Saúde

Ministério da Saúde paga R$ 2,7 bilhões com medicamentos judicializados e teme explosão de custos

Foto: Matheus Brasil/Ministério da Saúde/Divulgação

As despesas do Ministério da Saúde para fornecer medicamentos a pacientes que obtêm decisões favoráveis na Justiça alcançaram R$ 2,73 bilhões em 2024 e o governo Lula (PT) teme crescimento exponencial do gasto com a chegada de novas drogas.

Esse tipo de gastos vem crescendo. O ministério afirmou à Folha, em processo baseado na Lei de Acesso à Informação, que pagou R$ 1,8 bilhão em 2022 para fornecer medicamentos por ordens judiciais. Essa cifra tem subido mais de R$ 400 milhões por ano, alcançando R$ 2,24 bilhões em 2023 e R$ 2,73 bilhões no último ano. Na comparação de 2022 a 2024, a alta foi de 50%.

Apenas cinco medicamentos foram responsáveis por quase metade dos pagamentos. Para pacientes, porém, acionar a Justiça pode ser a única forma de ter acesso a remédios ainda não oferecidos na rede pública, em muitos casos para doenças graves e raras.

Um dos produtos que gera maior preocupação ao governo é o elevidys, terapia genética voltada a crianças com distrofia muscular de Duchenne, comprado por R$ 14,6 milhões. Em julho, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) suspendeu o registro do produto por incertezas sobre a sua segurança, mas o ministério ainda é obrigado a comprá-lo por decisões judiciais.

A Saúde calcula que desembolsaria cerca de R$ 3 bilhões para fornecer a droga a todos os 213 pacientes que têm ações ativas na Justiça por acesso ao elevidys.

Para Antoine Daher, presidente da Febrararas (Federação Brasileira das Associações de Doenças Raras), parte do custo da judicialização se dá pela demora do ministério em fornecer medicamentos já aprovados pela Anvisa.

“O paciente primeiro procura alguma alternativa terapêutica no SUS. Quando ele vê que não tem, faz um pedido administrativo, seja na secretaria local ou no Ministério da Saúde. Então recebe negativa e ingressa com uma ação judicial, porque a Constituição dá esse direito para ele”, afirma Daher, que é pai de um adolescente com síndrome rara.

Secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda afirma que a chegada de terapias avançadas, e de alto custo, torna imprevisível o impacto orçamentário para entrega dos medicamentos.

Segundo Massuda, o ministério busca alternativas para ampliar o acesso aos tratamentos, como negociar preços com a indústria e a produção no Brasil das tecnologias. Ele diz ainda que buscar a Justiça é um direito do paciente, mas que há casos em que os processos são abusivos.

“O problema é o uso da judicialização para fazer com que preços abusivos de medicamentos sejam adotados, explorando a dor das pessoas que precisam dos tratamentos e colocando o governo para arcar com o custo de medicamentos que muitas vezes estão em fase experimental”, disse o secretário.

Folha de S.Paulo

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Saúde

HÉTEROFLEX: Cresce número de homens que sentem atração por outros homens, mas se dizem héteros

Foto: Reprodução

O termo “Héteroflex” está ganhando destaque ao descrever homens que, apesar de se identificarem como heterossexuais, sentem atração por outros homens e buscam relações sexuais pontuais e sigilosas. Esse comportamento, observado por pesquisadores, desafia as definições tradicionais de identidade sexual e revela a complexidade da sexualidade humana.

Muitos desses homens mantêm sua identidade hétero, justificando que suas experiências não definem quem são. Essa prática ocorre em ambientes privados ou virtuais, longe dos espaços LGBTQIA+ tradicionais. Especialistas apontam fatores como repressão cultural e normas rígidas de masculinidade como influências nesse comportamento.

A discussão vai além da vida íntima, refletindo uma sociedade que ainda valoriza mais a aparência do que a verdade. Em pleno século XXI, o termo “heterossexual” pode vir com um asterisco, indicando exceções em certas circunstâncias.

ClickPB

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Saúde

UPAs de João Pessoa deixarão de conceder atestados médicos, diz secretário de saúde

O Secretário de Saúde de João Pessoa, Lus Ferreira afirmou  na tarde desta sexta-feira (18), que as Unidades de Pronto Atendimento de João Pessoa vão deixar de conceder atestados médicos.  “Aqueles que forem buscar atestados e renovação de receitas serão direcionados às Unidades Básicas de Saúde, as  UBS)”, disseo secretário.

