Política

Lives de Bolsonaro usaram robôs para espalhar desinformação, diz Moraes

Foto: Reprodução

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou, durante voto no julgamento da ação penal sobre tentativa de golpe de Estado no país, nesta terça-feira (9), que as lives do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) contavam com robôs para espalhar desinformações. 

“Era realizado, a partir de um complexo sistema de financiamento, produção e divulgação, utilização de números robôs, inclusive se divulgar essa desinformação de forma massiva, para realmente atentar contra os poderes constituídos”, disse o ministro, que também citou a utilização das denominadas “milícias digitais”.

Moraes realizou as afirmações ao se aprofundar no segundo dos 13 atos, apontados pelo ministro, que demonstrariam a interligação da organização criminosa entre junho de 2021 e 8 de janeiro de 2023, sob a liderança de Bolsonaro.

O ministro já analisou e afastou todas as questões preliminares apresentadas pelas defesas dos réus. O ministro vota o mérito da ação penal e irá decidir se condena ou se absolve Jair Bolsonaro e os outros sete réus.

CNN

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Política

RACHA NO GOVERNO: Presidente do PP de João Pessoa pede exoneração da gestão Cícero

Vaulene Rodrigues, presidente do PP de João Pessoa

A presidente do Progressistas de João Pessoa, Vaulene Rodrigues, pediu, nesta segunda-feira (08), exoneração do cargo de coordenadora-geral do Programa João Pessoa Sustentável. Ela fazia parte da gestão Cícero Lucena (sem partido) desde 2021, quando Lucena reassumiu o comando da capital pela terceira vez.

O pedido de demissão acontece três dias após Cícero anunciar a saída do PP para disputar o Governo do Estado em 2026. Em nota, Vaulene diz ter sido “supreendida” pela decisão do prefeito. No texto, Rodrigues pede que todos os filiados ao PP entreguem os cargos.

Veja nota:

Após 4 anos e 8 meses de atuação e contribuição à gestão municipal, apresento meu pedido de exoneração da função que exerci até a presente data. O desligamento decorre de circunstâncias políticas próprias da dinâmica da vida pública e marca o encerramento de um ciclo conduzido com respeito, lealdade, seriedade, compromisso, dedicação e responsabilidade.

Na condição de presidente do Progressistas em João Pessoa, fui surpreendida com o pedido de desfiliação partidária, realizado sem aviso prévio junto às instâncias competentes, fato que reforça a necessidade de reorientar minha atuação política e institucional.

Registro, contudo, meu reconhecimento à contribuição de todos — de forma direta ou indireta — que possibilitaram a consolidação deste projeto ao longo desses anos. A participação de cada pessoa foi essencial para que o trabalho desenvolvido alcançasse consistência e resultados. Para chegar até aqui, foram necessários muitos passos, articulações de bastidores e mãos estendidas que se uniram em prol de um propósito comum.

Em conformidade com a posição da Direção Estadual do Progressistas, a Direção Municipal da legenda em João Pessoa orienta que todos os filiados que ocupam cargos na Prefeitura Municipal de João Pessoa coloquem à disposição suas respectivas funções. O Progressistas reafirma seu compromisso com o desenvolvimento da nossa capital e agradece a dedicação e a contribuição de todos os seus membros ao longo desse período.

Encerrada esta etapa, direciono agora meus esforços para novos desafios e oportunidades, especialmente no campo partidário, fortalecendo e consolidando o nosso partido na Paraíba.

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Progressistas diz que Cícero Lucena alimentou projeto individual de poder ao se desfiliar; veja nota

Nesta segunda-feira (8), o Progressistas na Paraíba criticou a desfiliação de Cícero Lucena da legenda.

No texto, a direção estadual do Progressistas afirmou que “preferiu alimentar projeto completamente individual de poder”

Leia na íntegra:

Diante do anúncio de Cícero Lucena de desfiliação do Progressistas, a Direção Estadual da legenda na Paraíba vem repudiar publicamente as justificativas apresentadas pelo atual prefeito de João Pessoa, considerando-as infundadas e sustentadas tão somente por um impulso individualista que atropela a verdade e a história recente da política paraibana.

