O primeiro semestre de 2024 já registrou 11 feminicídios na Paraíba e 20 homicídios contra mulheres. Os dados são da Secretaria de Estado da Segurança e Defesa Social solicitadas via Lei de Acesso à Informação.
De acordo com os dados, sete mulheres foram assassinadas no mês de janeiro, sete no mês de fevereiro, duas em março, cinco em abril, seis em maio e quatro em junho.
As mulheres vítimas de feminicídio nos primeiro trimestre de 2024 foram assassinadas nas cidades de João Pessoa, Itapororoca, Paulista, Marizópolis, Bonito de Santa Fé, Cabedelo, Patos e São Vicente do Seridó.
Dois feminicídios por mês em 2023
Na Paraíba, em média duas mulheres foram mortas por mês em 2023 por sua condição de gênero. No ano passado, o número de feminicídios cresceu 30%. A Paraíba registrou 34 feminicídios, contra 26 em 2022, um aumento de nove casos em números absolutos.
A Lei nº 13.104/2015 torna o feminicídio um homicídio qualificado e o coloca na lista de crimes hediondos, com penas mais altas. Conforme a lei, considera-se que há razões de condição de sexo feminino quando o crime envolve violência doméstica e familiar e/ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher.
O mês com o maior número de feminicídios em 2023 foi o de outubro, com 7 casos. Depois de outubro, o mês mais violento foi o de abril, com 6 feminicídios. Em 2022, esse mês também apareceu em destaque, com 7 casos.
Em alguns meses de 2023, nenhum caso foi registrado, como março e novembro.
Alerta de baixa umidade afeta muitas cidades Foto: Reprodução
O Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) publicou um aviso iniciando hoje (27) às 11h, válido até amanhã (28) alertando para perigo potencial causado pela baixa umidade. O alerta atinge boa parte do território nacional, incluindo 16 cidades da Paraíba.
Segundo o alerta, a umidade relativa do ar estará variando entre 30% e 20%. Há baixo risco de incêndios florestais e à saúde.
INMET publica alerta válido até hoje
Nesses casos, a orientação das autoridades é beber bastante líquido, evitar desgaste físico nas horas mais secas, evitar exposição ao sol nas horas mais quentes do dia. Para mais informações deve-se buscar apoio junto à Defesa Civil (telefone 199) e ao Corpo de Bombeiros (telefone 193).
Confira as cidades afetadas pelo alerta na Paraíba
Bernardino Batista
Bom Jesus
Bonito de Santa Fé
Cachoeira dos Índios
Cajazeiras
Conceição
Joca Claudino
Monte Horebe
Poço Dantas
Poço de José de Moura
Santa Helena
Santa Inês
São João do Rio do Peixe
São José de Piranhas
Triunfo
Uiraúna
Áreas afetadas pelo alerta no Brasil
Centro Goiano
Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba
Leste Goiano
Central Mineira
Sul Cearense
Norte Pioneiro Paranaense
Sudeste Paraense
Ocidental do Tocantins
Oeste Maranhense
Sertões Cearenses
Centro-Sul Mato-grossense
Sul Goiano
Presidente Prudente
São José do Rio Preto
Centro-Norte Piauiense
Nordeste Mato-grossense
Leste de Mato Grosso do Sul
Campinas
Oeste de Minas
Oeste Potiguar
Bauru
Piracicaba
Sudeste Piauiense
Itapetininga
Sul/Sudoeste de Minas
Centro Norte de Mato Grosso do Sul
Leste Maranhense
Oriental do Tocantins
Norte Mato-grossense
Leste Rondoniense
Sudoeste Paraense
Ribeirão Preto
Araçatuba
Sudeste Mato-grossense
Norte Goiano
Noroeste Paranaense
Sul Maranhense
Jaguaribe
Macro Metropolitana Paulista
Marília
Sudoeste Piauiense
Norte Central Paranaense
Sudoeste de Mato Grosso do Sul
Araraquara
Pantanais Sul Mato-grossense
Extremo Oeste Baiano
Centro-Sul Cearense
Sul Amazonense
Noroeste Goiano
Centro Maranhense
Centro Oriental Paranaense
Sudoeste Mato-grossense
Sertão Pernambucano
Centro Ocidental Paranaense
Noroeste de Minas
Assis
Oeste Paranaense
Vale São-Franciscano da Bahia
Norte Piauiense
Sertão Paraibano
Norte de Minas
Centro Sul Baiano
Distrito Federal
Madeira-Guaporé
Vale do Paraíba Paulista
Metropolitana de São Paulo
Norte Cearense
Noroeste Cearense
Campo das Vertentes
Metropolitana de Belo Horizonte
Riscos do clima seco
O tempo seco pode trazer uma série de riscos à saúde e ao bem-estar, especialmente em períodos prolongados. Entre os principais problemas estão a desidratação, problemas respiratórios, irritação nos olhos, pele ressecada e aumento do risco de doenças infecciosas.11 de jul. de 2024. A umidade do ar ideal fica entre 50 e 80%.
