Brasil

Oposição aciona Justiça contra propaganda do governo para PEC da escala 6×1

Foto: Ricardo Stuckert

A oposição acionou a Justiça para tentar frear a propaganda do governo acerca da PEC da mudança da escala 6×1, uma das principais apostas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para se reeleger.

Uma ação popular protocolada na sexta-feira (8) aponta que o governo gastou R$ 1,5 milhão para impulsionar a PEC 6×1 nas redes sociais e pede que seja determinada a imediata suspensão das campanhas publicitárias sobre a proposta.

A ação popular aponta “utilização reiterada e irregular dos meios de comunicação institucionais disponíveis ao presidente da República, com desvio de finalidade dos recursos públicos para promoção pessoal e com fim eleitoral”.

Nela, o deputado federal de oposição Carlos Jordy (PL-RJ) afirma que isso tem sido feito tanto por meio de pronunciamentos oficiais em cadeia de rádio e televisão custeados com recursos públicos como com campanha de publicidade institucional paga nas redes sociais (Meta/Facebook/Instagram), também financiada com recursos públicos.

A ação foi feita pelo parlamentar e elaborada pela advogada Maria Claudia Buchianneri, que coordena o jurídico da campanha do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro.

Eles apontam ainda desvios de finalidade em recentes pronunciamentos em cadeia nacional de rádio e televisão do presidente Lula.

“Ao longo do pronunciamento, para além do núcleo temático que inicialmente foi usado de pretexto para a convocação da cadeia nacional, o réu enumerou uma série de programas governamentais e políticas públicas de caráter geral, passando a listar e a promover, de forma exaustiva, marcas de sua gestão como o Bolsa Família, o Farmácia Popular, o Minha Casa, Minha Vida, além de programas como o Pé-de-Meia, o Gás do Povo e o Luz do Povo, com evidente ampliação indevida do escopo do pronunciamento e para fins de claríssima promoção pessoal”, diz a ação sobre o recente pronunciamento em razão do Dia da Mulher.

Ao final, pede a expedição de ordem judicial determinando a imediata suspensão das campanhas publicitárias destinadas à promoção da proposta de fim da escala de trabalho 6×1 nas plataformas digitais enquanto a matéria não for aprovada definitivamente pelo Poder Legislativo, sob pena de multa diária; a anulação dos atos administrativos que autorizaram a veiculação de publicidades institucionais e dos pronunciamentos em cadeia nacional; além da restituição dos valores pagos.

A ação diz que um levantamento feito a partir da Biblioteca de Anúncios da Meta (Meta Ad Library) “aponta que o Governo Federal gastou ao menos R$ 1,5 milhão para promover publicações favoráveis ao fim da escala 6×1 em 2026” e que “a maior parte do valor – R$ 881 mil – foi gasta entre 15 e 18 de abril de 2026, mesmo período da votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, o que evidencia o uso político e estratégico dos recursos públicos”.

De acordo com a ação, “o investimento focou em cinco publicações específicas, direcionadas a usuários de 18 a 44 anos em estados como São Paulo, Bahia e Minas Gerais — perfil típico de segmentação político-eleitoral —, com evidente finalidade de construir pressão popular sobre o Legislativo e projetar a imagem do Governo Federal na antecipação da disputa eleitoral de 2026”.

A CNN procurou o ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Sidônio Palmeira, e aguarda uma posição.

CNN

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Brasil

ANÁLISE: Moraes ignorou o direito, sustou a Constituição e aboliu o parlamento

Foto: Rosinei Coutinho STF

Estranha democracia, a brasileira, onde um único juiz, o ministro Alexandre de Moraes, pode suspender monocraticamente a aplicação de uma lei aprovada pelo Congresso, no caso específico a da Dosimetria.

A questão é que o Congresso aprovou a lei, a Associação Brasileira de Imprensa e o PSol (não são a mesma coisa?) entraram previsivelmente com Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) para derrubá-la no tapetão do STF — e Moraes tomou uma decisão fora das regras do jogo.