Como todos sabem, o Progressistas foi a sigla que deu a Cícero Lucena todas as condições políticas e partidárias para que ele pudesse ser candidato a prefeito de João Pessoa nas eleições de 2020. E, sem questionamentos, apesar de inúmeras restrições, algumas delas apontadas pela própria Justiça Eleitoral, reafirmar esse apoio para sua reeleição em 2024.

Nas discussões para construção de um projeto de 2026 capaz de preservar as atuais conquistas da Paraíba, muitas delas em João Pessoa, conduzidas pelo governador João Azevedo e todos os demais partidos aliados, fez questão de assegurar a participação do prefeito Cícero Lucena em todo o processo de discussão interna com a cúpula da base governista. Deixando claro, inclusive, a garantia de indicação direta por parte do prefeito para composição da chapa majoritária.

O anúncio do governador João Azevedo em confirmar pretensão legítima, por se tratar de um dos maiores governadores da história da Paraíba, em ser candidato ao Senado da República, colocou o Progressistas, pela primeira vez em toda sua trajetória, na condição de ter um representante de seus quadros pronto para assumir o cargo de governador do Estado, com plenas condições legais, políticas e pessoais de candidatar-se à reeleição, o vice-governador Lucas Ribeiro.

O que sugeriria o apoio natural e automático de todos os demais integrantes da legenda, especialmente do atual prefeito de João Pessoa, que desfrutou pessoalmente desta postura em sua reeleição na disputa de 2024.

Mas, ao contrário, Cícero Lucena preferiu alimentar projeto completamente individual de poder, conforme deixa claro em nota veiculada, rompendo clara e publicamente com uma aliança pela qual foi beneficiado duas vezes, e, pior, dando sinais de aliar-se com quem sempre trabalhou contra suas próprias vitórias e contra os avanços conquistados por este atual governo.

O Progressistas nunca questionou a reeleição de um filiado. Ao contrário, sempre trabalhou para potencializá-la em favor do crescimento da legenda e, principalmente, dos projetos desenvolvidos em favor da Paraíba e de suas cidades. Cícero inaugurou uma nova forma de aliança. A que só vale se for em seu favor.

Lealdade, no entanto, não é uma virtude autodeclarável. Ela se conquista praticando.

Ao tempo em que reafirma seu compromisso com a verdade, o Progressistas segue sendo leal aos seus filiados, aos seus aliados partidários, ao governo que transformou essa Paraíba num lugar mais valorizado e mais digno para se viver e, especialmente, ao povo da Paraíba, que merece sempre muito mais do que apenas o direito de alimentar o desejo individual de alguém em prejuízo à conquista de novos avanços coletivos.

Direção Estadual do Progressistas da Paraíba ‎

Blog do BG PB

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Política

“Reagir contra os excessos do STF”, diz Efraim sobre manifestação deste domingo, em João Pessoa

 

“É hora de reagir e toda presença conta!” É com esse chamado, quase uma convocação, que o senador e pré-candidato ao governo, Efraim Filho, convoca os paraibanos para a manifestação no Busto de Tamandaré, em João Pessoa, a partir das 15h deste domingo, 7 de setembro. O evento é uma manifestação enérgica contra o que ele chama de “excessos do STF” (Supremo Tribunal Federal).

Efraim explica que o movimento “é uma forma de expressar a insatisfação de parte expressiva da sociedade com as decisões da Suprema Corte”.

“É hora de estarmos todos juntos. Com coragem e altivez. Dar o nosso grito de liberdade. Toda presença conta! Contra os excessos, contra a perseguição e a favor da liberdade!”, diz o senador em vídeo publicado nas redes sociais.

Pré-candidato ao governo da Paraíba, Efraim, que é filiado ao União Brasil, exibiu, recentemente, a declaração de apoio de Michele Bolsonaro e do PL à candidatura dele. Com esse movimento de centro-direita, o senador acredita que tem tudo para conseguir derrotar “o projeto de governo acanhado que há 16 anos comanda a Paraíba e abrir espaço a um governo de oposição que tem projeto, energia e visão para fazer a Paraíba voar mais alto”, afirma.

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Política

Cícero rompe com Governador e diz que vontade do povo não se negocia; veja nota



					Em nota, Cícero oficializa saída do PP e se lança como pré-candidato ao governo da Paraíba
divulgação/secom-jp

Após encontro na Granja Santana com o governador João Azevêdo (PSB), nesta sexta-feira (5), o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, divulgou uma nota pública anunciando a sua desfiliação do PP e reafirmando seu projeto de concorrer ao governo da Paraíba em 2026.

