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Senadores alertam que Brasil será taxado novamente pelos EUA: ‘Há outra crise pior’

Em coletiva nesta quarta-feira (30), os senadores que estão nos Estados Unidos pra negociar o tarifaço imposto por Donald Trump, alertaram que “outra crise” pode atingir o Brasil, referindo-se a sanções para os países que negociam com a Rússia.

 

“Nós também estamos levando aqui um recado ao Brasil: Há outra crise pior que pode atingir o Brasil nos próximos 90 dias. Eles irão criar sanções automáticas para todos os países que negociam com a Rússia”, disse o senador Carlos Viana (Podemos-MG).

“Será uma lei americana, não será uma decisão, portanto do presidente dos Estados Unidos, será do Congresso americano”, acrescentou.

CNN

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Brasil

Se Trump me conhecesse, saberia que sou melhor do que Bolsonaro, diz Lula

Foto: Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, em entrevista ao New York Times publicada nesta 4ª feira (30.jul.2025), que se Donald Trump (Partido Republicano) o conhecesse, saberia que ele é “20 vezes melhor” que Jair Bolsonaro (PL).

A declaração do presidente foi feita a 3 dias do prazo dado pelo presidente dos Estados Unidos para que as tarifas de 50% contra os produtos brasileiros entrem em vigor —1º de agosto.

Em 9 de julho, ao divulgar a imposição das medidas, por meio de carta destinada a Lula, Trump mencionou como uma das justificativas o que chamou de “caça às bruxas” contra Bolsonaro, que é réu em uma ação penal no STF (Supremo Tribunal Federal) por tentativa de golpe de Estado em 2022.

“Honestamente, não sei o que o Trump ouviu sobre mim. Mas, se ele me conhecesse, saberia que sou 20 vezes melhor [do que Bolsonaro]”, afirmou o presidente.

Durante a entrevista concedida na 3ª feira (29.jul) no Palácio da Alvorada, em Brasília, Lula também declarou que o povo brasileiro e o povo norte-americano “não merecem ser vítimas da política, se a razão pela qual o presidente Trump está impondo essa tarifa ao Brasil é por causa do processo” contra Bolsonaro.

“O povo brasileiro vai pagar mais por alguns produtos, e o povo norte-americano vai pagar mais por outros produtos. E eu acho que a causa não justifica isso. O Brasil tem uma Constituição, e o ex-presidente está sendo julgado com pleno direito à defesa”, afirmou.

Poder 360

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Brasil

Metade dos brasileiros dizem que idade de Lula é um problema para reeleição

Foto: Ricardo Stuckert

Para 50% dos eleitores, a idade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de 79 anos, seria “um problema” em uma possível reeleição. A taxa disparou 18 pontos percentuais em 1 ano. Caso se candidate para tentar mais um mandato em 2026, e seja reeleito, o chefe do Executivo assumiria um novo mandato com 81 anos.

Há também 26% que consideram que a idade de Lula não seria um empecilho para um 4º mandato do petista. Esse percentual era de 38% em julho de 2024. Outros 23% não souberam responder. Os dados são da pesquisa PoderData realizada de 26 a 28 de julho de 2025.

A discussão sobre a idade de Lula parece avançar conforme se aproxima o ano eleitoral, indicam os resultados da pesquisa. O presidente já cometeu alguns deslizes que levantaram comparações entre ele e o ex-presidente dos EUA Joe Biden (Partido Democrata), que tem hoje 82 anos e desistiu de buscar a reeleição em 2024 justamente por não estar bem de saúde. O democrata enfrentou muitos questionamentos sobre sua capacidade mental durante o mandato e ao inicialmente concorrer a mais um mandato.

Apesar das comparações, o petista surfa agora na onda da soberania (por causa das tarifas impostas pelos EUA ao Brasil). Lula assiste a uma melhora nas suas taxas de aprovação depois de alguns meses em queda.

