Brasil

Brasil volta a ter maior juro real do mundo mesmo com queda da Selic

Carlos Thadeu | A responsabilidade do Banco CentralFoto: Sérgio Lima/Poder360

O Brasil voltou a ter os maiores juros reais do mundo em novembro, com 6,9% ao ano. A projeção é “ex-ante”, quando os juros anualizados são estimados com base nas projeções da taxa básica de juros, Selic, e a inflação estimada para os próximos 12 meses.

O patamar elevado se dá mesmo depois de o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) promover na quarta-feira (1º.nov.2023) um novo corte de 0,5 ponto percentual da Selic, atualmente em 12,25%. Os dados são do economista Jason Vieira, da consultoria MoneYou.

O país passou o México, que aparece em 2º, com 6,89%. A Colômbia atingiu 5,48% e ocupa a 3ª posição.

Economias robustas, como a Rússia (3,69%) e os Estados Unidos (1,62%), surgem em 7º e 13º lugares, respectivamente.

A Argentina, por sua vez, é a 40ª colocada, com juros reais negativos (-10,87%). O país sul-americano sofre com inflação elevada: o percentual foi a 138,3% em setembro.

O aumento foi de 13,9 pontos percentuais em relação aos 124,4% registrados em agosto.

Eis o ranking de juros reais abaixo:

Poder360

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Brasil

(VÍDEO) GAFE: Ludmilla esquece letra do hino nacional no GP de São Paulo de Fórmula 1

A cantora Ludmilla esqueceu parte do hino nacional durante apresentação na abertura no GP (Grande Prêmio do Brasil) de Fórmula 1, realizado neste domingo (5), em São Paulo.

Ludmilla iniciou a sua interpretação corretamente, cantando: “ouviram do Ipiranga as margens plácidas”. Já na 2ª estrofe, a cantora esquece a letra do hino.

Ela só retoma a apresentação na 6ª estrofe do hino: “conseguimos conquistar com braço forte”. A interpretação foi apenas da 1ª parte do hino nacional.

Ludmilla usou as redes para contar que uma falha técnica atrapalhou o início da sua apresentação. Sim. Um problema no som teria sido o “culpado” pela interrupção na letra, e não, como acusaram alguns internautas, erro da cantora por não saber alguns versos do hino.

“Gente, foi emocionante! Foi muito f**a, só teve uma falha no som no início. Mas a gente tirou de letra, foi top. Obrigado a todo mundo que torceu”, disse Ludmilla, que foi acompanhada de Miguel Vicente no cavaquinho na apresentação.

Com informações de Poder 360 e Folha de S. Paulo

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Brasil

Lula desconversa sobre meta de déficit zero em 2024: “Me pergunta na segunda-feira”


Foto: Hugo Barreto/Metrópoles

Cerca de 10 dias depois de ter colocado em dúvida a capacidade do governo de cumprir a meta de zerar o déficit primário em 2024, como determina o novo Marco Fiscal aprovado pelo Congresso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi novamente questionado sobre o assunto.

Neste domingo (5/11), ao visitar a sede do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em Brasília, no primeiro dia de aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), Lula foi indagado por repórteres se o governo mudaria a meta fiscal. E saiu pela tangente.

“(Sobre) A meta fiscal, você me pergunta segunda-feira. Hoje é dia de Enem”, desconversou o presidente da República.

Em café da manhã com jornalistas, no fim de outubro, Lula admitiu que “dificilmente” o seu governo cumprirá a meta de déficit zero no ano que vem.

Desde que afirmou que o governo, provavelmente, não zeraria o déficit no ano que vem, Lula se tornou alvo de críticas do mercado, que interpretou as declarações como uma indicação de que o Executivo pretende alterar a meta defendida pela equipe econômica, liderada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

 

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Brasil

Lula recebeu só 6% do número de deputados e senadores que Bolsonaro teve agenda no 1º ano de governo

Foto: Wilton Junior/Estadão

No começo do seu terceiro mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deixou de priorizar o contato direto com deputados e senadores, transferindo essa responsabilidade para seus ministros. O pouco contato de Lula com congressistas fica evidente na comparação com o antecessor, Jair Bolsonaro (PL): o petista esteve com deputados apenas 13 vezes do início do governo até meados de outubro. Senadores foram recebidos apenas 8 vezes, segundo a agenda pública do presidente da República, o que totaliza 21 agendas com parlamentares. Já Bolsonaro recebeu deputados em 259 ocasiões e senadores estiveram reunidos com ele em 90 oportunidades, somando 349 agendas.

