Brasil

Exames de Lula mostram inflamação na laringe por esforço vocal, diz boletim médico

O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realizou, neste sábado (12), uma série de exames de rotina no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

De acordo com nota divulgada pela equipe médica, a avaliação clínica contou com exames de imagem, como ecocardiograma, que monitora o coração; angiotomografias, que permitem a visualização de estruturas no interior das veias e artérias, e PET Scan, que mapeia o organismo de forma completa.

Segundo a equipe, os resultados estão normais e seguem apontando completa remissão do tumor diagnosticado em 2011.

Um outro exame endoscópico chamado nasofibroscopia, que avalia tecidos da cavidade nasal, faringe, cordas vocais e laringe, apresentou alterações inflamatórias decorrentes do esforço vocal e pequena área de leucoplasia na laringe.

Leucoplasias são lesões que se manifestam como placas brancas nas superfícies da mucosa oral. Em entrevista, o médico Roberto Kalil Filho  sclareceu que, em sua maioria, os casos de leucoplasia são benignos.

A equipe médica que atende o presidente eleito é coordenada pelos médicos Roberto Kalil Filho, Artur Katz e Rubens Brito.

CNN

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Brasil

Equipe de transição de Lula tem ex-ministros presos por corrupção

A equipe do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), escalou para o governo de transição ex-ministros e políticos aliados do petista que já foram presos ou denunciados por corrupção.

Entre eles está Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda e do Planejamento e ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Ele vai compor o grupo técnico de planejamento, orçamento e gestão da equipe de transição de Lula.

Em 22 de setembro de 2016, ele foi preso em uma das fases da Operação Lava Jato pela suspeita de ter pedido um pagamento de R$ 5 milhões ao empresário Eike Batista. O dinheiro teria sido repassado a marqueteiros do PT para quitação de dívida de campanha eleitoral da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em 2010.

Mantega acabou solto no mesmo dia, mas em 2018 virou réu na operação por corrupção e lavagem de dinheiro pela suposta edição de medidas provisórias para beneficiar empresas do grupo Odebrecht. De acordo com a denúncia, a Odebrecht teria disponibilizado R$ 50 milhões a Mantega para que as MPs fossem assinadas. A investigação ainda não foi finalizada.

O ex-ministro também foi acusado de crimes na Operação Zelotes. Em 2016, o Ministério Público Federal (MPF) o denunciou por corrupção, advocacia administrativa tributária e lavagem de dinheiro por uma autuação tributária imposta ao grupo Cimento Penha no valor de R$ 57,7 milhões.

De acordo com os procuradores, houve manipulação da composição e funcionamento do Conselho Superior de Recursos Fiscais, órgão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Em seguida, ocorreu favorecimento indevido ao grupo comercial e, em troca, Mantega e outros denunciados receberam vantagens indevidas. Em 2017, contudo, a Polícia Federal concluiu o inquérito e não indiciou Mantega.

À época de cada caso, Mantega negou as acusações. Durante um depoimento em São Paulo, disse que não fez pagamentos via caixa dois da Odebrecht para a campanha da petista. O advogado do ex-ministro, José Roberto Batochio, chegou a afirmar que o cliente negou que tivesse ocorrido qualquer tipo de reunião com o empresário Eike Batista para falar sobre doações de dinheiro ou de pagamento de dívida.

Paulo Bernardo

Para o grupo técnico de comunicação, Lula chamou Paulo Bernardo, ex-ministro do Planejamento e das Comunicações. Ele foi preso em 23 de junho de 2016 em uma operação que foi desdobramento na Lava Jato por ter recebido ao menos R$ 7 milhões de um esquema de corrupção, segundo o MPF. Paulo Bernardo deixou a prisão seis dias depois.

De acordo com as denúncias, o esquema de repasses de propina vigorou durante cinco anos e começou depois que o Ministério do Planejamento contratou, em 2009, uma empresa terceirizada para controlar o sistema eletrônico do crédito consignado do governo federal.