“Estamos tentando, de forma educativa, fazer uma triagem na porta das UPAs, classificados como azul, por exemplo, procurem a UBS. Ainda não estávamos com urgência muito grande em relação a isso devido a escassez de UBS que funcionavam a noite, mas agora com essa expansão que teremos no atendimento da atenção primária, faremos isso de forma mais enfática. Então, ir para UPA só para renovar receita, pegar atestado, paciente não vai ser atendido, será direcionado ao local correto. A procura por atestados acontece principalmente pré feriado, sextas-feiras e segundas-feiras”, explicou o secretário.

De acordo com Luís Ferreira, a maioria de pacientes que causam superlotação nas UPA’s são pessoas que poderiam ser atendidas nas UBS’s, casos que não são urgentes.

“Isso é muito presente em João Pessoa. A nossa superlotação nas UPAs geralmente é de pacientes classificados como azuis e verdes, que poderiam esperar até 240 minutos para um primeiro atendimento, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). São pacientes que eram para serem atendidos nas Unidades Básicas de Saúde e nos ambientes de menor complexidade. Os pacientes que precisam realmente de um atendimento na UPA são atendidos de imediato, classificados como vermelho e laranja, entram direto e não esperam”, detalhou Luís Ferreira.

Segundo o secretário municipal de saúde, a ideia é que os pacientes que desejam solicitar atestados não cheguem até os médicos das UPA’s, e sim aos enfermeiros que vão direcionar as pessoas para locais adequados.

“O médico tem total autonomia para atestar qualquer coisa de um paciente. O atesto é um documento de fé pública, é verdadeiro até que se prove o contrário. Os conselhos de medicinam vieram com muita ressalva a obstrução do ato médico em dar um atestado, é uma decisão que tem que ser do médico. A nossa ideia é que isso nem chegue ao médico. Na triagem, que é realizada por um profissional de enfermagem, o paciente que for classificado como azul, no caso dos atestados, ele não chegue nem a passar pelo médico, ele seja direcionado para o local específico para ele, iriam para os UBS que funcionariam a noite ou no outro dia”, concluiu o secretário.

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Saúde

Casos de SRAG caem na maior parte do país, mas Paraíba ainda registra nível de alerta

 Casos de SRAG caem na maior parte do país, mas Paraíba ainda registra nível de alerta
(Foto: Rizemberg Felipe)

O boletim semanal InfoGripe, divulgado nesta quinta-feira (17), no Rio de Janeiro, pela Fundação Oswaldo Cruz, indica diminuição do número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) na maior parte do país, embora permaneçam altos. Todas as 27 unidades da federação apresentaram tendência de queda ou estabilidade nos casos de SRAG nas últimas seis semanas. No entanto, a maioria delas ainda registra incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, com destaque para os estados da Região Norte, como Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia e Roraima; do Nordeste, como Alagoas, Bahia, Maranhão, Paraíba, Pernambuco e Sergipe; e do Centro-Sul, como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

O estudo também mostra que crianças pequenas são as mais afetadas pela SRAG, com o vírus sincicial respiratório (VSR) como principal causador.

A análise verificou que, entre os idosos, a influenza A é a principal responsável por hospitalizações e óbitos. Desde o início do ano, 7.660 pessoas morreram vítimas de SRAG no Brasil.

A pesquisadora do InfoGripe, Tatiana Portella, diz que, apesar da diminuição dos casos de SRAG associados à influenza A e VSR na maior parte do país, a incidência de SRAG continua elevada: “Por isso a vacina contra a gripe é fundamental para que a gente consiga reduzir ainda mais o número de casos graves provocados pelo vírus”, argumenta.

Os dados mostram que o VSR segue como o principal vírus associado aos casos de SRAG em crianças pequenas, seguido do rinovírus e da Influenza A. Nos idosos, a Influenza A é o principal motivo de hospitalizações e óbitos por SRAG. O vírus também se destaca na incidência e mortalidade nas crianças pequenas.

Embora o rinovírus supere a influenza A em número de internações entre crianças e adolescentes de 5 a 14 anos, o VSR continua sendo o principal responsável por casos graves em crianças.

Apesar de apresentar sinais de estabilização ou redução em alguns locais, os casos associados ao VSR permanecem em níveis elevados de incidência na maioria dos estados, com exceção do Piauí, Tocantins e Distrito Federal, onde a situação apresenta melhora.

