Brasil

Lucro das estatais federais bateu recorde de R$ 188 bilhões em 2021

As estatais controladas pelo governo federal bateram lucro recorde de R$ 188 bilhões em 2021. O volume equivale ao triplo do registrado no ano anterior (R$ 61 bilhões).

Do total, 98% dos R$ 188 bilhões vieram de 5 companhias: Petrobras, BNDES, Caixa, Banco do Brasil e Eletrobras –que foi privatizada em 2022.

O levantamento foi feito pelo Ministério da Economia, a partir dos balanços das empresas.

A Petrobras responde pela maior parte do resultado. Com o petróleo em alta no mercado internacional, a empresa lucrou R$ 107 bilhões em 2021.

As outras empresas –fora as 5 maiores– também tiveram um resultado consolidado positivo. O bom resultado se deveu a uma melhor gestão das empresas públicas, principalmente depois da nova Lei de Responsabilidade das Estatais, que criou parâmetros para a governança das companhias em 2016.

Quando se observa o lucro das empresas por período de governo, é possível observar também que os governos Lula (PT) tiveram aumento da lucratividade das estatais no resultado consolidado.

O pior momento foi no final da gestão de Dilma Rousseff (PT). O período foi marcado pela queda da receita da Petrobras, com o preço do barril do petróleo em baixa, e o auge das investigações de casos de corrupção pela operação Lava Jato.

Houve uma melhora a partir do início do governo Michel Temer (MDB), que aprovou a nova Lei das Estatais.

Jair Bolsonaro (PL) manteve a política de Temer, principalmente na Petrobras. A gestão do atual presidente registrou os melhores resultados da história também para os bancos públicos, como Caixa, Banco do Brasil e BNDES.

Poder 360

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Brasil

PEC da Transição aumenta dívida pública e pode resultar em alta da inflação

Sem perspectiva de aumento de arrecadação, os gastos extras na casa de R$ 175 bilhões com a PEC da Transição devem causar aumento da dívida pública. O próximo governo aposta em uma melhora econômica para conseguir compensar a liberação do montante fora do Orçamento. Sem isso, o país pode assistir à inflação subir e à taxa Selic ser ajustada para cima em busca de controle, acarretando juros mais altos.

A reação negativa do mercado à medida, que deve furar a regra do teto de gastos, foi sentida logo após o último discurso do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A apreensão se dá pela possibilidade de aumento da dívida pública. Com isso, o movimento natural seria a cobrança de juros mais altos, fazendo com que o Executivo precise destinar uma parte maior da arrecadação futura para honrar com o pagamento de dívidas. “Assim, deixa-se menos para despesas discricionárias. Esse impacto só será minimizado se o país crescer mais que os 2,5% estimados no PLOA (Proposta da Lei Orçamentária Anual), o que me parece bastante improvável”, avalia Rafael Miranda, mestre em economia pela FGV.

Líderes pedem mais tempo e PEC da Transição será apresentada na próxima quarta
Um cenário possível a partir do próximo ano levando em conta as projeções de recessão, segundo Miranda, é que as famílias mais vulneráveis aumentem o poder de consumo. No entanto, sem uma produção compatível, os preços dos produtos sobem, acarretando em aumento da inflação. O movimento do Banco Central pode ser, então, o de elevar a taxa Selic, subindo as taxas de juros e dificultando empréstimos e financiamentos.

“É fácil imaginar que, se o governo injeta auxílio na mão de quem está deixando de comprar porque falta dinheiro, elas vão justamente gastar esse dinheiro e gastar rápido. Esse aumento de demanda pode levar a inflação”, completa. Miranda, no entanto, afirma que o auxílio é necessário para garantir equilíbrio social, mas que precisa ser feito com cautela.

Especialista em Gestão Pública, Relações Institucionais e Governamentais da Fundação da Liberdade Econômica, Eduardo Fayet também frisa a importância do auxílio e a necessidade do equilíbrio. “São recursos importantes para atender a questão da fome, da dificuldade da classe mais pobre ter acesso a recursos.”

