Brasil

Promotor que investiga o PCC há 20 anos alerta para risco do Brasil virar narcoestado nas próximas décadas

Lincoln Gakiya é promotor do Gaeco de Presidente Prudente, do Ministério Público de São Paulo | Foto: Reprodução/X

O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, que há mais de duas décadas se dedica a combater o Primeiro Comando da Capital (PCC), está pessimista quanto ao sucesso da missão. A facção, nascida em presídios de São Paulo, já expandiu sua atuação para 28 países e consolidou presença no tráfico de drogas, além de ter influência na economia e política no Brasil.

Gakiya integra o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo em Presidente Prudente. Ele afirma que o PCC nunca foi tão poderoso quanto atualmente, seja em faturamento, presença global ou capacidade de atuação na economia formal.

Narcoestado

Em entrevista ao jornal O Globo, publicada neste sábado, 30, Gakiya diz ser impossível rastrear em quantas atividades do mercado formal o PCC já se infiltrou. O promotor ressalta que, sem uma agência nacional para unificar o combate ao crime organizado, existe o risco de o Brasil transformar-se em um narcoestado em até três décadas.

“O PCC já pode ser classificado como uma organização mafiosa”, destaca. “Não precisa mais da ostensividade da violência, exibindo fuzis e praticando crimes cinematográficos. Ele já passou dessa fase, está ganhando muito dinheiro, principalmente com o tráfico internacional de cocaína para a Europa.”

O retorno do dinheiro ilegal exige inserção na economia formal, frequentemente por meio de empresas legítimas com funcionários e serviços reais, o que dificulta o rastreamento pelas autoridades. Gakyia conta que, há pelo menos dez anos, o PCC começou a lavar dinheiro por meio da compra de postos de gasolina e concessionárias de veículos

“Antigamente, o PCC montava empresas de fachada, mais simples de detectar. Agora, as empresas são lícitas, têm funcionários, prestam serviços reais e têm capital da facção”, relata. “É muito difícil dimensionar em que negócios o PCC está. É mais fácil dizer em qual ramo da economia ele não está.”

A respeito da sobreposição entre ações do Ministério Público e da Polícia Federal (PF), Gakiya diz que a falta de integração entre órgãos é um obstáculo significativo. “O maior desafio do Brasil, hoje, em termos de segurança pública, é coordenação e integração.” Ele defende a criação de uma agência para coordenar e tornar mais eficiente o combate ao crime organizado.

Criação de uma agência antimáfia

“Sou a favor da criação de uma agência antimáfia. Nós já temos máfia no Brasil, o PCC já é uma organização mafiosa.” A proposta consistiria em um órgão composto por todas as instituições. Atualmente, não há subordinação entre as instituições, “cada uma tem seu ramo de atuação, suas expectativas, sua formação e gera muita disputa institucional”.

O diretor da PF, Andrei Rodrigues, já afirmou em público ser contrário à criação de uma agência antimáfia, sob o argumento de que a própria instituição cumpre esse papel. Entretanto, Gakyia rebate: “se tivesse suprido o papel de fazer essa integração entre as instituições, não estaríamos no estado que estamos agora”.

Estado paralelo

O promotor alerta que o país vive um processo de consolidação de um Estado paralelo, com o risco de se tornar um narcoestado em até 30 anos, caso nenhuma medida seja adotada. “O crime organizado está num processo de crescimento exponencial”, ressalta. “E ninguém sabe onde isso vai chegar.”

Um narcoestado envolve o domínio da política institucional. “Quando o crime começa a dominar as prefeituras, as câmaras municipais, e depois a ter influência sobre os governos estaduais, pode chegar a eleger um presidente ou então ter ligações diretas com o presidente”, explicou Gakyia. “É isso que precisamos evitar.”

Uma consolidação de influência, aliás, pode estar em curso. “No ano que vem, teremos campanhas e é bem possível que o PCC também esteja financiando algum candidato.” A facção “tem todo o interesse, estando na economia formal, de participar dessa fatia do bolo, ou seja, de licitações ou dos negócios públicos”, diz o promotor. “Quando você elege representante, seja no Legislativo, seja no Executivo, você vai cobrar a conta depois.”

