Os preços de alimentos e matérias-primas para rações podem subir entre 8% e 20% como resultado do conflito na Ucrânia, provocando um salto no número de pessoas desnutridas em todo o mundo, disse a FAO, a agência de alimentos e agricultura das Nações Unidas, nesta sexta-feira (11).
A FAO disse que a Rússia é o maior exportador mundial de trigo, enquanto a Ucrânia foi o quinto maior. Juntos, eles fornecem 19% da oferta mundial de cevada, 14% do trigo e 4% do milho, representando mais de um terço das exportações globais dos insumos que são indispensáveis para a fabricação da cerveja.
Em uma avaliação preliminar sobre a invasão da Ucrânia pela Rússia, a FAO disse que não estava claro se a Ucrânia seria capaz de realizar colheitas durante um conflito prolongado, e que há também incertezas em torno das exportações de alimentos russos.
A Ucrânia perdeu todas as comunicações com a usina nuclear de Chernobyl, informou a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) em comunicado nesta quinta-feira (10).
A declaração vem um dia depois que a instalação, controlada pela Rússia, perdeu suas fontes de alimentação externas.
O chefe da AIEA, Rafael Grossi, disse que o órgão de vigilância nuclear das Nações Unidas está ciente dos relatos de que a energia foi restaurada no local e está aguardando confirmação. Mais cedo, a autoridade reguladora da Ucrânia disse à AIEA que geradores de emergência estavam fornecendo eletricidade para a usina.
“A subsequente perda de comunicação fez com que o regulador não pudesse mais fornecer informações atualizadas sobre Chernobyl à AIEA”, disse o comunicado.
A AIEA citou a autoridade reguladora ucraniana, dizendo: “De acordo com as informações recebidas antes da perda de comunicação, ambas as linhas de energia do local foram danificadas, desconectando-o da rede”.
A declaração da Agência disse que a desconexão da rede “não terá um impacto crítico nas funções essenciais de segurança no local, onde estão localizadas várias instalações de gerenciamento de resíduos radioativos, pois o volume de água de resfriamento na instalação de combustível irradiado é suficiente para manter a remoção de calor sem fornecimento de eletricidade”.
De acordo com a AIEA, o regulador da Ucrânia disse que oito dos 15 reatores do país continuam operando, incluindo dois na usina nuclear de Zaporizhzhia, três em Rivne, um em Khmelnytsky e dois no sul da Ucrânia. Os níveis de radiação nos quatro locais eram normais, disse.
Grossi também disse que a Agência está em contato com as autoridades ucranianas sobre os sistemas de monitoramento de radiação na Ucrânia.
A AIEA não conseguiu restabelecer a comunicação com os sistemas de monitoramento instalados para monitorar materiais e atividades nucleares nas instalações de Chernobyl e Zaporizhzhia após a perda das transmissões remotas de dados desses sistemas.
Nos últimos dias, o governo dos Estados Unidos tem indicado uma possível mudança de tom em relação ao Brasil, com elogios pontuais à posição da diplomacia do país em meio à guerra na Ucrânia. As falas contrastam com uma série de críticas públicas, carregadas de palavras duras, pela visita do presidente Jair Bolsonaro (PL) à Rússia, dias antes de a invasão começar.
No domingo (6), Brian Nichols, secretário-assistente para o Hemisfério Ocidental no Departamento de Estado, elogiou no Twitter a atuação do Brasil no Conselho de Direitos Humanos da ONU. “Cada voto para responsabilizar o Kremlin por essas ações horríveis importa. Os EUA estão orgulhosos de ficar ao lado do Brasil para defender os direitos humanos de todos na Ucrânia”, escreveu.
As posições no Conselho de Segurança também foram bem recebidas, segundo um funcionário do Departamento de Estado ouvido pela Folha. Sob condição de anonimato, ele ressaltou que, apesar das críticas públicas dos EUA à viagem de Bolsonaro, os dois países continuam a trabalhar juntos em vários níveis de governo para tentar ajudar a resolver a crise na Ucrânia.
Na semana passada, o Brasil votou a favor de duas resoluções no colegiado: uma condenando a invasão —o texto foi barrado pela Rússia, que tem poder de veto— e outra que fez com que o tema fosse levado à Assembleia-Geral. Nela, uma moção de condenação às ações da Rússia foi aprovada no dia 2 de março, também com voto do Brasil.
