Mundo

Donald Trump oficializa tarifa global de 10% após decisão da Suprema Corte

Foto: Kevin Lamarque/Reuters

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta sexta-feira (20) uma tarifa global de 10% sobre produtos importados. A medida será aplicada com base na Seção 122 do Ato do Comércio de 1974, após a Supreme Court of the United States barrar o uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) para impor as taxas.

Segundo a Casa Branca, a nova alíquota entra em vigor no dia 24 de fevereiro. A Seção 122 permite tarifas de até 15% como resposta a problemas no balanço de pagamentos internacionais ou para evitar uma desvalorização significativa e iminente do dólar. No entanto, a regra limita a duração da medida a 150 dias, prazo que só pode ser prorrogado com aprovação do Congresso.

A decisão ocorre após a Suprema Corte, por seis votos a três, entender que a IEEPA não autoriza a criação de tarifas globais sem aval do Legislativo. O julgamento também abriu discussão sobre eventual reembolso a empresas que pagaram taxas impostas anteriormente com base nesse instrumento.

Trump criticou publicamente a decisão dos magistrados e afirmou que países estrangeiros “exploram” os Estados Unidos há anos. A política tarifária é uma das principais bandeiras do republicano, que defende as taxas como forma de reequilibrar o comércio exterior. Apesar disso, o déficit comercial norte-americano registrou queda de apenas 0,2% em 2025 na comparação com o ano anterior.

O presidente destacou que seguem em vigor as tarifas aplicadas com base nas seções 232 e 301 da legislação comercial americana. A Seção 232, da Lei de Expansão Comercial de 1962, permite tarifas por razões de segurança nacional, enquanto a Seção 301, do Ato de Comércio de 1974, autoriza investigações sobre práticas consideradas injustas por parceiros comerciais — incluindo apurações que envolvem o Brasil.

Com informações da CNN

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Polêmica

Justiça da Paraíba decreta falência da Braiscompany após golpe de mais de R$ 1 bilhão



					Justiça da Paraíba decreta falência da Braiscompany após golpe de mais de R$ 1 bilhão
 Foto: Divulgação/Braiscompany.

O juiz Cláudio Pinto, da Vara de Feitos Especiais de Campina Grande, decretou a falência da Braiscompany e de três outras empresas que fazem parte do grupo, que estão envolvidas em golpes somados de mais de R$ 1 bilhão. As informações foram obtidas a partir do documento da sentença que oJornal da Paraíba teve acesso.

A sentença, assinada em 6 de fevereiro, se baseia em alguns pontos, entre eles o fato de Antônio Neto Ais e Fabrícia Cândido, casal dono da empresa, terem sido condenados por crimes contra o sistema financeiro e estarem presos na Argentina.

O juiz também pontuou que as sedes das empresas estão fechadas e desativadas, além de haver mais de 5 mil ações judiciais contra o grupo no país. A sentença ressaltou que abandono das atividades do conglomerado sem deixar representante ou recursos para pagar credores, caracterizando ato típico de falência.

A falência foi decretada para as seguintes empresas:

  • Braiscompany Soluções Digitais e Treinamentos Ltda;
  • Braistech Centro de Inovação e Tecnologia Ltda;
  • Brais Games Software Ltda;
  • Brais Holding Participações Ltda.

A decisão determina a coleta de todos os bens, livros e documentos das empresas, além da lacração dos estabelecimentos, para preservar o patrimônio da massa falida. Também foi ordenada a suspensão das ações e execuções contra as empresas, centralizando a cobrança no processo falimentar (procedimento para organizar a liquidação do patrimônio da empresa e distribuir o que for arrecadado entre os credores).

Os representantes legais devem apresentar também a relação de credores da Braiscompay em até 10 dias. Após isso, erá publicado edital com prazo de 15 dias para habilitação de créditos e 10 dias para impugnações.

Com a decretação da falência, o juiz determinou um prazo de 90 dias que pode permitir a revisão de atos praticados pelas empresas que tenham prejudicado credores. Uma outra empresa foi nomeada administradora judicial da massa falida da Braiscompany. Essa empresa deverá assumir formalmente o encargo, apresentar proposta de honorários e conduzir a arrecadação dos bens.

Junta Comercial, Receita Federal, Ministério Público Federal e Fazendas Públicas vão ser comunicados formalmente sobre a falência para que nos registros dos órgãos conste a informação.