O presidente tergiversa quando questionado sobre a eventual reeleição. Costuma citar sua saúde e sua idade como fatores cruciais, mas não limitadores, para ser candidato novamente.

Roberto Kalil, médico pessoal do presidente, disse que Lula tem saúde para disputar mais um mandato e comandar o país por mais 4 anos. “Ele [Lula] é um jovem com a idade que ele tem. Hoje, a idade é menos importante que o físico e a saúde. Há uma tese sobre a definição de velhice: o velho é um desistente da vida. A idade acumula. Mas você pode ser idoso, não velho. Em relação ao presidente, ele tem muita saúde. Pode enfrentar o que ele quiser na hora que quiser”, declarou o cardiologista ao Poder360 em 2024.

Lula está determinado a disputar o Planalto no ano que vem. Como mostrou este Poder360, planeja ao menos 6 novos programas sociais para os próximos meses. No Congresso, deputados e senadores já disseram não haver clima para discutir um eventual limite de idade para candidatos à Presidência. Tudo considerado, a preços de hoje, Lula está candidatíssimo.

A pesquisa foi realizada pelo PoderData, empresa do grupo Poder360 Jornalismo, com recursos próprios. Os dados foram coletados por meio de ligações para celulares e telefones fixos. Foram 2.500 entrevistas em 182 municípios nas 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. O intervalo de confiança é de 95%.

Para chegar a 2.500 entrevistas que preencham proporcionalmente (conforme aparecem na sociedade) os grupos por sexo, idade, renda, escolaridade e localização geográfica, o PoderData faz dezenas de milhares de telefonemas. Muitas vezes, são mais de 100 mil ligações até que sejam encontrados os entrevistados que representem de forma fiel o conjunto da população. Saiba mais sobre a metodologia lendo este texto.

Poder 360

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Brasil

Zambelli será submetida a processo de extradição, diz Ministério da Justiça

Foto: Estadão

Presa na Itália, a deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP) será submetida à extradição, afirmou o Ministério da Justiça nesta terça-feira (29). A extradição é um processo coletivo entre autoridades dos países para entregar uma pessoa condenada ou investigada.

A pasta confirmou que a parlamentar foi presa por autoridades italianas em Roma como resultado de cooperação policial internacional entre a polícia brasileira, a Interpol e agências da Itália.

“A presa era procurada por crimes praticados no Brasil e será submetida ao processo de extradição, conforme os trâmites previstos na legislação italiana e nos acordos internacionais dos quais o Brasil é signatário”, continua a nota.

Presa na Itália

Carla Zambelli foi presa após se entregar a autoridades italianas. A informação foi confirmada pelo Ministério da Justiça e pela PF (Polícia Federal).

Zambelli foi condenada a dez anos de prisão pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por invasão aos sistemas do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e inserção de documentos falsos, em 2023.

A parlamentar foi incluída na lista de procurados da Interpol em 5 de junho.

CNN

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Brasil

Deputada Carla Zambelli é presa na Itália

Carla Zambelli concede entrevista coletiva na sede do PL em São Paulo após ser condenada a dez anos de prisão

A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) foi presa hoje, segundo o Ministério da Justiça. Ela foi condenada a dez anos de prisão por invadir os sistemas do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

O que aconteceu

Zambelli foi detida na Itália. O STF decretou no dia 5 de junho a prisão da deputada, e desde então, ela estava foragida da Justiça brasileira e na lista de procurados da Interpol.

Deputada deve ser extraditada e trazida de volta ao Brasil, onde começará a cumprir a pena em regime fechado. A prisão não será mais preventiva, mas já a definitiva: quando ela saiu do país, no final de maio, o relator do caso no STF, ministro Alexandre de Moraes, considerou que ela tentava fugir da lei e decretou sua prisão preventiva. Desde então, porém, a Primeira Turma da Corte já rejeitou os pedidos da defesa da deputada e o caso transitou em julgado —ou seja, não há mais possibilidade de recurso.