Morte entre idosos

A mortalidade por SRAG é mais elevada entre os idosos, especialmente devido à influenza A, que segue como a principal causa de hospitalizações e óbitos nessa faixa etária. Apesar da tendência geral de redução, há sinais de retomada do crescimento de casos de SRAG em idosos em Minas Gerais e no Pará, embora ainda não seja possível identificar o vírus responsável por esse aumento nesses estados.

Entre os estados, os casos de SRAG nos idosos associados à influenza A seguem em níveis de incidência de moderado a alto na maioria das unidades da região Centro-Sul (exceto Goiás, Distrito Federal e Rio de Janeiro), além de alguns estados do Norte (Amapá, Pará, Rondônia e Roraima) e do Nordeste (Alagoas, Sergipe, Maranhão e Paraíba).

Estados

Apesar da maioria dos estados apresentarem tendência de queda, Roraima é o único estado onde ainda há aumento de SRAG nas crianças pequenas, associado ao VSR. Na Paraíba, observa-se aumento de SRAG nos idosos, associado à influenza A.

Em Alagoas, há sinais de retomada do crescimento de SRAG em crianças, também associado ao VSR. Além disso, Minas Gerais e Pará mostram indícios de retomada ou início de aumento de SRAG nos idosos, embora ainda não seja possível identificar o vírus responsável.

Observa-se um leve aumento de Síndrome Respiratória Aguda Grave por Covid-19 entre os idosos no Rio de Janeiro, porém sem impacto no total de hospitalizações. “Esse aumento ainda é leve. Precisamos aguardar para ver se ele vai se sustentar. Reforçamos a importância da vacinação contra a Covid-19, fundamental para mantermos baixos os níveis de hospitalizações e óbitos caso ocorra uma nova onda. Lembrando que alguns grupos como idosos e imunocomprometidos precisam tomar doses de reforço a cada seis meses”, argumenta Tatiana Portella.

Mortes no país

Até agora, em 2025, houve 7.660 óbitos por SRAG no país. Destes, 4.112 (53,7%) foram positivos para algum vírus respiratório, 2.828 (36,9%) tiveram resultado negativo e 154 (2%) ainda aguardam confirmação laboratorial.

Entre os óbitos, a maioria (54,7%) foi causada por influenza A, seguida por Covid-19 (23,3%), VSR (10,7%), rinovírus (10,2%) e influenza B (1,7%).

*Com Agência Brasil

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Saúde

Brasil volta à lista dos países com mais crianças não vacinadas

Foto: Mike Sena/Ministério da Saúde

O Brasil voltou a integrar a lista dos 20 países com maior número de crianças não vacinadas no mundo. Os dados são de relatório divulgado nesta terça-feira (15) pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e pela OMS (Organização Mundial da Saúde), com base em informações de 2024.

O país havia deixado o ranking em 2023 depois de avanços na cobertura vacinal. No entanto, com a piora no último ano, retornou à lista, ocupando agora a 17ª posição global.

Em 2024, cerca de 229.000 crianças brasileiras não receberam nenhuma dose da DTP, conhecida como vacina tríplice bacteriana e administrada como vacina pentavalente pelo PNI (Programa Nacional de Imunizações). O imunizante protege contra difteria, tétano e coqueluche. Em 2023, eram 103.000 crianças nessa condição.

A DTP é considerada um dos principais indicadores de acesso à imunização de rotina. A ausência da 1ª dose classifica a criança como “zero dose”, ou seja, que não recebeu nenhuma vacina. Na região da América Latina, só o México apresentou número absoluto maior de crianças não vacinadas em 2024, com 341.000 registros. Globalmente, o Brasil ficou atrás de países como Mianmar, Costa do Marfim e Camarões.

CENÁRIO GLOBAL

Em 2024, 89% das crianças no mundo (cerca de 115 milhões) receberam ao menos uma dose da DTP, e 85% (aproximadamente 109 milhões) completaram as 3 doses.

Em relação a 2023, cerca de 171.000 crianças a mais receberam ao menos uma vacina e 1 milhão a mais completaram o esquema de 3 doses da DTP. Segundo a OMS, “embora os avanços sejam modestos, eles indicam progresso contínuo dos países em proteger as crianças, mesmo diante de desafios crescentes”.