O pedido de advogados que entraram com a ação para a falência da Braiscompany foi realizado em 2024. O advogado Bernardo Ferreira, que protocolou a ação, comentou que a decisão “foi um passo importante no sentido de satisfazer os débitos da empresa” e que “existem passos a serem passos dados no processo”, mas que “essa é a “única forma de “se alcançar um dia algum ressarcimento aos credores da empresa”.

Entenda o caso

Antônio Inácio da Silva Neto, mais conhecido como Antônio Ais, e a esposa, Fabrícia Farias, sócios da empresa de criptoativos Braiscompany, foram presos no dia 29 de fevereiro, na cidade de Escobar, na Argentina. Em dezembro, a Justiça da Argentina autorizou a extradição de Antônio Neto e Fabrícia Farias.

Ainda não há data definida para o retorno deles. O tribunal argentino também registrou que período de detenção de Antonio Neto Ais deverá ser computado no processo brasileiro. Os dois devem ser extraditados para o Brasil, para o cumprimento das penas, que, somadas, chegam a 150 anos de reclusão.

O casal desviou cerca de R$ 1,11 bilhão e fez mais de 20 mil clientes como vítimas na captação de investimentos para a Braiscompany. A sede da empresa ficava estabelecida em Campina Grande.

A empresa, idealizada pelo casal, era especializada em gestão de ativos digitais e soluções em tecnologia blockchain. Os investidores convertiam seu dinheiro em ativos digitais, que eram “alugados” para a companhia e ficavam sob a gestão dela pelo período de um ano. Os rendimentos dos clientes representavam o pagamento pela locação dessas criptomoedas.

A Braiscompany prometia um retorno financeiro ao redor de 8% ao mês, uma taxa considerada irreal pelos padrões usuais do mercado. Milhares de moradores de Campina Grande investiram suas economias pessoais na empresa, motivados pelo boca a boca entre parentes, amigos e conhecidos.

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Mundo

Trump anuncia taxa global de 10% após Suprema Corte dos EUA derrubar tarifaço

Foto: REUTERS/Nathan Howard

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma nova taxa global de 10% na tarde desta sexta-feira (20), após a Suprema Corte norte-americana decidir que o tarifaço é ilegal.

CNN Brasil

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Política

MPC pede reprovação de contas da ex-prefeita Luciene Gomes e devolução de R$ 20 milhões

O Ministério Público de Contas (MPC), junto ao Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB), emitiu parecer pela reprovação das contas de 2022 da ex-prefeita de Bayeux, Luciene Andrade Gomes Marinho, conhecida como Luciene de Fofinho.

O documento aponta irregularidades consideradas graves, entre elas déficit orçamentário, déficit financeiro, descumprimento de metas fiscais, despesas sem comprovação, pagamento de vantagens sem previsão legal e falhas no empenho e no recolhimento de contribuições previdenciárias ao RGPS e ao RPPS.

Além da rejeição das contas, o MPC defende a imputação de débito superior a R$ 20 milhões, aplicação de multas e a inabilitação da ex-gestora para o exercício de cargos comissionados ou funções de confiança. O parecer também propõe comunicação à Receita Federal e ao Ministério Público Estadual para apuração de possíveis responsabilidades.

Entre os achados estão pagamentos vinculados a nota fiscal cancelada, repasses sem base legal apresentada, honorários advocatícios sem comprovação da prestação de serviços e aquisições de materiais e bens sem controles adequados. Também foram registradas despesas sem empenho prévio, indícios de quebra da ordem cronológica de pagamentos, uso irregular de recursos da COSIP e inconsistências na gestão do Fundeb.

O julgamento ainda não foi pautado pelo TCE-PB. A decisão final caberá ao plenário da Corte.

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Polêmica

SECRETÁRIO VERSUS VEREADOR: Briga entre Welison Silveira e Guga Pet vai parar na Justiça que determina audiência

A briga entre o secretário de Proteção Animal de João Pessoa, Welison Silveira, e o vereador Guga Pet (PP) foi parar na Justiça.  Os dois devem passar por uma audiência de conciliação. A data ainda não foi definida.

Tudo começou no mês de janeiro após o parlamentar procurar a 11ª Delegacia Distrital da Capital para acusar Silveira de calúnia após, segundo Pet, o secretário afirmar aos médicos veterinários do Hospital Pet que o vereador teria provocado um curto-circuito ao danificar o quadro de energia da unidade de saúde animal.