Governo italiano disse que não sabia o paradeiro da deputada. No dia 13 de junho, a administração da premiê de extrema direita Giorgia Meloni declarou que Zambelli desembarcou nos arredores de Roma no dia 5 de junho, às 11h40, vinda de Miami, mas que o alerta vermelho da Interpol só foi publicado horas depois, às 16h24 do mesmo dia.

Relembre o caso

Zambelli contratou um hacker para invadir os sistemas do CNJ e inserir um mandado de prisão falso contra Moraes, assinado por ele mesmo, segundo a denúncia. Ela foi condenada por unanimidade pela Primeira Turma do STF a dez anos de prisão e à perda do mandato.

Após a condenação, deputada anunciou nas redes sociais que havia saído do país. Segundo apurou o UOL, ela deixou o Brasil no fim de maio pela fronteira com a Argentina, foi para os Estados Unidos e depois para a Itália, país onde tem cidadania.

A deputada chamou de “ilegal” e “autoritária” a ordem de Moraes para prendê-la. “Nossa Constituição é clara: um deputado federal só pode ser preso em flagrante e por crime inafiançável. Nada disso ocorreu”, disse, em nota enviada à imprensa no último dia 5.

Moraes também determinou o bloqueio de passaportes, contas bancárias, salário e verbas de gabinete pagos pela Câmara. Ele também mandou que as redes sociais bloqueassem os perfis de Zambelli em território nacional, sob pena de multa diária de R$ 100 mil. As plataformas cumpriram a ordem, mas o X questionou a decisão.

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Brasil

Governadores do Nordeste se reúnem com Lula sobre tarifaço do EUA

Diante das novas barreiras tarifárias anunciadas pelos Estados Unidos — apelidadas de “tarifaço” —, o Consórcio Nordeste deu início a uma articulação emergencial com o Governo Federal, por meio da APEXBrasil e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), comandado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, para proteger os setores produtivos da região e evitar prejuízos à economia e ao emprego nos estados nordestinos.

As tarifas norte-americanas atingem diretamente cadeias produtivas estratégicas do Nordeste, como fruticultura, apicultura, setor têxtil, calçadista, metalmecânico e indústria automotiva, ameaçando milhares de empregos, pequenos e médios negócios e arranjos produtivos locais que sustentam a economia regional.

“O Nordeste não assistirá passivamente ao impacto dessas medidas. Estamos somando forças com a APEXBrasil e o MDIC para garantir a proteção dos nossos empregos, das nossas empresas e da nossa capacidade produtiva”, afirmou o presidente do Consórcio Nordeste, governador Rafael Fonteles.

O Consórcio já está contribuindo com um mapeamento técnico e detalhado dos impactos por estado e por setor, estimando perdas econômicas e identificando empresas e produtos atingidos. A proposta é articular novos mercados, reforçar a capilaridade das exportações e conectar os produtos nordestinos a novas rotas internacionais.

Além disso, os governadores nordestinos terão uma agenda conjunta com o presidente Lula nos dias 5 e 6 de agosto, em Brasília, para alinhar medidas e fortalecer o enfrentamento ao tarifaço:

• 5 de agosto (manhã): Participação na reunião do Conselhão, onde o presidente Lula debaterá o impacto das tarifas americanas;

• 5 de agosto (tarde): Assembleia Geral do Consórcio Nordeste;

• 6 de agosto (tarde): Reunião no Palácio do Planalto com o presidente Lula, o vice-presidente Alckmin e a ministra Gleisi Hoffmann.

“Defender a economia do Nordeste é defender o Brasil. E é com esse espírito que estamos somando forças”, concluiu Rafael Fonteles.

Com essa ação coordenada, o Consórcio Nordeste reafirma seu protagonismo e compromisso com o desenvolvimento regional e nacional, atuando de forma integrada e estratégica diante de desafios internacionais.