Não deixa de ser um endividamento público. O que o novo governo precisa é ter austeridade fiscal. Não de não gastar, mas de gastar bem. Além disso, deve tomar cuidado com como fala e quais são os aspectos que destaca para que não haja revezes sem necessidade

Fayet acredita que a taxa de juros pode sofrer manutenção, “mas depende também de questões internacionais, capacidade de atração de investimento, equalização de política de governança e financiamento do desenvolvimento do Brasil”.

Medida permanente

O governo eleito defende que se extrapole o teto de gastos. Antes de deixar Brasília após se reunir com a equipe de transição, Lula criticou a reação negativa ao discurso e disse nunca ter visto “um mercado tão sensível”. Já o vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB), disse apostar em um crescimento econômico. “O que precisa é a economia crescer. Esse é o fator relevante. E aí é importante o investimento, público e privado, recuperar planejamento no Brasil e bons planejamentos.”

Outro fator que leva à desconfiança do mercado sobre a PEC é que o excedente de gastos pode se tornar uma constante. O relator do Orçamento, senador Marcelo Castro (MDB-PI), já afirmou que as mudanças previstas no teto de gastos para bancar os auxílios seriam permanentes.

“A ideia é que haja um compromisso da sociedade brasileira com os mais carentes, com os mais pobres. E que eles possam sentir que há uma segurança de que estará excepcionalizado para sempre esse recurso”, disse, na quinta-feira (10).

O teto de gastos entrou em vigor em 2016 e é a principal regra fiscal que limita o crescimento das despesas em relação à inflação. Na prática, a ideia é congelar os gastos públicos para que o aumento em despesas siga a inflação.

Atual secretário da Fazenda e Planejamento de São Paulo, e cotado para assumir o Tesouro Nacional no governo Lula, Felipe Salto acredita que o governo de transição “precisa fazer um aprimoramento das regras fiscais para evitar constrangimento de todo ano ter que aumentar o teto de gastos, que mobiliza recursos, políticas, esforço do governo e tempo”. Ele defende a necessidade de mudar o teto de gastos para um limite de despesa, a fim de manter regras de controle, mas sem precisar ferir as normas ano após ano.

Além disso, Salto defende uma reforma tributária. “Principalmente o ICMS, que produz uma série de distorções e complexidade no regimento tributário que já são muito conhecidas e poderiam ser resolvidas. É necessário uma reforma estrutural, discutir a questão das vinculações, do peso das despesas obrigatórias do orçamento.”

R7

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Economia

Bolsa caiu 2% e dólar subiu 0,62% duas semanas pós-Lula eleito

Naquela época, o índice teve leve recuo de 0,09%. Saiu de 85.720 pontos para 85.641 pontos. Sob Lula, o mercado de ações passou de 114.539 pontos para 112.253 pontos. Ou seja, quem investiu em uma melhora na Bolsa com Lula no governo no curtíssimo prazo perdeu dinheiro.

O principal motivo da queda: as declarações de Lula sobre teto de gastos com críticas à “busca por responsabilidade fiscal” desagradaram a Faria Lima. A Bolsa havia subido 3,16% na última semana, a 1ª pós-Lula eleito. Também na 1ª semana da vitória petista, o dólar havia registrado queda de 4,49%. Tudo (e mais) já foi perdido.

DÓLAR PÓS-ELEIÇÕES

O comportamento do dólar comercial também foi ruim nos últimos dias. A moeda dos Estados Unidos subiu de R$ 3,65 para R$ 3,74 duas semanas depois das eleições de 2018. Depois da vitória de Lula, saltou 2,43%, de R$ 5,30 para R$ 5,33. Mas havia chegado a R$ 5,08 com uma perspectiva melhor sobre o governo dele.

Para piorar o clima na Faria Lima, o presidente eleito disse na 4ª (9.nov) que só deve anunciar ministros a partir de 19 de novembro –quando retornar das viagens ao Egito e a Portugal. Se nada melhorar nessa articulação, o dólar tende a continuar instável.

