Brasil

Ministro usava assessor da Câmara para trabalhar em fazendas de sua família


Foto: José Cruz/Agência Brasil.

O ministro das Comunicações, Juscelino Filho, contratou com dinheiro público o “faz-tudo” de fazendas de sua família localizadas no interior do Maranhão. O motorista Waldenôr Alves Catarino passou quase uma década realizando serviços nas propriedades enquanto era pago pela Câmara dos Deputados. Em entrevista, o homem de 57 anos afirmou que foi contratado por Juscelino como assessor parlamentar, mas nunca trabalhou na função. Seu local de trabalho, disse, eram as terras do ex-senador e ex-prefeito de Santa Inês Roberth Bringel, tio do ministro.

“Era assim, ó: eu era lotado aí na Câmara Federal e trabalhava aqui para o tio dele (de Juscelino) na fazenda”, afirmou Catarino. “Eu fazia tudo, trabalhava num caminhão. Levava óleo para trator, instalando estaca na fazenda, fazia tudo…”, disse ele (mais informações nesta página).

Catarino foi nomeado como secretário parlamentar no gabinete de Juscelino logo no início de seu mandato como deputado, em outubro de 2015. A contratação irregular chegou ao fim em maio de 2022, um ano antes de Juscelino virar ministro do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, porque o funcionário quis mudar de emprego. “O serviço era muito puxado. Tinha que levantar todos os dias 5 da manhã, não tinha horário para parar”, relatou.

Sem contato

Durante os sete anos em que esteve nomeado na Câmara, o motorista disse que uma das únicas vezes em que fez algo para Juscelino foi buscá-lo certa vez no aeroporto. Afirmou ainda que nem sequer se comunicava com o então deputado, que, no papel, era seu chefe. “Se eu for dizer as vezes que eu falei com Juscelino, foi pouco.” O salário do motorista era de R$ 2,3 mil. Pelo período em que ficou na Casa, ganhou R$ 171,4 mil.

O caso de Catarino se junta a outros revelados pelo Estadão que indicam mau uso de dinheiro público por Juscelino, que hoje comanda uma pasta com orçamento de mais de R$ 3 bilhões. Na semana passada, reportagem mostrou que o piloto da aeronave e o gerente do haras de Juscelino são pagos até hoje com verba da Câmara. Eles estão lotados no gabinete do suplente do ministro, mas dão expediente nas propriedades de Juscelino.

Klennyo Ribeiro foi contratado em 2016 e recebe R$ 7,8 mil por mês. Lotado na Câmara, ele cuida do Parque & Haras Luanna, em Vitorino Freire (MA). Já Leumas Rendder Campos Figueiredo pilota o bimotor Piper PA-34-220T Seneca V, que Juscelino tem em parceria com um outro tio. Para isso, recebe R$ 10,2 mil. A Casa abriu uma apuração sobre a situação do piloto.

Juscelino, já como ministro de Lula, recebeu diárias e usou avião da FAB para cumprir agenda particular em São Paulo, onde participou de leilões de cavalos de raça. O caso é investigado pela Comissão de Ética Pública da Presidência da República. O deputado licenciado também usou dados falsos para justificar 23 dos 77 voos declarados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na última campanha.

Suplentes

O tio de Juscelino para quem Catarino disse ter trabalhado por sete anos é Roberth Bringel, irmão da mãe do ministro. Bringel é suplente do senador Weverton (PDT-MA), aliado do titular das Comunicações. Sua mulher, Maria Vianey Bringel, também foi prefeita de Santa Inês.

Catarino não é o único caso de funcionário que esteve lotado no gabinete de Juscelino e que, ao mesmo tempo, trabalhou para a família Bringel. O Estadão apurou que Vanuza Silva Mendes atua como secretária de Roberth Bringel. Ela paga contas para o político.

Após diversas ligações não atendidas, a reportagem entrou em contato com a mulher via aplicativo de mensagens, e perguntou se falava com “Vanuza, secretária do senhor Roberth Bringel”. Ela disse que “sim”. Em seguida, apagou o mensagem. Questionada novamente, informou que não trabalha com o político. “Não tenho como te ajudar”, declarou.