Revista Oeste

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Brasil

Ex-piloto de Fórmula 1 é preso em SP dirigindo Lamborghini receptado

Foto: reprodução/redes sociaisFoto: divulgação/PMSP

O ex-piloto de Fórmula 1 Tarso Marques, de 49 anos, foi preso por policiais militares, na madrugada deste domingo (31/8), quando trafegava com um carrão de luxo, contra o qual havia queixa de apropriação indébita.

O flagrante ocorreu na Ponte Cidade Jardim, zona oeste da capital paulista, onde o Lamborghini Gallardoss guiado por Tarso foi flagrado trafegando sem as placas fixadas.

“O condutor ao perceber a fiscalização, tentou recolocar as placas, mas foi contido pelos policiais”, diz trecho de nota da PM.

Ao consultarem informações sobre o carrão de luxo, os PMs constataram que ele tinha um registro de apropriação indébita, restrições judiciais e licenciamento em atraso, desde 2013, além de contar com R$ 1,3 milhão em débitos de IPVA e multas.

O carrão também está registrado em nome de uma empresa condenada por práticas ilegais, incluindo pirâmide financeira, acrescentou a PM.

O ex-piloto foi encaminhado ao 14º DP, onde foi preso em flagrante por receptação e adulteração de sinal identificador de veículo automotor.

Metrópoles

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Brasil

‘Taxa das blusinhas’ arrecada 4 vezes menos que o previsto e reduz o consumo de 14 milhões de brasileiros

Foto: Freepik

A polêmica implementação da alíquota de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, conhecida como a “taxa das blusinhas”, completou um ano. A iniciativa mexeu com o bolso dos consumidores e tornou-se motivo de crise no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A Receita Federal estima que o valor arrecadado chegue próximo dos R$ 175,8 milhões mensais, quando o esperado eram R$ 700 milhões.

Um levantamento da Plano CDE mostra que a taxação sobre compras internacionais afetou sobretudo as famílias de menor renda. O estudo “Compras Online Brasil” aponta que, entre agosto de 2024 e abril de 2025, o volume de pedidos feitos pelas classes C, D e E caiu 35% — o que significa que 14 milhões de brasileiros deixaram de comprar em sites estrangeiros.

Entre os consumidores das classes A e B, a retração foi somente de 11%, evidenciando o peso desigual da medida.

Além do efeito na sociedade, o imposto afetou os Correios. Segundo um estudo produzido pela empresa, a taxa produziu um impacto de R$ 2,2 bilhões na receita da estatal.

Entenda

Aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em junho do ano passado, a “taxa das blusinhas” estabelece que, se um consumidor fizer uma compra de R$ 100, por exemplo, (ou US$ 18, considerando a cotação de R$ 5,50 para o dólar), ele deverá pagar 20% desse valor no novo tributo, ou seja, R$ 20.

Além disso, o ICMS de 17% será aplicado sobre a soma do valor inicial do produto mais o novo imposto. No exemplo, o preço final será R$ 144,58. Esta fórmula de cobrança se aplica a todas as compras abaixo de US$ 50.

Para compras entre US$ 50 e US$ 3.000, a alíquota de importação será mantida em 60% sobre o valor total. No entanto, a nova lei prevê uma dedução de US$ 20 — o que significa que a taxa para produtos acima de US$ 50 será reduzida com a nova regra.

R7

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Brasil

EUA podem reagir com sanções em tempo real durante julgamento de Jair Bolsonaro

Fotos: Tasos Katopodis/Getty Images via AFP e Brenno Carvalho/O Globo

Em que pese a importância dos assuntos em debate, julgamentos do Supremo Tribunal Federal no Brasil não costumam mobilizar o governo dos Estados Unidos. É ainda mais raro que as discussões televisionadas da Corte sejam acompanhadas em tempo real por Washington.

Mas é exatamente isso o que acontecerá a partir do próximo dia 2, quando começa o julgamento por tentativa de golpe de Estado do ex-presidente Jair Bolsonaro no STF. Fontes da administração Trump disseram reservadamente à coluna da jornalista Mariana Sanches, no UOL, que acompanharão “de perto” as audiências.

Não só isso: afirmaram ainda que existe uma lista de opções em termos de “sanções e tarifas” contra o Brasil que poderão ser acionadas pelo presidente Donald Trump em tempo real, conforme os ministros da primeira turma do STF indiquem qual será o destino do ex-presidente brasileiro.