Apesar dos avanços, 14,3 milhões de crianças ainda não receberam nenhuma dose de vacina, e outras 5,7 milhões foram apenas parcialmente imunizadas. Em 2024, nenhuma das 17 vacinas monitoradas atingiu a meta mínima de 90% de cobertura.

De acordo com a OMS, a falta de acesso à imunização está relacionada a diversos fatores, como falhas na oferta de serviços, desigualdade territorial, conflitos armados, instabilidade política e desinformação sobre vacinas.

Poder 360

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Saúde

CAOS NA SAÚDE: UTI de Hospital de Cajazeiras que foi interditava operava pacientes durante reforma

Após a interdição ética do serviço de enfermagem nas áreas da UTI e do Centro de Material e Esterilização (CME) do Hospital Regional de Cajazeiras, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) divulgou nota, nesta terça-feira (8), explicando que os setores afetados funcionavam em estrutura provisória devido às obras de reforma na unidade.

Segundo a SES, o espaço foi adaptado para garantir a continuidade do atendimento enquanto as obras estão em andamento. A Secretaria afirma que, desde o início da requalificação, vem adotando medidas emergenciais para assegurar o funcionamento dos serviços essenciais à população.

A nota também informa que a equipe técnica do governo já está promovendo ajustes para atender às exigências feitas pelo Conselho Regional de Enfermagem (Coren-PB), responsável pela interdição. O objetivo, segundo a pasta, é garantir a segurança de pacientes e profissionais.

“A Secretaria reforça o compromisso com a qualidade do serviço e com a entrega de uma estrutura moderna e definitiva, que atenda às necessidades da região”, diz o comunicado.

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Saúde

Número de fumantes com plano de saúde cai 54,8% em 15 anos

Foto: reprodução

De 2008 a 2023, o percentual de beneficiários de planos de saúde que fumam no Brasil caiu de 12,4% para 6,8%, o que representa uma redução de 54,8%. A queda foi registrada em ambos os sexos, com destaque para os homens, cuja proporção caiu de 13,6% para 7,8% no período.

Os dados constam no relatório Vigitel, divulgado pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) em parceria com o Ministério da Saúde. A pesquisa analisou indicadores de saúde em todas as 27 capitais brasileiras.

A diminuição também foi observada nas faixas etárias entre 25 e 64 anos, bem como em todos os níveis de escolaridade. A faixa etária com maior redução foi a dos adultos entre 45 e 54 anos, que teve queda de 17,2% para 7,5%.

Já entre os níveis de escolaridade, a maior queda se deu entre pessoas com até 8 anos de estudo, que passaram de 15,4% para 9,9% (-0,42 ponto percentual ao ano). Nos anos mais recentes, entretanto, os dados indicam uma tendência de estabilização tanto por faixa etária quanto por escolaridade.

CONSUMO DIÁRIO DE 20 OU MAIS CIGARROS

No mesmo período, a proporção de fumantes que consomem 20 ou mais cigarros por dia reduziu de 3,6% em 2008 para 1,3% em 2023, com uma variação média anual de -0,16 ponto percentual. Entre os homens, essa redução foi mais acentuada, caindo de 4,6% para 1,5% (-0,18 ponto percentual ao ano).

Contudo, entre 2018 e 2023, essa frequência manteve-se estável tanto para a população geral quanto para ambos os sexos, indicando que, nos últimos anos, não houve avanços significativos na redução do consumo pesado de cigarros.

VIGITEL

O relatório reúne dados sobre a saúde de pessoas com planos de saúde nas capitais dos 26 estados e no Distrito Federal. As informações foram coletadas pelo Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), pesquisa coordenada pelo Ministério da Saúde em parceria com a ANS.

A edição especial Vigitel da Saúde Suplementar 2008-2023 analisou os dados de 15 anos de pesquisa. Foram ouvidos mais de 697 mil brasileiros por telefone, dos quais 371.394 declararam ter plano de saúde. O levantamento abordou temas como perfil sociodemográfico, alimentação, atividade física, tabagismo, consumo de álcool, excesso de peso, obesidade, presença de doenças crônicas, realização de exames preventivos e percepção sobre a própria saúde.

Poder360

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Saúde

OMS: uma em cada seis pessoas no mundo é afetada pela solidão

Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Relatório da Comissão sobre Conexão Social da Organização Mundial da Saúde (OMS) indica que uma em cada seis pessoas no mundo é afetada pela solidão, com impactos significativos na saúde e no bem-estar. A solidão está associada a cerca de 100 mortes a cada hora – mais de 871 mil mortes todos os anos – diz a pesquisa.