É possível contar nos dedos das mãos os congressistas recebidos por Lula até agora, e que constam na agenda oficial. A prioridade é para os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG); além de nomes do próprio PT, como os deputados José Guimarães (CE) e Gleisi Hoffmann (PR) e o senador Jaques Wagner (BA). Com exceção deste quinteto, Lula só esteve com outros três integrantes do Legislativo.

Assim como Lula, Bolsonaro também priorizou congressistas próximos, como os ex-deputados Major Vitor Hugo (PSL-GO), então líder do governo na Câmara; e Joice Hasselmann, então líder no Congresso. Os filhos Eduardo e Flávio, com mandatos na Câmara e no Senado, foram recebidos 13 e 25 vezes, respectivamente. No entanto, a agenda mostra também vários encontros com líderes partidários.

O levantamento do Estadão usou dados organizados pela ferramenta Agenda Transparente da organização Fiquem Sabendo (FS). A FS é uma organização especializada no acesso a informações públicas. O levantamento diz respeito às agendas ocorridas até o dia 11 de outubro, última data disponível nos dados.

Procurada, a Presidência da República disse que Lula tem mantido “diálogo regular” com os congressistas durante reuniões, viagens e agendas públicas das quais os políticos participam. Na terça (31), o petista recebeu líderes das bancadas da Câmara para instalar um “conselho político da coalizão” – um encontro similar com os chefes das bancadas do Senado está previsto para esta semana, segundo a Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência.

Nos últimos dias, o presidente vem dizendo a aliados que pretende participar mais ativamente da articulação política de seu governo. Lula quer se encontrar mais com políticos quando estiver totalmente recuperado da cirurgia recente no quadril e nas pálpebras, ocorrida no fim de setembro.

A articulação política no Planalto enfrenta uma fase ruim, especialmente no Senado. Na semana passada, a Casa rejeitou o nome do advogado Igor Roque, escolhido por Lula para comandar a Defensoria Pública da União (DPU), órgão que presta assessoria jurídica a brasileiros pobres. No plenário do Senado, Roque recebeu 38 votos contrários – o que indica que até mesmo senadores aliados ao Planalto votaram contra a indicação dele.

Estadão Conteúdo

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Brasil

Em dez meses, Lula visitou mais países do que estados brasileiros

Em 5 meses, governo Lula gasta R$ 24 milhões em viagens internacionais |  VEJAFoto: Reprodução

Em Brasília, as pendências do governo Lula ganharam uma máxima temporal: elas serão resolvidas quando o presidente retornar do exterior. A efeméride foi repetida por ministros e auxiliares diretos do Planalto para justificar a demora em temas que dependem de uma definição do chefe da República.

A explicação tem razão de ser. Em dez meses de governo, o petista fez 25 viagens internacionais, cruzando 21 países espalhados em quatro continentes, conforme mostra reportagem de VEJA desta edição.

O giro ao redor do mundo supera as viagens dentro do Brasil. O presidente da República esteve em 15 estados, além do Distrito Federal, desde que assumiu o terceiro mandato.

O roteiro doméstico de Lula, em geral, é pontual e dura apenas algumas horas – bem diferente das viagens internacionais, quando o presidente permanece por um período mais prolongado nos países.

Pesquisas revelam, no entanto, que a população não vê o giro internacional com bons olhos e avalia que as viagens são excessivas e pouco agregam ao país. Em suas últimas declarações, e sentindo o efeito negativo, o presidente prometeu aumentar, no próximo ano, sua presença em solo nacional e focar as atenções no país.