No texto, ele destaca que pesquisas que indicam a preferência do seu nome pelo eleitorado foram desconsiderados pelo PP para a definição do nome mais competitivo do grupo. O partido pretende lançar o vice-governador Lucas Ribeiro (PP), com o apoio do governador João Azevêdo.

“Apesar de todos os apelos por critérios justos e transparentes na escolha do candidato do grupo liderado pelo governador João Azevêdo, e diante da decisão da direção dos Progressistas na Paraíba, de não apoiar esse desejo popular, somada à indefinição sobre o comando da federação União Progressista, que gera instabilidade em todo o projeto, comunico minha desfiliação da legenda”, diz, na nota.

Cícero deve anunciar para qual partido se filiará após retorno de viagem à Europa. A tendência é que retorne ao quadros do MDB. O convite formal foi feito ontem pelo senador Veneziano Vital do Rêgo.

Confira a nota na íntegra:

Nota

Com a humildade e a lealdade que sempre guiaram minha vida pública, registro que, nos últimos meses, tenho recebido nas ruas o carinho e o incentivo do povo para que eu dispute o Governo do Estado.

Todas as pesquisas, qualitativas e quantitativas, confirmam que a população reconhece o nosso trabalho à frente da Prefeitura de João Pessoa, pela quarta vez, e enxerga que a cidade vive o seu melhor momento.

Esses levantamentos também revelam que meu nome é o que melhor representa um projeto de desenvolvimento sustentável para a Paraíba, consciente de que, para continuar crescendo, o Estado precisa de um gestor experiente e com coragem para enfrentar os desafios.

Apesar de todos os apelos por critérios justos e transparentes na escolha do candidato do grupo liderado pelo governador João Azevêdo, e diante da decisão da direção dos Progressistas na Paraíba, de não apoiar esse desejo popular, somada à indefinição sobre o comando da federação União Progressista, que gera instabilidade em todo o projeto, comunico minha desfiliação da legenda.

Agradeço a todos que fazem parte do PP e reafirmo que levo comigo respeito, amizade e boas lembranças. No momento oportuno, anunciarei minha nova legenda partidária.

Apresento, com confiança e determinação, minha pré-candidatura ao Governo da Paraíba. Vou seguir ouvindo os paraibanos em todas as regiões e, a partir desse diálogo, elaborar o Plano de Desenvolvimento Estratégico da Paraíba, que vai garantir um futuro seguro para nosso estado, preservando as conquistas e fazendo a Paraíba avançar ainda mais.

A vontade popular não se negocia, se respeita.

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Política

João desconfia de voto de Cícero e dispara: não pode estar em dois palanques

O governador da Paraíba, João Azevêdo (PSB), afirmou nesta sexta-feira (5) que irá cobrar comprometimento total de seus aliados nas eleições de 2026. Ao comentar as movimentações do prefeito Cícero Lucena (PP), João mandou um recado:

“Não existe estar em dois cantos. Você não vai estar no palanque fazendo pedido para o adversário. Vamos raciocinar”, disparou ao ser perguntado se “aceitaria” o voto de Cícero que, em diversas oportunidades, garantiu que votaria nele para o Senado.

João ainda disse que, diferente dele, “são projetos pessoais que estão sendo colocados na pauta”. E cobrou fidelidade dos aliados: “O nosso grupo terá um projeto e nós vamos cobrar de todos os aliados nossos que estejam integrados. Isso será uma cobrança que será feita para todo mundo.”

Perguntado sobre a relação com o vice-prefeito de João Pessoa, Leo Bezerra (PSB), João disse que precisa saber qual vai ser a atitude de Leo “quando ele sentar na cadeira”. “Preciso entender um bocado de coisa ainda pela frente. “Então, essa discussão vai ser feita num momento adequado. Agora, que nós vamos cobrar de todos os nossos aliados a total de integração ao projeto que nós estamos apresentando, é claro que nós vamos cobrar.”

