Com problemas de apoio no Congresso e em meio a negociações políticas com o Centrão, o presidente Lula (PT) acelerou a liberação de emendas indicadas por deputados e senadores, e até o último dia 18 já foram R$ 20,6 bilhões. Mais da metade do valor foi liberado em julho – R$ 11,8 bilhões, um recorde mensal histórico.
Neste mês, o governo empenhou (quando se reserva o valor para que seja posteriormente pago) R$ 1,1 bilhão de emendas parlamentares. O maior volume do mês foi na semana passada, com R$ 451,8 milhões.
Nos primeiros meses do ano, o governo foi lento na liberação de recursos, o que gerou ampla crítica de deputados e senadores.
Os parlamentares têm autonomia de fazer a indicação dos recursos para onde desejarem, sem critérios técnicos, mas cabe ao governo decidir quando fazer o empenho, que é a reserva do valor. Sem o empenho, os valores não chegam efetivamente aos estados e municípios.
A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) pode ser condenada a até seis anos de prisão em regime semiaberto e perder o mandato se for considerada culpada em ação que trata da perseguição armada contra um homem em São Paulo em outubro do ano passado.
A caracterização de grave ameaça decorrente do uso de arma de fogo impede que eventual pena de prisão seja convertida em alternativas como prestação de serviço à comunidade, segundo especialistas.
Zambelli é acusada de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma em denúncia movida pela PGR (Procuradoria-Geral da República). A acusação se refere ao episódio em que a deputada perseguiu com uma arma 9mm um homem em São Paulo na véspera do segundo turno das eleições do ano passado.
Na última segunda-feira (21), o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu tornar Zambelli ré na ação, por 9 votos a 2. Divergiram da maioria os ministros André Mendonça e Kássio Nunes Marques.
Segundo Rossana Leques, advogada criminalista mestre em direito penal pela USP (Universidade de São Paulo), a deputada pode enfrentar uma pena de até seis anos iniciada em regime semiaberto caso seja considerada culpada pelos dois crimes.
Ex-ministro por 12 anos no Palácio do Planalto nas gestões petistas de Luiz Inácio Lula da Silva e de Dilma Rousseff, Gilberto Carvalho afirmou na terça-feira (23) que o governo paga um preço por não ter conseguido eleger mais aliados no Congresso Nacional nas eleições do ano passado.
Atualmente, ele é secretário nacional de Economia Popular e Solidária, área vinculada ao Ministério do Trabalho. “Tivemos eleição em que o (nosso) projeto ganhou apertadinho, mas no Legislativo perdeu fragorosamente e paga um preço por isso”, afirmou Carvalho à CNN.
Atualmente, para ampliar sua base, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) articula trocas em mais dois ministérios, dando espaços a legendas do centrão, como PP e Republicanos.
Para o ex-auxiliar dos governos petistas, o atual mandato Lula da Silva dará certo, mas ele demonstrou preocupação com a sustentabilidade do projeto político da esquerda.
“Não tenho dúvida nenhuma que o governo dará certo, até mesmo porque a vara está baixa. Qualquer pessoa com neurônios conseguiria”, disse, sem citar nomes, em tom de crítica a gestões passadas.
As falas de Carvalho ocorreram na noite de terça-feira, durante a cerimônia de posse do novo presidente da Fundação Banco do Brasil, Kleytton Morais, ex-dirigente sindical dos bancários, em Brasília. O ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, e a presidente do banco, Tarciana Medeiros, também estiveram presentes no evento.
O ex-presidente Jair Bolsonaro foi intimado pela Polícia Federal (PF) a prestar depoimento, na quinta-feira, 31, sobre a investigação ligada ao caso dos empresários que debateram golpe de estado em um grupo de WhatsApp.
À Jovem Pan News, Bolsonaro afirmou, com exclusividade, que tem “vergonha” de tratar do assunto e afirmou que não fazia parte do grupo.
“Nunca participei desse grupo, trocava informações. Investigaram seis empresários, tiraram o restante e ficaram esses dois. Me chamaram para me ouvir sobre uma mensagem que compartilho que veio da imprensa. Não fui eu que escrevi, se for isso que estou pensando”, disse.
Bolsonaro se refere a Luciano Hang e Meyer Nigri, que seguem sendo investigados. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) estendeu o prazo para investigá-los, mas arquivou o processo contra outros quatro empresários que trocaram mensagens de cunho golpista no grupo.