Vanuza foi nomeada no gabinete de Juscelino em fevereiro de 2015 no cargo de secretária parlamentar. Ela ganha R$ 6.181,07 por mês. A Câmara já desembolsou R$ 801,9 mil com a funcionária.

Procurado, o ministro não havia respondido aos questionamentos do Estadão até a noite desta segunda-feira, 10.

Estadão

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Brasil

TRE determina cassação de vereador de Santa Rita e de todos os suplentes do PL eleitos em 2020

O Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) determinou, na noite desta segunda-feira (10), a cassação do vereador Fidélis (PL) e de todos os suplentes do PL eleitos nas eleições de 2020 para Câmara Municipal de Santa Rita, na Região Metropolitana de João Pessoa.

Em 2020, Fidélis foi o único postulante do partido eleito para o cargo de vereador, com 677 votos, o que representa 0,93% da votação total.

O Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) determinou, na noite desta segunda-feira (10), a cassação do vereador Fidélis (PL) e de todos os suplentes do PL eleitos nas eleições de 2020 para Câmara Municipal de Santa Rita, na Região Metropolitana de João Pessoa.

Em 2020, Fidélis foi o único postulante do partido eleito para o cargo de vereador, com 677 votos, o que representa 0,93% da votação total.

O processo leva em consideração fraude na cota de gênero e anula então todos os votos dados aos eleitores aos candidatos da legenda. O voto relator do processo, juiz José Ferreira Ramos Júnior, foi seguido por unanimidade pela Corte. O TRE determinou, ainda, que a Justiça Eleitoral em Santa Rita seja comunicada e cumpra a decisão imediatamente.

Blog do BG PB

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(VÍDEO) Lula diz que, se for para ouvir o mercado, é melhor desistir

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta segunda-feira (10) que é preciso ter otimismo para passar confiança para a população em reunião ministerial dos 100 dias de governo. Segundo ele, se for para governar pensando no que dizem os críticos e o mercado, é “melhor desistir”.

“É importante que essa gente fale para a gente fazer diferente do que eles querem que a gente faça”, afirmou.

Para Lula, os ministros não devem ser pessimistas: “Eu queria dizer a vocês que meu otimismo não é exagerado. Se eu não acredito numa coisa, eu não faço.”

Poder360

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Nova Carteira de Identidade terá alterações em “sexo” e “nome social”

Uma resolução do governo federal, publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira, institui grupo de trabalho técnico (GTT) para propor mudanças em relação aos campos “sexo” e “nome social” da nova Carteira de Identidade Nacional (CIN), que irá substituir o RG.

O objetivo é modificar parte do Decreto nº 10.977, de 23 de fevereiro de 2022. A decisão veio após reunião feita no último dia 5 de abril, que levou em consideração uma nota técnica do Ministério Público Federal afirmando que a Carteira de Identidade fere os direitos das pessoas trans.

Segundo o MPF, a inclusão do nome de registro antes do nome social, além do campo “sexo”, implica “exposição vexatória e inegável constrangimento”, principalmente para pessoas trans.

O GTT será composto por 6 membros, representantes dos órgãos: Casa Civil da Presidência da República, Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Ministério da Justiça e Segurança Pública, Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil, Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania e do Conselho Nacional dos Diretores de Órgãos de Identificação – CONADI.

O Globo

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PODER DATA: Avaliação de Haddad é pior que a de Lula; Veja números

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, faz um trabalho “bom” ou “ótimo” para 1 em 4 eleitores que o conhecem bem ou de ouvir falar, segundo pesquisa PoderData. Já 22% dos entrevistados consideram a condução de Haddad “ruim” ou “péssima”. Outros 23% disseram não saber.

A pesquisa foi realizada de 2 a 4 de abril de 2023. Portanto, do 92º ao 94º dia do 3º mandato de Lula –poucos dias depois da apresentação do novo teto de gastos. Em 30 de março, o ministro da Fazenda apresentou o marco fiscal –chamado por integrantes do governo de “novo arcabouço fiscal”– que será adotado durante a administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A regra limita alta de gastos a 70% da elevação da receita e pretende zerar o deficit do país até 2024.