A OMS define conexão social como maneiras pelas quais as pessoas se relacionam e interagem entre si. Já a solidão é descrita como sentimento doloroso que surge da lacuna entre as conexões sociais desejadas e as reais, enquanto o isolamento social se refere à falta objetiva de conexões sociais suficientes e, neste caso, em nada se relaciona à prática preventiva recomendada durante a pandemia da covid-19.

“Nesta era em que as possibilidades de conexão são infinitas, cada vez mais pessoas se sentem isoladas e solitárias”, diz o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

“Além do impacto que causam em indivíduos, famílias e comunidades, se não forem enfrentados, a solidão e o isolamento social continuarão a custar bilhões à sociedade em termos de saúde, educação e emprego”, acrescenta.

Mais solitários

De acordo com o relatório, a solidão afeta, sobretudo, jovens e pessoas que vivem em países de baixa e média renda. Entre 17% e 21% dos jovens de 13 a 29 anos relataram se sentir solitários, com as taxas mais altas entre adolescentes. O índice chega a 24% entre pessoas de países de baixa renda – mais que o dobro da taxa registrada em países de alta renda (11%).

Embora os dados sobre isolamento social sejam mais limitados, a estimativa é que a condição afete uma em cada três pessoas idosas e um em cada quatro adolescentes.

Grupos com pessoas com deficiência, refugiados, LGBTQIA+ [lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, queer, intersexo, assexuais] indígenas e minorias étnicas podem enfrentar discriminação e outras barreiras que também dificultam a conexão social.

Causas

A solidão e o isolamento social, segundo a OMS, têm múltiplas causas, incluindo saúde precária, baixa renda, baixa escolaridade, viver só, políticas públicas ausentes ou ineficazes e infraestrutura comunitária inadequadas, além da influência de tecnologias digitais. O relatório alerta, por exemplo, para a necessidade de vigilância quanto aos efeitos do tempo excessivo de tela ou de interações online negativas sobre a saúde mental e o bem-estar dos jovens.

Impactos

O documento destaca, também, que a conexão social pode proteger a saúde ao longo da vida, reduzindo inflamações, diminuindo o risco de problemas graves de saúde, promovendo saúde mental e prevenindo a morte precoce, além de contribuir para tornar as comunidades mais saudáveis, seguras e prósperas.

Ao mesmo tempo, a solidão e o isolamento social aumentam o risco de acidente vascular cerebral (AVC), doenças cardíacas, diabetes, declínio cognitivo e morte prematura e também afetam a saúde mental – pessoas solitárias têm o dobro de probabilidade de desenvolver depressão.

“A solidão também pode levar à ansiedade e a pensamentos de automutilação ou suicídio”, ressaltou a OMS.

Os impactos se estendem ainda à aprendizagem e ao emprego. Adolescentes que se sentem solitários têm 22% mais chances de obter notas ou qualificações mais baixas, enquanto adultos solitários podem ter mais dificuldade para encontrar ou manter um emprego e ganhar menos ao longo do tempo.

“Em nível comunitário, a solidão prejudica a coesão social e custa bilhões em perda de produtividade e atenção à saúde. Comunidades com fortes laços sociais tendem a ser mais seguras, saudáveis ​​e resilientes, inclusive em resposta a desastres”, acrescenta a OMS.

Soluções

O relatório descreve uma espécie de roteiro para ações globais com foco em cinco áreas: política, pesquisa, intervenções, medição aprimorada (incluindo o desenvolvimento de um índice de conexão social global) e engajamento público para mudar normas sociais e reforçar um movimento mundial de conexão social.

“Soluções para reduzir a solidão e o isolamento social existem em vários níveis – nacional, comunitário e individual – e variam desde a conscientização e a mudança de políticas nacionais até o fortalecimento da infraestrutura social (por exemplo, parques, bibliotecas, cafés) e o fornecimento de intervenções psicológicas”, destacou a OMS.

“A maioria das pessoas sabe como é se sentir sozinha. E cada pessoa pode fazer a diferença com ações simples e cotidianas — como entrar em contato com um amigo necessitado, deixar o celular de lado para estar totalmente presente na conversa, cumprimentar um vizinho, participar de um grupo local ou se voluntariar. Se o problema for mais sério, é importante descobrir apoio e serviços disponíveis para pessoas que se sentem sozinhas”, concluiu.