Ao Ministério Público da Paraíba, Welison Silveira afirmou que a denúncia apresentada por Guga à Polícia Civil é falsa, acusando o vereador de prestar o boletim de ocorrência em razão de divergência política.

Na peça, o auxiliar do prefeito Cícero Lucena (MDB) lembra que Guga Pet fazia parte da base aliada do gestor pessoense e após decidir apoiar o vice-governador Lucas Ribeiro (PP) passou a fazer parte do bloco da oposição.

Com a mudança no comando da Secretaria de Proteção Animal, Silveira disse ao MP que se reuniu com a equipe do hospital em 15 de janeiro e informado aos funcionários que iria solicitar uma auditoria geral nas dependências da unidade.

Para a defesa do secretário Welison, “Guga Pet provocou a ação da autoridade policial com uma informação falsa sobre um crime que não ocorreu”.

“O elemento subjetivo do tipo (dolo) está evidente na atitude do Representado [Guga Pet], que, ciente da inocência do Representante e motivado por divergências políticas, utilizou-se da máquina estatal de forma indevida para prejudicar o Representante [Welison Silveira], criando uma situação criminosa inexistente. A finalidade do Representado [Guga Pet] era clara: provocar a intervenção policial com base em fatos inverídicos, em razão do rompimento com o grupo político do Prefeito Cícero Lucena”, diz a representação.

Na manifestação encaminhada ao MP, Welison Silveira pediu que fosse instaurado um inquérito para apurar a conduta do vereador Guga Pet.

No início de fevereiro, o promotor Alessandro de Lacerda Siqueira determinou que o conflito fosse enviado ao Juizado Especial Criminal da Capital para o devido processamento.

O juiz Hermanece Gomes Pereira determinou que a Secretaria Judiciária marque uma audiência de conciliação entre as partes. O magistrado também pediu acesso aos antecedentes criminais dos envolvidos e, caso seja preciso, laudos da Polícia Civil.

Interlocutores do Ministério Público afirmaram que o primeiro passo é a tentativa de conciliação. Caso não seja possível o acordo, o segundo passo é analisar se há espaço para apresentar uma denúncia ao Poder Judiciário.

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Brasil

Janja usa voo da FAB com assessores para visitar escola que homenageou Lula no Carnaval

Foto: Reprodução/Redes Sociais

A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, utilizou uma aeronave da Força Aérea Brasileira para viajar ao Rio de Janeiro no dia 6 de outubro de 2025, quando visitou o barracão da Acadêmicos de Niterói — escola que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Carnaval. Pelo menos seis assessores foram deslocados de Brasília para a agenda.

A informação é da colunista Andreza Matais, do Metrópoles. No mesmo dia, Janja participou de um evento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação ao lado da ministra Luciana Santos, que também estava no voo oficial. Durante a visita ao barracão, a primeira-dama conversou com integrantes da agremiação e comentou, em vídeo divulgado nas redes sociais, que Lula estaria “apaixonado” pelo samba-enredo. A ministra Anielle Franco também apareceu nas imagens.

Entre os integrantes da comitiva estavam assessores lotados no Gabinete Pessoal da Presidência, incluindo equipe de comunicação, fotógrafo e ajudante de ordens. Cinco deles viajaram na aeronave da FAB e receberam diárias. Uma assessora do cerimonial fez o deslocamento em voo comercial. A Secretaria de Comunicação e a assessoria de Janja foram procuradas, mas não haviam se manifestado até a publicação.

A escola de samba recebeu cerca de R$ 9,6 milhões em recursos públicos para o desfile deste ano. O enredo, intitulado “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, terminou com a menor pontuação do Grupo Especial, resultando no rebaixamento da agremiação.

Além da agenda de outubro, Janja voltou ao barracão em fevereiro para acompanhar ensaio da escola. Até o momento, não há confirmação oficial sobre o meio de transporte utilizado nessa segunda visita, já que os registros de voos ainda não foram divulgados pela FAB.

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Sem categoria

Projeto da ALPB propõe devolver pessoas em situação de rua para estado de origem

Um Projeto de Lei apresentado na Assembleia Legislativa da Paraíba propõe a criação do Programa Estadual “De Volta Para Minha Terra”.

