Economia

Conta de luz deve fechar ano com aumento de 7%, aponta Aneel

Foto: Neoenergia Distribuição Brasília/Divulgação

A conta de luz deve subir até 7% em 2025 — acima da inflação prevista de 4,4% pelo IPCA. É o que indica a última edição do InfoTarifa 2025, divulgada pela Aneel.

O aumento é puxado principalmente pelo reajuste no orçamento da CDE (Conta de Desenvolvimento Energético), fundo que financia programas como a tarifa social e o Luz para Todos. Alimentada por cobranças nas contas de energia, multas e repasses do Tesouro, a CDE teve orçamento de R$ 49,2 bilhões em 2025.

Com a alta das quotas do fundo — especialmente nos itens “Uso” e “Geração Distribuída” — os Encargos Setoriais responderam por 4,1% do impacto médio total na tarifa.

Para 2026, a Aneel projeta que o orçamento da CDE chegará a R$ 52,6 bilhões, uma alta de 7%, o que tende a pressionar novamente os custos para os consumidores. A proposta será analisada pela diretoria da agência na terça-feira (9).

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Economia

Brasil é a sexta economia mais endividada da América Latina, mostra FMI; veja ranking

Foto: Freepik

O Brasil aparece como a sexta economia mais endividada da América Latina e Caribe, segundo dados atualizados do FMI (Fundo Monetário Internacional). A instituição estima que a dívida bruta do governo geral brasileiro alcance 92% do PIB em 2025, patamar superior ao de todos os grandes emergentes da região.

Na comparação regional, o Brasil fica atrás apenas de economias que enfrentam desequilíbrios fiscais mais acentuados, como Venezuela, Dominica, Barbados, São Vicente e Granadinas e Bolívia.

Ranking – Dívida Bruta (% do PIB) na América Latina e Caribe (2025, FMI)

  1. Venezuela – 138,46%
  2. Dominica – 97,78%
  3. Barbados – 97,73%
  4. São Vicente e Granadinas – 93,55%
  5. Bolívia – 92,40%
  6. Brasil – 92,04%
  7. El Salvador – 87,87%
  8. Suriname – 86,59%
  9. Bahamas – 79,39%
  10. Santa Lúcia – 73,63%

O nível brasileiro supera com folga a média regional, estimada pelo FMI em cerca de 71% do PIB, e consolida a posição do país entre as economias mais alavancadas do continente.

O cálculo do FMI segue o GFSM 2014 (Government Finance Statistics Manual), padrão global de estatísticas fiscais. Esse método amplia o escopo da dívida bruta ao incorporar todos os passivos do governo geral, independentemente do tratamento contábil adotado localmente.

Isso inclui títulos públicos, empréstimos, contas a pagar e outras obrigações que impactam a solvência do setor público.

A padronização é essencial porque cada país utiliza práticas próprias na apuração da dívida — algumas mais restritas, outras mais abrangentes.

Ao uniformizar definições, o FMI permite que os dados sejam comparáveis entre países, reduzindo distorções metodológicas e garantindo que rankings ou análises regionais reflitam diferenças reais de endividamento, e não apenas diferenças de cálculo.

CNN Brasil

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Economia

BLACK FRAUDE NA PB: 27 estabelecimentos são autuados por falhas em preços

Falha em preços e falta de transparência lideram infrações na Black Friday, na PB

O Procon-PB encerrou, nesta sexta-feira (28), a operação especial de Fiscalização da Black Friday, realizada em parceria com os Procons Municipais de João Pessoa, Cabedelo, Campina Grande, Queimadas, Patos, Bayeux, Esperança, Cajazeiras e MP Procon. A ação integrada teve como foco coibir práticas abusivas e garantir que as promoções anunciadas fossem verdadeiras, transparentes e respeitassem o direito dos consumidores, conforme o Código de Defesa do Consumidor e as leis estaduais 10.859/2017 e 11.891/2021, que tratam da Black Friday na Paraíba.