Em entrevista ao podcast da revista America’s Quartely no último dia 3, Juan Gonzalez, diretor para o Hemisfério Ocidental do Conselho de Segurança Nacional, buscou mostrar que compreende as dificuldades do governo brasileiro.
“Você tem uma zona de paz e segurança no Atlântico Sul, uma área que o Brasil e sua política externa buscam tornar um lugar de neutralidade, porque eles não querem virar peças de xadrez em uma, digamos, Guerra Fria. E a neutralidade é boa até que um país invade outro. Nesse ponto você tem que escolher um lado, e eu penso, sem especificar nenhum país, que a articulação da neutralidade é uma racionalização por não querer tomar uma posição”, disse.
A reunião entre os principais diplomatas das duas nações envolvidas na guerra não teve avanço na questão de um cessar-fogo de 24 horas para ajuda aos civis. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, encontrou o chanceler russo, Sergey Lavrov, no sul da Turquia nesta quinta-feira (10).
A guerra da Rússia contra a Ucrânia entrou na terceira semana. Os conflitos mais intensos seguem na cidade de Mariupol, onde os russos disserem que assumiram parte do controle. A saída de civis por corredores humanitários prossegue nesta quinta-feira (10), enquanto repercute um bombardeio a um hospital infantil e maternidade, que deixou três mortos.
Sobre a reunião, Kuleba disse em entrevista coletiva que a situação mais difícil estava na cidade de Mariupol, e que Lavrov não se comprometeu com um corredor humanitário no local.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, condenou os ataques ao hospital em Mariupol. Os russos alegaram que as notícias sobre o bombardeio são falsas.
“É assim que nascem as notícias falsas”, disse no Twitter Dmitry Polyanskiy, primeiro representante permanente adjunto da Rússia nas Nações Unidas. “Isso é terrorismo de informação”, declarou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, ao comentar sobre o caso.
As batalhas em Mariupol prosseguem. O Ministério da Defesa da Rússia, através da agência russa Tass, disse que assumiu parte do controle da cidade e que 2911 instalações militares ucranianas já foram destruídas desde o início da guerra. As perdas russas, no entanto, podem ter passado de 6 mil soldados.
Pela primeira vez desde o início da invasão da Ucrânia pelo exército da Rússia, os principais diplomatas das duas nações envolvidas no conflito irão se encontrar. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, se reúne com o chanceler russo, Sergey Lavrov, na manhã desta quinta-feira (10), no sul da Turquia.
Comparada aos encontros que já aconteceram entre negociadores ucranianos e russos, a reunião desta quinta será a que envolve autoridades de maior nível dos dois países desde que o conflito começou. A expectativa é que os chanceleres conversem sobre a abertura de mais corredores humanitários e condições para uma pacificação do conflito.
O encontro deve ser mediado pelo ministro das Relações Exteriores da Turquia, Mevlut Cavusoglu, e acontecerá durante um fórum diplomático com duração de três dias organizado pelo país anfitrião e sediado na cidade de Antalya.
Embora faça parte da Otan e seja aliada da Ucrânia, a Turquia também mantém uma relação próxima com a Rússia e, desde o início do conflito, tem se esforçado para preservar contato com os dois países.
Mesmo classificando a invasão russa como “inaceitável”, o governo turco se opõe a sanções contra Moscou e condenou a “caça às bruxas” contra a cultura russa.
Antes do encontro, o chanceler ucraniano confessou que tem expectativas limitadas em relação às negociações com o governo da Rússia. “Mas direi francamente que minhas expectativas das conversações são baixas”, disse Kuleba em uma declaração em vídeo.
“Estamos interessados em um cessar-fogo, na libertação de nossos territórios e o terceiro ponto é a resolução de todas as questões humanitárias”, completou o ministro.
A primeira pessoa a ter seu coração defeituoso substituído pelo de um porco geneticamente modificado em uma operação inovadora morreu na tarde de terça-feira (8) no Centro Médico da Universidade de Maryland, dois meses após a cirurgia para o transplante.
David Bennett morava em Maryland e tinha 57 anos. Ele tinha uma doença cardíaca grave e concordou em receber o coração experimental de um porco geneticamente modificado depois que ele foi rejeitado em várias listas de espera para receber um coração humano.
