João Pedro Stedile, líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), afirmou que, se Luiz Inácio Lula da Silva (PT) for eleito presidente, o Brasil voltará a ter “grandes mobilizações em breve”. A declaração foi dada em entrevista ao Brasil de Fato na última sexta (2).
Stedile disse que o desemprego, o agravamento da crise econômica e o governo de Jair Bolsonaro têm desanimado o povo a fazer greves e ocupações de terra. Segundo ele, o país vive um “refluxo do movimento de massas”.
Para o líder do MST, a retomada das “grandes mobilizações de massa” seria uma “consequência natural” da vitória de Lula.
“Mas eu acredito que isso é passageiro. E acho que a vitória do Lula, que se avizinha, vai ter como uma consequência natural, psicossocial nas massas, um reânimo para nós retomarmos as grandes mobilizações de massas. Movimento de massa não é só fazer passeata, é quando a classe trabalhadora recupera a iniciativa na luta de classes e então passa a atuar na defesa dos seus direitos de mil e uma formas. Fazendo greves, ocupações de terra, ocupações de terreno, mobilizações, como foi naquele grande período, de 1978 a 1989. […] A luta de classes é uma gangorra. Eu acho que nós voltaremos a ter mobilizações em breve.”
O partido Republicanos realizou uma entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira (12), em João Pessoa, para anunciar que continua apoiando o governador João Azevêdo (PSB) no segundo turno das eleições estaduais.
Em seu discurso, o presidente estadual da legenda, deputado Hugo Motta, destacou a parceria do partido com a gestão estadual, reforçando que o Republicanos esteve aliado do governador desde o início.
“Se tem uma coisa que prezamos é pela palavra. Não foi um compromisso construído às escuras. Estivemos no seu governo desde o início. Estamos aqui para reafirmar esse compromisso”, dePB clarou.
As eleições deste ano para o Congresso Nacional e os governos estaduais demonstraram a influência do presidente Jair Bolsonaro sobre o eleitorado do país. Com o apoio do chefe do Executivo, uma série de ex-integrantes do governo federal e membros do partido dele foram eleitos ou conseguiram passar para o segundo turno.
Antes da votação em primeiro turno, Bolsonaro aproveitou as tradicionais lives nas redes sociais para pedir votos para os seus candidatos. Como consequência disso, conseguiu a vitória para o Senado dos ex-ministros Rogério Marinho (PL-RN), Damares Alves (Republicanos-DF), Marcos Pontes (PL-SP) e Tereza Cristina (PP-MS), bem como a do vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e a do ex-secretário de Aquicultura e Pesca Jorge Seif (PL-SC).
O ex-ministro Sergio Moro (União Brasil-PR) também foi eleito senador, apesar de não ter tido o apoio declarado de Bolsonaro. De todo modo, Moro foi parabenizado pelo presidente e disse que votará em Bolsonaro no segundo turno.
A maior parte dos políticos eleitos sob a imagem de Bolsonaro estará na Câmara dos Deputados a partir do ano que vem, como os ex-ministros Osmar Terra (MDB-RS), Marcelo Álvaro Antônio (PL-MG), Ricardo Salles (PL-SP) e Eduardo Pazuello (PL-RJ). Também vão ocupar uma cadeira na Casa o ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem (PL-RJ) e o ex-secretário especial de Cultura Mario Frias (PL-SP).
Além dos ex-integrantes do governo federal que conseguiram um mandato no Congresso, a coligação formada por PL, Republicanos e PP para a candidatura à reeleição de Bolsonaro elegeu 187 deputados federais e 13 senadores.
Fora do Parlamento, Bolsonaro apoiou a candidatura de oito governadores eleitos em primeiro turno: Cláudio Castro (PL-RJ), Ibaneis Rocha (MDB-DF), Ratinho Junior (PSD-PR), Wanderlei Barbosa (Republicanos-TO), Antonio Denarium (PP-RR), Mauro Mendes (União Brasil-MT), Clécio Vieira (Solidariedade-AP) e Gladson Cameli (PP-AC).
Outros quatro candidatos que tiveram o suporte do presidente estarão no segundo turno, como os ex-ministros Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Onyx Lorenzoni (PL-RS), além de Capitão Contar (PRTB-MS) e Jorginho Mello (PL-SC).