VEJA

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Brasil

VÍDEO: Família escapa por segundos de ser atingida por estrutura que desabou em shopping de São Paulo durante temporal

Livramento! Um vídeo que circula nas redes sociais, mostra o momento em que uma família escapa, por um fio, de ser atingida pela estrutura de um shopping em São Paulo, que desabou após um temporal nessa sexta-feira.

Cerca de 15 minutos de chuva intensa e ventos de 100 km/h provocaram diversos estragos em todo o estado de São Paulo na sexta-feira (3). Ao menos seis pessoas morreram em decorrência da tempestade. Além da falta de energia elétrica e de água, moradores de diversas regiões relatam falta de sinal de internet e de celular, mais de de 21 horas após a chuva.

Com informações de Metrópoles e O Tempo

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Brasil

Em uma década, indústria brasileira acumula retração de 18%, enquanto produção mundial avançou 29% no período

Foto: CNI/José Paulo Lacerda

De 2002, quando teve início a série, a 2011, a indústria brasileira acompanhou a média mundial. Depois, a distância foi se ampliando, ano a ano, até chegar ao seu pior momento agora.

Os números são resultado de um cruzamento entre dados do IBGE e da consultoria econômica da holandesa CPB (Netherlands Bureau for Economic Policy Analysis).

Na equipe econômica e no próprio setor, o entendimento é que o quadro não será revertido com medidas pontuais de incentivo — embora elas tragam fôlego de curto prazo — ou programas direcionados. É preciso atacar as causas do chamado Custo Brasil, que representam um combo de problemas: impostos elevados, crédito caro, mão de obra com baixa qualificação e infraestrutura ineficiente.

Indústria brasileira se afasta do mundo — Foto: Editoria de Arte

Segundo o gerente-executivo de Economia da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Mario Sérgio Carraro Telles, a principal aposta é a aprovação no Congresso da Reforma Tributária, que pode reduzir fortemente os gastos com impostos para o setor:

— A indústria tem alta tributação no Brasil, e até mesmo um produto brasileiro exportado carrega cerca de 7,4% de resíduo tributário. Ou seja, o preço do nosso produto é mais alto do que o dos concorrentes por impostos pagos na cadeia e que não são recuperados.

Segundo o executivo, a mudança no quadro teve início em meados dos anos 2000, quando a China deu início ao seu processo acelerado de industrialização. Ao mesmo tempo em que a competição internacional ficou mais acirrada, o setor no Brasil não conseguiu aumentar a produtividade.

— De julho de 2006 a dezembro de 2022, as vendas no varejo cresceram em volume 77,6%. Nesse mesmo período, a produção física da indústria de transformação no Brasil caiu 5,7%. A demanda existe, mas a indústria local não consegue atender — diz Telles.

Ele lembra que, em 1995, a China era responsável por 5,7% do PIB da indústria de transformação mundial. Em 2005, passou para 12,6% e saltou para 30,9% em 2022. A tendência é a mesma quando se olha para as exportações: os chineses eram 3,3% em 1995, saltaram para 8,6% em 2005 e chegaram a 18,4% em 2021.

O Globo

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Brasil

Após prometer mais transparência, Lula nega acessos à informação; veja dados sob sigilo

Foto: Brenno Carvalho

Eleito com a promessa de que daria mais transparência ao governo federal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva registra em sua gestão índice próximo ao de Jair Bolsonaro. Dados do Painel Lei de Acesso à Informação (LAI), que compila estatísticas de respostas dadas pelo Executivo, aponta que 7,85% dos 114.237 pedidos recebidos de janeiro até o dia 1º de novembro foram negados. No mesmo período de 2019, primeiro ano de Bolsonaro, as negativas foram 8,21% de 110.262 requisições.

Nos dois governos, a principal justificativa para negar a divulgação das informações é a alegação de se tratar de “dados pessoais”. No caso da gestão de Lula, o argumento aparece em 0,95% de todas as respostas a pedidos de LAI, enquanto nas de Bolsonaro somavam 1,28%. A legislação prevê sigilo de até cem anos para o que for relacionado “à intimidade, vida privada, honra e imagem”.