A proposta, de autoria do presidente da ALPB, Adriano Galdino (Republicanos), tem como objetivo viabilizar o retorno assistido, seguro e voluntário de pessoas em situação de rua na Paraíba ao seu estado de origem.

Segundo o texto, apresentado no mês passado, o PL assegura que o deslocamento ocorra apenas mediante manifestação livre e consciente do interessado, afastando a possibilidade de remoção compulsória.

Entre as ações previstas estão a emissão de passagens, a oferta de alimentação durante o deslocamento, o apoio à regularização documental e o acompanhamento social, respeitando a disponibilidade orçamentária do Estado.

Portal Correio

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Brasil

Lula falta a evento organizado pelo Brasil na Cúpula de IA e deixa auditório lotado sem discurso

Foto: Reuters/Adriano Machado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cancelou de última hora sua participação em um evento promovido pelo próprio governo brasileiro dentro da Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial, realizada em Nova Deli, na Índia. Lula era o principal orador da programação e sua ausência surpreendeu o público, que praticamente lotou o auditório à espera do discurso.

A expectativa em torno da fala do presidente superava, inclusive, a registrada em um encontro anterior no mesmo espaço, que contou com a presença de António Guterres, da Organização das Nações Unidas, e de Brad Smith, liderança da Microsoft. Segundo o Palácio do Planalto, o compromisso foi cancelado por causa do atraso em uma entrevista concedida à emissora indiana India Today, o que teria inviabilizado o deslocamento até o local do evento.

Sem o presidente, a delegação brasileira foi representada por seis ministros, entre eles Luciana Santos (Ciência e Tecnologia), Mauro Vieira (Relações Exteriores), Camilo Santana (Educação) e Alexandre Padilha (Saúde). Cada integrante apresentou iniciativas de sua pasta ligadas à inteligência artificial e inovação, em exposições com tom mais institucional.

A ausência de Lula não foi justificada publicamente ao final do encontro. A cúpula é considerada um dos principais fóruns globais sobre governança e regulação da IA, com forte viés político. No dia anterior, o presidente havia defendido regras internacionais para as chamadas big techs, afirmando que a concentração de dados e infraestrutura digital nas mãos de poucos grupos representa risco à soberania e à democracia.

Com informações da CNN

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Brasil

Lula assistiu sem reação enquanto Janja expulsava sua filha do camarote de Carnaval

Foto: Léo Franco/Agnews

O que parecia um momento de festa no Carnaval virou constrangimento para o presidente Lula. No domingo (15), a primeira-dama Janja discutiu com Lurian da Silva, filha mais velha do presidente, no camarote reservado da Marquês de Sapucaí. Mas o que chamou atenção nos bastidores foi a reação de Lula diante da confusão: ele permaneceu em silêncio e não interveio.

Segundo aliados, Lurian entrou na sala privada, com acesso restrito, para cumprimentar o pai. Janja afirmou que não era hora para conversas longas e pediu que a primogênita desse apenas um beijo e se retirasse. A filha de Lula insistiu em conversar, e Janja exigiu que ela saísse, elevando a tensão entre as duas.

A discussão escalou. Lurian acusou Janja de “não saber o que é uma estrutura familiar” e não entender a relação entre pais e filhos. Lula, de acordo com pelo menos duas fontes, não se envolveu na confusão, dizendo aos aliados que conversaria com ambas depois, longe dos olhares do público.

O episódio teve testemunhas ilustres: o vice-presidente Geraldo Alckmin e sua esposa, Dona Lu Alckmin, estavam na sala e presenciaram toda a cena. Lurian deixou o camarote chorando, encerrando o episódio que agora fica marcado pelo silêncio do presidente diante do conflito familiar.

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Brasil

‘Burrice’ e atendimento no momento em que houve acesso a dados: o que os servidores suspeitos de vazamento da Receita alegaram


Foto: Daniel Marenco/Agência O Globo

Servidores da Receita Federal suspeitos de vazamento de dados de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) tiveram que prestar depoimentos à Polícia Federal (PF) após operação deflagrada nesta terça-feira. Em uma das oitivas, uma servidora alegou que atendia outra pessoa quando dados da mulher de Alexandre de Moraes foram acessados.

Como mostrou o GLOBO, a servidora Ruth Machado dos Santos afirmou que atendia uma pessoa, presencialmente, na agência da Receita que trabalha no Guarujá, no litoral de São Paulo, no momento em que, segundo as investigações, teria acessado dados cadastrais de Viviane Barci, mulher do ministro Alexandre de Moraes.

