Portugal) (13.jun.2024) – voo TAP 0088 e código localizador 4FUJPX
  •     Congonhas para Brasília (29.abr.2025) – voo Latam 4700 e código localizador MKRQIZ;
  •     Congonhas para Brasília (27.mai.2025) – voo Latam 3606 e código localizador WAUUEX;
  •     Brasília para Congonhas (29.mai.2025) – voo Latam 3606 e código localizador DCWWNL;
  •     Guarulhos para São Luís (MA) (19.jun.2025) – voo Latam 3612 e código localizador CHEWWQ;
  •     Congonhas para Brasília (24.jun.2025) – voo Latam 4700 e código localizador MSPQMW;

Em julho, Lulinha se mudou com a família para a Espanha. O escândalo do INSS já estava com grande visibilidade na mídia. O Palácio do Planalto enviou emissários para falar com integrantes da CPMI, segundo apurou o Poder360, para que fosse evitada uma perseguição ao filho do presidente da República. Muitos à época não entenderam o pedido: é que ninguém ainda sabia do possível envolvimento de Lulinha com o Careca do INSS. Hoje, acreditam que o Planalto soube com antecedência por meio da Polícia Federal sobre o que poderia aparecer.

Se vier a ser confirmada essa informação, com provas, de que o presidente da República soube com antecedência das menções ao seu filho no material apreendido pela PF, pode ser aberta uma nova linha de investigação. Não deve haver esse tipo de comunicação antecipada ao Palácio do Planalto.

Tudo ainda se trata de indício sem comprovação firme. Na história recente brasileira, entretanto, muitas vezes o Supremo Tribunal Federal admitiu investigações com base em acusações ou suposições iniciais. Por exemplo, em 2 de setembro de 2017, o então ministro do STF Roberto Barroso mandou investigar o presidente da República à época Michel Temer.

“A instauração de inquérito perante o Supremo Tribunal Federal, consoante jurisprudência pacífica, exige tão somente a presença de indícios mínimos de autoria e materialidade. Não se procede, nesta fase, com o rigor exigível para o recebimento de uma denúncia”, escreveu Barroso.

Até agora os indícios coletados mostram que a relação entre Roberta e o Careca do INSS começou no final de 2024, justamente quando os esquemas de descontos associativos de aposentados chegaram a valores recordes.

Foi a partir dessa época que o Careca do INSS firmou um contrato de consultoria com Roberta que, segundo os documentos que a CPMI teve acesso, aparentemente não tem um respaldo técnico ou operacional. A impressão dos investigadores, segundo apurou o Poder360, é que essa era uma prática recorrente nas atividades empresariais do Careca do INSS, com emissão de notas fiscais sem que se pudesse identificar o serviço que estava sendo prestado ou recebido. Relatórios do Coaf mostram que Roberta recebeu mais de R$ 1 milhão do Careca do INSS.

OUTRO LADO

Por meio de seu advogado, Roberta Luchsinger, enviou nota ao Poder360. Disse que a empresária “jamais teve qualquer relação com descontos do INSS”. Roberta atua com a “prospecção e intermediação de negócios com empresas nacionais e estrangeiras e, nesse âmbito, foi procurada no ano passado pela empresa” do Careca do INSS para atuar “na regulação do setor de empresas de canabidiol”.

O representante de Roberta diz que “os negócios se mantiveram apenas em tratativas iniciais e não chegaram a prosperar”. Afirma também que Roberta “possui relação pessoal com Fábio Luís e sua família há vários anos, razão de terem feito viagens de passeio juntos inúmeras vezes”.

O advogado de Antônio Carlos Camilo Antunes informou que não teve acesso às informações descritas na reportagem e, por isso, as desconhece. Não quis comentar.

O Poder360 entrou em contato com Ricardo Bimbo, que repassou o pedido para sua assessoria de imprensa. O Poder360 enviou os questionamentos, mas não obteve resposta.

O Poder360 não conseguiu localizar o contato de Edson Claro e de João Muniz Leite.

Poder360

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Câmara reage ao STF e aprova PL que reduz poder de decisões individuais de ministros

Foto: Renato Araújo / Câmara dos Deputados

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou nesta quarta-feira (3) o Projeto de Lei 3.640/2023, que limita decisões monocráticas de ministros do Supremo Tribunal Federal. O texto, aprovado em caráter terminativo, segue direto para o Senado e impede que um único ministro suspenda leis aprovadas pelo Congresso sem que a medida seja rapidamente submetida ao plenário da Corte.