Presidente Jair Bolsonaro durante entrega dos Residenciais Canaã I e II, em João Pessoa
O ex-presidente Jair Bolsonaro deve visitar a Paraíba em agosto. A informação foi confirmada pelo deputado federal Cabo Gilberto (PL).
O parlamentar revelou que Bolsonaro deve visitar a cidade de Pedras de Fogo, que faz divisa com Itambé, em Pernambuco. A agenda foi definida em uma reunião com lideranças pernambucanas, que aconteceu na tarde desta sexta-feira (26).
Bolsonaro na Paraíba
A última vez que Bolsonaro esteve em território paraibano foi no mês de abril, quando recebeu o título de cidadão honorário concedido pela Assembleia Legislativa e pela Câmara Municipal da capital.
Ele também participou de uma minicarreata no bairro de Mangabeira, na capital, onde visitou o mercado público e interagiu com a população.
Ainda na capital, o ex-presidente participou de um ato político em uma casa de festas de João Pessoa, para anunciar Marcelo Queiroga como candidato na disputa pela prefeitura de João Pessoa.
Finalizando a agenda na Paraíba, Bolsonaro visitou o mercado público de Cabedelo, na região metropolitana de João Pessoa; em seguida, participa de uma reunião com empresários.
Até o momento, quatro candidaturas a prefeito foram registradas no Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) para as Eleições 2024.
Os dados, obtidos por meio do portal DivulgaCandContas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e checados na tarde desta quinta-feira (25), confirmam as seguintes candidaturas:
Bernardino Batista/PB: Marquinhos Gomes, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB).
Lagoa/PB: Socorro de Biró, do Partido Democrático Trabalhista (PDT).
São Domingos/PB: Cigano, do Partido Liberal (PL).
São José dos Cordeiros/PB: Felício Queiroz, do Partido Liberal (PL).
Essas candidaturas registradas marcam o início do período eleitoral na Paraíba. O período de convenções partidárias, que ocorre entre julho e agosto do deste ano, é uma fase crucial do processo eleitoral. Durante essas convenções, os partidos políticos se reúnem para deliberar sobre suas coligações e escolher os candidatos que disputarão as eleições.
Neste ano, o prazo para a realização das convenções partidárias vai até 5 de agosto, e até lá, espera-se que muitos outros candidatos sejam oficializados para disputar as prefeituras e câmaras municipais em toda a Paraíba.
O atendimento para a emissão da primeira via da Carteira de Identidade Nacional (CIN) na Paraíba está com um novo sistema de agendamento.
Os interessados devem acessar o site Agendamento RG. As vagas para agendamento são limitadas e abrem diariamente, de segunda a sexta-feira, a partir das 9h. O agendamento pode ser feito para o dia útil seguinte.
Inicialmente, o atendimento está sendo prestado nas Casas da Cidadania de João Pessoa, e nas cidades de Bayeux, Campina Grande, Guarabira e Santa Rita. Para facilitar o acesso da população, os pontos de atendimentos estão sendo ampliados e descentralizados.
A emissão da primeira via da nova Carteira de Identidade Nacional é um serviço oferecido gratuitamente pelo Governo do Estado – somente nos casos de emissão da segunda via da CIN há taxas estabelecidas.
Documentos necessários para emitir a carteira
Para a emissão da CIN é necessário portar documentos como a Certidão de Nascimento ou Casamento (documento original ou cópia autenticada), comprovante de residência, identidade antiga (se disponível), e CPF regularizado e atualizado.
Nesta terça-feira (23), foram registrados os primeiros candidatos a vereador na Paraíba para as eleições municipais de 2024. Os municípios de Bernardino Batista e São José dos Cordeiros já têm as listas iniciais de candidatos, conforme verificado no portal DivulgaCandContas do TSE.