Poder360

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Economia

“País sofrerá consequências após quebra de teto de gastos”, afirma economista

Candidato a presidente do Corecon-PB apresenta plano de trabalho - Experiência JurídicaExperiência Jurídica
O economista Celso Mangueira demonstrou preocupação com a proposta da equipe de transição do presidente eleito Luís Inácio Lula da Silva (PT) de quebrar o teto de gastos para poder assegurar recursos para cumprir promessas de campanha, como o pagamento da Bolsa Família de R$ 600 a partir de janeiro de 2023.

Em entrevista a um programa de rádio em João Pessoa , Celso Mangueira avaliou que a economia tem se recuperando de forma tímida após os efeitos da pandemia da Covid-19 e da Guerra da Ucrânia e aumentar custos sem apontar de onde virá recursos para cobrir essas despesas extras poderá trazer consequências para o país.

“Já há assim um aumento da inflação e com isso manter juros em alta que dificultará a obtenção de créditos. Sem credito, o setor produtivo não avança. Tanto é preocupante que a própria equipe de transição já recuou com relação às ‘bondades’ que foram oferecidas para se ganhar uma eleição”, destacou.

Da mesma forma, Mangueira cita também as proposta do novo governo de criar novas pastas.

“O momento não é de se expandir gastos, é de ter um controle destes gastos como essa pretensão de expandir os ministérios de 24 para 34. Isso significa mais dinheiro e pode vir uma carga de tributos maiores dos que já recolhemos e que são muito altos”, finalizou.

MaisPB

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Economia

“Temos que ter um olho para social e outro para fiscal”, afirma presidente do Banco Central

Campos Neto toma posse como presidente do Banco Central | Agência Brasil

O presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, afirmou nesta sexta-feira (11) que é necessário ter um olho para o social, mas manter o equilíbrio fiscal. A fala foi feita em uma palestra para o CFA Society Brazil, sobre o cenário econômico mundial.

“Se não tiver equilíbrio fiscal, a gente volta para um mundo de incerteza onde a expectativa de inflação sobe, você desorganiza o setor produtivo no sentido de investimento, e no final quem sofre mais com isso é a população que você quer ajudar, porque você machuca a geração de emprego.”, disse Campos Neto.

Após a palestra, Campos Neto foi perguntado sobre como o Banco Central trabalha com essa reação do mercado ao cenário político, e as mudanças do novo governo eleito. Segundo ele, os mercados ao nível mundial estão mais “sensíveis” às medidas de governo, por conta do tamanho das dívidas públicas.

“As dívidas estão altas, porque elas tiveram que ficar altas, em grande parte, foram programas que precisavam ser feitos para atender a população em uma pandemia que a gente teve, crise energética, várias coisas ao mesmo tempo. Isso é compreensível.”, afirmou Campos Neto.

Entretanto, o presidente explicou que a demanda atual do mercado é saber como vai ser o planejamento econômico daqui para frente, para saber como vão atender o social e ao mesmo tempo manter um equilíbrio fiscal.

CNN

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Brasil

Ibovespa perde R$ 156 bilhões em valor de mercado após fala de Lula sobre gastos

O Ibovespa, índice que reúne as maiores empresas listadas na B3, a bolsa de valores brasileira, perdeu R$ 156,269 bilhões em valor de mercado nesta quinta-feira (10), depois que um discurso do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva criticando políticas de controle fiscal fez as ações desabarem.

O cálculo foi feito pela consultoria TradeMap e considera a variação no valor de mercado de cada uma das companhias que integram o índice. Em dois dias de quedas seguidas, as perdas totais do Ibovespa chegaram a R$ 247,8 bilhões.

O principal índice da bolsa brasileira registrou baixa de 3,35%, aos 109.775,46 pontos, na maior queda diária desde setembro de 2021.