A pesquisa foi realizada pelo PoderData, empresa do grupo Poder360 Jornalismo, com recursos próprios. Os dados foram coletados de 2 a 4 de abril de 2023, por meio de ligações para celulares e telefones fixos. Foram 2.500 entrevistas em 233 municípios nas 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. O intervalo de confiança é de 95%.

Para chegar a 2.500 entrevistas que preencham proporcionalmente (conforme aparecem na sociedade) os grupos por sexo, idade, renda, escolaridade e localização geográfica, o PoderData faz dezenas de milhares de telefonemas. Muitas vezes, são mais de 100 mil ligações até que sejam encontrados os entrevistados que representem de forma fiel o conjunto da população. Saiba mais sobre a metodologia lendo este texto.

Fernando Haddad, neste momento, é o ministro com mais visibilidade e que comanda a área mais sensível no governo Lula. A pesquisa PoderData mostra seu ponto de partida no mapa da opinião pública –e, no futuro, a viabilidade de uma eventual candidatura sua ao Planalto. Nesse momento, a pesquisa mostra o “ponto zero” de Haddad.

Se o governo Lula parece ainda não ter mostrado a que veio nos olhos do eleitorado, com Haddad isso tem ainda mais intensidade: as taxas altas de “regular” e “não sei” indicam que o ministro tem o benefício da dúvida, mas seu nome também não tem grande carga positiva inicial.

HADDAD X GUEDES

Em 2020, ainda no governo de Jair Bolsonaro (PL), o PoderData questionou os entrevistados sobre a avaliação do então ministro da Economia, Paulo Guedes. Diferentemente de Haddad, à época, Guedes tinha avaliação bem próxima à do então presidente. Enquanto o desempenho do chefe do Executivo era “ótimo”/“bom” para 39% dos eleitores, Guedes tinha aprovação de 34%.

Sem pandemia e 3 anos depois, a situação com Haddad é outra. O trabalho de Lula tem a mesma taxa de avaliação positiva de Bolsonaro em 2020: 39%. Entretanto, a aprovação do trabalho de Haddad tem taxa 15 p.p. mais baixa que a do chefe do Executivo atual.

Poder360

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Vacina da gripe começa a ser aplicada hoje no SUS em todo o país; Veja quem pode tomá-la

Foto: VALTER CAMPANATO/AGÊNCIA BRASIL

A campanha de vacinação contra a gripe começa nesta segunda-feira (10) em todo o Brasil. O objetivo do Ministério da Saúde neste ano é imunizar 81,7 milhões de pessoas que fazem parte dos grupos prioritários e estão aptas a receber a vacina no SUS.

A vacinação foi antecipada na região Norte, onde começou em março, devido ao período de chuva e aumento dos casos de influenza a partir de abril.

Com a aproximação do inverno no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, é esperado também um crescimento dos números de infecções pelo vírus da gripe, por isto a importância da vacinação neste momento.

Podem se vacinar nos postos de saúde indivíduos que se encaixem nos seguintes grupos:

pessoas com mais de 60 anos;
crianças de 6 meses a menores de 6 anos de idade (5 anos, 11 meses e 29 dias);
gestantes e puérperas;
pessoas com deficiência;
pessoas com comorbidades;
povos indígenas, ribeirinhos e quilombolas;
trabalhadoras e trabalhadores da saúde;
integrantes das Forças Armadas;
profissionais das forças de segurança e salvamento;
caminhoneiros e caminhoneiras;
professoras e professores;
profissionais de transporte coletivo;
profissionais portuários;
profissionais do sistema de privação de liberdade;
privada de liberdade;
adolescentes e jovens de 12 a 21 anos em medidas socioeducativas.
Em relação aos bebês e crianças, o ministério diz que aqueles que já receberam pelo menos uma dose nos anos anteriores devem tomar somente uma injeção neste ano.

Para crianças indígenas ou com comorbidades, é possível a vacinação até 9 anos incompletos.

Crianças que serão vacinadas pela primeira vez devem tomar o esquema de duas doses, com intervalo de 30 dias entre elas.