Não ficou claro se seu corpo havia rejeitado o órgão estranho. “Não havia nenhuma causa óbvia identificada no momento de sua morte”, disse uma porta-voz do hospital.
Em entrevista ao canal de televisão dos Estados Unidos ABC, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que não vai insistir para que Ucrânia faça parte da Otan. A possível adesão do país ao bloco ocidental é uma das principais questões que levaram à invasão do território ucraniano pelo exército da Rússia.
“Quanto à Otan, moderei a minha posição sobre essa questão há algum tempo, quando percebi que a Otan não estava pronta para aceitar a Ucrânia”, disse o presidente ucraniano.
Zelensky explicou que não quer ser visto como o presidente de um “país que implora de joelhos” para ingressar na aliança militar do ocidente. De acordo com ele, “a aliança tem medo de tudo o que seja controverso e de um confronto com a Rússia“.
Uma das principais causas da guerra no Leste Europeu é a firme oposição da Rússia à possibilidade de a Ucrânia ingressar na Otan e, consequentemente, estreitar laços com os países ocidentais.
O governo russo chegou a pedir garantias ao Ocidente de que a aliança não iria expandir mais para o Oriente, principalmente na Ucrânia. O pedido, no entanto, não foi atendido, o que frustrou o presidente russo, Vladimir Putin.
O exército russo anunciou, nesta terça (8), um novo cessar-fogo temporário na Ucrânia que acontecerá na manhã de quarta-feira (9). A medida visa garantir a saída de civis ucranianos e será imposto a partir das 9h (horário local). Nesta terça (8), já há uma pausa nos confrontos para que as pessoas possam deixar o país com segurança.
“A Rússia anuncia um cessar-fogo a partir de 9 de março a partir das 9h para que se crie corredores humanitários”, diz o comunicado divulgado pelo governo russo.
As tréguas humanitárias vêm sendo motivo de polêmica na guerra entre Rússia e Ucrânia. No último sábado (5), os russos acusaram tropas nacionalistas ucranianas de impedir a evacuação da população civil de Mariupol e Volnovakha, no sudeste da Ucrânia, e garantiu que, das 215 mil pessoas das duas cidades cuja saída teria sido permitida, nenhuma chegou aos corredores humanitários abertos.
Segundo a Tass, agência de notícias oficial do país, o chefe do Centro Nacional para o Controle de Defesa da Rússia, Mikhail Mizintsev, declarou que Moscou respeitou “todas as condições da parte ucraniana, tanto em termos de horas como em termos de rota e segurança”.
A rede americana de fast-food McDonald’s anunciou nesta terça-feira (8) que irá suspender temporariamente a operação de seus restaurantes na Rússia.
A decisão veio após uma série de sanções internacionais aplicadas ao país por conta da invasão russa da Ucrânia.
A companhia disse que continuará pagando salários a seus 62 mil funcionários na Rússia.
Grandes marcas globais, incluindo McDonald’s e PepsiCo foram pressionadas a interromper suas operações na Rússia por vários órgãos, incluindo o fundo de pensão do estado de Nova York.
Os Estados Unidos vão banir a importação de petróleo, gás natural e carvão da Rússia, anunciou o presidente Joe Biden nesta terça-feira (8). A medida é mais uma tentativa de impactar a economia russa devido à guerra na Ucrânia.
“Hoje, estou anunciando que os Estados Unidos estão mirando na principal artéria da economia da Rússia. Estamos proibindo todas as importações de petróleo, gás e energia russos”, disse o presidente durante o pronunciamento na Casa Branca.
“Isso significa que o petróleo russo não será mais aceitável nos portos dos EUA e o povo americano dará outro golpe poderoso na máquina de guerra de Putin“, adicionou.
Biden afirmou que a decisão foi tomada após consultar aliados, como países da União Europeia – que não aderiram ao banimento -, e entende que este movimento pode aumentar o preço dos combustíveis no mundo, inclusive nos EUA.
“Nós entendemos que a guerra de Putin está causando danos e elevando preços, mas isso não é desculpa para que as empresas explorem os consumidores americanos. Este não é o momento de obter lucro em cima da situação”, pontou, acrescentando que as empresas que “estão saindo da Rússia estão dando exemplo para outras”.
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