A votação ocorreu poucas horas após o ministro Gilmar Mendes determinar que apenas a Procuradoria-Geral da República pode protocolar pedidos de impeachment contra ministros do STF, além de exigir votação de dois terços do Senado para qualquer afastamento — decisão que gerou forte reação no Legislativo. O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, classificou a medida como preocupante e cobrou respeito às prerrogativas do Parlamento.

Pelo projeto aprovado, partidos que não alcançarem a cláusula de barreira deixam de poder propor ações diretas no STF, restringindo o acesso de legendas nanicas à Corte. Além disso, qualquer medida individual de ministro deverá ser justificada e levada ao colegiado na sessão seguinte, reduzindo o alcance das decisões unilaterais.

O movimento do Congresso ocorre em meio ao desgaste entre Legislativo e Judiciário sobre limites institucionais. Parlamentares defendem que mudanças desse tipo devem ser feitas por lei, para evitar que decisões de um único ministro modifiquem normas aprovadas pelas duas Casas e sancionadas pela Presidência.

Com informações do Metrópoles

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Alcolumbre promete reagir à decisão de Gilmar Mendes que blinda ministros do STF de impeachment

Foto: Montagem/O GLOBO

A decisão do ministro Gilmar Mendes, do STF, de revisar as regras de impeachment de ministros da Corte — medida que tende a dificultar afastamentos baseados apenas em decisões judiciais — causou forte reação no Congresso.

Segundo apuração do jornalista Túlio Amâncio, da Band, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, ficou visivelmente irritado com a decisão monocrática e classificou o gesto como uma forma de blindagem do Supremo. Ele tem demonstrado preocupação com um possível desequilíbrio entre os Poderes e já estuda alternativas de resposta institucional.

Nos corredores do Parlamento, o clima é de tensão. A avaliação entre senadores e deputados é que mudanças nos mecanismos de controle sobre o Judiciário podem fortalecer excessivamente o STF em relação ao Legislativo e ao Executivo. Alcolumbre afirmou a aliados que o Congresso deverá reagir de maneira institucional ao movimento do ministro.

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Quem bate em mulher não precisa votar em mim, diz Lula

Foto: Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta quarta-feira (3) que “quem bate em mulher” não precisa votar nele. Em entrevista à TV Verdes Mares, o petista mencionou uma campanha nacional para combater a violência contra as mulheres no país.

“Nós homens vamos ter que criar juízo, criar vergonha, nos educar e ao invés de ser violência contra a mulher, tratá-las com respeito”, afirmou. Segundo Lula, seu objetivo será fazer um “movimento dos homens de bem” contra o feminicídio.

As declarações acontecem após uma série de casos de repercussão nacional envolvendo agressões desse tipo. Na maior cidade do país, São Paulo, entre janeiro e outubro deste ano, o número de casos de feminicídio foi o maior desde o início da série histórica, em 2015. Somente em 2025, foram 53 casos.

CNN

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CPMI do INSS votará convocação de Lulinha, filho de Lula; senadores querem explicações sobre suposto esquema

Foto: Reprodução

A CPMI do INSS deve votar nesta quinta-feira (4) a convocação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Lula. A informação foi confirmada pelo senador Carlos Viana (Podemos-MG). O pedido foi apresentado por Eduardo Girão (Novo-CE), que cita depoimentos apontando a existência de uma “engrenagem criminosa altamente estruturada” envolvendo fraudes no instituto.

Segundo o requerimento, o advogado Eli Cohen detalhou a atuação de empresas, lobistas e intermediários que teriam participado do esquema, incluindo a ADS Soluções e Marketing — apontada como repassadora de valores a dirigentes petistas e terceiros. Entre eles, Ricardo Bimbo, coordenador de TI do PT, além do contador João Muniz Leite, ex-responsável pelas contas de Lulinha e investigado em São Paulo sob suspeita de lavar dinheiro para o PCC.

Viana afirmou que a votação será nominal e divulgada publicamente, destacando que a CPMI “não tem lado, não tem medo e não tem dono”, reforçando que o objetivo da comissão é esclarecer o caso. Para os parlamentares que defendem a convocação, a presença de Lulinha é essencial para esclarecer a cadeia de repasses mencionada nos documentos.

Lulinha mora na Espanha desde julho de 2025 e não foi localizado para comentar o pedido de convocação. Também não foram encontrados perfis ativos dele nas redes sociais. A comissão espera definir na quinta-feira se ele será oficialmente chamado a depor sobre o caso.