Segundo as investigações, houve um direcionamento na contratação da empresa, que abriu mão do seu faturamento, direcionando pagamentos de cerca de 70% para corrupção. Em julho de 2016, a Polícia Federal enquadrou Paulo Bernardo por integrar organização criminosa e praticar corrupção passiva pelo envolvimento no esquema. Em 2018, o Supremo Tribunal Federal (STF) absolveu o ex-ministro.

A defesa de Paulo Bernardo afirmou na época, por meio de nota, que “o ex-ministro Paulo Bernardo reitera que não participou ou teve qualquer ingerência na celebração ou manutenção do acordo de cooperação técnica celebrado autonomamente entre a Secretaria de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão e as associações de Bancos e Previdência (ABBC e Sinapp). Também reitera que não recebeu qualquer quantia da Consist, direta ou indiretamente”.

Outro membro da equipe de transição é Paulo Okamotto, ex-presidente do Instituto Lula e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), que estará no grupo técnico de pequena empresa. Em 2005, foi denunciado pelas CPIs dos Bingos e do Mensalão de ter pago uma dívida de R$ 30 mil de Lula e não declarar a origem desses recursos. O caso segue sem solução.

Além disso, em 2020, ele se tornou réu na Lava Jato, junto com Lula e o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, por uma suposta lavagem de R$ 4 milhões da Odebrecht ao Instituto Lula. A ação, no entanto, foi anulada pelo STF.

Durante a CPI dos Bingos no Senado, em 2015, Okamotto confirmou que pagou em dinheiro, junto à tesouraria do Partido dos Trabalhadores, a quantia de R$ 29.436,26 para cobrir despesas, principalmente com viagens ao exterior e diárias, realizadas em 2001 pelo então pré-candidato à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva e por sua então mulher, Marisa Letícia.

No grupo técnico de pequena empresa também estará o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, André Ceciliano. Em 2021, ele foi investigado pela suspeita de rachadinha com ex-funcionários do gabinete dele pela movimentação suspeita de R$ 49 milhões, mas o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro o inocentou.

No mesmo ano, o Ministério Público informou que a movimentação fazia referência à quitação de uma dívida de um empresário que estava lotado no gabinete de Ceciliano.

R7

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Brasil

STF mantém suspensão de perfis do PCO; Rosa Weber defende que ministros discutam bloqueios em redes

Em uma série de recursos à decisão de Moraes, os advogados do Twitter, do Telegram, do Tik Tok, do Google (dono do YouTube) e da Meta (dona do Facebook e do Instagram) afirmaram que a determinação fez censura genérica a conteúdos que muitas vezes são lícitos.

As empresas queriam que as decisões do STF apontassem de forma clara o conteúdo que é ilegal para que as publicações fossem derrubadas pontualmente, e não que seja ordenado o bloqueio de páginas inteiras.

Entendem, no geral, que não se pode determinar a remoção de postagens que não ferem as instituições ou reproduzem fake news, e que impedir usuários de publicarem novos conteúdos é “censura prévia”.

A sessão do plenário virtual começou após o segundo turno das eleições, no último dia 4, e se encerrou ao fim desta sexta-feira (11). Nesse modelo de julgamento, os ministros depositam seus votos no sistema do STF durante um determinado período.

Moraes negou os recursos, sob a alegação jurídica de que as empresas não apresentaram “argumento minimamente apto a desconstituir os óbices apontados” em sua decisão.

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O entendimento foi acompanhado pelos demais ministros, exceto Kassio Nunes Marques e André Mendonça, ambos indicados ao Supremo pelo presidente Jair Bolsonaro (PL). Ambos têm se manifestado nos processos contra o bloqueio de perfis de redes sociais, uma bandeira que também é do presidente Jair Bolsonaro.

Apesar de ter seguido o voto de Moraes e criticado os ataques do PCO às instituições, a presidente do Supremo, ministra Rosa Weber, defendeu que o tema dos bloqueios integrais de perfis em redes sociais seja tratado, em outro momento, no plenário físico.

“A relevante questão constitucional suscitada pela parte recorrente reclama maiores reflexões e um debate mais aprofundado no âmbito desta Suprema Corte”, afirmou Rosa.