O pretexto foi uma ação impetrada por uma condenada em 8 de janeiro, que pede a aplicação da Lei da Dosimetria para reduzir a sua pena. O ministro argumentou que não poderia julgar pedidos como o dela, enquanto estiverem tramitando ADIs que põem em dúvida a validade da legislação aprovada pelo Congresso.

Ele poderia ter ficado nisso, mas não: deu uma caneta e suspendeu a aplicação da lei em casos relativos ao 8 de janeiro.

Não sou advogado (ainda os há ou existem apenas “juristas” no Brasil?), mas sei que direito é forma. É a forma concertada, cristalizada, aplicada no dia a dia, incansavelmente, nas petições, nos prazos, nos acórdãos, nos instrumentos recursais, que diferencia o direito daquilo que não tem forma ao adquirir qualquer uma: a vingança.

Diversos advogados estão estupefatos com a profanação da forma do direito, mais uma perpetrada desde há quase quatro anos, na suspensão da aplicação da Lei da Dosimetria.

Moraes não suspendeu a lei no âmbito das ADIs das quais foi sorteado relator, em outro sorteio de resultado curioso no STF. Mesmo que o tivesse feito, a decisão monocrática teria de ser chancelada imediatamente por seus pares, porque só o tribunal poderia manter medida cautelar tão drástica, segundo a previsão legal.

O ministro tirou do ar a aplicação da Lei da Dosimetria como relator de um processo de execução penal — o que só não é completo absurdo no país que anda normalizando absurdos completos. Como escreveu o professor de processo penal Rodrigo Chemim, do Paraná:

A aplicação foi suspensa sem que a lei tenha sido declarada inconstitucional e em relação a apenas alguns cidadãos, certamente considerados de segunda categoria.

Como explica Chemim, “continua formalmente válida para todos, mas deixa de valer naquele caso porque assim decidiu individualmente o relator. Se normalizarmos isso, a segurança jurídica deixa de depender da Constituição, da lei e dos procedimentos de controle, para depender da vontade decisória de quem julga. E, nesse cenário, a jurisdição constitucional deixa de funcionar como garantia democrática e passa a operar como instrumento de exceção”.

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Brasil

PESQUISA FUTURA/APEX: 57% dos brasileiros são favoráveis a impeachment de ministro do STF

Foto: Luiz Silveira/STF

Pesquisa Futura/Apex divulgada nesta segunda-feira (11) mostra que 57% dos brasileiros são favoráveis ao impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

Por outro lado, 27,2% da população é contra essa medida. São 15,9% os que não sabem ou não responderam.

No último levantamento, divulgado em abril, eram 55,4% os que se diziam a favor do tema, enquanto 32,1% se consideravam contra e 12,5% não sabiam ou não responderam.

O número de pedidos tem aumentado nos últimos anos. Alexandre de Moraes é o magistrado que acumula mais pedidos de afastamento. São 45 no total.

A Futura/Apex entrevistou 2.000 eleitores, entre os dias 4 e 8 de maio, por meio de entrevista por telefone. A margem de erro do levantamento é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%. A pesquisa foi realizada com recursos do próprio instituto está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo BR-03678/2026.

CNN Brasil

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Brasil

PESQUISA FUTURA/APEX: 45,7% avaliam Lula como ruim ou péssimo; 37,5%, ótimo ou bom

Foto: Ricardo Stuckert/PR

Pesquisa Futura/Apex divulgada nesta segunda-feira (11) aponta que 45,7% dos brasileiros consideram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ruim ou péssimo. Ao mesmo tempo, por outro lado, 37,5% avaliam o chefe do Planalto como ótimo ou bom.

Ainda segundo o levantamento de hoje, 15,6% qualificam o petista como regular. Já 1,2% não souberam ou não responderam.

O levantamento foi realizado pela Futura/Apex de 4 a 8 de maio de 2026. Foram entrevistadas 2.000 pessoas com 16 anos ou mais no Brasil. O intervalo de confiança é de 95%. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O levantamento está registrado no TSE sob o código: BR-03678/2026.