R7

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Brasil

Presidente do PL, Valdemar Costa Neto é internado em Brasília

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, sentiu um mal-estar neste domingo, 9, e foi internado no Hospital Sírio Libanês, em Brasília. Ele passará por um cateterismo nesta segunda-feira, 10, porque teve dor no peito quando estava numa viagem pelo Nordeste.

Segundo a assessoria do PL, Costa Neto está bem e foi internado por precaução. Ex-deputado, o presidente do PL aposta agora numa estratégia que prevê viagens do ex-presidente Jair Bolsonaro e da ex-primeira-dama Michelle pelo País, com o objetivo de reforçar o partido. Os dois são filiados ao PL, que tem planos de eleger 1.000 prefeitos em 2024.

Bolsonaro retornou recentemente de Orlando, nos Estados Unidos, onde permaneceu três meses, e hoje é presidente de honra do PL. Michelle, por sua vez, comanda o PL Mulher.

Costa Neto quer que Bolsonaro seja novamente candidato ao Palácio do Planalto, em 2026. Mas, se o ex-presidente ficar inelegível – uma vez que é alvo de processos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Supremo Tribunal Federal (STF) –, Costa Neto defende a candidatura de Michelle. Bolsonaro não aprova ideia e já disse que ela “não tem vivência política”.

Estadão

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Brasil

Lula chega aos 100 dias de governo sem base consolidada nem marca petista no Congresso

Nesses três meses e meio de governo, Lula adotou novas políticas públicas e relançou programas sociais — alguns de forma turbinada — como o Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida e o Mais Médicos, por exemplo. Contudo, nenhuma das iniciativas passou ainda por votação no Congresso. Portanto, não houve a análise de texto que dependesse ou mostrasse a força da base aliada do presidente. O teste está por vir nos próximos meses.

A primeira prova de fogo diz respeito à aprovação de Medidas Provisórias (MPs) editadas por Lula, que inclusive formalizam e embasam grande parte das iniciativas adotadas pela administração federal, como os próprios programas citados acima.

O governo se vê em meio a um conflito em torno do modelo de tramitação das MPs entre as cúpulas da Câmara dos Deputados e do Senado, e busca salvar seus textos antes que percam o efeito a partir de junho. As MPs têm força de lei assim que publicadas no Diário Oficial da União, mas precisam ser aprovadas em até 120 dias pelo Congresso para que não tenham a validade encerrada.

Sem conseguir resolver o impasse, o governo até conseguiu um acordo para a análise dos conteúdos de 12 das 13 primeiras MPs de Lula. No entanto, parte será transformada em projetos de lei de urgência e emergência ou incorporada a outros textos em tramitação. O caminho será mais longo e dependente de uma base aliada no Parlamento para que as MPs sejam aprovadas com o mínimo de mudanças.

A expectativa do governo é que as primeiras comissões mistas para as MPs comecem a funcionar nesta semana. A previsão inicial era que a instalação fosse em 4 de abril, mas foi adiada por risco de falta de quórum perto do feriado de Páscoa e últimos ajustes na negociação do governo com a cúpula do Congresso.

O retorno das comissões mistas na tramitação de MPs pode ajudar a gestão de Lula no sentido de equilibrar a análise dos textos entre Câmara e Senado – onde há um ambiente mais pró-governo –, já que os colegiados são formados por 12 deputados e 12 senadores. Ou seja, com o mesmo peso entre ambas as Casas Legislativas.

Cenário da base de apoio na Câmara e no Senado
Líderes governistas avaliam que contam com uma maioria dentre os 81 senadores que dê até para tocar Propostas de Emenda à Constituição (PECs) na Casa, a depender do tema, embora ainda prefiram não arriscar. As PECs precisam do apoio de ao menos três quintos tanto da Câmara quando do Senado: 308 deputados e 49 senadores.

Na Câmara, porém, a situação é mais volátil e nebulosa. Os 464 dentre os 513 deputados federais que reelegeram Arthur Lira (PP-AL) à presidência da Câmara, com o apoio do governo, não são a base aliada de Lula na Casa.