Ao longo do dia, as equipes de fiscalização do Procon-PB percorreram 80 estabelecimentos em sete cidades paraibanas, entre shoppings, lojas de rua, grandes redes varejistas e centros comerciais. Como resultado da operação, foram emitidas 27 autuações por infração, 31 de constatação e 22 de notificações.

Entre as infrações mais comuns identificadas estão a ausência ou falha na informação de preços (produtos sem etiqueta, divergência entre o preço da prateleira e o do caixa ou falta de clareza nas condições da promoção) e descumprimento da listagem obrigatória da Black Friday, com estabelecimentos autuados por não apresentarem, de forma clara e acessível, a lista comparativa com os preços praticados antes da Black Friday e os valores ofertados no dia da promoção, como exige a legislação específica para o período.

De acordo com a superintendente do Procon-PB, Késsia Liliana, a operação foi planejada para acompanhar de perto o período de maior volume de compras e alto apelo comercial. “A Black Friday é uma data em que muitos consumidores aproveitam para antecipar compras de fim de ano e adquirir bens de maior valor. Justamente por isso, é um momento que merece atenção redobrada, e a nossa presença nas ruas é fundamental para inibir irregularidades e dar segurança à população paraibana”, destacou.

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Economia

Plano de tarifa zero de Lula deve custar R$ 80 bilhões ao ano, aponta estudo

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Um estudo da Universidade de Brasília estima que a proposta de tarifa zero nos ônibus urbanos, defendida pelo deputado federal Jilmar Tatto (PT-SP), teria um custo anual de R$ 80 bilhões para atender cidades com mais de 50 mil habitantes. O documento, que deve ser entregue ao ex-presidente Lula nas próximas semanas, calcula que o programa alcançaria cerca de 160 milhões de pessoas, com metade do valor bancado pela União.

Tatto, ex-secretário de Transportes em São Paulo, afirma que a ideia deve ser incorporada ao programa de governo do PT. Ele também é autor do projeto de lei que cria a tarifa zero em todo o país e diz que essa será uma das prioridades da esquerda na Câmara em 2026, ao lado do fim da escala 6×1. Segundo ele, a adoção poderia ser gradual, começando por cidades piloto, conforme a disponibilidade de recursos.

Hoje, 138 municípios já operam com tarifa zero, com destaque para Caucaia (CE), maior cidade do país a adotar o modelo, e São Caetano do Sul (SP). Para Tatto, o tema pode atrair prefeitos de diferentes espectros políticos, inclusive da direita e do Centrão, devido ao colapso financeiro no setor de transporte. Ele argumenta que reajustes sucessivos de passagem afastam usuários e não solucionam o problema das empresas.

O deputado acredita ainda que a proposta deve avançar no Congresso, apesar do clima de tensão na Câmara. Para ele, trata-se de um tema com amplo apelo social: “Assim como aconteceu com a isenção do IR, ninguém quer se posicionar contra”, afirmou.

Com informações do Estado de Minas

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Economia

Black Fraude: Magalu é pega pelo Procon em João Pessoa

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O Procon de João Pessoa autuou, nesta sexta-feira (28), uma loja da Magazine Luiza por irregularidades nas promoções de Black Friday. A ação foi comandada pelo secretário Júnior Pires, que publicou vídeos nas redes sociais mostrando o que chamou de “Black Fraude”.

Durante a fiscalização, Júnior Pires flagrou produtos anunciados com “desconto”, mas pelo mesmo preço anterior, além de prateleiras sinalizadas como oferta sem nenhum item realmente incluído na promoção. A loja também não apresentou o levantamento obrigatório de preços dos últimos três meses.

“Black das Blacks de R$19,90 por R$19,90… isso é uma fraude, enganando o consumidor. Aqui é Black Fraude, a gente vai autuar”, afirmou o secretário no vídeo.

O Procon-JP continua com operações em toda a cidade para identificar e punir práticas enganosas durante a Black Friday.