A Receita apontou que a servidora acessou dados cadastrais de Viviane, como CPF, nome da mãe e data de nascimento, e dados eleitorais da advogada no dia 21 de agosto do ano passado. Durante o depoimento aos policiais, Ruth informou que já havia sido instada pela própria Receita para explicar o acesso irregular, que ela nega ter feito.

À PF, ela disse ter apresentado provas de que estava atendendo outra pessoa no momento do suposto acesso, como dados cadastrais do contribuinte. Questionada pela polícia, ela afirmou que jamais passou senha dos seus sistemas a ninguém, o que poderia justificar o acesso simultâneo. O depoimento durou cerca de 40 minutos. Ruth é técnica de seguro social e atua em uma agência da Receita Federal.

Em nota, a defesa informou ainda que ela não possui vínculo partidário, não tem histórico de militância e que “não incorreu para a infração penal”.

Além de Ruth, outros três servidores que atuavam em delegacias do Fisco foram alvo de busca e apreensão e afastados de seus cargos. A operação da PF foi deflagrada após uma investigação da Receita apontar indícios de que informações fiscais dos magistrados e de seus familiares foram acessadas irregularmente.

O auditor-fiscal Ricardo Mansano, lotado na Receita em Presidente Prudente (SP), foi um dos alvos da PF. Nesta quarta, o presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco), Kléber Cabral, confirmou nesta que o auditor admitiu ter acessado os dados da enteada do ministro Gilmar Mendes, do STF. Maria Carolina Feitosa é filha de Guiomar Feitosa, que era casada com o magistrado.

Segundo Cabral, Mansano admite o acesso irregular e que a atitude foi uma “burrice” e uma “ideia cretina”, mas o presidente da Unafisco argumenta que foi um “acidente do destino”, porque não há registros de vazamento de dados de Maria Carolina. Dessa forma, o caso de Mansano não teria relação com os vazamentos de dados que o STF quer investigar.

O servidor da Receita, alegou, de acordo com o presidente da Unafisco, que teria feito a pesquisa para descobrir se Maria Carolina, citada em uma reportagem, era esposa de um ex-colega de Cuiabá. A busca teria sido feita em novembro do ano passado, mas teria atingido documentos antigos, de 2008, e não teria ultrapassado a tela inicial.

— Os sistemas da Receita mostram tudo que a pessoa fez. Não dá para ter dúvida se olhou, se printou, se mandou imprimir, quantos segundos ficou em cada tela, tudo isso a Receita guarda e registra para uma futura apuração. Mas existe algum dado vazado dessa pessoa (Maria Carolina)? Não. Então não tem nada a ver com essa história — defendeu Cabral. — Ricardo caiu de gaiato nesse navio furado aí, infelizmente.

O GLOBO tentou contato com o servidor, mas não se manifestou.

Uma investigação da Receita Federal apontou indícios de que dados fiscais de ministros do STF e de seus familiares foram acessados irregularmente. A apuração levou a PF a realizar a operação a terça-feira de carnaval.

De acordo com o STF, “foram constatados diversos e múltiplos acessos ilícitos ao sistema” do Fisco, com “posterior vazamento de informações sigilosas”. A Receita vai entregar o relatório final sobre sua auditoria ao STF até o fim do mês.

A auditoria realizada pela Receita foi pedida em janeiro pelo ministro do STF Alexandre de Moraes para apurar possível vazamento de dados de ministros da Corte e de seus parentes em sistemas do Fisco e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O pedido foi feito no âmbito do inquérito das fake news, do qual Moraes é relator, e em meio aos desdobramentos do caso do Banco Master.

Servidores do Rio e Bahia

Os servidores da Receita, Luiz Antônio Martins Nunes, lotado no Rio de Janeiro, e Luciano Pery Santos, que atuava numa delegacia do Fisco na Bahia também foram alvo da operação da PF. Os quatro investigados são suspeitos de terem violado o sigilo funcional, quando funcionário público revela fatos que devem ficar sob sigilo.

Se confirmado, os servidores podem pegar pena de seis meses a dois anos de detenção ou multa. Caso haja dano à administração pública ou a terceiros, a pena passa ser de dois a seis anos de reclusão e multa.

O Globo

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