A delegação ucraniana chegou à área na fronteira com Belarus para negociações com a Rússia, anunciou a Presidência ucraniana nesta segunda-feira (28) de manhã.
De acordo com um comunicado, a delegação inclui, entre outros, o ministro da Defesa, Oleksiy Reznikov, conselheiro do chefe do Gabinete do Presidente da Ucrânia, Mykhailo Podoliak, e o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Mykola Tochytskyi.
O presidente, Volodymyr Zelensky, não faz parte do grupo. Ele deu indicações de que não acredita que o encontro entre as comitivas pode ser frutífero: “Eu não acredito realmente no resultado desse encontro”, afirmou ele.
O país exigiu um “cessar-fogo imediato e a retirada das tropas russas”, disse um comunicado da presidência ucraniana.
A Rússia sofreu uma imensa derrota no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). O grupo aprovou uma sessão emergencial da Assembleia Geral da ONU para discutir a punição da Rússia e de seu presidente, Vladimir Putin.
A movimentação político-diplomática é uma represália após uma resolução que exigia a retirada imediata das tropas russas do território ucraniano ser vetada por causa de somente um voto contra, que veio justamente da Rússia.
A Assembleia Geral das Nações Unidas conta com 193 membros e não existe direito a veto. O encontrou foi marcado para esta segunda-feira (28).
Neste domingo (27), 11 países votaram a favor da sessão emergencial da Assembleia Geral da ONU, inclusive o Brasil. A Rússia foi contra e três não se manifestaram.
Após a aprovação, a embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Linda Thomas-Greenfield, fez um apelo para que a Rússia baixe o tom na retórica de guerra.
O líder máximo da Igreja Católico, Papa Francisco, esteve na embaixada russa em Santa Sé para pedir o fim da guerra, manifestando “sua preocupação” com a invasão da Rússia na Ucrânia.
De acordo com um porta-voz do Vaticano, o pontífice cancelou uma viagem a Florença, no centro da Itália, e apareceu com seu carro na sede diplomática, a poucos metros da Praça de São Pedro.
O Vatican News, página de notícias do Vaticano, informou que o Papa esteve no local por pouco mais de meia hora.
De acordo com a agência de notícias argentina Telam, que esteve no local, Francisco se encontrou com o embaixador Alexander Avdeev, tentando mediar a paz.
O líder católico já havia apresentado suas preocupações, pedindo aos fiéis que rezassem em favor do povo ucraniano.
O religioso também convocou líderes políticos a mostrar contenção e abster-se de fazer qualquer coisa que trouxesse mais sofrimento às pessoas ou viesse a desestabilizar a coexistência pacífica das nações.
Se os jogadores do Shakhtar Donetsk e sua famílias conseguiram pegar um trem rumo à Romênia, o atleta de futsal Matheus Ramires e outros brasileiros, que estavam no mesmo hotel, permanecem em Kiev, capital da Ucrânia. Ele diz que foi deixado para trás pelos outros atletas com quem dividiu um bunker por mais de 40 horas.
“Depois do almoço, a gente foi tomar um banho nos nossos quartos, porque estava mais calmo, falei com meus familiares e, quando voltei, os brasileiros do futebol já não estavam mais. Resolveram ir, e que bom que estão bem. Parece que estão no trem, estão com filhos, a gente sabe da situação deles e torce para que cheguem na divisa para que consigam entrar no país para que estão indo. Mas a gente tá aqui, continua no hotel e aguardando”, revelou em entrevista à Globo News.
Apesar de torcer para o sucesso dos colegas na saída do país, Ramires estranha a atitude. Ele participou do vídeo divulgado em redes sociais pelos jogadores no qual pedem ajuda à Embaixada Brasileira para deixar a Ucrânia após o início dos conflitos.
“A Embaixada manda diversas notícias a cada 10 ou 15 minutos. A gente está em um toque de recolher das 17h até a segunda-feira, que o presidente ucraniano decretou. A gente vinha conversando até pouco tempo, porque estava todo mundo junto no bunker do hotel. Quando a gente saiu para tomar o banho, simplesmente juntaram suas famílias. Não sei se receberam alguma notícia exclusiva, porque sabe que são pessoas famosas, e simplesmente foram embora. A gente fica feliz por eles, não tem problema nenhum, mas foi algo inexplicável”, avalia.