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Economia

Pix passa a ser rastreado para bloquear dinheiro de golpes e fraudes, e ganha mecanismo especial de devolução

Foto: R7

O Pix ganha um novo sistema para combater fraudes e golpes e devolver o dinheiro a partir deste domingo (23). Segundo o Banco Central, o MED 2.0 (Mecanismo Especial de Devolução) entra em vigor de forma facultativa, e passará a ser obrigatório em fevereiro de 2026.

A medida vai rastrear o caminho dos recursos por várias contas e compartilhar as informações com as instituições financeiras envolvidas.

Isso permitirá bloquear valores em contas de destinos diferentes e a devolução de recursos em até 11 dias após a contestação.

Como é hoje

Atualmente, a notificação de fraude feita pelo cliente no aplicativo do banco possibilita o bloqueio de valores apenas na primeira conta recebedora do recurso.

O problema é que os fraudadores, normalmente, conseguem retirar rapidamente os recursos dessa conta e transferi-los para outras.

Assim, quando o cliente faz a reclamação é comum que essa conta já não tenha fundos para viabilizar a devolução.

Com a nova funcionalidade, o rastreamento será realizado em várias contas.

“Agora, o fraudador não vai ter muito para onde mandar o dinheiro. A gente vai conseguir rastrear isso de maneira muito melhor”, afirmou o diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do BC, Renato Dias de Brito Gomes, em live.

O MED é um sistema de segurança para a devolução de recursos para a vítima de fraudes, golpes ou coerção. Criado em 2021, será ampliado com a nova versão 2.0.

Bloqueio e devolução

Para aumentar as chances de bloqueio e devolução, o cliente deve acionar o banco imediatamente após perceber fraude, golpe ou duplicidade de transação.

Desde 1º de outubro, a contestação de transações fraudulentas é feita diretamente no aplicativo dos bancos.

O chamado botão de contestação pode ser acionado, sem precisar falar com atendentes. Após análise dos bancos que deve ser feita em até 7 dias, o dinheiro poderá ser devolvido em até 11 dias.

Como funciona

  • Quando o cliente é vítima de fraude ou golpe, ele pode acionar o botão de contestação no próprio aplicativo do banco para informar a transação suspeita
  • A informação é repassada para o banco do golpista, que deverá bloquear os recursos da conta dele
  • Depois do bloqueio, ambos os bancos têm até sete dias para analisar a contestação
  • Caso concordem que se trata de um golpe, a devolução é efetuada diretamente para a conta da vítima
  • O prazo para essa devolução é de até 11 dias
  • O botão não se aplica a casos de desacordos comerciais, arrependimento e erros no envio do Pix (como digitação errada de chave)

Segundo o Banco Central, documentos só poderão ser exigidos após a abertura do MED (Mecanismo Especial de Devolução). Será possível anexar boletim de ocorrência, prints e outras provas para apoiar a análise do seu caso.

Devolução

O Pix acumula mais de R$ 1,5 bilhão em devoluções de valores por fraudes, golpes, erros ou coerção nos últimos quatro anos.

Segundo o Banco Central, só neste ano, o valor devolvido nos primeiros sete meses já atinge R$ 377,4 milhões, sem considerar as eventuais devoluções parciais. No ano passado inteiro, foram restituídos R$ 561,5 milhões.

Valores devolvidos por ano

  • 2021 (novembro e dezembro): R$ 3.898.646,65
  • 2022: R$ 191.164.322,82
  • 2023: R$ 389.139.322,39
  • 2024: R$ 561.513.623,72
  • 2025 (até julho): R$ 377.427.374,88

Outras medidas

1 de outubro – Botão de contestação: a contestação do Pix em caso de golpes ou fraudes passou a ser feita por meio do aplicativo dos bancos, de forma totalmente digital.

4 de outrubro – O Banco Central passou a bloquear as chaves Pix identificadas pelos bancos como utilizadas para golpes e fraudes.