Bernardino Batista
Os primeiros registros de candidatura em Bernardino Batista foram feitos pelo partido MDB. A lista de candidatos inclui:
AURÉLIO BARBOSA (MDB)
ELAINE DE CARMINHA (MDB)
JOAQUIM DE NEGUINHO (MDB)
MARCIANA (MDB)
MARIA DE ZÉ DE DALGIZA (MDB)
NÚBIA DA CAJAZEIRINHA (MDB)
TICO DE NENÉM (MDB)
ZÉ RILDO (MDB)
São José dos Cordeiros
Em São José dos Cordeiros, candidatos das coligações PL e PSB registraram suas candidaturas. Os nomes são:
Coligação PL:
ADAILTON DE ADAUTO (PL)
ADIEL (PL)
ANA PAULA (PL)
JANDILSON (PL)
LOURDES DANTAS (PL)
MANOEL QUEIROZ (PL)
NASCIMENTO FILHO (PL)
TEJO (PL)
WANDERLEI DO BAR (PL)
ZETINHA (PL)
Coligação PSB:
BRANCO SÁ (PSB)
CLAUDIANA LIRA (PSB)
DAMIÃO (PSB)
DAMIÃO INÁCIO (PSB)
JOELMA RIBEIRO (PSB)
KADIGINA HOLANDA (PSB)
NIEDSON BRITO (PSB)
NOZINHO GATO (PSB)
RAIMUNDO MOURA (PSB)
WALFREDO (PSB)
Datas das Convenções Partidárias
As convenções partidárias para a escolha dos candidatos nas eleições de 2024 devem ocorrer entre os dias 20 de julho e 5 de agosto. Após a realização das convenções, os partidos têm até o dia 15 de agosto para registrar oficialmente as candidaturas no TSE.
A Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional da Paraíba (OAB-PB), divulgou a lista dos inscritos para concorrer à vaga de desembargador do Tribunal de Justiça da Paraíba, pelo quinto constitucional. Ao todo, 21 advogados formalizaram suas candidaturas
O Quinto Constitucional reserva vagas nos tribunais para profissionais da advocacia e do Ministério Público. Os candidatos são submetidos a um processo rigoroso de seleção, que inclui análise de currículo, histórico profissional e sabatina.
A votação está prevista para ocorrer após o dia 16 de setembro, onde advogados e advogadas em todo o estado da Paraíba poderão participar diretamente, elegendo aquele que considerarem mais capacitado para ocupar o cargo de desembargador.
Francisco Fidelis, advogado com mais de 15 anos de experiência na Paraíba, registrou sua candidatura a desembargador pelo Quinto Constitucional do TJ-PB, na manhã desta segunda-feira (22). Ex-assessor da presidência do Tribunal de Justiça, Fidelis é reconhecido por sua visão crítica e comprometida com a justiça, ressaltando compromisso com a advocacia paraibana, sobretudo a sertaneja.
“Eu venho lá do sertão”, afirma. Com esse legado, a candidatura de Fidelis foi referendada pelas maiores lideranças da advocacia paraibana. “Antes da decisão de efetivamente concorrer, percorri todo o estado da Paraíba para ouvir a classe. Iniciei pelo sertão, visitei grandes lideranças da advocacia paraibana para entender se o que imaginava ser o ideal de um representante da classe no Tribunal de Justiça fazia sentido. Quando voltei para João Pessoa, decidi lançar a candidatura”.
Francisco Fidelis milita na advocacia em áreas do direito civil e eleitoral, ocupando importantes cargos na área jurídica, uma delas foi como assessor da presidência do Tribunal de Justiça da Paraíba, durante a gestão do desembargador Abraham Lincoln. Participou ativamente de diversas comissões da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Paraíba (OAB-PB), incluindo a presidência da Comissão de Justiça Cível, representou a OAB-PB na Comissão Especial de Seleção para o Encargo de Juiz Leigo do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB).
Na condição de candidato à vaga de desembargador, Francisco Fidelis tem dialogado com seus pares sobre alguns princípios e bandeiras que deverão ser defendidos em prol da advocacia paraibana no âmbito do Tribunal de Justiça do Estado. Entre eles, três se destacam: Gratuidade da justiça; Gabinete acessível no Tribunal de Justiça; Processos com sustentação oral;
“Estou à disposição para contribuir com minha experiência e compromisso com a justiça paraibana e, ao mesmo tempo, garantir que jamais esquecerei de minhas origens, estarei lado a lado dos colegas advogados”, ressalta Fidelis, enfatizando sua dedicação ao serviço público e sua visão para fortalecer o judiciário estadual.