O exato teor dessas medidas, no entanto, não foi revelado pelas fontes, que disseram que sua entrada em vigor dependeria inteiramente da decisão de Trump. A coluna apurou que há em discussão na burocracia de Washington a possibilidade de novas rodadas de cassação de vistos a autoridades brasileiras, sanções financeiras a outros integrantes do STF e uma nova edição da lista de itens brasileiros excluídos do tarifaço de 50% em vigor desde o último dia 6.

Nem a Casa Branca e nem o Departamento de Estado responderam à consulta formal da coluna sobre a possibilidade de que novas medidas contra o Brasil possam se materializar a depender do resultado do processo. Em carta na qual anunciava um tarifaço de 50% contra o Brasil, Trump afirmou que entre suas motivações para a taxa estava o julgamento de Bolsonaro, ao qual chamou de “caça às bruxas”, e exigiu sua interrupção “imediatamente”.

Há algumas semanas, o presidente americano aproveitou a presença da imprensa brasileira na Casa Branca para questionar o andamento processual do caso de Bolsonaro, e repetiu que ele era “um homem honesto”. Não existe atualmente uma negociação comercial entre os dois países, já que a Casa Branca condiciona qualquer acordo tarifário à discussão sobre a situação judicial do ex-presidente.

Segundo o comentarista político Paulo Figueiredo, ele e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) foram convidados por pessoas ligadas à gestão Trump a ir a Washington durante o julgamento —chegarão à capital americana na próxima quarta, dia 3, segundo dia do julgamento, que deve se estender até o dia 12.

De acordo com Eduardo, a viagem servirá também para abastecer a Casa Branca com informações sobre o status judicial de seu pai e as discussões na corte. Eduardo e Figueiredo se negaram a revelar quem serão seus interlocutores e qual será o teor das reuniões que terão na capital dos EUA.

Ambos têm liderado uma campanha por punições ao Brasil que, segundo eles, possam forçar o país a aprovar uma anistia a Bolsonaro e seus aliados. Até agora, os esforços da dupla contribuíram para o anúncio da tarifa de 50%, de uma investigação por supostas práticas desleais de comércio do Brasil, de restrições de visto a ministros do STF e da gestão Lula e da imposição das sanções financeiras da Lei Global Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso de Bolsonaro.

Um dos mais importantes aliados de Figueiredo e Eduardo, o ex-porta-voz de Trump e ex-estrategista nas três campanhas presidenciais do republicano, Jason Miller, afirmou há alguns dias no podcast “Ask Dr. Drew” que foi detido por ordem do ministro do STF Alexandre de Moraes no aeroporto de Brasília em 2021.

“E agora o exato mesmo juiz está acusando o presidente Bolsonaro com algo que o colocaria na prisão pelos próximos 35 anos”, disse Miller, para quem Trump está tentando interromper “práticas antidemocráticas” no Brasil.

Embora não tenha cargo formal na gestão Trump, Miller segue sendo um auxiliar influente do republicano. No mesmo programa ele se mostrou informado sobre a tentativa da oposição de aprovar a PEC da Blindagem e se disse muito próximo a Eduardo Bolsonaro. Miller não respondeu aos pedidos de comentário da coluna.

A gestão Trump tem se revelado convencida de que o apoio à família Bolsonaro é seu melhor caminho para disputar a liderança do Brasil nas eleições do país em 2026. Os bolsonaristas se aproximaram do grupo de Trump há quase uma década. Em mensagens trocadas com o pai e reveladas em um recente relatório da Polícia Federal, Eduardo admitiu ter trabalhado contra nomes alternativos na direita, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. À coluna, o ideólogo do movimento trumpista MAGA (Make America Great Again) diz ver em Eduardo o herdeiro para o movimento bolsonarista. Um senador do Centrão, integrante da comitiva que foi recentemente a Washington negociar tarifas, relatou à coluna ter ouvido a mesma coisa de empresários com acesso à Casa Branca.

O governo Lula está ciente do risco de uma nova escalada na crise na relação bilateral durante o julgamento. Um embaixador do Brasil com conhecimento das atuais relações entre Brasil e EUA afirmou à coluna que, como negociar com a independência do Judiciário jamais foi uma opção, o país se prepara para mitigar os eventuais danos de uma nova rodada de punições de Washington. Mas que, dada a imprevisibilidade de Trump, é difícil apostar quais poderiam ser elas.