A queda acentuada ocorreu desde a abertura do mercado, às 10h, mas foi intensificada após discursos de Lula pela manhã. O petista questionou a concentração do debate econômico em torno de temas como a estabilidade fiscal e afirmou que há gastos do governo que precisam ser observados como investimento.

“Por que as pessoas são levadas a sofrerem por conta de garantir a tal da estabilidade fiscal nesse país? Por que que toda hora as pessoas falam que é preciso cortar gastos? É preciso fazer superávits? É preciso fazer tetos de gasto? Por que as mesmas pessoas que discutem com seriedade o teto de gasto não discutem a questão social do país?”, questionou Lula.

As perdas do dia foram lideradas pela B3, que viu uma perda de R$ 11,4 bilhões em seu valor de mercado, de R$ 90,0 bilhões para R$ 78,6 bilhões.

Foi seguida pela Eletrobras (-R$ 7,9 bilhões), a Ambev (-R$ 7,7 bilhões) e o banco BTG (-R$ 7,4 bilhões).

Em sexto lugar entre as maiores quedas, a Petrobras perdeu R$ 7,1 bilhões em seu valor total, que foi de R$ 374,4 bilhões para R$ 367,3 bilhões.

CNN Brasil

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Brasil

“Estabilidade fiscal beneficia os pobres”, diz Arminio Fraga em resposta a Lula:

Homem calvo de barba grisalha, camisa branca e paletó preto

“Estabilidade fiscal significa menos incerteza e juros mais baixos, o que gera mais investimento e mais crescimento. Simples assim. E mais, acompanhada de transparência, aumenta a chance de os recursos beneficiarem os mais pobres”, afirma o ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga, em resposta a críticas do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, a políticas de austeridade fiscal.

 

Em discurso feito a parlamentares de partidos aliados no auditório do CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), sede do governo de transição, na manhã desta quinta (10), Lula fez várias perguntas nas quais demonstrou ver incompatibilidade entre responsabilidade fiscal e políticas sociais que beneficiem os mais pobres.

Investidores reagiram mal à mensagem do presidente, levando a uma disparada do dólar e à queda da Bolsa.

Fraga, que em coluna nesta Folha fez uma “entrevista imaginária” com Lula durante a campanha eleitoral, inverteu as posições de entrevistador e entrevistado e, abaixo, responde a questões feitas pelo presidente eleito durante seu discurso.

Luiz Inácio Lula da Silva: Ora, por que as pessoas são levadas a sofrerem por conta de garantir a tal da estabilidade fiscal neste país? Arminio Fraga: Estabilidade fiscal significa menos incerteza e juros mais baixos, o que gera mais investimento e mais crescimento. Simples assim. E mais, acompanhada de transparência, aumenta a chance de os recursos beneficiarem os mais pobres.

O descontrole fiscal contribui também para a volta da inflação. Outra vez, quem perde mais são os mais pobres.

As escolhas a curto prazo parecem terríveis. Mas não é o caso. Com um ambiente econômico arrumado, a atividade econômica reage, como ocorreu a partir da segunda metade de 1999, quando foram seis trimestres de crescimento anualizado em torno de 4%. E reage também na outra direção, como vimos em 2015-16 com o colapso fiscal. Essa é a escolha.

Por que toda hora as pessoas falam que é preciso cortar gasto, que é preciso fazer superávit, que é preciso fazer teto de gasto? Porque o gasto público vem crescendo há décadas, e a dívida corre o risco de entrar em trajetória de crescimento acelerado.

Tudo começou com o colapso fiscal de 2014. De lá para cá houve algum progresso, mas recentemente a torneira se abriu. As perspectivas para o ano que vem não são boas. A discussão de aumentar o gasto agora é brincar com fogo.

Sou a favor de aumentar os investimentos sociais, uma legítima demanda, mas redefinindo prioridades. O mercado despencou hoje, um sinal de que um pânico pode estar a caminho. Sem uma correção de rumo, o custo social vai ser enorme.