Bolsonaro comentou também que nunca atuou em prol de um golpe de Estado, mas assim pela aprovação do voto impresso, proposta enterrada pela Câmara dos Deputados.
“Sempre defendi o voto impresso. E o Barroso falou lá fora que nós queríamos aqui a volta do voto no papel. Fico até com vergonha de tratar sobre esse assunto”, reiterou Bolsonaro à Jovem Pan. O ex-presidente comentou ainda sobre uma mensagem enviada por José Koury, dono do Barra Wolrd Shopping no Rio de Janeiro. O empresário que teve a investigação contra si arquivada, afirmou que “preferia um golpe de Estado que a volta do PT”.
Na avaliação do ex-mandatário, Koury fez apenas um “desabafo”. “Quem falou que preferiria um golpe, foi um desabafo. O cara desabafou lá no grupo e qual problema?”, questionou. O depoimento de Bolsonaro à Polícia Federal sobre o caso dos empresários será o quinto.
Antes, ele foi ouvido sobre as joias sauditas, os atos do 8 de Janeiro, as fraudes em cartões de vacina e sobre o suposto plano de golpe de Estado que envolveria o senador Marcos do Val (Podemos-ES) e o ex-deputado federal Daniel Silveira.
Em uma tentativa de exigir coerência do atual governo, o deputado Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP) protocolou projeto de lei para proibir a equipe de segurança pessoal do presidente Lula e dos ministros do governo de usar armas de fogo.
“Fica vedado o uso de armas de fogo pelos agentes integrantes da segurança pessoal do presidente da República e de seus ministros de Estado, ainda que em atividades que envolvam a segurança imediata de tais dignatários”, estabelece o Projeto de Lei 4.012/2023, protocolado na segunda-feira 21.
Na justificativa, o parlamentar, que faz parte da bancada pró-armas, afirma que a proposta é coerente com a postura ideológica do atual governo, contrário às armas. “Essa medida visa a alinhar os órgãos que realizam a segurança do presidente da República e de seus ministros à visão do atual governo, que não enxerga as armas de fogo como algo benéfico para a sociedade”, escreveu Bilynskyj.
O deputado citou uma declaração recente de Lula, feita durante a live semanal da terça-feira passada 15, quando o presidente afirmou que quem anda armado é covarde. “Eu não quero ter arma dentro de casa para fazer bem, se eu tiver arma em casa é para me livrar de alguém. E tem gente que gosta, que sai armado mostrando que é poderoso. É um covarde. Quem anda armado é um covarde, tem medo”, disse Lula, há uma semana.
Lula vive cercado de seguranças armados (muito bem armados, aliás) para protegê-lo, mas chama de covarde o cidadão que quer uma arma para se proteger também.
O líder do União Brasil no Senado, senador Efraim Filho (PB), afirmou, nesta segunda-feira (21), que é totalmente contrário à volta da cobrança do imposto sindical.
Trazer de volta o imposto sindical obrigatório significa um retrocesso. Este tem uma “memória muito negativa” no Congresso e dificilmente o entendimento será revertido. A percepção no Senado hoje é votar temas que facilitem a vida de quem produz e que reduzam o “Custo Brasil”.
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, tem reafirmado que defende uma nova forma de financiamento para sindicatos, mas, segundo o ministério, não há planos para recriar o imposto sindical.
As novas discussões sobre a volta de uma contribuição são uma pauta do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que já defendeu a contribuição definida em assembleia.
O imposto seria de até o triplo do valor do extinto, já que o ministério do Trabalho quer fixar um teto para a nova taxa de até 1% do rendimento anual do trabalhador, o que pode corresponder a até três dias e meio de trabalho, segundo cálculo de especialistas.
O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), classificou como “retrocesso absoluto” e “tentativa de ressurreição do peleguismo” o projeto de lei que trata da volta de um imposto sindical no país.
Relator da reforma trabalhista na Câmara dos Deputados, que foi aprovada em 2017, Marinho promete articular resistência ao avanço da proposta. “Vamos nos colocar fortemente contra”, disse à CNN.