Entre as informações guardadas a sete chaves pelos dois governos está o rol de visitantes das primeiras-damas no Palácio da Alvorada. O entendimento da gestão Bolsonaro aos pedidos relacionados a Michelle Bolsonaro era o de que essas informações são de cunho pessoal, a mesma interpretação adotada pela do petista para não dizer quem é recebido por Rosângela da Silva, a Janja.

O argumento aparece em uma resposta da Casa Civil de Lula a um pedido do jornal O Globo sobre as visitas a Janja. “São informações que devem ser protegidas por revelarem aspectos da intimidade e vida privada das autoridades públicas e de seus familiares”, informou a pasta.

A lista de informações negadas pelo atual governo também inclui gastos com o helicóptero presidencial, com comida no Alvorada e o acesso dos filhos do presidente ao Palácio do Planalto.

Pedidos de informação nos primeiros dez meses dos governos Lula e Bolsonaro — Foto: Editoria de Arte

Imagens do 8 de janeiro

Em pelo menos duas ocasiões, o governo Lula voltou atrás após inicialmente negar informações solicitadas com base na LAI. Em janeiro, a Presidência se recusou a divulgar imagens das câmeras de segurança do Palácio do Planalto que mostravam a movimentação dos ataques do dia 8. As gravações foram disponibilizadas apenas após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O governo também negou em um primeiro momento a lista dos convidados para a posse de Lula no Itamaraty, divulgada apenas depois da repercussão negativa da decisão.

Na campanha eleitoral, em debate com o ex-presidente, Lula afirmou que, caso fosse eleito, iria revelar porque o adversário “esconde tanta coisa”:

— Vou pegar seu sigilo e vou botar o povo brasileiro para saber por que você esconde tanta coisa. Afinal de contas, se é bom, não precisa esconder.

No início de seu terceiro mandato, Lula determinou a reavaliação pela Controladoria-Geral da União (CGU) dos sigilos impostos por Bolsonaro. No documento, o presidente afirma que as decisões “desrespeitaram o direito de acesso à informação, banalizaram o sigilo no Brasil e caracterizaram claro retrocesso à política de transparência pública até então implementada”.

Visitantes no Palácio da Alvorada

Assim como a gestão Bolsonaro, a de Lula não revela o rol de visitantes das primeiras-damas no Palácio da Alvorada, alegando serem de cunho pessoal

O governo atual negou informações sobre os gastos com o helicóptero presidencial e com comida no Palácio da Alvorada

A gestão Lula não revela dados sobre o acesso dos filhos do presidente ao Palácio do Planalto. No governo Bolsonaro, essa informação foi posta em sigilo por cem anos.

Em janeiro, a Presidência se recusou a divulgar imagens das câmeras de segurança do Planalto que mostravam a invasão golpista. As gravações foram disponibilizadas apenas após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

O governo também negou em um primeiro momento a lista dos convidados para a posse de Lula no Itamaraty, divulgada apenas depois da repercussão negativa da decisão.

O Globo

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Brasil

Dino diz não ver risco de ter nome vetado ao STF pelo Senado

O que diz Flávio Dino sobre a possibilidade de ser ministro do STF –  CartaExpressa – CartaCapital

Foto: Sérgio Lima/Poder360

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino (PSB), falou sobre a possibilidade de ser escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para ocupar a cadeira de Rosa Weber no STF (Supremo Tribunal Federal).

Em entrevista ao portal Brasil 247, nesta sexta-feira (3.nov.2023), Dino disse que apoiará e defenderá qualquer nome escolhido por Lula para a Corte e que não vê risco de ter seu nome vetado pelo Senado, caso seja a opção do presidente.

“Acho que o clima no Senado é respeitoso. Eu realmente nunca contei votos para uma questão que não está posta, mas eu sou senador, então tenho uma relação frequente com os colegas do Senado. Imagino que qualquer que seja a indicação do presidente Lula, ela será viável”, declarou.