MaisPB

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Brasil

Dívida pública federal sobe para R$ 7,88 trilhões em junho de 2025

Foto: Agência Brasil

O estoque da dívida pública federal atingiu R$ 7,88 trilhões em junho de 2025. O número representa uma alta de 2,77% em relação a maio, quando era R$ 7,67 trilhões.

Em valores nominais, a dívida subiu R$ 212,71 bilhões. O Tesouro Nacional divulgou os dados na 2ª feira (28.jul.2025).

A dívida pública é emitida pelo governo federal para financiar o deficit orçamentário, ou seja, para cobrir as despesas que superam a arrecadação com impostos, contribuições e outras receitas.

O indicador é tido como uma das principais referências para a avaliação da capacidade de pagamento do país pelas agências globais que avaliam o grau de investimento. O passivo inclui os débitos do governo no Brasil e no exterior.

Eis a composição do estoque:

  • DPMFi (Dívida Pública Mobiliária Federal interna) – saiu de R$ 7,36 trilhões em maio para R$ 7,58 trilhões em junho de 2025;
  • DPFe (Dívida Pública Federal externa) – passou de R$ 309,2 bilhões em maio para R$ 302,1 bilhões em junho de 2025. Esse é o endividamento obtido no mercado externo.

O prazo médio da DPF era de 4,20 anos em maio de 2025. Recuou para 4,14 anos em junho.  Em 2024, era de 4,05 anos.

Dívida bruta

A dívida pública percentual em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) atingiu 76,1% em maio de 2025, segundo o BC (Banco Central), que divulgou dados em 31 de janeiro. Registrou uma alta de 0,2 ponto percentual em relação a abril deste ano.

Em valores, equivale a R$ 9,3 trilhões. Esses dados se referem à DBGG (Dívida Bruta do Governo Geral), como é conhecido o indicador.

O BC tem uma metodologia mais ampla, uma vez que inclui títulos do governo com a autoridade monetária e débitos dos governos estaduais e municipais. Os dados de junho de 2025 devem ser divulgados na 5ª feira (31.jul).

A reserva de liquidez atingiu R$ 1,03 trilhão em junho de 2025. Em termos nominais, o dinheiro em caixa para pagamento da dívida avançou 19,64% em relação a maio deste ano (R$ 861,30 bilhões).

O patamar atual assegura o pagamento do vencimento da dívida em aproximadamente 8,44 meses. Em maio de 2025, o índice de liquidez estava em 8,77 meses.

Detentores da dívida

Eis como se dá a participação dos detentores da dívida:

  • 31,3% – instituições financeiras;
  • 23,1% – Previdência;
  • 22,1% – fundos;
  • 9,8% – não residentes;
  • 3,7% – seguradoras;
  • 3,0% – governo;
  • 7,0% – outros.

Poder 360

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Brasil

“É dever de Lula conversar com Trump”, diz senador em comitiva nos EUA

O senador Esperidião Amin (PP-SC) afirmou que é “dever do presidente Lula” sentar para conversar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para tentar reaver a imposição das tarifas de 50% sobre produtos brasileiros.

“O presidente Lula não tem que fazer o que gosta, mas o que deve. Ele deve conversar com Donald Trump em nome do Brasil, em nome dos empregos e da nossa economia. É a ética da responsabilidade!”, disse

O parlamentar compõe a comitiva de senadores brasileiros que está nos EUA para tentar negociar o tarifaço. A nova alíquota está prevista para entrar em vigor nesta sexta-feira (1º).

Amin afirmou ainda que existe um ambiente propício às negociações já que a situação é um “perde-perde”, ou seja, negativa para ambos os lados. A avaliação é respaldada pela Amcham, a Câmara Americana de Comércio para o Brasil, e pela própria U.S. Chamber of Commerce.

“O presidente Lula precisa pelo menos tentar. Se Trump for hostil, vai ser melhor para o Lula, pois nós vamos ter que reconhecer que houve um esforço”, encerrou.

Os senadores seguem com agendas fechadas nesta terça-feira (29), em Washington, nos Estados Unidos.