Atualmente, a base de apoio a Lula é formada pelos partidos PT, PCdoB, PV, MDB, PSD, PDT, PSB, Psol, Rede, Avante e Solidariedade. Somados, são cerca de 220 deputados.

O União Brasil, partido formado a partir da fusão do Democratas com o PSL (pelo qual Jair Bolsonaro foi eleito em 2018), figura como a maior incógnita de votação até o momento. Apesar de ter três ministérios, a legenda se diz independente e abriga vários parlamentares com histórico de anos de antipetismo.

Além disso, o governo ainda aposta em atrair deputados tidos como independentes e até mesmo de siglas de oposição que não são tão fieis ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), principal antagonista a Lula na política nacional.

O Republicanos, por exemplo, é uma das siglas que se coloca como independente e que está na lista de prioridades das tentativas de aproximação do governo. Com 42 deputados, o partido recentemente formou um bloco parlamentar com o PSD e MDB — que apoiam o governo Lula –, fato que deu esperanças ao governo de conseguir mais votos da legenda.

O governo tem tido mais dificuldade de entrar nas bancadas do agronegócio, da segurança pública e evangélica. Há diálogo com parlamentares desses grupos, porém, a maioria deles não está alinhada com a gestão petista.

Até aqui, o Planalto tem apostado nas moedas de troca mais tradicionais da política brasileira para atrair os congressistas: distribuição de emendas do Orçamento e cargos, principalmente no segundo e no terceiro escalão da administração pública federal.

Diferentemente do governo Bolsonaro, o presidente Lula defendeu que mais políticos ocupassem cargos de destaque na Esplanada dos Ministérios. MDB, PSD e União Brasil foram as principais siglas de centro e de direita que indicaram ministros.

O governo ainda busca tirar tanto poder sobre as emendas das mãos dos presidentes da Câmara, Arthur Lira, e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). A ideia é que o Planalto tenha maior controle sobre o tempo e destino da distribuição delas aos parlamentares.

Nos bastidores, ala de deputados reclama que recursos não foram distribuídos como acham que deveriam já ter sido. A previsão é que os parlamentares sejam mais contemplados às vésperas de votações importantes no Congresso para o governo, como no caso de MPs e da reforma tributária.

Sem marca petista no Congresso

Até o momento, não houve uma ideia gestada pelo governo Lula que tenha virado uma nova marca essencialmente petista no Congresso Nacional.

Uma série de medidas batizada como “pacote da democracia” anunciada pelo ministro da Justiça, Flávio Dino, em janeiro, após os atos criminosos do início do ano, não saiu do papel nem começou a tramitar.

Algumas das propostas do pacote, como a criação de uma Guarda Nacional permanente, no lugar da Força Nacional, já foram discutidas no Parlamento no passado e enfrentam resistências. Novas regras para as redes sociais, com o objetivo de combater fake news, devem ser incorporadas em um projeto em discussão, mas sem previsão de ser votado.

Nesses primeiros meses do ano, os aliados de Lula têm trabalhado em aprovar um novo marco fiscal e uma reforma tributária. A intenção do governo é aprovar ambas as matérias ao menos na Câmara ainda neste primeiro semestre. Se bem-sucedidas, devem se tornar as primeiras marcas do novo governo Lula aprovadas no Congresso.

Os assuntos de que tratam as Medidas Provisórias de Lula, caso aprovadas com o teor original dos textos editados pelo presidente ou mudanças mínimas, também têm o potencial de se tornarem marcas petistas que mostrem a força do governo no Congresso. Até porque grande parte é formada por reedições de programas de gestões petistas do passado ou políticas.

CNN

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Brasil

Primeiros concursos do Governo Federal deverão ser lançados, nesta segunda

Imagem ilustrativa – (Foto: Pexel)

A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, anunciou que o governo  deverá lançar nesta segunda-feira (10), o primeiro bloco de concursos públicos autorizados para administração federal.

Esther Dweck destacou que há previsão no orçamento deste ano para realização dos concursos, que irão priorizar os órgãos com maior déficit de pessoal.

Até o fim do ano, segundo a ministra, devem ser anunciados três blocos de concursos públicos para recomposição de pessoal. No momento, apenas uma seleção emergencial foi autorizada para a Agência Nacional de Mineração.