13 de outubro – O Pix Automático se tornou obrigatório em operações de débito interbancários para empresas ou entidades não autorizadas a funcionar pelo BC.

O pagador terá que autorizar o débito no aplicativo da instituição na qual tem a conta que será debitada. Com isso, evita que seja feito débito sem a autorização do cliente, aumentando a segurança do sistema.

A partir de 23 de novembro – O mecanismo passará a rastrear o caminho dos recursos e compartilhar as informações com as instituições financeiras envolvidas.

Isso permitirá bloquear valores em contas de destino intermediárias e a devolução de recursos em até 11 dias após a contestação.

R7

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Economia

Procon-JP alerta consumidores sobre golpes em sites de compras antes e durante a Black Friday

Imagem: Canva

O Procon-JP emitiu um alerta para os consumidores devido ao aumento dos golpes online que antecedem e ocorrem durante a Black Friday. A Secretaria Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor destaca que criminosos intensificam fraudes no período, aproveitando o crescimento do comércio virtual e o interesse por promoções.

Segundo o órgão, golpistas usam estratégias de manipulação para obter dados pessoais e bancários, geralmente por meio de descontos “irresistíveis”, contatos insistentes e sites falsos. Há também golpes envolvendo e-mails promocionais fraudulentos, boletos falsos e páginas que imitam grandes marcas.

O secretário do Procon-JP, Junior Pires, afirma que essas práticas se tornam ainda mais frequentes durante a Black Friday. “Se os cidadãos e lojistas se preparam para o período, os golpistas também se organizam para aplicar fraudes e ataques cibernéticos”, explicou.

Dicas para evitar golpes

O Procon-JP orienta que o consumidor adote medidas práticas para uma compra online segura. Entre elas:

  • Desconfiar de e-mails promocionais e mensagens com ofertas relâmpago.

  • Evitar abrir anexos desconhecidos ou clicar em links suspeitos.

  • Confirmar promoções diretamente com a loja pelos canais oficiais.

  • Não cadastrar dados em sites duvidosos e manter o antivírus atualizado.

  • Verificar se o endereço do site começa com “https://” e se possui o cadeado de segurança.

  • Avaliar a qualidade do site, observando erros, páginas incompletas e logomarcas distorcidas.

  • Usar cartões virtuais temporários e não salvar informações de pagamento.

  • Criar senhas fortes e únicas para cada conta.

  • Ativar alertas de transação no banco ou cartão de crédito.

  • Desconfiar de sites que pedem dados pessoais em excesso.

  • Priorizar métodos de pagamento seguros, como cartão de crédito ou PayPal.

  • Ao usar Pix ou boleto, conferir o nome e a conta de destino.

Atendimento do Procon-JP

  • Sede: Av. Pedro I, 382, Tambiá – 8h às 17h

  • Telefone: 0800-083-2015

  • Procon-JP na sua mão: (83) 98665-0179

  • WhatsApp do transporte público: (83) 98873-9976

  • Instagram: @procon_jp

  • Site: procon.joaopessoa.pb.gov.br

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Prévia do PIB indica desaceleração da economia em setembro, diz Banco Central

O IBC-Br (Índice de Atividade Econômica), considerado a “prévia” do PIB (Produto Interno Bruto), registrou queda de 0,9% no terceiro trimestre deste ano, de acordo com dados do Banco Central divulgados nesta segunda-feira (17). Na passagem de agosto para setembro, o recuo foi de 0,2%, na série com ajuste sazonal.

No trimestre, o IBC-Br da agropecuária (-4,5%), da indústria (-1%) e de serviços (-0,3%) também apresentaram recuos.

Para 2025, o Ministério da Fazenda projeta que o PIB cresça 2,2%. Caso a projeção de confirme, será uma desaceleração em relação a 2024, quando a economia brasileira subiu 3,4%.