Entre os anos de 2022 e 2023, a Paraíba apresentou uma aumento de 106,5% na área desmatada. Os dados do último Relatório Anual do Desmatamento do Brasil mostram que, no ano passado, a área desmatada na Paraíba era superior a 13 mil hectares, o que corresponde a mais de 12 mil campos de futebol. Uma reportagem especial do Núcleo de Dados da Rede Paraíba de Comunicação ouviu pesquisadores sobre o assunto e conversou com moradores que são constantemente afetados pelos impactos climáticos.
É assustador perceber que, a cada amanhecer, o planeta dá inúmeros sinais de que algo não está nada bem. São alertas claros: a praia, um dos espaços públicos naturais mais democráticos que existe, parece, aos poucos, desaparecer sob as ondas.
As temperaturas escaldantes transformam uma simples caminhada em um desafio. As fortes chuvas alagam cidades e causam destruição e sofrimento.
Ildenis Almeida é morador da comunidade São Rafael, no Castelo Branco. Ele conta que quando chove muito, não pode dormir, precisa ficar em alerta para evitar que a água entre em casa. “Teve uma vez que eu estava numa enchente que chegou a água até aqui, mais ou menos um metro e vinte, um metro e dez. Quando a draga faz o serviço bem feito no rio, a gente não sofre as consequências, mas quando não faz, a gente sofre as consequências, todos os moradores”, desabafa.
Cada decisão tomada por nós influencia o futuro do nosso planeta. E o presente é resultado de escolhas feitas lá atrás.
Arte/Diogo Almeida
Na Paraíba, o cenário chama a atenção. Em João Pessoa, por exemplo, de acordo com dados do Instituto Nacional de Meterorologia, em 1964, a média da temperatura, em João Pessoa, foi de 29,5ºC. Em 1993, 29,8ºC. Nos anos 2000, a média da temperatura já começou a atingir a casa dos 30ºC. Em 2005, a temperatura média chegou a 30,2ºC. Em 2017, a média da temperatura atingiu pela primeira vez em 31,1ºC. E em 2024, até o mês de maio, a média da temperatura está em 33ºC. Extremos climáticos cada vez mais evidentes.
Impactos previsíveis, consequências constantes
Até parece que são consequências isoladas, mas tudo está interligado: desertificação, chuvas, alagamentos, altas temperaturas. O professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Ranyére Nóbrega, explica que nada é coincidência e que as mudanças observadas não tem, necessariamente, ligação com o volume total da chuva, mas sim com a distribuição.
“Por exemplo, os eventos estão cada vez mais intensos. Então quando você pega no ano todo, a média, quando a gente faz a média, o volume de precipitação está quase a mesma coisa. Quando nós analisamos o número de dias com chuva, esses números de dias estão cada vez menores”, detalha o professor.
Isso significa que as chuvas estão mais intensas em curto período. “Para um ambiente urbano como João Pessoa, vai trazer problemas como alagamentos, movimentos de massa e tudo mais. Para um ambiente de semiárido, será horrível. Se essa concentração de chuva diminuir ainda mais no contexto de mudanças climáticas, passar a chover durante dois meses, um mês, como é que essa água será captada e armazenada para suprir as necessidades?”, completa Ranyére Nóbrega.
Reprodução/TV Cabo Branco
Se esses impactos estão intimamente ligados, as mudanças nos padrões climáticos tendem a acontecer cada vez mais, o que também interfere na intensidade e frequência das chuvas. As mais de 700 famílias que vivem na Comunidade São Rafael, em João Pessoa, sentem os danos dessa força da natureza na pele.
De acordo com a Defesa Civil, João Pessoa tem, pelo menos, 27 áreas de risco monitoradas. No bairro do Castelo Branco, a Comunidade São Rafael, foi a primeira do Complexo Beira Rio a passar por esse mapeamento, projeto que começou em 2015 e só foi finalizado em 2021.