Coluna da jornalista Mariana Sanches, no UOL

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Brasil

Primeira Turma do STF seguiu Moraes em 95% dos processos criminais

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Responsável pelo julgamento da ação penal da suposta trama golpista, que tem entre os réus o ex-presidente Jair Bolsonaro e militares de alta patente, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) possui atuação marcada pelo alto grau de alinhamento em casos criminais. Levantamento feito pelo GLOBO mostra que, desde o início da atual formação, em 2024, houve divergência em apenas 5% dos julgamentos em que o ministro Alexandre de Moraes era o relator.

Hoje, o colegiado é formado por Moraes, relator da ação penal da tentativa de golpe, Cármen Lúcia, Luiz Fux, Flávio Dino e Cristiano Zanin. Dino foi o último a chegar, em fevereiro de 2024, ocupando o lugar que estava vago com a saída do ministro Luís Roberto Barroso para assumir a presidência do Supremo.

Desde então, foram 501 decisões proferidas pela Primeira Turma em processos relatados por Moraes, com 474 unanimidades — apenas 27 tiveram divergências (5,3%), quase todas de autoria de Luiz Fux. O levantamento considerou inquéritos, ações penais e petições. Os dados são do portal Corte Aberta, mantido pelo STF, e não incluem processos sigilosos.

Placar de 4×1

Fux costumava votar com os demais integrantes da Turma, mas desde o recebimento da denúncia da trama golpista, em março, passou a fazer ressalvas aos votos de Moraes. Com isso, o placar de 4×1 tornou-se mais comum.

O principal contraponto apresentado por Fux está relacionado ao cálculo das penas dos réus dos atos golpistas de 8 de janeiro, em que tem defendido uma punição menor do que as propostas por Moraes. O ministro já apresentou esse posicionamento em 26 julgamentos na Turma, incluindo o da cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, que ficou conhecida por pichar, com batom, a estátua que fica em frente ao STF. Entretanto, ele acabou vencido, já que os demais integrantes confirmaram as punições defendidas por Moraes.

A única outra divergência enfrentada por Moraes nesse período, em processos criminais, foi de Cármen Lúcia. Ela discordou do relator no julgamento em que a Primeira Turma aceitou um recurso do deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade-SP) e reverteu sua condenação a dez anos e dois meses de prisão.

Nos casos do 8 de Janeiro, apesar de seguir Moraes nas condenações dos réus, Zanin tem feito ressalvas no cálculo das penas, propondo punições um pouco menos rigorosas do que as que são sugeridas pelo relator. Ele atualmente é o presidente da Primeira Turma e por isso será responsável por conduzir o julgamento, além de ser o último a votar. O ministro foi advogado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Operação Lava-Jato.

Já os processos decididos por unanimidade incluem, por exemplo, a condenação da deputada Carla Zambelli (PL-SP) e o recebimento da denúncia contra os suspeitos de planejarem o assassinato de Marielle Franco.

Amizades e desavenças

Interlocutores do Supremo apontam que a afinidade dos ministros entre si não se limita apenas aos votos. Os magistrados costumam dar demonstrações de bom relacionamento publicamente, quando estão nas sessões de julgamento, mas também nos bastidores, no dia a dia no tribunal.

Um dos exemplos citados é a amizade entre Dino e Moraes. Em março, os dois foram juntos à Neo Química Arena para assistir à partida de futebol que garantiu ao Corinthians, time de Moraes, a conquista do Campeonato Paulista de 2025 sobre o Palmeiras. Dino, inclusive, teve Moraes como um dos padrinhos de sua indicação ao STF, após ter sido ministro da Justiça no início do governo Lula.

Apesar do bom relacionamento, há casos de desavenças entre os ministros. Recentemente, Zanin demonstrou incômodo com uma decisão de Dino, que determinou que decisões judiciais estrangeiras precisam ser confirmadas para terem validade no Brasil.

Isso porque a ordem foi entendida como uma resposta à aplicação da Lei Magnitsky, sanção aplicada pelos Estados Unidos contra Moraes. E Zanin é o relator de uma ação que trata especificamente sobre como deve ser aplicada a Magnitsky no Brasil, mas preferiu não tomar uma decisão antes de ouvir todas as partes.

Outra discordância, no mês passado, ocorreu quando Moraes impôs medidas cautelares a Bolsonaro, como o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de usar redes sociais. Fux foi o único ministro a divergir, dizendo que as medidas restringiam “desproporcionalmente direitos fundamentais”. Na época, ele avisou ao relator antes de apresentar seu voto.