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Brasil

Lula veta projeto que reconhecia estágio como experiência profissional

Foto: Reuters

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vetou integralmente o PL (projeto de lei) nº 2.762, de 2019, que “altera a Lei nº 11.788, de 25 de setembro de 2008, para considerar como experiência profissional o estágio realizado pelo estudante”.

A decisão do presidente foi publicada no DOU (Diário Oficial da União) desta segunda-feira (11).

O veto teve parecer favorável do Ministério da Educação, do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos e da Advocacia-Geral da União.

Segundo o texto publicado no DOU, o governo também considerou a proposta inconstitucional por atribuir genericamente ao Poder Público a regulamentação da medida, o que, na avaliação do Executivo, violaria a autonomia dos entes federativos e a independência entre os Poderes, previstas na Constituição.

O projeto alterava a Lei do Estágio, de 2008, para reconhecer formalmente a atividade exercida por estudantes como experiência profissional. A proposta foi aprovada no Senado Federal em abril.

O texto determinava que o poder público regulamentasse as situações em que o estágio seria utilizado para fins de pontuação ou comprovação em concursos públicos. O objetivo, segundo o autor, o deputado Flávio Nogueira (PT-PI), era facilitar o acesso ao primeiro emprego, especialmente entre os jovens.

CNN

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Brasil

Ancelotti envia lista com 55 pré-convocados da Seleção para a Copa do Mundo

O técnico Carlo Ancelotti envia, nesta segunda-feira (11), a lista preliminar da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2026. A chamada “lista larga” enviada para a FIFA, contará com 55 jogadores e servirá como base para a convocação definitiva do Mundial.

A relação será mantida em sigilo pela CBF e pela Fifa. Nem os atletas, nem os clubes serão oficialmente comunicados sobre os nomes incluídos até a divulgação da lista final.

O anúncio oficial dos 26 convocados acontecerá no próximo dia 18 de maio, às 17h, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.

Entre os nomes cotados para integrar a relação preliminar está o zagueiro Thiago Silva, de 41 anos. Outra presença esperada na lista é a do atacante Estêvão, atualmente no Chelsea. O jogador trata uma lesão na coxa e tenta acelerar a recuperação para ter condições de disputar o Mundial.

Neymar ainda busca recuperação completa
O atacante Neymar também deve integrar a pré-lista da Seleção Brasileira. Sem atuar pelo Brasil desde 2023, o camisa 10 do Santos depende de evolução física para confirmar presença na convocação final de Ancelotti.

 

BG com Jornal do Commércio

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(FOTOS): Circo do Tirulipa fica parcialmente destruído após incêndio de grandes proporções em Natal

Uma perícia vai apurar as causas do incêndio que atingiu parte da estrutura do Circo do Tirulipa na madrugada desta segunda-feira (11), na área externa da Casa de Apostas Arena das Dunas, em Natal. O fogo destruiu áreas da recepção e do picadeiro do espaço, mas não houve registro de feridos.

Segundo o Corpo de Bombeiros, o chamado para a ocorrência foi registrado por volta das 4h36 da manhã. Em menos de cinco minutos, a primeira equipe chegou ao local para iniciar o combate às chamas.

Ao chegarem à estrutura do circo, os bombeiros encontraram fogo atingindo parte da área principal do espaço. Equipes realizaram buscas no interior da estrutura para verificar a possível existência de vítimas, mas ninguém ficou ferido.

Estrutura antes do incêndio. Foto: Divulgação/Circo do Tiru

Para reforçar a operação, outras duas viaturas foram acionadas, sendo uma da Zona Norte de Natal e outra do município de Parnamirim, na Região Metropolitana.

De acordo com o CBMRN, o incêndio foi controlado após cerca de uma hora entre combate direto ao fogo e trabalho de rescaldo. A área permaneceu isolada após a ocorrência para permitir avaliações técnicas e garantir a segurança no local.