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Política

Anistia: Governo Lula prevê disputa voto a voto no Senado

O projeto de lei que propõe anistia aos envolvidos nos eventos de 8 de janeiro ganha força na Câmara dos Deputados, levando o governo a se preparar para uma batalha legislativa no Senado. A articulação política em torno do texto tem avançado significativamente, especialmente após o apoio ao movimento do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Em agenda realizada em Belo Horizonte, o presidente Lula (PT) manifestou preocupação com o tema, que foi amplamente discutido durante sua viagem de Brasília a Minas Gerais. A avaliação do governo é que existem chances expressivas de aprovação do projeto na Câmara.

O governo já reconhece que precisará de uma intensa articulação e trabalhar voto a voto entre os senadores para tentar barrar o avanço do projeto, mesmo com a manifestação contrária do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP). A oposição avalia que, se o texto for aprovado com folga na Câmara, será difícil impedir sua aprovação no Senado.

Cálculos preliminares indicam que o União Brasil, partido de Alcolumbre, pode garantir cerca de 50 votos favoráveis ao projeto na Câmara. A oposição trabalha nos bastidores, realizando conversas informais de gabinete para ampliar o apoio à proposta, ainda sem definição exata do texto final que será apresentado.

A discussão sobre a anistia ganhou protagonismo no cenário político, tornando-se o principal tema em debate, mesmo durante uma semana marcada por outros eventos significativos no cenário político nacional.

CNN

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Política

Motta vai colocar anistia em votação e relator vai ser de partido de centro, diz líder do PL

O líder do PL na Câmara, deputado federal Sóstenes Cavalcante, afirmou nesta quinta-feira (4) que o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), prometeu pautar o projeto de lei da anistia geral ainda neste ano e que o relator vai ser de um partido de centro.

A votação da anistia só deve acontecer após o julgamento de Bolsonaro no STF (Supremo Tribunal Federal) por tentativa de golpe de Estado. O julgamento termina em 12 de setembro.

Cavalcante falou a jornalistas após encontro com Motta, para tratar do assunto, na Residência Oficial da Câmara. Segundo o líder do PL, o presidente pediu que, na próxima semana, ele converse com lideranças partidárias a favor do projeto. A ideia seria ter um “mapa” de votos favoráveis ao texto. Motta também teria solicitado uma lista com nomes para a escolha do relator.

R7

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Política

Há um mês de preso, Bolsonaro está triste e debilitado, diz Ciro Nogueira

  • Foto: Assessoria de imprensa do PP

O senador e presidente nacional do PP, Ciro Nogueira (PI), afirmou nesta quinta-feira (4) que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) está “muito triste e muito debilitado”.

Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde 4 de agosto.

Em entrevista coletiva em evento de posse de ministros no STJ (Superior Tribunal de Justiça), o senador foi questionado se tem tido contato com ex-chefe do Executivo. Ele afirmou que não solicitou nova visita, mas que tem conversado com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e assessores.

“Ele tá triste, muito triste. Muito debilitado”, disse Nogueira, que foi ministro da Casa Civil de Bolsonaro e um de seus principais aliados políticos.

O senador também afirmou que está pressionando o Parlamento para votar o projeto da anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 e para beneficiar o ex-presidente.

“[A lei] vai ser aprovada, se Deus quiser, para a gente corrigir essa injustiça que está sendo cometida contra o [ex-]presidente [Bolsonaro]”, declarou.

Ao ser questionado sobre a atuação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), de não pautar o projeto, o Nogueira disse que ele não é dono da Casa e deve respeitar a vontade da maioria.

“Ele não é dono da casa. Tem que respeitar o direito da maioria, se a oposição quiser votar”, disse.

Bolsonaro e outros sete são réus no STF (Supremo Tribunal Federal) por suposta tentativa de golpe de Estado.

O julgamento do ex-presidente e dos demais réus do núcleo 1 chega à fase final na próxima semana. A Primeira Turma do STF retoma o caso com o voto do relator, ministro Alexandre de Moraes, seguido pelos demais quatro integrantes do colegiado.

Três votos são suficientes para definir o desfecho — seja pela condenação ou absolvição dos acusados. A expectativa nos bastidores é de que Moraes se manifeste pela condenação dos oito réus envolvidos.

CNN

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Política

Proposta do PL para ampliar anistia esbarra em entraves no Congresso, STF e governo

Foto: Edilson Rodrigues/Agencia Senado

Apesar dos empecilhos a um projeto de anistia que contemple Jair Bolsonaro (PL), o partido do ex-presidente tenta ampliar o escopo da medida, incluindo até mesmo a reversão da sua inelegibilidade devido às condenações na Justiça Eleitoral.