CNN

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Brasil

‘Quer que eu vá para cadeia amanhã?’, diz Bolsonaro ao evitar entrevistas

Foto: Reprodução

Com medida cautelares determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente Jair Bolsonaro evitou responder perguntas quando foi abordado pela imprensa na segunda-feira (28). Uma semana após ter criticado a Corte ao sair de uma reunião na Câmara e ter sido cobrado a dar explicações pelo ministro do Supremo Alexandre de Moraes, o ex-presidente tem adotado nos últimos dias uma postura cautelosa em relação a declarações públicas.

“Quer que eu vá para cadeia amanhã? Se o editor de vocês conseguir autorização do Supremo para eu poder falar, falo com o maior prazer com vocês”, disse após sair da sede do PL.

Bolsonaro está está proibido de usar as redes sociais e sair de casa entre 19h e 6h, por suspeita de participar de uma articulação junto aos Estados Unidos para pressionar o Judiciário e o governo brasileiro em troca de perdão na trama golpista.

A decisão do STF não o proíbe de dar entrevistas, mas veda que ele use terceiros para poder se manifestar nas redes sociais.

Tribuna do Norte 

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Brasil

Governo Lula estuda acabar com obrigação de autoescola para carteira de motorista

O governo Lula (PT) avalia acabar com a obrigatoriedade da autoescola para obtenção da carteira de motorista. O ministro dos Transportes, Renan Filho, revelou que a medida faz parte de um plano para reduzir o custo e as exigências para a emissão da CNH (Carteira Nacional de Habilitação).

A proposta já foi concluída pela pasta e será levada para aprovação do presidente.

O ministro afirmou ao C-Level Entrevista, videocast semanal da Folha, que as aulas de formação de condutores podem passar a ser facultativas. Se a proposta for adiante, o candidato poderá aprender a dirigir de outras formas e precisará ser aprovado nos exames técnico e prático para obter a CNH, mas não terá que cumprir uma carga horária mínima nas autoescolas.

“O Brasil é um dos poucos países no mundo que obriga o sujeito a fazer um número de horas-aula para fazer uma prova”, disse o ministro. “A autoescola vai permanecer, mas ao invés de ser obrigatória, ela pode ser facultativa.”

Segundo o ministro, o custo para tirar a carteira no Brasil está entre R$ 3.000 a R$ 4.000, a depender do estado em que a pessoa faz o exame de habilitação. Pelos seus cálculos, o plano pode reduzir em mais de 80% esse custo.

“É caro, trabalhoso e demorado. São coisas que impedem as pessoas de ter carteira de habilitação”, disse. Para ele, o programa ajudará os mais pobres a ter acesso à carteira, facilitar a formação de mão de obra no país e o acesso ao primeiro emprego.

O ministro informou que as mudanças não precisarão passar pelo Congresso, bastando um ato do Executivo. A obrigatoriedade está expressa numa resolução do Contran (Conselho Nacional de Trânsito).

O programa prevê um processo de aprendizagem regulamentado, como existe hoje, com menos obrigações, segundo a assessoria do Ministério dos Transportes. O candidato poderá decidir quantas horas de aula precisa e poderá escolher uma autoescola ou contratar um instrutor autônomo credenciado, que não precisará estar vinculado a uma empresa.

“O cidadão vai ter que passar na prova, vai ter que passar na direção, mas ele vai estudar no mundo moderno”, afirmou Renan Filho. “Vai ser um programa transformador. Nós não estamos inventando roda, estamos usando a experiência internacional.”

Na Inglaterra, por exemplo, não há obrigação de passar por curso de direção para obter a habilitação. Nos EUA, a maior parte dos estados não exige aulas de candidatos com mais de 18 anos.

Questionado se existe a possibilidade de uma pessoa aprender a dirigir fora desses procedimentos, o Ministério dos Transportes respondeu que uma pessoa, em tese, pode aprender a pilotar numa via fechada, chamada de circuito fechado particular (como em um condomínio, por exemplo).