Foto: Reprodução

A concessionária de energia elétrica também foi acionada para avaliar os geradores instalados na estrutura. Após vistoria, segundo os bombeiros, os equipamentos estavam desligados e não apresentavam riscos adicionais à operação.

As causas do incêndio seguem desconhecidas e deverão ser apuradas pela perícia e pelos órgãos competentes. A Defesa Civil e outros setores responsáveis também devem realizar avaliações estruturais da área atingida.

Blog do BG

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Brasil

Apreensão de criptomoedas pela PF dispara, mas uso criminoso já alcança valores bilionários

Foto: iStock/ gopixa

A Polícia Federal apreendeu R$ 71 milhões em criptomoedas ligadas a crimes em 2025, maior valor da série histórica e mais de seis vezes acima do registrado em 2024.

Os criptoativos foram encontrados em investigações sobre tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, ataques hackers, crimes cibernéticos e organizações criminosas.

Em um dos casos, hackers desviaram R$ 1,5 bilhão em ataques contra a estrutura do Pix. Em outra investigação, um esquema de lavagem movimentou R$ 12,2 bilhões entre 2017 e 2020.

Segundo a empresa Chainalysis, carteiras digitais ligadas a atividades ilegais receberam US$ 154 bilhões (R$ 755 bilhões) em 2025 no mundo. No Brasil, as operações com criptomoedas declaradas à Receita Federal somaram mais de R$ 505 bilhões no ano passado.

Especialistas afirmam que criminosos usam criptomoedas para ocultar dinheiro e enviar recursos ao exterior com rapidez e menos rastreamento. A stablecoin USDT, atrelada ao dólar, já representa cerca de dois terços das operações no país.

A PF afirma que o aumento das apreensões também reflete a maior especialização das polícias em investigações digitais e rastreamento de criptoativos.

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IPSOS/IPEC: Um em cada cinco eleitores brasileiros já foi alvo de tentativa de compra de voto


Foto: Edilson Rodrigues / Agência Senad

Pesquisa da Ipsos-Ipec mostra que 22% dos brasileiros afirmam já ter recebido oferta para vender o voto em algum período eleitoral. O levantamento foi encomendado pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral.

Segundo a pesquisa, vereadores aparecem como os principais responsáveis pelas abordagens, citados por 59% dos entrevistados que relataram tentativa de compra de votos. Prefeitos foram mencionados por 43%.

O estudo também aponta que a prática é percebida como frequente por grande parte da população. Para 39% dos entrevistados, a compra de votos acontece “sempre” em suas cidades. Outros 30% afirmam que ocorre “frequentemente” ou “às vezes”.

Além da oferta direta de dinheiro, especialistas alertam que favores como consultas médicas, acesso facilitado a benefícios sociais, festas e distribuição de alimentos também podem configurar compra de votos, embora muitos eleitores não reconheçam essas práticas como crime.

O Nordeste apresentou o maior índice de pessoas que disseram já ter recebido propostas para vender o voto, com 32%, acima da média nacional.

A pesquisa revelou ainda que a maioria da população não sabe como denunciar o crime. Cerca de 62% afirmaram desconhecer os canais de denúncia, enquanto 52% disseram não se sentir seguros para relatar os casos às autoridades.

A compra de votos, chamada legalmente de “captação ilícita de sufrágio”, pode levar a pena de até quatro anos de prisão. As denúncias podem ser feitas por meio do aplicativo Pardal, da Justiça Eleitoral, além de delegacias e Ministérios Públicos.

A pesquisa foi feita pelo Ipsos-Ipec entre 4 e 8 de dezembro do ano passado, com 2000 entrevistas em 131 municípios. O nível de confiança utilizado é de 95%. A margem de erro para as perguntas que englobam toda a amostra é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

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Brasil

PF aponta ligação entre triplex de R$ 22 milhões de Ciro Nogueira e “emenda Master”

1 de 1 Triplex de Ciro Nogueira – Foto: Arte/Metrópoles

O senador Ciro Nogueira (PP-PI) comprou cobertura triplex de R$ 22 milhões em um dos prédios mais luxuosos de São Paulo três meses após se tornar sócio do banqueiro Daniel Vorcaro e 26 dias antes de apresentar a chamada “emenda Master”, apontada pela Polícia Federal (PF) como um dos elos entre o parlamentar e o banco envolvido na fraude bilionária contra o sistema financeiro. A informação foi divulgada pelo Metrópoles.