Se, por um lado, o início do julgamento do ex-presidente pelo STF (Supremo Tribunal Federal) na suposta trama golpista alavancou as articulações do PL e do centrão pela anistia, por outro, a ideia enfrenta resistência no Senado e no próprio Supremo, além de ser incerta até na Câmara dos Deputados.

O perdão ainda dependeria da sanção do presidente Lula (PT), mas a palavra final é do próprio Congresso, que por maioria pode derrubar vetos presidenciais. Depois disso, haveria também a necessidade de uma validação do STF, que certamente seria provocado a se manifestar sobre a constitucionalidade da medida.

Dirigentes do PL, PP, União Brasil e Republicanos calculam ter uma maioria de cerca de 300 votos pela anistia na Câmara, e até deputados da esquerda admitem que o requerimento de urgência do projeto (para acelerar a tramitação) deve ser aprovado. Há dúvidas, porém, sobre a aprovação do mérito, principalmente nos termos em que propõe o partido de Bolsonaro.

Uma das dificuldades atuais é, justamente, a falta de um texto consolidado para o projeto de anistia. Por enquanto, há versões em discussão entre os congressistas que apoiam a medida. Enquanto a proposta de anistiar os condenados pelo 8 de Janeiro tem mais adesão, a ideia de incluir Bolsonaro ou até sua inelegibilidade é vista com ressalva entre os deputados.

O líder do PL, o deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), elaborou uma versão, após consultar especialistas, que libera Bolsonaro para concorrer na eleição de 2026 e perdoa acusados desde o início do inquérito das fake news no STF —passando pelo 8 de Janeiro, pelos acampamentos golpistas e pelas acusações a Eduardo Bolsonaro (PL-SP) de atentar contra a soberania nacional.

A versão ainda não foi protocolada, mas a Folha obteve acesso ao texto. Ele é o mais abrangente desde que começou a discussão na Casa, porque retrocede até o início do governo Bolsonaro.

O inquérito das fake news, criado em março de 2019, deu início a todos os outros em andamento no STF que têm o ex-presidente e seus aliados como alvo. Eles são relatados pelo ministro Alexandre de Moraes.

A proposta de Sóstenes, no entanto, contraria a estratégia do centrão, que tem defendido a anistia, mas com a manutenção da inelegibilidade de Bolsonaro, num esforço para viabilizar a candidatura presidencial do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que passou a atuar na linha de frente da articulação a favor do perdão.

A atuação do centrão e de Tarcísio pela anistia vem em resposta a críticas dos filhos de Bolsonaro de que esses políticos estariam disputando seu espólio eleitoral sem um verdadeiro empenho em tirá-lo da prisão. O gesto, portanto, seria necessário para viabilizar a candidatura de Tarcísio, que precisa do aval do ex-presidente para unificar a direita e concorrer com mais força.

O aumento da pressão do centrão e de Tarcísio, que foi a Brasília durante o julgamento para tratar de anistia, teve efeito sobre o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), que admitiu colocar a proposta em votação, mas resultou em poucos avanços concretos. Por enquanto, não há nem definição de data para votar o texto nem relator para negociá-lo, por exemplo.

Após encontrar-se com Tarcísio nesta quarta-feira (3), Motta declarou que “não há ainda nenhuma definição” sobre a anistia e que segue ouvindo líderes de partidos favoráveis e contrários ao tema.

“O governador é um querido amigo, é do nosso partido, nós temos dialogado sempre, não tem nenhuma novidade com relação a isso. O governador tem um interesse em que se paute a anistia, isso é público. E nós estamos ouvindo a todos”, disse.

Motta, que vinha resistindo a pautar a anistia, chegou a admitir, contudo, que a medida ganhou força e poderia ser levada ao plenário. “Os líderes estão cobrando, estamos avaliando, vamos conversar mais. […] Aumentou o número de líderes pedindo”, disse na terça-feira (2).

Após se reunir com Motta nesta quinta-feira (4), Sóstenes afirmou que a anistia não será votada antes do julgamento —e nem o requerimento de urgência. Na próxima semana, ainda em meio às sessões no STF, Motta liberou os deputados das sessões presenciais e adotou sessões remotas.

Folha de S.Paulo

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