Importância do presidente para a direita
Para o cientista político Enrico Monteiro, a eleição de parlamentares e governadores mais alinhados a Bolsonaro revela um avanço da direita no espectro político do país. Segundo ele, a participação do presidente foi determinante nesse processo.
“A direita sempre teve uma carência de líderes. Nunca teve alguém que conseguiu se expressar e falar com esse grupo de eleitores. E quando surge Bolsonaro, que consegue conversar bem com essas pessoas e usa bem as redes sociais, ele garante uma militância minimamente organizada, o que faz com que o presidente passe a ser um ator importante na eleição de diversas pessoas Brasil afora”, analisa.
Não há nenhuma outra liderança de direita com tamanha capacidade de comunicação, identificação e transferência de voto como o Bolsonaro. Ele soube aproveitar os espaços vagos e se colocar como principal nome dessa direita, tornando-se uma pessoa que transfere voto e muita força”, completa Monteiro.
Já o advogado e cientista político Nauê Bernardo Azevedo acrescenta que, desde 2019, o presidente criou uma base eleitoral muito fidelizada. Por isso, quem teve o apoio dele acabou beneficiado.
“O Bolsonaro conseguiu capitalizar um sentimento que estava latente em uma parcela bastante relevante da sociedade brasileira. E nas eleições deste ano ele capitalizou isso, transformando em dividendos eleitorais”, destaca.
“A tendência, caso ele seja reeleito, é de uma relação menos tumultuada e mais harmônica com o Congresso e, sobretudo, de que haja uma guinada no campo moral, com diversas pautas ligadas à agenda de costumes tendo mais facilidade para avançar”, finaliza Azevedo.
O candidato derrotado do PL ao governo do Estado, o comunicador Nilvan Ferreira defendeu que bolsonaristas votem apenas em candidatos que apoiam o presidente Jair Bolsonaro (PL) neste segundo turno das eleições.
O recado é direcionado para que seus eleitores não votem em João Azevêdo (PSB), apoiado pelo candidato a presidência Luis Inácio Lula da Silva (PT) ou Pedro Cunha Lima (PSDB), que declarou neutralidade no apoio a um dos presidenciáveis.
Na última segunda-feira (11), em uma coletiva de imprensa, Nilvan oficializou a neutralidade.
“O palanque de Pedro Cunha Lima foi contaminado”, declarou se referindo a aliança do tucano com Veneziano Vital do Rêgo (MDB) — apoio abonado e comemorado por Ricardo Coutinho (PT).
O partido Republicanos, capitaneado pelo deputado federal Hugo Motta, marcou uma coletiva para esta quarta-feira, às 10h da manhã e vai reafirmar o apoio a João Azevêdo no segundo turno.
O anúncio só confirma o que foi antecipado pelo próprio BG, quando no último domingo, Hugo reuniu militantes e aliados para tomar uma decisão.
Desde a semana passada, fortes sinais de rompimento foram registrados, como o silêncio do próprio Hugo sobre a votação que João obteve no primeiro turno e a articulação do senador eleito, Efraim Filho (União Brasil), para que o grupo apoiasse Pedro Cunha Lima no segundo turno.
Como as negociações não andaram e para apagar as chamas do burburinho que se criou, aliados dos Republicanos já tratam esse 12 de outubro como o “Dia do Fico”.
Às vésperas de uma viagem ao nordeste, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chamou de “precipitada” a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de afastar o governador Paulo Dantas (MDB) do cargo por um suposto esquema de desvio de recursos para a contratação de funcionários fantasmas.
“Na minha opinião, está cheirando suspeição, porque é um processo antigo. Faltando pouco tempo para as eleições, você tentar tirar um candidato que é adversário do candidato do Arthur Lira, presidente da Câmara….”, disse.
O ex-presidente confirmou que irá à Maceió nesta quinta-feira (13) para uma caminhada ao lado de Dantas, que disputa o segundo turno contra o senador Rodrigo Cunha (União Brasil), apoiado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP). Lula disse que enquanto o Supremo Tribunal Federal não decidir sobre a situação de Dantas, o apoio estará mantido.
“Enquanto isso, eu acho que o candidato a governador de Alagoas, se quiser, estará como candidato sub judice e eu estarei prazerosamente fazendo campanha.”, respondeu.