Áreas monitoradas pela Defesa Civil em João Pessoa
Saturnino de Brito, nas Trincheiras
Comunidade Santa Clara, no Castelo Branco II
São Rafael, no Castelo Branco/ Rádio Tabajara
Tito Silva, em Miramar
São José, no bairro São José
São Judas Tadeu, no bairro Alto do Mateus
Boa Esperança, no bairro Cristo Redentor
Maria de Nazaré, no bairro Funcionários II
Riacho/Riachinho, no bairro 13 de Maio
Chatuba, no bairro Manaíra
Santa Emília de Rodat, no bairro Ilha do Bispo
Porto do Capim, no bairro Varadouro
Felipeia, no bairro Tambiá
Beira da Linha, no bairro Alto do Mateus
Barreira do Cabo Branco, no bairro Cabo Branco
Comunidade do ‘S’, no bairro Roger
Santa Bárbara, no bairro Valentina de Figueiredo
Nova República, no bairro Geisel
Arame, no bairro Grotão
Bananeiras, no bairro Grotão
Porto de João Tota, no bairro Mandacaru
Jardim Coqueiral, no bairro Mandacaru
Rua Ari Barroso, no bairro Alto do Mateus
São Geraldo, na R. São Geraldo
KM 19/BR 230, no no bairro Castelo Branco
Padre Hildon, na Torre
Renascer, no Distrito Mecânico/Varadouro
A construção de uma sede sustentável no local, em um espaço onde era um terreno baldio, deve funcionar como um complexo de solução de problemas ambientais. Tudo feito pelas mãos dos próprios moradores. Atualmente, mais de 700 famílias vivem por aqui e sofrem, todos os anos, com os efeitos das chuvas.
Quando chove forte, quase 100 casas, que ficam bem próximas ao Rio Jaguaribe, chegam a alagar. A perda, na maioria das vezes, é total.
Seu José Marcos tem 71 anos e é nascido e criado na Comunidade São Rafael. Ao longo das últimas décadas, foram muitas as cenas de destruição que ele presenciou no local.
Daniel Pereira é coordenador do Instituto Voz Popular, uma iniciativa dos próprios moradores da Comunidade São Rafael. Ele conta que são muitos os planos para que a comunidade resista às mudanças climáticas, ao avanço do rio e ao que ainda pode estar por vir.
“A proposta que a gente tem é um espaço como esse, uma usina solar para abastecer de energia a sede, uma horta comunitária e, ao mesmo tempo, a gente vai ter reuso de água e um biodigestor para fazer o tratamento do esgoto. Pensar essas alternativas que são as tecnologias sociais que podem ajudar nessa diminuição do aquecimento global e ao mesmo tempo gerar renda e gerar trabalho dentro do território. Então a proposta é que aqui na nova sede do Instituto Voz Popular a gente consiga mostrar que a partir de pequenas experiências a gente consegue transformar em grandes experiências que se replicam pela cidade”, ressalta Daniel.
Planos colocados em prática para resultados a longo prazo. É o que dá para fazer no momento. Uma contenção de danos que parece acontecer no mundo inteiro. Cenários de emergência global que também são repletos de injustiças sociais. Andréa Porto é geógrafa e acompanha de perto o cenário preocupante da comunidade São Rafael.
Cenário é preocupante em diversas comunidades de João Pessoa. Reprodução/TV Cabo Branco
“Parte da comunidade está dentro de uma área considerada de risco por conta da inundação. É uma comunidade que precisa de melhores infraestruturas, mas o que a gente tem observado aqui, nas intervenções mais recentes, é uma proposta bastante injusta socialmente falando, porque se constrói um cenário de risco climático para 100 anos, onde você aumenta a área alagável desse risco e você remove mais pessoas do que é necessário. Não se faz política pública com 100 anos. Então a gente precisa pensar num outro cenário, que não necessariamente retire e remova todo mundo desse local”, destaca a geógrafa.
Aumento dos alertas de desmatamento
Os impactos negativos da ação humana estão cada vez mais evidentes. Enquanto o Rio Grande do Sul vive uma das maiores tragédias da história do estado, a chuva persiste e a dificuldade de escoamento das águas, gera sofrimento. Segundo especialistas, a retirada da vegetação nativa tornou a região mais vulnerável e agravou os efeitos das tempestades.
Mas será que esse cenário está tão distante da nossa realidade? Na Paraíba, o bioma caatinga ocupa cerca de 90% do território, o que mostra a importância de conhecer e valorizar as diferentes características dessa vegetação. No Nordeste, a Paraíba e o Rio Grande do Norte foram os estados que mais apresentaram aumentos expressivos na área de vegetação suprimida, um crescimento que representa mais de 100%, segundo relatório referente a 2023.
Aumento da área desmatada na Paraíba. MapBiomas/Reprodução
As queimadas também influenciam nessa perda e, historicamente, tem transformado a caatinga, de um bioma florestal, para um bioma arbustivo e cada vez mais degradado.