“Cuida-se de tema sensível envolvendo pontos de atrito entre valores constitucionais, ora situados em rota de colisão, que ainda não se acha maduro o suficiente para receber, neste específico procedimento cautelar, ora sob julgamento eletrônico, uma solução definitiva desta casa”, afirmou a ministra.

Já Kassio, em seus votos contrários à decisão de Moraes, afirmou que “as redes sociais servem como ferramenta ou instrumento de preservação da democracia e diálogo aberto e direto da sociedade, e, dela (o povo), com o parlamentar”.

“Sem isso, corremos o indesejável risco de nos distanciarmos da liberdade de expressão e liberdade de pensamento; valores que devem ser protegidos por esta Suprema Corte”, afirmou.

Mendonça, que também votou pelo desbloqueio, afirmou que, para remover conteúdo da internet, “cabe o apontamento específico de cada conteúdo ilegal para a exclusão, caso a caso, da respectiva postagem ou vídeo”.

Nesta sexta-feira, o Supremo também concluiu julgamento de recurso relacionado à derrubada do perfil de Ivan Rejane Boa Pinto, militante bolsonarista de Belo Horizonte preso em julho. Apenas Kassio e Mendonça, novamente, discordaram do posicionamento de Moraes.

No pedido feito ao STF contra a decisão de suspensão do perfil de Ivan Rejane no Twitter, a rede social afirma que, “a despeito do integral cumprimento à determinação”, entende que o bloqueio integral da conta viola leis e a Constituição.

Ao decidir pelo bloqueio dos conteúdos do PCO, Moraes também incluiu o partido no inquérito das fake news, que investiga ainda o presidente Jair Bolsonaro e alguns dos seus apoiadores.

À época, Moraes deu cinco dias para que o presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, fosse ouvido pela Polícia Federal.

A decisão do ministro foi tomada após o perfil do partido no Twitter se referir ao ministro como “skinhead de toga” que, em “sanha por ditadura”, “retalha o direito de expressão e prepara um novo golpe nas eleições”. O partido, que se define como “verdadeiramente revolucionário e comunista”, ainda pediu a “dissolução do STF” na postagem.

Segundo Alexandre de Moraes, “o Partido da Causa Operária, além das publicações no Twitter, utiliza sua estrutura para divulgar as mesmas ofensas nos mais diversos canais (Instagram, Facebook, Telegram, Youtube, TikTok)”.

Ele disse que isso amplia “o alcance dos ataques ao Estado Democrático de Direito”, atingindo “o maior número possível de usuários nas redes sociais, que somadas, possuem quase 290 mil seguidores”.

Folha de S. Paulo

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Brasil

MPF pede investigação sobre ataque hacker em computadores da Presidência da República

O Ministério Público Federal do Distrito Federal (MPF-DF) solicitou, nesta sexta-feira (11), abertura de procedimento investigatório para apurar o suposto apagão de documentos de computadores da Presidência da República dias após o resultado das eleições.

A intenção do órgão é descobrir de quem partiu a ordem de formatação dos HDs e se a pasta promoveu a apuração de responsabilidade sobre eventuais causas e responsáveis pelo episódio, revelado pelo R7.

De acordo com fontes, os criminosos que atuam pela internet conseguiram acessar informações sensíveis e prejudicar o acesso aos arquivos armazenados nos servidores do órgão.

O sistema de informática da Presidência da República foi alvo de um ataque hacker no início da semana passada, o que levou a perda de arquivos e obrigou a formatação dos computadores. A investida teria sido por meio de um ataque de ransomware, quando os dados são criptografados, ou seja, trancados, e o acesso ocorre apenas mediante uma senha, da qual apenas os hackers têm conhecimento.

Diante do episódio, o MPF alerta que os fatos são graves e suficientes para instaurar uma investigação. Sustenta também que a Presidência da República não esclareceu se os computadores foram formatados, se os arquivos foram danificados ou apagados, se dados foram vazados ou perdidos e se houve investigação.