Poder360

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Brasil

O Lula de 2023 tem muito a aprender com o Lula de 2003

Reprodução

Era previsível — e foi previsto aqui mesmo no GLOBO, entre tantos outros lugares — que as metas traçadas pelo governo na apresentação do novo arcabouço fiscal se revelariam impraticáveis. Cumpri-las dependeria daquilo que infelizmente se tornou anátema nas rodas políticas de Brasília: cortar gastos. Mesmo assim, elas foram reiteradas repetidas vezes pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad — em particular o compromisso de zerar o déficit em 2024, enviado pelo Executivo ao Congresso na Lei de Diretrizes Orçamentárias. Todos confiaram que, depois do descontrole orçamentário promovido pela PEC da Transição, haveria ao menos grande esforço para reequilibrar as contas públicas. Intenções contam.

Até que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva torpedeou a meta do ano que vem no final de um café da manhã com jornalistas: “Eu sei da disposição do Haddad, sei da vontade do Haddad, sei da minha disposição. (…) [Mas] nós dificilmente chegaremos à meta zero. (…) Se o Brasil tiver um déficit de 0,5%, o que é? De 0,25%, o que é? Nada. Absolutamente nada. Vamos tomar a decisão correta e vamos fazer aquilo que vai ser melhor para o Brasil”. Desde então, o governo se engalfinha em torno do novo compromisso que apresentará à sociedade.

Metas fiscais estão longe de ser “absolutamente nada”, como quer Lula. É por meio delas que o governo informa à sociedade e ao mercado como lidará com as finanças do Estado. Pelos cálculos do Tesouro Nacional, equilibrar as contas no ano que vem significaria que a dívida pública voltaria a cair em 2025, depois de alcançar 76% do PIB (ela era de 51% em 2013, atingiu o pico de 87% em 2020 e voltará a subir neste ano).

Se um país gasta mais do que arrecada, sem a perspectiva de equilíbrio, o governo semeia desconfiança na própria solvência, principal pilar da estabilidade monetária. Com menos confiança, o Estado precisa pagar juros mais altos a quem lhe empresta dinheiro, alimentando ainda mais a dívida. A alternativa é a incúria fiscal com inflação galopante, como ocorre na Venezuela, na Argentina e, antes do Plano Real, ocorria no Brasil. Quem paga o maior preço em ambos os casos — juros mais altos ou mais inflação — são os mais pobres. Eles é que mais sofrem com a retração da economia trazida pela necessidade do governo de pagar mais pelos empréstimos que contrai. Eles é que mais sofrem com o descontrole dos preços por não disporem de meios de preservar o poder de compra do pouco que ganham.

Essa é a realidade. E Lula deveria conhecê-la perfeitamente. Pelo menos a conhecia em 2003, quando assumiu seu primeiro mandato. A confiança depositada pelos agentes econômicos em um novo governo Lula durante a campanha do ano passado derivou em boa parte da experiência e da memória daquele presidente que, na campanha de 2002, assinou a Carta ao Povo Brasileiro afirmando: “Vamos preservar o superávit primário quanto for necessário para impedir que a dívida interna aumente e destrua a confiança na capacidade do governo de honrar os seus compromissos”. Simples, cristalino — e sensato.

 

Não ficou nas palavras. Ao assumir em 2003, Lula imediatamente elevou a meta de superávit primário de 3,75% para 4,25% do PIB. No final daquele ano, o resultado foi de 2,3%, acima dos 2,2% alcançados em 2002 e de toda a série histórica até então. No ano seguinte, o governo Lula alcançou 2,7%, recorde até hoje. A inflação, que vinha subindo e chegara a 12,5% em 2002, foi derrubada a 5,7% em 2005, graças a juros catapultados a 26,5% no início do governo. Tudo isso com Antonio Palocci no Ministério da Fazenda e Henrique Meirelles no Banco Central, sob as bênçãos de Lula. A busca pelo equilíbrio fiscal em nada impediu o governo de promover programas sociais importantes: Bolsa Família, Prouni, cotas raciais, Luz para Todos, só para citar alguns.

 

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O Globo

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