Por que as mesmas pessoas que discutem com seriedade o teto de gastos não discutem a questão social deste país? Muitas discutem. Tenho escrito e falado sobre a necessidade de se promover uma discussão mais aberta do Orçamento. Os gastos em folha de pagamentos e Previdência são enormes no Brasil. Com um ajuste seria possível estabilizar a economia e aumentar os investimentos de alto retorno social.

Há também algum espaço para aumentar receitas, sobretudo cobrando de quem mais pode pagar e hoje paga muito pouco. Essas são as grandes escolhas que não estão nem sequer sendo contempladas, que dirá feitas.

Por que o povo pobre não está na planilha da discussão da macroeconomia? Como disse acima, falta esse olhar macro, que dê transparência a um tema crucial: para onde vai o dinheiro público.

Está ganhando força a ideia de que dá para gastar à vontade com investimento, pois se paga. Mas se paga mesmo? Quando? Como? O que é investimento? Quanto dá para financiar no mercado? Não muito. Falta mesmo é prioridade.

Por que que a gente tem meta de inflação e não tem meta de crescimento? Seria bom. A inflação responde de forma direta e em prazo curto à política macroeconômica. A experiência universal, nossa com certeza, mostra que inflação atrapalha o crescimento e penaliza os pobres. Nada se ganha com um pouco mais de inflação.

Não se pode confundir recuperação de recessão, como ocorre no pós-pandemia, com crescimento sustentado. O crescimento depende de ganhos de produtividade. Para isso é necessário investimento em gente, em ideias, em capital convencional, em boas práticas, em horizontes longos, o que requer muita tranquilidade e previsibilidade. Leva tempo.

Seria possível e desejável estabelecer objetivos, sim, mas as correções de rumo não são passíveis de respostas de curto prazo, como na política monetária. Seria tarefa para gerações e exigiria um esforço continuado e competente.

Por que que a gente não estabelece um novo paradigma de funcionamento neste país? Seria ótimo. Nos falta uma visão mais moderna. Mais gasto não vai dar conta do recado. Nesse momento vai atrapalhar.

Claro que pobreza e desigualdade têm que ter um papel central. Mas, do pouco que já se ouve, me parece que estamos caminhando para mais um período de instabilidade macroeconômica. Os sonhos de um Brasil de oportunidades, justo, verde, vibrante, estão ameaçados. Os sinais de curto prazo, como a enorme expansão de gastos, estão indo na direção contrária ao necessário. Não vai ser acumulando mais dívida que chegaremos lá.

Folha de S. Paulo

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Brasil

“Bateu o arrependimento naqueles economistas que apoiaram Lula”, diz Xico Graziano

O ex-deputado federal e fundador do PSDB, Xico Graziano, foi mais um a se manifestar após as falas de Lula que provocaram queda na bolsa e alta no dólar nesta quinta-feira (10).

Xico usou seu perfil no Twitter para dizer que “bateu o arrependimento naqueles economistas que apoiaram Lula acreditando em seu respeito à economia capitalista”.

Ele também chamou o presidente eleito de ‘puro populista’ e o petista não se importa com responsabilidade fiscal. Também fez questão de lembrar o fato de que o PT foi contra o Plano Real.

Blog do BG PB

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Brasil

Proposta de Lula que retira auxílio do teto de gastos deixaria país endividado, avalia mercado

Uma das pricipais bandeiras da campanha de Lula foi a de manter o auxílio de R$ 600. Foto: Diego Vara/REUTERS

Investidores do mercado financeiro reagiram mal à alternativa em avaliação pela equipe do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de retirar de forma permanente as despesas do programa de transferência de renda do teto de gastos, a regra que limita o crescimento das despesas à inflação. A medida é uma das opções na mesa para viabilizar o Auxílio Brasil (que deve voltar a se chamar Bolsa Família) de R$ 600 no ano que vem.