“A volta de uma contribuição sindical com a existência de unicidade, com uma carta de registro dos sindicatos dada pelo governo e de uma forma coercitiva, é um retrocesso absoluto. Dentro do parlamento, vamos nos colocar contrários e mostrar nossa resistência”, acrescentou o líder da oposição.
Unicidade sindical é o princípio, fixado na Constituição de 1988, de existência de um único sindicato por base territorial. Ou seja, não pode haver, por exemplo, dois sindicatos de metalúrgicos ou de eletricitários na mesma cidade.
Para o senador, essa deveria ser a prioridade do governo, o que estimularia os sindicatos a prestarem melhores serviços e serem mais efetivos nas negociações salariais. Marinho vê um saldo positivo da reforma trabalhista e do fim da cobrança do imposto sindical obrigatório.
“O que seis anos de reforma nos mostram? Que aqueles sindicatos que efetivamente prestam bons serviços continuam vivos e tendo contribuições de seus membros. O que querem ressuscitar são os pelegos da era varguista”, concluiu Marinho.
Com apenas oito meses de governo Lula, as transferências especiais, que ficaram conhecidas como “emendas pix” já somam R$6,6 bilhões. Só neste início de 2023, o valor do dispositivo supera a soma dos três anos anteriores. Em 2020, primeiro ano com o instrumento, foram destinados R$0,6 bilhões. O valor pulou para R$2 bilhões em 2021. No ano passado, a destinação das emendas pix ficou em R$3,4 bilhões.
Ferramenta de cooptação
O recurso tem sido amplamente usado pelo Palácio do Planalto em vésperas de votações de interesse do governo, como a reforma tributária
Filho é seu
Com pouca transparência e ainda menos fiscalização, o projeto da emenda pix é de autoria da petista Gleisi Hoffmann (PR).
Destino
As emendas são destinadas por parlamentares diretamente a estados e municípios. O recordista deste ano é Carapicuíba (SP): R$117,1 milhões.
Prata
São Luiz, município de Roraima com 7,3 mil habitantes, é o segundo destino preferido dos políticos para emenda pix: R$89,1 milhões
O senador Sergio Moro disse estar “cada vez mais claro” que o governo Lula sabia do risco de manifestantes invadirem e vandalizarem as sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro.
Em publicação nas redes sociais, Moro compartilhou uma reportagem da CNN Brasil que mostra a troca de mensagens entre o ex-secretário de Planejamento e Gestão da Abin Leonardo Singer e o ex-diretor-adjunto da agência, Saulo Moura Cunha, em 8 de janeiro.
Nas mensagens, Singer disse que sabia do risco de vandalismo e que alguém teria facilitado a entrada de manifestantes nos recintos onde estavam as armas do GSI.
“Está cada vez mais claro que, ao contrário do que disse Lula à imprensa, os serviços de inteligência existiram e funcionaram em 8/1, informando o Gov Federal do risco concreto de invasão e depredação dos Três poderes. Foi a parte operacional que se omitiu”, escreveu.
“Assim, nessa entrevista em 18/1, das duas uma, ou Lula sabia e mentiu à imprensa ou foi enganado por seus ministros e subordinados. Ninguém no Governo teve coragem de retrucar”, acrescentou.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarca neste domingo (20) para participar da 15ª cúpula do Brics, na África do Sul, que acontece entre esta terça-feira (22) e a quarta-feira (23). Será o primeiro encontro realizado de forma presencial desde o início da pandemia de Covid-19.
Estarão presentes na reunião, além de Lula, o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa; o presidente chinês, Xi Jinping; e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, deverá participar de forma remota, já que corre risco de ser preso na África do Sul por causa da invasão da Ucrânia.
O Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu em março um mandado de prisão para Putin e a comissária dos direitos das crianças da Rússia, Maria Lvova-Belova, pelo crime de guerra de deportação ilegal de crianças. A Rússia –como os EUA, a Ucrânia e a China– não é membro do TPI.
Como o tribunal não realiza julgamentos à revelia, Putin teria de ser entregue por Moscou ou preso fora da Rússia. O tratado conta com a adesão de 123 países, e o seu estatuto declara que todas as nações têm a obrigação legal de cooperar com o tribunal, o que significa que são obrigados a cumprir mandados de prisão.
Entretanto, a África do Sul concedeu imunidade diplomática a todos os funcionários presentes à cúpula em agosto, o que daria a oportunidade de Putin ir ao país.
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