De acordo com o Ministério da Fazenda, a revisão para baixo do PIB de 2025 está relacionada à menor projeção de expansão para o PIB (Produto Interno Bruto) do terceiro trimestre, quando projeta-se crescimento de 0,3% na margem e de 1,9% no interanual.

Na avaliação da equipe econômica, as projeções são reflexo da taxa básica de juros, a Selic, que está em 15% ao ano, maior patamar desde 2006.

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Economia

13º salário: empregadores têm até 28 de novembro para pagar primeira parcela

Imagem meramente ilustrativa – (Foto: José Cruz / Agência Brasil)

O pagamento da primeira parcela do 13º salário deve ser feito pelos empregadores até 28 de novembro de 2025. O valor da primeira parcela corresponde a 50% do salário bruto, somado à média dos adicionais recebidos ao longo do ano, sem descontos de INSS ou Imposto de Renda.

O benefício, oficialmente chamado de Gratificação de Natal para os Trabalhadores, foi instituído pela Lei nº 4.090/1962 e garante ao trabalhador com carteira assinada o recebimento de um salário extra ao final de cada ano.

Prazo da primeira parcela foi antecipado em 2025

A legislação prevê que o pagamento da primeira parcela ocorra entre 1º de fevereiro e 30 de novembro. Em 2025, porém, o dia 30 de novembro cai em um domingo, o que impede a compensação bancária. Por isso, o prazo limite foi antecipado para sexta-feira, 28 de novembro.

Como funciona o pagamento do 13º salário

Primeira parcela: corresponde a 50% do valor bruto total do benefício.

Segunda parcela: inclui descontos de INSS e Imposto de Renda e deve ser paga até 20 de dezembro.

Neste ano, 20 de dezembro cai em um sábado, antecipando o prazo para sexta-feira, 19 de dezembro de 2025.

A legislação não exige que todas as parcelas sejam pagas no mesmo mês para todos os funcionários, desde que os prazos legais sejam cumpridos.

Em caso de demissão sem justa causa, o empregado tem direito ao valor proporcional aos meses trabalhados.

Quem tem direito ao 13º salário proporcional

O 13º salário proporcional é devido aos trabalhadores que não completaram 12 meses na empresa. Para que o mês seja contabilizado, é necessário trabalhar ao menos 15 dias no período.

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Economia

Brasil do emprego recorde não reduz informalidade nem aumenta a produtividade

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Com o nível de desemprego no menor patamar da série histórica, em 5,6% no trimestre encerrado em setembro, o Brasil não tem sido capaz de reduzir a taxa de informalidade, que se mantém perto de 40% da força de trabalho ocupada há uma década.

A produtividade média dos trabalhadores também está estagnada. Em um contexto de economia aquecida e descrito por alguns setores como de “apagão de mão de obra”, sem aumento da produção por hora trabalhada, empresários têm de pagar mais para atrair pessoal, repassando o custo aos preços, o que é inflacionário.

Com melhor estrutura em empresas regularizadas, um trabalhador formal é quatro vezes mais produtivo do que um informal, segundo o FGV/IBRE (Instituto Brasileiro de Economia). Apesar de o Brasil ter criado 4,6 milhões de vagas com carteira desde 2023, como ainda há um número expressivo de informais no mercado (40,8 milhões, segundo a PnadC do IBGE), eles tendem a puxar a produtividade para baixo.

O quadro de informalidade poderia ser pior não fosse a explosão no total de MEIs (microempreendedores individuais) e de PJs (pessoas jurídicas) nos anos recentes. Minimamente formalizados, os chamados conta própria com CNPJ saltaram de 3,3% para quase 7% da força de trabalho em pouco mais de dez anos.

Muitos dos novos trabalhadores que entraram no mercado adotaram esse modelo de contratação (MEI e PJ) para terem mais flexibilidade. Há ainda os que optaram por passar da CLT para esses regimes com o mesmo objetivo, o que acabou mantendo a taxa de formalização estável.