Com informações do Poder 360

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Lula liga para Trump e pede cooperação contra o crime organizado; tarifaço também foi assunto da conversa

Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ligou nesta terça-feira (2/12) para o líder norte-americano, Donald Trump. Segundo o Palácio do Planalto, os dois conversaram por cerca de 40 minutos.

“[Lula] Destacou as recentes operações realizadas no Brasil pelo governo federal com vistas a asfixiar financeiramente o crime organizado e identificou ramificações que operam a partir do exterior. O presidente Trump ressaltou total disposição em trabalhar junto com o Brasil e que dará todo o apoio a iniciativas conjuntas entre os dois países para enfrentar essas organizações criminosas”, diz nota do governo brasileiro.

Segundo nota divulgada pelo Palácio do Planalto, Lula indicou a Trump que a decisão de retirar a tarifa de 40% imposta a alguns produtos brasileiros, como carne, café e frutas, foi “muito positiva”.

Em 20 de novembro, a Casa Branca zerou as tarifas de 40% aplicadas pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos agrícolas brasileiros. Com a decisão, deixaram de ser taxadas as exportações de carne bovina fresca, resfriada ou congelada, produtos de cacau e café, certas frutas, vegetais e nozes e fertilizantes.

Antes disso, no dia 14, o governo norte-americano já havia anunciado a retirada das tarifas globais de 10%. Mesmo assim, alguns setores brasileiros continuaram submetidos à alíquota de 40%, agora parcialmente revogada.

O petista destacou que ainda há outros produtos tarifados que precisam ser discutidos entre os dois países e que o Brasil deseja avançar rápido nessas negociações.

Com informações de Metrópoles e Folha de S. Paulo

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Entidade ligada às autoescolas cita falta de diálogo e prepara contra-ataque no Congresso e STF

Após o Contran (Conselho Nacional de Trânsito) aprovar nesta segunda-feira (1º) uma resolução que acaba com a obrigatoriedade das aulas em autoescola para a prova de carteira de motorista (CNH), entidades ligadas ao setor preparam o contra-ataque para anular a decisão.

Ygor Valença, presidente da Feneauto (Federação Nacional das Autoescolas do Brasil), criticou o que chamou de falta de diálogo e transparência do governo federal na questão, afirmando que “o conteúdo revelado intencionalmente e especialmente aos veículos de imprensa em geral reforça graves preocupações jurídicas já constatadas anteriormente”.

“Essas mudanças configuram um verdadeiro fato consumado criado pelo Poder Executivo, interferindo diretamente em competências que são do Poder Legislativo, que já decidiu debater o tema com responsabilidade”, disse.

Para tentar brecar a determinação do Contran, Valença conta que esteve nesta segunda com o presidente da Câmara dos Deputados, deputado Hugo Motta (Republicanos), que criou uma Comissão Especial para o Plano Nacional de Formação de Condutores, comissão que deve ser instaurada nesta terça (2) na reunião de líderes dos partidos.

“A atitude do Ministério dos Transportes, portanto, é não apenas uma afronta ao setor mas também um desrespeito ao Congresso Nacional, que já se manifestou pela necessidade de discutir o tema com profundidade e participação social”, disse Valença.

Além disso, ele afirmou que a CNC (Confederação Nacional do Comércio), que representa nacionalmente o setor, ingressará no STF (Supremo Tribunal Federal) para contestar a resolução.

Folha de S. Paulo 

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Governo de Lula cria 8 mil cargos e vai gastar R$ 4,2 bilhões por ano com servidores

Foto: Ricardo Stuckert/PR

O Governo Federal anunciou um pacote de reestruturação de carreiras do funcionalismo que deve impactar cerca de 200 mil servidores ativos e aposentados. O projeto prevê a criação de 8.825 novos cargos, reajustes salariais e reorganização interna de órgãos federais, com custo anual estimado em R$ 4,2 bilhões, já previsto no orçamento de 2026. A proposta será enviada ao Congresso nos próximos dias.

A medida vai mexer em mais de 20 áreas, incluindo universidades federais, MEC e forças de segurança do Distrito Federal e de policiais militares dos ex-territórios (Amapá, Rondônia e Roraima), segundo informações do Metrópoles.

O governo quer reduzir diferenças salariais, criar uma carreira administrativa uniforme e transformar quase 10 mil cargos vagos em 7.937 novas funções, principalmente na carreira transversal de Analista Técnico do Poder Executivo (ATE), voltada a funções de apoio como contabilidade, comunicação social e biblioteconomia.