A preocupação se dá porque a alternativa vem ganhando força na equipe de transição nos últimos dias – que, há poucos dias, priorizava apenas criar o chamado “waiver”, uma licença para gastar, por meio da PEC da Transição. Nesta quarta-feira, 9, o deputado federal reeleito e líder do PT na Câmara, Reginaldo Lopes (MG), defendeu a retirada do programa social do teto de forma permanente. Na terça, o presidente da Comissão Mista de Orçamento, deputado Celso Sabino (União-PA), falou em “excepcionalizar” o programa da regra fiscal.

Para o mercado, a saída que vem sendo negociada pela equipe de transição, que também teria de ser feita via PEC, pode deteriorar a trajetória de sustentabilidade da dívida pública. “Tirar os programas sociais do teto, para mim, é a pior das possibilidades. Não que os programas sociais não sejam importantes, pelo contrário. São muito importantes e têm ganhado espaço no Orçamento. Mas, à medida que você tira uma classe de gastos do teto, ele passa a não ter referência para frente”, afirma Caio Megale, economista-chefe da XP Investimentos. “Sem regra, o gasto vai poder crescer sem precisar cortar de outro lugar. É uma alternativa que fragiliza muito a gestão da política fiscal para frente, a previsibilidade da política fiscal.”

A retirada do programa social do governo sempre foi um desejo do mundo político, sobretudo depois da pandemia da covid-19, quando a elevação das despesas do Auxílio Brasil comprimiram ainda mais o espaço orçamentário para outras políticas, pelas amarras do teto de gastos.

Excluir do teto os gastos de R$ 175 bilhões do programa abriria um espaço no Orçamento de 2023 para outras despesas, como o aumento do salário mínimo, em R$ 105 bilhões. A diferença se deve ao incremento do Bolsa Família com as promessas feitas por Lula na campanha, como a manutenção dos R$ 600 (R$ 52 bilhões) e R$ 150 para famílias com crianças de até seis anos (R$ 18 bilhões).

“Tirar esse gasto social do teto cria dois problemas: primeiro que você vai encher o teto com outras despesas; depois, o programa que sai do teto fica ilimitado daqui para frente”, diz Megale. “Quanto mais medidas você tira do teto, mais difícil vai ficando controlar as despesas e, portanto, controlar a dívida, que ao fim e ao cabo é onde nós estamos querendo chegar: uma previsibilidade da evolução do endividamento público brasileiro.”

Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor de política monetária do Banco Central e presidente da gestora Mauá Capital, também avalia que zelar pela trajetória da dívida pública deve ser uma prioridade. “Nós precisamos em algum momento ter um superávit primário da ordem de 2% a 2,5% do PIB, e não pode demorar muito. Sem isso, nós não teremos uma dívida/PIB estável com uma pequena tendência de redução, que é o que o Brasil precisa. O que você pode é temporariamente fugir desse número, mas não permanentemente”, afirma.

Ele ainda defende que o chamado “waiver”, a licença para gastar, fique na casa dos R$ 100 bilhões. “O waiver é nessa direção: gerar uma folga fiscal para você poder trabalhar o resultado fiscal para que ele melhore nos anos seguintes. Uma coisa muito diferente disso é muito problemática. Qualquer medida que não cuide de estabilizar a dívida/PIB no tempo vai ter um custo muito alto. O mercado vai ficar muito estressado – e com razão. O Brasil já tem a maior dívida dentre todos os emergentes, não dá para brincar. Um pouco mais e ela se torna impagável”, diz Figueiredo.

Na avaliação de outra fonte do mercado, a medida em estudo abre uma magnitude para novas despesas tão grande que, depois, o País não conseguiria mais gerar fechar as contas no azul.

Integrantes da equipe de Lula avaliam, segundo apurou o Estadão, que a medida é a mais viável entre as propostas cotadas pois tem a vantagem da previsibilidade, embora vá mexer com o mercado de juros e de câmbio num primeiro momento. Segundo fontes, as despesas públicas aumentariam de 19% para 19,3% do PIB e deveriam ser acompanhadas por propostas de aumento de receitas – o que é difícil no início de governo, admitem.