Pesquisa Datafolha em junho apontou que 59% dos brasileiros prefeririam trabalhar por conta própria, ante 39% que se sentiriam melhor contratados e 31% que consideram mais importante ganhar mais do que estar registrado.

Em termos salariais, os conta própria com CNPJ têm rendimento médio superior (R$ 4.947) aos formais com carteira no setor privado (exceto domésticos), que recebem R$ 3.200.

Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, outros podem ter sido obrigados por empresas a adotar os modelos para reduzir encargos da carteira assinada, que chegam a 70% sobre o salário. Levantamento da pasta sustenta que, entre 2022 e julho deste ano, 5,5 milhões de CPFs de trabalhadores migraram diretamente da carteira assinada para regimes de conta própria com CNPJ.

“O fato é que contratar empregados CLT no Brasil ainda custa muito caro porque o governo precisa arrecadar para financiar seus gastos. Isso faz com que empresas e trabalhadores adotem o ‘meio do caminho’, via MEIs e PJs, numa espécie de semi-informalidade”, afirma Sérgio Vale, da MB Associados.

Na consultoria em que atua como economista-chefe, Vale diz que clientes de setores como agronegócio e varejo relatam dificuldades crescentes para encontrar mão de obra. Na construção civil, a maioria dos canteiros opera com pessoal 10% aquém do necessário, diz Yorki Estefan, presidente do SindusCon-SP, que reúne construtoras no estado.

“Há um fluxo migratório menor do Nordeste, que historicamente trazia mão de obra, e muitos trabalhadores, sobretudo os mais jovens, evitam a CLT em troca de flexibilidade”, diz Estefan.

Segundo ele, contratar bolivianos, nigerianos e mais mulheres (para funções menos pesadas) tem sido uma das saídas, além de aumentar os salários acima da inflação.

Mesmo assim, algumas das profissões que mais geraram vagas na última década tiveram rendimentos relativos diminuídos na comparação entre 2012 e 2024, segundo trabalho do economista Nelson Marconi, da FGV-Eaesp. O fato indica certa precarização no mercado de trabalho.

O estudo considera o rendimento médio das profissões e dos setores analisados igual a 1. Assim, é possível observar quais áreas pagam acima ou abaixo da média, e como as remunerações variaram de 2012 a 2024, segundo dados do IBGE.

Já a produtividade por hora trabalhada no Brasil não cresce, o que dificulta às empresas produzir mais sem pressões de custos causadas pelo aumento das contratações e dos salários.

Segundo Silvia Matos, do Observatório da Produtividade Regis Bonelli, a entrega por hora trabalhada cresceu só 0,3% ao ano nos últimos cinco anos. Mas a renda per capita aumentou 1,7% ao ano, sustentada pelo crescimento da taxa de ocupação (+1,1% ao ano). Ou seja, houve alta expressiva no número de pessoas empregadas em relação ao aumento da população economicamente ativa.

Para Matos, essa combinação de dados revela que o crescimento da taxa de ocupação (que trouxe o desemprego a 5,6%) representa um fator “cíclico” para o aumento da renda per capita, não “estrutural”.

“Em resumo, para manter um ritmo de alta da renda per capita a taxas mais elevadas e sem gerar desequilíbrios é crucial que haja aumento da produtividade. Sem isso, não teremos garantia de que o crescimento será sustentável”, diz Matos.

Uma das principais causas da baixa produtividade é o fato de o Brasil ser um país fechado para o mundo, com participação irrisória de 1% no comércio internacional e pouco exposto à competição externa, que obrigaria empresas a serem mais eficientes.

Para José Pastore, da FEA-USP e especialista em trabalho, a atual robustez do mercado tem sido mantida pelo aumento de gastos do governo, que considera insustentável.

“Há um ‘apagão de mão de obra’, com custos crescentes para as empresas. O aquecimento é provocado por uma política populista de elevação da despesa pública. É bem provável que isso se sustente até as eleições de 2026, mas é uma conjuntura artificial que vai capotar mais à frente”, diz.

Folhapress

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