Nos casos de uma via pública, a pessoa tem que respeitar o código de trânsito e cometerá uma infração se for pego pela fiscalização andando sem instrutor.

O governo também pretende tirar as exigências que existem hoje de ter um carro adaptado para o treinamento. A pessoa poderá usar um carro particular ou um veículo do próprio instrutor. De acordo com o Ministério dos Transportes, não haverá permissão, por exemplo, para que um pai ensine o filho na rua.

De acordo com o ministro, se o programa receber o aval de Lula, as mudanças devem começar pelas categorias A (motocicletas, motonetas, ciclomotores e triciclos) e B (a maioria dos carros de passeio, caminhonetes e utilitário).

Numa pesquisa realizada pela pasta para orientar as diretrizes do programa, o ministro afirma ter encontrado situações alarmantes. Em algumas cidades médias do país, 40% das pessoas dirigem sem ter a habilitação. Entre pagar o custo da habilitação e comprar uma moto, por exemplo, a pessoa prefere a segunda opção. “A habilitação custa quase o preço de uma moto usada”, ressaltou.

Renan Filho afirmou que, para as mulheres, a situação é ainda mais difícil. De acordo com os dados da pesquisa, 60% das mulheres em idade de ter carteira não possuem a CNH.

“Na hora que a família tem o dinheiro para tirar uma carteira, normalmente, escolhem tirar a dos meninos. Isso ainda gera uma exclusão gigantesca de gênero”, disse. Segundo o ministro, esse pode ser um dos motivos da dificuldade, por exemplo, de encontrar mulheres na função de motorista profissional.

Renan Filho afirmou que espera que a mudança enfrente resistência das empresas de autoescola. De acordo com ele, o setor movimenta até R$ 12 bilhões para atender de três a quatro milhões de pessoas que tiram carteira por ano. “Se ele não gastar esse dinheiro para tirar a carteira, isso vira o quê? Vira consumo.”

A Feneauto (Federação Nacional das Autoescolas do Brasil) estima que existam mais de 15 mil autoescolas em atividade no país.

“As empresas vão continuar. Agora, vai permanecer quem for eficiente, quem gerar um curso que tem eficiência. Mas eu sou contra sempre que o Estado obriga o cidadão a fazer as coisas”, disse Renan Filho. “Se você achar que precisa, vai lá e faz.”

Para obter a CNH atualmente, os principais requisitos são ter 18 anos completos, saber ler e escrever, ser aprovado nos exames médico e psicotécnico realizados por clínicas credenciadas, realizar cursos prático e teórico com carga horária mínima nos centros de formação de condutores, passar nos exames e pagar as taxas referentes aos exames, curso e emissão. Parte das aulas práticas pode ser feita em simuladores, também nas autoescolas.

O ministro comparou as exigências que existem hoje para tirar a CNH à entrada numa universidade pública. “Imagina que se a gente, para estudar numa universidade pública federal, como é a carteira de motorista, alguém dissesse assim: você só pode [entrar] se você fizer este cursinho aqui. Quanto custaria a mensalidade do cursinho?”, questionou.

Para Renan Filho, o processo com alto custo é, inclusive, uma das razões da falta de motoristas profissionais no Brasil, principalmente caminhoneiros para atender às empresas de transportes. Como o trabalhador demora a ter a primeira carteira, o processo dificulta a formação do condutor de caminhões, tratores e máquinas agrícolas (categoria C) e de ônibus, micro-ônibus e vans (categoria D).

“O sujeito, para dirigir um caminhão, primeiro é habilitado para um veículo comum, depois ele ganha familiaridade com a direção e vai passando a dirigir veículos mais complexos. Se ele tira a primeira carteira com 30 anos, quando ele vai conseguir dirigir um caminhão inflamável?”, questiona o ministro.

Ele destacou que a proposta do Ministério dos Transportes não traz custos adicionais ao Tesouro Nacional.

Folha de S. Paulo

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