Na última quinta-feira (7/5), Ciro foi alvo de mandados de busca e apreensão na quinta fase da Operação Compliance Zero, por suspeita de atuar “em favor do banqueiro Daniel Vorcaro, em troca do recebimento de vantagens econômicas indevidas”. Segundo a PF, ele recebia mesada de R$ 300 mil a R$ 500 mil do banqueiro. O senador e presidente nacional do PP nega as acusações.

Com 514 metros quadrados, o triplex comprado por Ciro está em fase final de construção e fica na badalada Rua Oscar Freire, na zona oeste de São Paulo, famosa pelas lojas de grife e por restaurantes da alta gastronomia. A aquisição do imóvel, que tem três suítes e três vagas de garagem, ocorreu em julho de 2024, diretamente com a incorporadora RFM, responsável pelo prédio.

Em 13 de agosto daquele ano, Ciro apresentou emenda à PEC nº 65/2023 ampliando a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante, um pleito do Master, que já enfrentava grave crise de liquidez. A PF aponta que a emenda foi elaborada pela assessoria do banco e apresentada de “forma integral” por Ciro no Senado. Mensagem capturada pela PF mostra que, logo após a publicação da emenda, Vorcaro disse que o texto “saiu exatamente como mandei”.

Ciro Nogueira comprou triplex de R$ 22 milhões em SP 1 mês antes de “emenda Master” - destaque galeria

Ao Metrópoles, Ciro disse que o acordo de compra do triplex prevê o pagamento dos R$ 22 milhões mediante a entrega de um apartamento no mesmo prédio, avaliado em R$ 8 milhões, e o restante em dinheiro, de forma parcelada. Segundo o senador, faltam ainda seis parcelas de R$ 336 mil e R$ 6,7 milhões na entrega das chaves..

“Todo o imóvel foi negociado com a construtora e pago 100% por minha empresa”, afirmou Ciro, referindo-se à CNLF Empreendimentos Imobiliários, empresa suspeita de ter sido usada por ele para receber pagamentos ilícitos do Master.

O imóvel entregue pelo senador na negociação, localizado no 1º andar, teria sido adquirido em 18 de janeiro de 2023, pouco após o início das obras do empreendimento. Ele afirma que, enquanto o imóvel era construído, chegou a discutir a possibilidade de trocá-lo por um outro apartamento do prédio, no 17º andar, mas acabou desistindo e depois fazendo a troca pelo triplex. Segundo o próprio senador, o imóvel na cobertura valeria hoje em torno de R$ 30 milhões.

Troca do triplex

Em março deste ano, Ciro decidiu fazer nova troca, mesmo com parcelas do apartamento ainda pendentes. Desta vez, por uma casa de altíssimo padrão no Jardim Europa, bairro repleto de mansões na zona oeste paulistana.

O imóvel, de 878 metros quadrados, que também está em fase final de construção, é assinado pelo renomado arquiteto Arthur Casas Mattos, premiado internacionalmente por projetos como o do Hotel Emiliano, no Rio de Janeiro, e da Villa Dubrovnik, na Croácia.

A negociação foi feita com o empresário Antônio Rocha Neto, amigo de Ciro que atua no ramo de educação e transportes. Rochinha, como é conhecido, adquiriu o terreno que dará lugar à casa em julho de 2023 por R$ 6 milhões, contratou o escritório de arquitetura para fazer o projeto e uma construtora para colocá-lo de pé.