Sobre a concessão do reajuste salarial linear de 9% aos servidores federais, Esther Dweck explicou que é preciso que Congresso Nacional aprove uma adequação de rubricas na Lei Orçamentária de 2023.

Na última sexta-feira (31), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Parlamento projeto de lei com a alteração. A expectativa do governo é de que a aprovação da proposta ocorra ainda este mês.

“Assim que ele for aprovado, o governo pode encaminhar o reajuste dos servidores. A meta, temos conversado com os líderes no Congresso, é que tenhamos uma aprovação célere desse projeto, para que seja aprovado ainda no mês de abril e o reajuste dos servidores possa valer a partir de maio”, afirmou a ministra em entrevista ao programa A Voz do Brasil.

A negociação salarial, acordada com cerca de 100 entidades sindicais, prevê ainda aumento de R$ 200 no auxílio alimentação dos servidores. Conforme a ministra, o valor adicional já será depositado no pagamento de maio.

Desde 2016, a maioria das categorias do funcionalismo federal não teve reajuste salarial. Em fevereiro, o ministério retomou a Mesa Nacional de Negociação Permanente com os servidores públicos federais, que servirá para discutir recuperação salarial e reestruturação de carreiras. A mesa foi instalada pela primeira vez em 2003.

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Brasil

Cem dias de governo: Lula é o único presidente sem nova marca no início da gestão

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) 06/04/2023
Sob o slogan “União e Reconstrução”, Luiz Inácio Lula da Silva é o único presidente a não criar uma nova marca em seus cem primeiros dias de governo, apenas reembalando programas de suas gestões anteriores. Ele foi também o que enfrentou as piores crises em poucas semanas à frente do Palácio do Planalto, como os atos golpistas de 8 de janeiro e a morte de indígenas na reserva ianomâmi.

Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), Mais Médicos (criado pela presidente Dilma Rousseff) e Água para Todos são alguns dos programas reeditados por Lula.

Já seus antecessores buscaram imprimir novas marcas. José Sarney (1985-1990), primeiro presidente civil após a ditadura militar e que vendia a imagem de “recondutor” da democracia ao reprovar o uso de decretos-lei e por sancionar a volta das eleições presidenciais diretas, lançou mão de programas sociais de atendimento a grávidas e mães jovens de baixa renda, pacote de estímulo a novos empregos como frentes de trabalho nas áreas de saneamento e habitações populares, e projeto de melhoria da merenda escolar, todos sob o slogan “Tudo pelo Social”.

Fernando Collor (1990-1992), primeiro presidente eleito após a redemocratização, iniciou o governo com o Plano Brasil Novo — popularmente chamado de Plano Collor —, que previa a recuperação da economia e o combate à inflação. Apesar de propagandas institucionais e ações de marketing, em que o então presidente aparecia fiscalizando preços em supermercados, a marca de governo rendeu uma rejeição entre a população. O motivo principal foi o confisco do saldo de contas correntes e poupanças por 18 meses a partir da quantia equivalente a pouco mais de R$ 6 mil atuais.

Sucessor de Collor após o impeachment, o vice Itamar Franco (1992-1995) lançou ações de combate à miséria e reviu demissão de servidores promovidas por Collor. Também suspendeu um cronograma de privatizações herdado do governo anterior. Foi nos primeiros cem dias que Itamar encomendou um plano econômico que se transformaria mais tarde em seu principal legado, o Plano Real.

Já Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), que integrou o governo Itamar e foi o pai do Real, procurou focar seus cem primeiros dias em um programa de austeridade econômica. Sancionou a Lei das Concessões, que permitiu a exploração privada de serviços que antes eram exclusivos do governo, como telecomunicações e energia elétrica. Vetou o reajuste do salário mínimo no período e anunciou o planejamento de programas sociais em uma rede de proteção à população de baixa renda.

FH teve como sucessor Lula (2003-2011), que implementou em seu primeiro mandato a marca do combate à fome, batizada de Fome Zero. O petista chegou a promover uma caravana de ministros que percorreu as áreas mais pobres do país para verem de perto a miséria.