“Faz-se necessário, assim, para a adequada proteção do patrimônio público e para a segurança da informação constante de bancos de dados da maior relevância para o Estado brasileiro, que todas as circunstâncias do suposto ataque e da suposta formatação sejam apuradas, bem assim que os agentes públicos envolvidos na ocorrência sejam ouvidos, para melhor esclarecer os fatos, seus desdobramentos e consequências”, destacou o MPF.

Este tipo de ataque se tornou frequente contra órgãos públicos e no ano passado atingiu o Ministério da Saúde, o Ministério da Fazenda e a Polícia Rodoviária Federal (PRF). Procurada pela reportagem, a Polícia Federal informou que não comenta eventuais investigações em andamento e recomendou que a Presidência fosse questionada sobre o tema.

É comum que nos ataques deste tipo contra empresas privadas, organizações e governos, os criminosos peçam um valor para liberar os dados sequestrados. Geralmente, a exigência de pagamento ocorre por meio de moedas virtuais, já que é mais difícil localizar o destinatário.

Contatada na quinta-feira (10), a Presidência da República não falou sobre o caso. A reportagem procurou novamente o órgão e aguarda retorno.

R7

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Política

“Mostra a pior face do PT”, diz PSDB sobre declarações de Mantega

Guido Mantega diz que não será ministro do futuro governo Lula | O TEMPO

O PSDB se manifestou sobre a declaração do ex-ministro Guido Mantega, que confirmou nesta sexta ter interferido para que o Banco Interamericano Desenvolvimento (BID) adiasse a escolha do economista Ilan Goldfajn como presidente do órgão.

“Ao boicotar a candidatura de Ilan Goldfajn à diretoria do BID, o ex-ministro Guido Mantega, além de atropelar os trâmites da instituição, mostra a pior face do PT: a incompreensão de certos processo democráticos”, afirmou o partido em nota.

Em entrevista à GloboNews, Mantega disse na sexta-feira que a indicação de Goldfajn ao cargo, capitaneada por Paulo Guedes, seria “mais um golpe” tentado em ano eleitoral.

Para o PSDB, “tudo é transformado em ‘golpe’ quando o PT tem seus interesses atingidos”.

O antagonista

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Política

VÍDEO: Michelle Bolsonaro compartilha gravação pedindo impeachment de Moraes

 

Print de mensagem compartilhada por Michelle Bolsonaro com a defesa do impeachment de Alexandre de Moraes

A primeira-dama Michelle Bolsonaro compartilhou, na quinta-feira (10/11), vídeo publicado no perfil do senador Luis Carlos Heinze, do PP, em defesa do impeachment do ministro do STF Alexandre de Moraes.

Michelle pediu para os seguidores assistirem ao vídeo completo. Nele, Heinze diz no plenário do Senado que Moraes “extrapolou todas as barreiras constitucionais”.

Confira vídeo completo abaixo:

O senador do PP afirma que o comportamento de Moraes é “abusivo” e que o ministro cometeu atos “flagrantemente inconstitucionais”. Heinze também diz que os “desmandos” de Moraes levam o país para uma “escalada autoritária”.

Metrópoles

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Paraíba

Bancada destinará verba para destravar triplicação da BR-230 na grande JP

Após a reunião da bancada federal da Paraíba, foi definido o rol das 15 emendas, fruto de ações que foram apresentadas pelos entes federativos e das sugestões recebidas pelas entidades estaduais. Entre essas, para o coordenador, o senador eleito Efraim Filho, se destacam: o projeto S.O.S. Triplicação BR230, em um reforço orçamentário para destravar essa importante obra na região metropolitana da capital; a iniciativa para viabilizar o Hospital de Trauma do Sertão e o Hospital da Criança em Campina Grande, entre outros.

Para Efraim, esse é um momento em que se destaca a coesão e a unidade da bancada federal na hora de lutar por recursos e investimentos estruturantes para o Estado. “Passada a eleição, as disputas devem ficar para trás e a bandeira da Paraíba é que deve ficar em primeiro lugar na ordem de importância para a bancada federal”, comenta. O valor global das emendas de bancada deve alcançar a marca de R$ 300 milhões, porém o valor específico por cada uma das iniciativas será definido durante a apresentação final da proposta na próxima segunda-feira (14).