O presidente Jair Bolsonaro informou através das suas redes sociais que até o momento, cerca de 50 brasileiros já foram resgatados da Ucrânia e levados para países vizinhos, incluindo jornalistas, estudantes, empresários e atletas.
Ele também confirmou que colocou ministros, assessores e a diplomacia brasileira a serviço da evacuação de brasileiros por vias terrestres.
O chefe da nação informou também que disponibilizou duas aeronaves Embraer KC-390 Millenium, as maiores já produzidas no hemisfério Sul, para uma eventual missão de repatriação dos brasileiros que ainda estão em território ucraniano
“Mesmo diante de um cenário de tão difícil, reforçamos: ninguém será deixado para trás. Peço aos brasileiros em territórios conflagrados que mantenham-se firmes, sigam as diretrizes e nos reportem qualquer incidente. Sei das dificuldades, mas não pouparemos esforços para resolvê-las”, destacou o presidente.
O Itamaraty enviou uma missão para a fronteira da Romênia com a Ucrânia e tem coordenado a operação de evacuação de brasileiros por meio do contato direto com o chefe da estação central de trens de Kiev, com as autoridades migratórias e com as autoridades locais de Chernivtsi.
Por fim, o presidente Bolsonaro voltou a afirmar que ele e seu governo estão focados em garantir a segurança do Brasil, proteger os interesses do povo brasileiro, auxiliar os cidadãos brasileiros que se encontram nas regiões conflagradas e contribuir para uma resolução pacífica do conflito.
Sem intenções de recuar, o presidente russo, Vladimir Putin, determinou que as tropas militares façam “ofensivas em todas as direções”. Além disso, o governo aumentou em 50% a presença de soldados ao redor da Ucrânia. A ordem é intensificar a invasão.
As informações foram divulgadas pelo Kremlin, sede do governo russo, em um comunicado oficial neste sábado (26/2).
O Kremlin disse que Putin ordenou que as tropas não fossem adiante na sexta-feira (25/2), mas que voltaram a avançar neste sábado, depois de supostas negativas para uma negociação. O governo ucraniano nega.
Um bombardeio russo matou 19 civis e feriu 73 pessoas neste sábado, na região de Donetsk, no leste da Ucrânia, informou a agência de notícias Interfax.
“100 mil soldados”
A Ucrânia vive o terceiro dia de bombardeios e assiste à presença de militares russos aumentar em seu território. O encarregado de negócios da Embaixada da Ucrânia em Brasília, Anatoly Tkach, apresentou um balanço sobre os ataques. Agora, segundo ele, 100 mil soldados estão no país.
“As batalhas continuam em todo o território da Ucrânia”, destacou. Neste sábado (26/2), em pronunciamento em Brasília, ele fez alertas para a forte presença militar russa e o risco de um operação falsa.
Segundo Tkach, os serviços de inteligência detectaram o planejamento russo de realizar “ação de bandeira falsa”. A iniciativa acontece quando um exército se disfarça com uniformes e equipamentos de outro para realizar atentados. “Intenção de cometer atos desumanos”, ponderou.
O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, informou que “grupos sabotadores” estão ativos em Kiev. Ele anunciou que o sistema de metrô está servindo apenas como abrigo para os cidadãos e pontuou que os trens pararam de funcionar.
Dois aviões multimissão KC-390 Millenium foram colocados de prontidão para um possível transporte de brasileiros evacuados da Ucrânia. A informação foi confirmada na manhã de hoje (26) pela Força Aérea Brasileira (FAB).
“As aeronaves são do mesmo modelo utilizado em outras missões humanitárias internacionais: o transporte de donativos para as vítimas da explosão em Beirute, capital do Líbano, em 2020; e o apoio emergencial à tragédia causada pelo terremoto ocorrido em agosto de 2021 no Haiti”, diz publicação na conta da FAB no Twitter.