Estadão

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Brasil

Câmara derruba decisão da Aneel que barateava contas de luz de consumidores do Nordeste

A Câmara dos Deputados derrubou nesta quarta-feira (9) resoluções da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que mudaram a metodologia de cálculo das chamadas tarifas de transmissão. O projeto de decreto legislativo, que foi criticado por entidades ligadas ao setor elétrico, segue agora para o Senado.

Em setembro, a Aneel decidiu alterar um dos componentes da tarifa paga pelos usuários pelo uso da rede de transmissão de energia elétrica: o sinal locacional. O assunto havia sido debatido em consulta pública pela agência por três anos.

Com as mudanças aprovadas pela Aneel, uma maior cobrança recairia sobre as empresas que mais oneram o sistema de transmissão — caso das usinas instaladas no Norte e Nordeste, que têm demandado a construção de longas linhas de transmissão para enviar a energia lá gerada para os maiores centros consumidores, no Sudeste e no Sul.

A medida, contudo, beneficiaria os consumidores do Norte e Nordeste, que segundo a Aneel pagariam R$ 1,23 bilhão a menos por ano no uso da rede de transmissão. Isso porque, de acordo com a Aneel, esses consumidores não dependem mais da energia gerada em outras regiões, por isso oneram menos o sistema de transmissão.

A derrubada das resoluções foi encampada por parlamentares do Norte e do Nordeste, em especial os deputados Danilo Forte (União-CE), autor da proposta, e Juscelino Filho (União-MA), relator.

“Em que pesem as razões técnicas apresentadas pela agência reguladora, o fato é que os efeitos das resoluções têm natureza de política pública de competência do Congresso Nacional. Ao alterar a sistemática de expansão da geração de energia elétrica do país, deslocando investimentos, empregos e renda das regiões mais pobres para as mais ricas do Brasil, a Aneel acabou por extrapolar suas prerrogativas e afrontar os princípios da Constituição Federal”, escreveu Juscelino em seu parecer.

Votação anterior

Semanas antes da decisão da agência, a Câmara havia aprovado, em uma medida provisória, um cálculo justamente no sentido oposto à decisão da Aneel – que beneficiaria as empresas do Norte e do Nordeste. O tema se tornou um embate entre deputados e técnicos da agência, que viram na aprovação acelerada da Câmara uma “afronta” à Aneel, que já debatia o tema há anos.

Alvo de críticas de entidades do setor elétrico, o texto caducou antes de ser aprovado pelo Senado.

Entidades criticam

Em nota após a aprovação, a Frente Nacional dos Consumidores de Energia afirmou ver “com enorme preocupação a decisão tomada pela Câmara dos Deputados”, que “vem em desfavor dos consumidores, especialmente do Norte e Nordeste e que foi tomada sem o necessário diálogo, inclusive confrontando decisão da Agência reguladora, que foi tomada após amplo processo de consulta aos agentes do setor elétrico e aos consumidores”.

“A Frente vai encaminhar respeitosamente a todos os deputados sua avaliação para que eles possam refletir em relação a esses movimentos conhecidos como “jabutis” que encarecem a conta de energia e que certamente voltarão a ser apreciados na Câmara. Contamos com o entendimento dos senadores para frear mais um aumento na conta de luz dos brasileiros nesse e em outros processos legislativos”, diz a nota.

Já a Associação Brasileira dos Consumidores de Energia Elétrica (Abrace) lembrou, em nota divulgada antes da aprovação da proposta na Câmara, que o tema foi amplamente debatido dentro da Aneel e que a metodologia anterior “levava à uma sinalização fraca que não cumpria a diretriz legal mencionada”.

“A proposta de intervenção em um tema exclusivamente técnico e regulatório, e que foi amplamente debatido com todo setor elétrico e seus usuários, produzirá efeitos negativos no mercado de energia como instabilidade e insegurança jurídica. Além do já mencionado impacto social que prejudicará os consumidores de energia mais fragilizados, aqueles das regiões Norte e Nordeste”, diz a nota da Abrace.

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