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Saúde

GRIPE: Com mais de 50 mortes, João Pessoa vacina apenas 19% do público-alvo

Campanha de vacinação contra a gripe começa nesta segunda-feira (7)

ROVE ROSA/AGÊNCIA BRASIL

João Pessoa registra apenas 19,05% de cobertura vacinal contra a gripe, número considerado preocupante diante da meta de 90% estabelecida pelo Ministério da Saúde. A Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza foi prorrogada e agora segue até o dia 31 de julho em todo o país.

Na Paraíba, a cobertura está em 40,81%, enquanto a média nacional é de 38,87%. A vacina está disponível em todas as salas de vacinação do município, incluindo policlínicas, o Centro de Imunização e pontos móveis.

A dose é recomendada para toda a população a partir de seis meses de idade, mas o foco segue nos grupos prioritários, como crianças menores de cinco anos, idosos, gestantes e pessoas com comorbidades.

De acordo com Fernando Virgolino, chefe da Seção de Imunização da Prefeitura de João Pessoa, a situação exige atenção. “Convocamos essa população que procure um serviço de vacinação o quanto antes. Além da proteção individual, o aumento de casos de síndrome respiratória aguda grave no Estado exige ações de prevenção urgentes”, alertou.

A vacina contra a Influenza é atualizada anualmente e protege contra os vírus H1N1, H3N2 e B. Pode ser aplicada de forma simultânea com outras vacinas, como a da Covid-19, sem necessidade de intervalo.

Segundo dados da Gerência de Vigilância Epidemiológica, entre janeiro e junho deste ano, 16.921 casos de síndromes gripais foram notificados nas Unidades Sentinelas da capital. Desse total, 206 evoluíram para quadros graves e 52 óbitos foram confirmados. Outros 99 casos seguem em investigação.

A Vigilância Sentinela de Síndromes Gripais também atua na identificação de vírus respiratórios em circulação, fornecendo dados para ajustes das vacinas e acompanhamento da sazonalidade de novos subtipos virais, como os relacionados ao vírus da Covid-19.

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Saúde

Prefeitura de João Pessoa suspende ação de vacinação no feriado junino

Foto: Divulgação / Secom-JP

Devido ao ponto facultativo desta segunda-feira (23) e ao feriado de São João na terça-feira (24), a Prefeitura de João Pessoa informa que não haverá vacinação nas salas de vacina e nos pontos móveis da Capital durante esse período.
As atividades serão retomadas na quarta-feira (25), com a oferta de todos os imunizantes previstos no Calendário Nacional de Vacinação, além das vacinas de campanhas em andamento. Toda a população poderá se vacinar, seja para atualizar a caderneta ou receber doses pendentes.

De acordo com Fernando Virgolino, chefe da Seção de Imunização da Capital, a interrupção temporária durante os festejos juninos não compromete a assistência preventiva ofertada pela rede municipal. “A interrupção da ação de vacinação nas salas de vacinas nesse período de festejo junino não prejudica a assistência preventiva, garantida pela Prefeitura de João Pessoa, considerando que esse cuidado é ofertado de segunda a sábado, das 8h às 21h”, explicou.

“A pausa é apenas nesta segunda-feira e terça-feira, mas já na quarta-feira será retomada toda a assistência com as vacinas disponíveis de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde”, completou.

Para casos de urgência – Mesmo com a suspensão das vacinas de rotina, o Centro Municipal de Imunização, localizado no bairro da Torre, funcionará excepcionalmente durante todo o feriadão, no período das 8h às 12h, para atender situações de urgência. No serviço, são ofertadas as vacinas antirrábica humana e dT (difteria e tétano), destinadas a pessoas expostas a acidentes com objetos perfurocortantes ou mordidas de animais — especialmente cães e gatos não vacinados, ou morcegos.

“Os serviços funcionam todos os dias para garantir essa assistência imediata de quem precisa. No caso de acidentes, os imunizantes devem ser administrados o mais rápido possível, para proteger o paciente do tétano e da raiva. Por isso, a rede municipal mantém a antitetânica e a antirrábica permanentemente disponíveis à população”, destacou Virgolino.

Vacinação Domiciliar – Para ter acesso à vacinação domiciliar, o cidadão deve fazer o agendamento pelo aplicativo ‘João Pessoa na Palma da Mão’. A vacinação nas residências é destinada às pessoas acamadas (restritas ao leito).

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