Os dados são do MapBiomas, uma rede colaborativa formada por ONGs, universidades e startups de tecnologia, que conta com vários pesquisadores envolvidos.
O coordenador do MapBiomas Caatinga, Washington Rocha, reforça a preocupação
Em João Pessoa, o aumento da construção de empreendimentos em locais com variedade de fauna e flora, é uma realidade que também pode gerar prejuízos, quando o assunto é desmatamento.
O aumento contínuo dos alertas de desmatamento, na Paraíba, conforme registrado pelo MapBiomas, é um sinal preocupante da perda acelerada dos ecossistemas naturais. Para se ter uma ideia, se em 2019 foram três alertas de desmatamento, no ano passado, foram quase 2.200. Se um campo de futebol tem pouco mais de um hectare, a área desmatada em nosso estado, só em 2023, representa mais de 12 mil campos de futebol.
A Paraíba registrou um aumento de 153,7% nos casos de estelionato por meio eletrônico entre 2022 e 2023, com o número de ocorrências subindo de 406 para 1.030. Este crescimento foi o maior entre as 22 Unidades Federativas que forneceram dados específicos sobre o delito, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado ontem pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Em contraste, a taxa de mortes violentas intencionais no estado diminuiu 1,9% no mesmo período, com 1.069 casos em 2023 contra 1.090 em 2022.
Além do estelionato eletrônico, outros tipos de estelionato também aumentaram. Em 2023, foram registrados 6.443 casos, em comparação aos 5.669 de 2022. Apesar do aumento, a taxa de estelionatos por 100 mil habitantes foi de 162,1, a menor do país.
A alta nos casos de fraude eletrônica, definida pelo Código Penal como fraude eletrônica, resultou numa taxa de 25,9 por 100 mil habitantes, a terceira menor do Brasil em 2023, ficando atrás apenas do Piauí (17,9) e do Amazonas (22,2).
Por outro lado, os crimes contra o patrimônio mostraram uma tendência de queda significativa na Paraíba. Os roubos a estabelecimentos comerciais diminuíram 46%, passando de 1.142 em 2022 para 617 em 2023. Roubos a residências caíram 34,2%, com 241 ocorrências registradas no ano passado. Houve também reduções nos roubos a transeuntes (-11,2%) e nos roubos e furtos de veículos (-9,8%).
Investimentos em Segurança Pública
O delegado-geral da Polícia Civil na Paraíba, André Rabelo, atribui a redução dos crimes patrimoniais aos investimentos em segurança pública. “Nos últimos anos, reformulamos a Delegacia Online e investimos no Plano de Transformação Digital da Polícia Civil, que hoje está toda digitalizada e informatizada, com as delegacias conectadas. Além disso, com a criação da Delegacia Especializada em Crimes Cibernéticos, preparamos delegados para atender a população local e remeter os casos à delegacia,” explicou Rabelo.
O número de mortes violentas registradas em 2023 foi o terceiro menor da série histórica iniciada em 2011. Rabelo destacou os investimentos na Delegacia de Homicídios e a nomeação de cerca de 500 servidores pelo governador João Azevêdo como fatores chave para a redução desses crimes. “Há uma política permanente de troca de informações com outros estados, investimento em inteligência e apoio à investigação de campo. Aumentando a elucidação dos casos, naturalmente se consegue mais condenações e diminuição dos crimes,” afirmou o delegado-geral.
Migração dos Crimes para os Meios Eletrônicos
A queda nos crimes contra o patrimônio também reflete uma tendência nacional de migração dos delitos para os meios eletrônicos. Conforme o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, essa migração é impulsionada pelo aumento do uso de tecnologias digitais para gerenciar aspectos da vida cotidiana e pela menor probabilidade de confrontos com a polícia em crimes eletrônicos.
“No caso dos estelionatos cometidos por meios eletrônicos, a situação muda completamente de figura. O criminoso não precisa estar presencialmente diante da vítima e usar armas ou organizar uma estrutura física para um eventual confronto com as forças de segurança. Ou seja, as tecnologias digitais servem de escudo para o criminoso que pode atuar deixando menos vestígios e com chances ínfimas de confronto,” conclui o documento.
Essa mudança no perfil dos crimes aponta para a necessidade de novas estratégias e tecnologias para combater fraudes eletrônicas e proteger os cidadãos no ambiente digital.
Comente aqui