Outras iniciativas

Na área da saúde, cinco iniciativas: o Hospital de Trauma do Sertão, o Hospital da Criança e o Hospital Help, ambos em Campina Grande, o custeio de ações de atenção básica e o custeio de ações de média e alta complexidade para os municípios; na educação foram quatro iniciativas: investimentos para as quatro grandes entidades de ensino na Paraíba: UFPB, UFCG, UEPB e IFPB, com recursos destinados à modernização da infraestrutura dos centros universitários.

Em infraestrutura e mobilidade, foram três iniciativas: a destinação de recursos para a BR230 entre João Pessoa e Cabedelo, com o projeto S.O.S. Triplicação, a construção do Arco Metropolitano que interliga a BR230 e a BR101, apresentado pelo Governo do Estado, a reforma e ampliação dos mercados públicos da cidade de João Pessoa, apresentado pela prefeitura da capital, e o 3° eixo da transposição do São Francisco, Ramal Piancó, que já conta com recursos do orçamento do ano anterior para o desenvolvimento do projeto.

Finalizando, na área de agricultura, pesca e desenvolvimento sustentável regional, foram duas iniciativas: aquisição de máquinas e equipamentos agrícolas destinados ao Estado e aos municípios, para reforçar as ações na zona rural e estimular a agricultura familiar, e recursos para a construção de uma escola modelo de embarcações, de acordo com importante arranjo produtivo local e vocação econômica da região litorânea de Cabedelo.

MaisPB

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Brasil

Ex-ministro da Fazenda defende que Lula pare de falar em questões econômicas: “Velhas ideias arcaicas do PT”

Nesta sexta-feira (11) o ex-ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega, avaliou o atual momento econômico e as recentes declarações do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o mercado financeiro. Para o economista, é fundamental que o petista abandone ideias de governos passados e passe uma mensagem de responsabilidade fiscal.

“A primeira providência é o Lula parar de falar em questões econômicas, porque ele está puxando no fundo de sua consciência as velhas ideias arcaicas do PT. Por exemplo, essa coisa que muitos dizem de que gasto é investimento, portanto não precisa ser controlado. Isso é uma estupidez completa, gasto é gasto em qualquer situação, não precisa de rótulo A ou rótulo B. Controlar o gasto em a ver com estabilidade fiscal, e a estabilidade fiscal é fundamental para preservar a estabilidade macroeconômica e a estabilidade macroeconômica é essencial para manter a inflação sob controle”.

“Inflação fora do controle prejudica essencialmente os pobres, que não tem como se defender da variação intensa dos preços. Está mais do que documentado e conhecido na economia brasileira. O Lula fez uma declaração absolutamente infeliz, mal pensada e fundamentada nas visões arcaicas do PT. Os economistas do PT, com algumas exceções, nunca reconheceram o fundamento essencial das finanças públicas, que é a restrição orçamentária. Existe um limite para fazer gastos. E se o gasto é feito sem a correspondente arrecadação de receitas ele vai impactar a dívida pública. E a dívida pública, e sua relação com o PIB, é o principal indicador de solvência do setor público. Esse é o indicador essencial que os investidores e avaliadores de risco olham, quando avaliam uma economia como a brasileira”, explicou.

O ex-ministro destacou que Lula diz inverdades quando afirma que as pessoas que se preocupam com o teto de gastos não se preocupam com as questões sociais do país: “Portanto, o Lula está completamente equivocado quando diz que as pessoas que não se preocupam com o teto de gastos não veem a questão social. É exatamente o contrário. A percepção das pessoas que analisam a economia brasileira, que assumem risco, é de que a estabilidade fiscal é fundamental para assegurar programas de amparo às populações menos favorecidas. Portanto, Lula não saiu do palanque. Ele já está eleito, ele não precisa disso, não precisa fazer um discurso irresponsável que fez ontem. Ainda no fim ironizou que o mercado está ‘nervoso’, está nervoso mesmo!”