Polarização

Para o pesquisador e professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) José Antônio Martinuzzo, que integra os laboratórios de Comunicação e Cotidiano (ComC) e Sociedade Midiatizada e Práticas Comunicacionais Contemporâneas (Líder), a falta de uma marca específica nos cem primeiros dias do atual governo, com o resgate de programas, mostra um país ainda fortemente polarizado.

— O slogan do governo é a tradução do seu investimento em ação e comunicação nestes cem dias. Num país dividido, é aposta arriscada, ainda que justificável. De acordo com o mapa das urnas, apesar dos desmontes e retrocessos recentes, metade da população não vê o que reconstruir. Não desejam reerguer os pilares de um passado que se diz idílico, mas cujo brilho está longe do consenso — diz Martinuzzo.

Já a pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas e Formação Humana (PPFH) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Mônica Rodrigues, considera “acertada” a escolha de Lula de priorizar o resgate de políticas públicas extintas ou que foram apropriadas pelo governo anterior:

— Como diz acertadamente a marca “União e reconstrução”, o foco é reconstruir boas políticas públicas que ele criou e foram desmobilizadas ou extintas. E em cem dias, num cenário de devastação como o herdado do governo anterior, a decisão foi acertada.

Sucessora de Lula, Dilma Rousseff (2011-2016) marcou seus primeiros cem dias com ações de austeridade fiscal, cortando despesas de R$ 50 bilhões. O governo procurou manter programas de Lula, como o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida. Ainda no início da gestão, ela apresentou o Plano Brasil Sem Miséria, que na metade do primeiro ano de mandato ganhou forma como programa. A meta era tirar 16,2 milhões de pessoas da pobreza extrema.

Vice-presidente que assumiu a cadeira de Dilma após seu impeachment, Michel Temer (2016-2019) marcou o início de seu governo com ações de enxugamento da máquina pública que incluíram a redução de 32 para 23 ministérios e readequação das contas públicas, além de ações na área social.

Último ex-presidente, Jair Bolsonaro lançou um programa de privatizações, flexibilizou as regras de posse de armas e reduziu o total de ministérios de 29 para 22. Ainda apresentou proposta de reforma da Previdência e projeto de lei Anticrime, com mudanças nos Códigos Penal.

As marcas de cada governo

 

  • José Sarney (1985-1990): Com a slogan “Tudo pelo Social”, fez investimentos na área social que incluíram distribuição de alimentos, rede de proteção a gestantes e mães jovens e frentes de trabalho em obras públicas.
  • Fernando Collor (1990-1992): Teve como grande marca o Plano Brasil Novo, popularmente chamado de Plano Collor. As ações, como o confisco do saldo de contas corrente e poupança, prometiam o controle da inflamação.
  • Itamar Franco (1992-1995): Durante os cem dias, readmitiu servidores demitidos por Collor e encomendou um plano econômico que se transformaria, mais tarde, em seu maior legado: o Plano Real, que freou a inflação.
  • Fernando Henrique (1995-2003): Pai do Real, procurou focar seus cem primeiros dias em um programa de austeridade econômica. Sancionou a Lei das Concessões, que permitiu a exploração privada de áreas como telecomunicações e energia elétrica.
  • Lula (2003-2011): Implementou como marca o combate à fome, batizado de Fome Zero. O petista promoveu uma caravana de 30 ministros nas áreas mais pobres do país, para que a equipe olhasse de perto a miséria.
  • Dilma Rousseff (2011-2016): Cortou despesas de R$ 50 bilhões e procurou manter programas de Lula, como o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida. Apresentou uma de suas marcas, o Plano Brasil Sem Miséria, criado na metade na metade do ano.
  • Michel Temer (2016-2019): Marcou o início de seu governo com ações de enxugamento da máquina pública que incluíram a redução de 32 para 23 ministério e a readequação das contas públicas. Promoveu ações na área social.
  • Jair Bolsonaro (2019-2022): Manteve como marca o lançamento de um programa de privatizações, a flexibilização das regras de posse de armas e o enxugamento da máquina, reduzindo o total de ministério de 29 para 22.

Extra

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