Apesar do afastamento determinado pelo STJ, o Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) a disputa em segundo turno ocorre normalmente – a Justiça Eleitoral julgou o registro da candidatura como regular.
Paulo Dantas era deputado estadual e foi eleito em 15 de maio deste ano governando de Alagoas por votação indireta na Assembleia Legislativa.
A pesquisa PoderData realizada de 9 a 11 de outubro de 2022 mostra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 52% das intenções de votos válidos contra 48% de Jair Bolsonaro (PL) na corrida de 2º turno pela Presidência da República.
As taxas consideram os votos válidos, que excluindo os votos brancos e nulos. É assim que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) divulgará os resultados na noite do domingo eleitoral de 2º turno, em 30 de outubro.
O PoderData entrevistou 5.000 pessoas nesta rodada. Como o número de entrevistas é maior que nas rodadas anteriores, os resultados são mais precisos. A margem de erro do levantamento é de 1,5 ponto percentual, para cima ou para baixo.
Lula e Bolsonaro mantiveram as taxas registradas na semana anterior, indicando um cenário estável.
A pesquisa foi realizada pelo PoderData, com recursos do Poder360, por meio de ligações para telefones celulares e fixos. Foram 5.000 entrevistas em 347 municípios nas 27 unidades da Federação de 9 a 11 de outubro de 2022. A margem de erro é de 1,5 ponto percentual para um intervalo de confiança de 95%. O registro no TSE é BR-09241/2022.
O corregedor-geral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Benedito Gonçalves, atendeu a um pedido da campanha do presidente Jair Bolsonaro (PL) e abriu uma ação, na última sexta-feira (7), para que a chapa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), seja investigada por uso indevido dos meios de comunicação no dia 2 de outubro, data do primeiro turno das eleições.
A Ação de Investigação Judicial Eleitoral alegou que Lula foi beneficiado pela cobertura jornalística em emissoras de televisão quando a votação já havia sido iniciada.
Além disso, a ação pede que seja removido das redes sociais do petista o discurso feito a eleitores na Avenida Paulista, em São Paulo, logo após o resultado do primeiro turno, e que Lula seja proibido de utilizar o conteúdo em propagandas eleitorais.
“[Lula e Alckmin] contaram com o irrestrito e indevido apoio (ainda que acidental) de uma das maiores emissoras do país, promoveram uma sequência de atos irregulares de propaganda voltados a atingir de forma massiva os eleitores e culminando, ao fim e a cabo, em verdadeiro abuso dos meios de comunicação”, diz a petição.
O deputado estadual reeleito com mais de 37,4 mil votos, João Gonçalves (PSB) afirmou na tarde desta terça-feira (11) que o candidato a governador Pedro Cunha Lima (PSDB) mostra franqueza em não declarar, oficialmente, quem vai apoiar para presidente da República neste segundo turno.
“Com esse comportamento, ele está querendo agradar a um e a outro, mas político tem que ter decisão e não deve ficar em ‘ em cima do muro’”, disse o deputado durante entrevista a um programa de TV em João Pessoa.
João Gonçalves abordou outro tema político ocorrido nesta terça-feira: o apoio de Buba Germano e da esposa, Gilma Germano, ao candidato Pedro Cunha Lima. “Eles sempre apoiaram e elogiaram a gestão do governador João Azevêdo e agora, de uma hora para outra, mudam de opinião e anunciam rompimento. Eu bem que queria saber o motivo, pois para mim foi uma grande surpresa essa decisão”, comentou o deputado.
Eleito para a Câmara Federal, deputado Cabo Gilberto Silva (PL) faz mistério sobre apoio neste segundo turno. Ele afirmou que respeita a decisão de Nilvan Ferreira, terceiro colocado na disputa pelo Governo, de manter neutralidade, mas que em breve anunciará a decisão.
“Estou levando o programa de governo do nosso candidato que infelizmente não foi para o segundo turno, principalmente no que diz respeito à segurança pública, que está um caos”, pontuou o parlamentar.
Cabo Gilberto projetou uma votação de mais de 1 milhão de votos para Bolsonaro na Paraíba e destacou que os prefeitos agora no segundo turno saberão reconhecer que o Governo Federal, na gestão Bolsonaro.
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