Desde o início do ano, no entanto, a equipe de arquitetos passou a responder diretamente ao senador e à sua namorada, Lorena Furtado. De acordo com fontes envolvidas na obra, o casal pediu uma série de alterações no projeto, como a substituição de uma sala de home theater por um luxuoso espaço para festas, com bar e mesa de DJ. A ideia de Ciro seria utilizar o imóvel como uma “casa de negócios”.

No início de abril, a reportagem esteve na mansão, que também contará com piscina aquecida, jardins de inverno, academia e até um SPA no último andar.

Ciro Nogueira comprou triplex de R$ 22 milhões em SP 1 mês antes de “emenda Master” - destaque galeria

 

Segundo o senador, quando a casa no Jardim Europa ficar pronta, terá valor de mercado equivalente ao do triplex, em torno de R$ 30 milhões. A expectativa é que Ciro possa desfrutar de sua mais nova propriedade a partir do início do segundo semestre deste ano.

Procurado pela reportagem, Antônio Rocha Neto disse que pretendia morar no imóvel projetado por Arthur Casas, mas mudou de ideia após sua família ser vítima de um assalto. “Decidi fazer a permuta com Ciro por esse motivo. A casa era para eu morar com a família. Mas, depois desse assalto, mudamos de ideia”, disse o empresário, sem revelar quanto gastou na construção.

De acordo com as investigações da Polícia Federal, a emenda apresentada por Ciro Nogueira em agosto de 2024, 26 dias após comprar o triplex, tinha como objetivo proteger as operações fraudulentas do Banco Master. O texto, que teria sido redigido pela assessoria do próprio banco, previa quadriplicar o valor de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.

A emenda não avançou. O Master foi liquidado pelo Banco Central (BC) em novembro de 2025, com a primeira fase da Operação Compliance Zero, que prendeu Daniel Vorcaro pela primeira vez, por suspeita de fraude bilionária contra o sistema financeiro. Ao todo, o FGC pagará R$ 40 bilhões para 800 mil pessoas que tinham até R$ 250 mil investidos no Master.

Ao representar pelos mandados contra Ciro Nogueira, deferidos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a PF cita mensagens de Vorcaro dizendo que a emenda havia saído “exatamente como mandei” e diálogos do banqueiro com o primo Felipe Vorcaro que indicam pagamentos mensais de propina ao senador do PP.

“Oi, é para continuar pagando a parceria BRGD/CNLF? 300k mes?”, pergunta Felipe em 25 de julho de 2024, dias após Ciro adquirir o triplex. “Sim”, responde Daniel. A PF diz que as mensagens são corroboradas por relatórios de inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que confirmam as transferências.

Felipe Vorcaro foi preso na mesma fase da operação que fez buscas nos endereços de Ciro Nogueira. Uma das empresas mencionadas por Felipe na mensagem, a CNLF, é apontada na investigação como uma holding patrimonial do senador. O CNPJ, que está no nome do irmão dele, Raimundo Nogueira Lima, foi o mesmo utilizado para adquirir o triplex na Oscar Freire e a casa no Jardim Europa.

Segundo a PF, Ciro virou sócio de Vorcaro quando, em abril de 2024, a CNLF comprou 30% em ativos da empresa Green Investimentos por R$ 1 milhão, embora as ações valessem R$ 13 milhões. Para os investigadores, Ciro levou “vantagem negocial” de R$ 12 milhões em empreendimento ligado à família Vorcaro enquanto defendia os interesses do Master no Congresso.

“Perseguição política”

Na última sexta-feira (8/5), Ciro Nogueira se manifestou pela primeira vez sobre a operação da Polícia Federal. Em nota publicada nas redes sociais, o parlamentar afirmou ser vítima de “perseguição política” e disse que tentam “manchar” sua honra pessoal em anos eleitorais.

“Todo ano político é a mesma coisa. Tentam parar de todas as formas quem lidera as pesquisas de intenção de votos”, escreveu o senador. Ciro também relembrou a eleição de 2018, quando, segundo ele, teria sido alvo de acusações semelhantes. “O povo do Piauí sentiu a perseguição política e o efeito foi contrário”, afirmou.

Metrópoles

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