“O mercado financeiro não é uma entidade, é um conjunto de pessoas que tem a responsabilidade de gerir os recursos dos outros. E evitar que as pessoas que investem percam com a inflação, ou com a insustentabilidade da dívida pública. É um discurso equivocado, invoca visões equivocadas do PT, na hora errada e no palanque. O Lula tem que pensar melhor no que for falar, porque agora ele já é o presidente eleito, ele não é um candidato ao voto dos ignorantes. Ele está falando para pessoas que conhecem isso: jornalistas, economistas e investidores. Ele pode queimar na largada o seu governo, se continuar com essa festa de declarações absolutamente desconjuntadas e fora da realidade fiscal”, criticou.

A respeito do Banco Central e do seu papel neste contexto econômico, Maílson da Nóbrega alertou que a instituição tem o trabalho dificultado quando o governo atua com uma política fiscal irresponsável em relação aos gastos: “Se o governo gastar mais do que dita a responsabilidade, isso vai ter uma queda de confiança, depreciação cambial e inflação. O instrumento do Banco Central é aumentar a taxa de juros, o que tornaria a vida dos pobres pior ainda. Só que tem um limite para isso. Quando a percepção dos mercados, dos economistas, avaliadores e políticos que entendem disso começa a indicar que é insustentável a situação fiscal, a fuga do mercado financeiro e de capitais produz o que os economistas chamam de dominância fiscal, em que o Banco Central fica atado na sua capacidade de defender a estabilidade da moeda”.

“O Banco Central percebe que, quanto mais ele aumenta a taxa de juros, mais a situação fiscal se agrava. Isso é um fenômeno conhecidíssimo no mundo da análise econômica. Mesmo com um Banco Central independente, isso gera inflação alta e sem controle. É um caso raro, mas a irresponsabilidade do governo e a execução de uma política fiscal inconsequente pode neutralizar a própria independência do Banco Central e a inflação foge do controle nessa situação. É muito perigoso o que o Lula está dizendo”, detalhou.

O economista sugeriu que outros nomes da equipe de transição como Pérsio Arida, André Lara Resende e Guilherme Melo falem pelo presidente eleito: “Porque essas pessoas conhecem o risco do desprezo à restrição fiscal”. Perguntado sobre as especulações a respeito do futuro Ministério da Fazenda, Maílson da Nóbrega, que já ocupou a pasta, aposta que Lula deve indicar um “ministro político” e rejeitou a possibilidade de Fernando Haddad (PT) comandar o ministério: “Um ministro com conhecimento político, capacidade de articulação, experiência de governo e o assessoramento por um grupo de economistas renomados, experientes e de grande credibilidade. Eu acho que isso pode dar certo de novo (…) Não está escrito na pedra que o ministro da fazenda tem que ser um economista. Se você for para a Inglaterra, todos os ministros da Economia são membros do parlamento, são políticos”.

“Me surpreenderá se o Lula indicar um nome que seja hostil às visões do mercado financeiro. Você não pode confrontar o mercado financeiro, que trabalha em geral com avaliações de risco e uma certa racionalidade econômica. Por exemplo, eu não tenho nada contra o Fernando Haddad, é um nome de peso, professor universitário, tem doutorado em economia, conhece história, mas ele é um nome visto como perigoso pelo mercado financeiro, dado seu passado e as ideias que professou. A escolha do Fernando Haddad, se vier a acontecer, seria uma escolha que vai afetar negativamente as expectativas do mercado”, especulou. Confira a entrevista completa no vídeo abaixo.

Jovem Pan

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Brasil

EDITORIAL ESTADÃO: Lula ainda está no palanque

O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva conseguiu acabar com o clima de lua de mel que havia se criado em torno de sua eleição. Com o fim antecipado do calamitoso governo Jair Bolsonaro, todas as atenções se voltaram para os trabalhos da equipe de transição, a escolha dos nomes que farão parte desses grupos técnicos e, sobretudo, a política econômica que vai nortear a administração petista. Mas a chegada de Lula a Brasília pôs por terra as ilusões de que a responsabilidade fiscal será um marco de seu terceiro mandato.