Ainda não foram divulgados pela FAB ou o Itamaraty detalhes sobre onde, quando ou como será feita a retirada dos brasileiros. Ontem (25), foi informado pela Embaixada do Brasil na Ucrânia o desembaraço de um trem para o transporte de cidadãos brasileiros e latino-americanos. O comboio deveria partir da capital Kiev com destino à cidade de Chernivtsi, a oeste do país, ainda na noite de sexta-feira.
Entre os brasileiros em Kiev estão dezenas de jogadores que atuam no futebol ucraniano. Em uma transmissão e em publicações pelo Instagram, a esposa do zagueiro Marlon Santos, Maria Paula Marinho, disse que eles foram avisados a ir do hotel até a estação de trem em pouco mais de meia hora.
Em nota, a embaixada alertou que a “situação de segurança e de disponibilidade de transporte na cidade é instável e sujeita a mudanças repentinas, de modo que não é possível garantir a partida ou lugares suficientes. Prioridade deverá ser dada a mulheres, crianças e idosos”.
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, anunciou, neste sábado (26/2), que ao menos 100 mil ucranianos já deixaram suas casas depois da invasão do país por tropas da Rússia.
Guterres ainda afirmou que equipes da ONU “estão aumentando a entrega de recursos para salvar vidas”.
Kiev, capital da Ucrânia, tem sido alvo de constantes bombardeios desde sexta. Durante a noite, confrontos já tinham sido registrados perto das estações de metrô de Berestiiska e Shulyavka.
Humanitarian needs in Ukraine are multiplying by the hour.
Civilians are dying. At least 100,000 Ukrainians have already reportedly fled their homes.@UN staff are scaling up the delivery of life-saving support. Their safety and freedom of movement must be guaranteed.
A Rússia e a Ucrânia vivem um embate por causa da possível adesão ucraniana à Otan, aliança militar liderada pelos Estados Unidos. Na prática, Moscou vê essa possível adesão como uma ameaça à sua segurança.
A batalha pelo controle de Kiev, capital da Ucrânia, se intensifica ao longo deste sábado (26). Os combates se espalham pelas ruas, e explosões e tiros foram ouvidos durante a madrugada, enquanto as tropas russas avançavam sobre a cidade.
De acordo o prefeito da capital Kiev, Vitaliy Klitschko, um prédio residencial de mais de 20 andares foi atingido por um míssil. As equipes de emergência se dirigiram ao local. Não há informações de vítimas .
Equipes da CNN norte-americana na capital ucraniana relatam fortes explosões a oeste e sul de Kiev na manhã deste sábado. O céu, ainda escuro, iluminou-se com uma série de clarões no horizonte.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse neste sábado que a capital Kiev está sob controle da Ucrânia. “Nós resistimos e estamos repelindo com sucesso os ataques inimigos. A luta continua”, disse ele em uma mensagem pelas redes sociais.
De acordo com o governo ucraniano, um tanque e aeronaves do exército russo foram destruídas no combate desta madrugada. O Estado-maior das forças armadas informou que havia também ataques em outras cidades.
O Ministério da Defesa da Rússia disse que lançou ataques com mísseis de cruzeiro durante a noite contra alvos na Ucrânia, mas afirmou que visava exclusivamente a infraestrutura militar.
O ministério russo também afirmou que unidades das forças armadas russas assumiram o controle da cidade de Melitopol, no sudeste da Ucrânia.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, recusou a oferta do governo dos Estados Unidos para retirá-lo do país. “Preciso de armas, não de carona”, teria dito Zelensky, segundo a Associated Press.
A retirada do presidente ucraniano do país teria como objetivo evitar que ele seja morto por militares russos, em pleno ataque para tomar a cidade desde sexta-feira (25/2).
Zelensky, porém, prefere continuar no cargo por enquanto, apesar do risco de vida. “De acordo com as informações que temos, o inimigo me fez o alvo número um, e minha família, o alvo número dois. Eles querem destruir a Ucrânia politicamente destruindo o chefe do Estado”, afirmou o presidente.
Informações do Washington Post levam a crer que os alertas estadunidenses sobre a segurança pessoal do líder ucraniano têm sido frequentes. Oficiais norte-americanos estariam aconselhando o presidente com dicas de proteção, como locais seguros para exercer o mandato presidencial.
Comente aqui