Entre os pontos polêmicos estão os reajustes para a Receita Federal e Auditoria Fiscal do Trabalho, além do aumento do bônus de aposentados desses grupos, temas que prometem debate intenso no Congresso em meio ao aperto fiscal.

No MEC, médicos e veterinários terão remuneração ajustada, e técnicos administrativos podem ter progressão salarial baseada em experiência prática, via Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC), mas só se houver dinheiro no orçamento.

O pacote também libera gratificações extras, ajusta funções comissionadas, autoriza novos regimes de trabalho — como plantões e turnos alternados — e prevê perícia médica por telemedicina para agilizar afastamentos.

Servidores de órgãos como Ibama, ICMBio e Abin terão indenização de fronteira, e o prazo para inclusão de servidores dos ex-territórios será reaberto. A reforma mostra que o governo está disposto a gastar pesado com o funcionalismo, mesmo em tempos de aperto fiscal.

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Bets estimam perder 20% dos usuários com bloqueio de beneficiários do Bolsa Família

Foto: Ministério da Fazenda/Divulgação

Representantes do setor de apostas estimam que a proibição de bets para beneficiários do Bolsa Família, que começou a valer nesta segunda-feira (1º), deve retirar cerca de 20% dos usuários dessas plataformas. A medida foi adotada pelo Ministério da Fazenda após determinação do STF e recomendações do TCU.

O Bolsa Família atende 19 milhões de famílias com renda de até R$ 218 por pessoa, e repasse mínimo de R$ 600 por domicílio. Já o BPC, pago pelo INSS, garante um salário mínimo mensal a idosos e pessoas com deficiência com renda familiar de até R$ 706 por pessoa.

Um levantamento do TCU mostrou que, em janeiro de 2025, famílias com algum beneficiário do Bolsa Família transferiram R$ 3,7 bilhões para casas de apostas — 27% dos R$ 13,7 bilhões distribuídos pelo programa no mês. Ao todo, 4,4 milhões de famílias (21,8% do total) tiveram algum contato com bets, muitas delas em situação de endividamento.

O TCU também apontou risco elevado de uso de contas de beneficiários para fraudes e outras práticas ilegais. Há cerca de um ano, o STF determinou que o governo federal adotasse medidas para impedir o uso de recursos de programas sociais em apostas online, decisão tomada por unanimidade.

Com informações de Coluna do Estadão

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Fila do INSS avança enquanto ministro e presidente do órgão travam guerra interna

Foto: Cristiano Mariz e Brenno Carvalho/Agência O Globo

O maior gargalo da história do INSS — uma fila que bateu 2,8 milhões de pedidos em outubro — avança sem controle enquanto o comando da Previdência vive uma disputa aberta. O ministro Wolney Queiroz e o presidente do instituto, Gilberto Waller, estão em choque direto, trocando ofícios e acusações sobre interferência, exonerações e responsabilidades pela crise que atinge aposentados e beneficiários em todo o país.

A tensão subiu de vez quando Waller pediu a demissão da vice-presidente do INSS, Léa Bressy Amorim, alegando que ela usou seu período de férias para promover servidores sem autorização. Wolney barrou a solicitação, classificou as acusações como “genéricas” e lembrou que o próprio Waller foi quem indicou Léa ao cargo. Desde então, o presidente do INSS tem dito a aliados que está “no limite”, enquanto ambos evitam comentar publicamente a queda de braço.

A briga ocorre em um momento em que benefícios que dependem de perícia e análise complexa — como auxílio por incapacidade e BPC — entopem o sistema. Especialistas apontam que a automação adotada pelo governo não consegue interpretar laudos médicos e documentos sensíveis, gerando ainda mais retrabalho. Some-se a isso a falta de pessoal, judicialização crescente e grandes diferenças regionais, criando um ciclo de atrasos que o próprio governo admite não conseguir resolver sozinho.

Enquanto isso, milhões de brasileiros seguem esperando. Casos como o de Marcella Rosa, 65 anos, que aguarda resposta há cinco meses sobre um pedido de BPC, se multiplicam. Sem acesso fácil à tecnologia, ela vive ouvindo pelo telefone que seu processo “está em análise”. A crise se arrasta, a fila cresce, e a disputa interna no alto comando só aprofunda o caos na Previdência.

Com informações do O Globo

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