A nomeação de Geraldo Alckmin como chefe do gabinete de transição havia gerado expectativas positivas sobre o futuro governo, a ponto de conter a desconfiança gerada pela onipresença dos ex-ministros Gleisi Hoffmann e Aloizio Mercadante na coordenação dessas atividades. A escolha do grupo que fará as propostas para a área econômica foi bem recebida, ainda que insuficiente para sanar as incertezas a respeito da condução da economia. As articulações em torno da elaboração de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para retirar os gastos do Bolsa Família do teto de gastos, no entanto, foram malvistas. A tudo isso se somou a dura realidade, com a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de outubro comprovando a força e a consistência da inflação.

Depois de se reunir com autoridades do Legislativo e do Judiciário, num esforço para resgatar a institucionalidade das relações entre os Poderes, Lula foi ao Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) para encontrar parlamentares. Era o momento para aproveitar a visibilidade que a eleição lhe conferiu para se apresentar como um estadista à altura dos desafios do País que assumirá em menos de dois meses. Suas falas, no entanto, lembraram o período de campanha, quando os candidatos abusam do pensamento mágico para prometer o que podem e o que não podem cumprir. Esse é um papel que Lula perdeu o direito de interpretar a partir do momento em que se sagrou vencedor da disputa presidencial, em 30 de outubro.

“Por que as pessoas são levadas a sofrer por conta de garantir a tal da estabilidade fiscal desse país? Por que toda hora as pessoas falam que é preciso cortar gastos, que é preciso fazer superávit, que é preciso fazer teto de gastos? Por que as mesmas pessoas que discutem teto de gastos com seriedade não discutem a questão social neste país?”, questionou Lula. O presidente eleito fez comparações descabidas, chegando a criticar a existência de metas de inflação e a ausência de um regime de metas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Voltou também a defender a ideia de que há gastos que precisam ser encarados como investimento, como se questões semânticas fossem capazes de resolver o descalabro fiscal em que o País se encontra. “É um discurso de PT pelo PT, que ignora os apoios recebidos”, definiu a economista Elena Landau, em entrevista ao Valor.

O mercado financeiro reagiu imediatamente. A bolsa despencou, a curva de juros subiu e o câmbio disparou. Em menos de dez dias, toda a boa vontade com o governo eleito acabou. Se Lula pensava em adiar a escolha da composição de sua equipe econômica e dos futuros ministros da Fazenda e do Planejamento para conter brigas entre aliados, seu próprio discurso o emparedou perante os investidores. Agora, somente o anúncio de um nome efetivamente comprometido com a responsabilidade fiscal poderá reverter as péssimas expectativas que se formaram a respeito de seu futuro governo.

Se a construção da narrativa de uma frente ampla funcionou para a eleição, ela é insuficiente para montar um governo de coalizão. Ao insistir em manter um clima de campanha, comportamento que, aliás, lembra muito o de seu antecessor, Lula desmoraliza os esforços de seu próprio gabinete de transição, que vinham sendo bem conduzidos por Alckmin. Responsabilidade fiscal, afinal, não é capricho: é condição obrigatória para reconstruir as políticas públicas devastadas por anos de bolsonarismo. É hora de descer do palanque.

Estadão

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Paraíba

VÍDEO: Pedro acusa João Azevedo de perseguição política ao transferir Tenente Rebeca para o interior da PB


O ex-candidato ao governo da Paraíba, Pedro Cunha Lima (PSDB) acusa o governador João Azevedo de perseguição política ao transferir a capitã Rebeca, aliada do tucano, de João Pessoa para a cidade de Cuité, interior do estado.

Rebeca foi candidata a deputada estadual e obteve 17.290 votos. Em um video postado nas redes sociais, Pedro faz um apelo para que João reverta a decisão e abandone o “palanque”, já que a campanha política chegou ao fim no último dia 30 de outubro

 

Blog do BG PB

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