‘Câmara de gás’

O protagonismo da Primeira Turma ocorreu após a mudança regimental de 2023, que tirou do plenário da Corte — formado pelos 11 ministros — a maior parte das ações penais. Desde então, os processos passaram a ser analisados no colegiado do qual o relator faz parte.

Como Moraes é o relator de todos os casos do 8 de Janeiro, a Primeira Turma acabou concentrando a maioria das questões criminais do STF. Das atuais 1.367 ações penais tramitando na Corte, 1.359 (99,4%) estão no colegiado.

Mesmo com rodízio de ministros, a Primeira Turma tem sido vista nos últimos anos como mais punitivista — quando ganhou o apelido de “câmara de gás” —, enquanto a Segunda Turma é identificada como mais garantista, ou seja, com maior alinhamento a ponderações das defesas.

Essa tendência é observada na concessão de habeas corpus. Dados coletados pelo advogado David Metzker mostram que, neste ano, ministros da Primeira Turma analisaram 5.656 pedidos e concederam 101 (1,78%). Já os membros da Segunda Turma deram decisões favoráveis em 306 casos de 5.430 analisados (5,64%).

— A Primeira Turma já é conhecida como mais rigorosa há bastante tempo. E, com a entrada dos novos ministros, isso aumentou ainda mais. Principalmente com a saída da ministra Rosa Weber, que apresentava alguns contrapontos — afirma Metzker.

O Globo

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Brasil

Tarcísio diz que, caso se torne presidente, primeiro ato será indulto a Bolsonaro


Foto: Tiago Queiroz/Estadão

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disse que sua primeira medida caso se torne presidente da República será conceder um indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Tarcísio foi questionado se concederia o indulto em entrevista ao Diário do Grande ABC, publicada nesta sexta-feira, 29. “Na hora. Primeiro ato. Porque eu acho que tudo isso que está acontecendo é absolutamente desarrazoado”, afirmou.

O governador voltou a negar, porém, a intenção de se candidatar à Presidência em 2026. “Eu não sou candidato à Presidência, vou deixar isso bem claro. Todo governador de São Paulo é presidenciável, pelo tamanho do Estado, um Estado muito importante. Mas vamos pegar na história recente qual foi o governador de São Paulo que se tornou presidente da República: o último foi Jânio Quadros e o penúltimo foi Washington Luís”, afirmou.

Tarcísio já calibra comunicação, ouve marqueteiros e busca projeção nacional de olho nas eleições de 2026, mas evita dar sinais de campanha antecipada para não virar alvo do bolsonarismo.

Esta foi a primeira declaração do governador citando o indulto como uma ação caso seja eleito para o Planalto. Em julho, Tarcísio havia afirmado acreditar que “qualquer candidato” de centro-direita deveria conceder um indulto a Bolsonaro, caso o ex-presidente seja condenado na ação penal sobre a trama golpista. Na ocasião, Tarcísio afirmou acreditar na inocência do aliado.

Os governadores de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), pré-candidatos ao Planalto, já se comprometeram publicamente com a medida.

Tarcísio também disse que não confia na Justiça e que não vê elementos para a condenação de Bolsonaro, que começa a ser julgado por tentativa de golpe na terça-feira, 2, no Supremo Tribunal Federal (STF). “Não acredito em elementos para ele ser condenado, mas infelizmente hoje eu não posso falar que confio na Justiça, por tudo que a gente tem visto”, disse.

O governador ainda defendeu a anistia aos condenados por tentativa de golpe de Estado e a “prerrogativa” do Congresso em construir uma “solução política”. “A gente tem falado com partidos, acredito muito em uma saída política via Congresso, e o Congresso tem que ter sua prerrogativa respeitada para construir uma solução política. Essa solução (anistia) não é novidade, esteve presente em outros momentos do Brasil”, disse, citando episódios desde revoltas do período colonial até o “movimento de 64”.

Na entrevista, Tarcísio ainda cobrou o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para que paute a anistia. O governador não citou o deputado nominalmente. “Entendo que os presidentes da Casa têm que submeter isso à vontade do plenário, e não pode ter interferência de outro Poder”, disse.

Estadão Conteúdo

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Brasil

Governo Lula espera novas sanções de Trump após julgamento de Bolsonaro

Às vésperas do julgamento do suposto plano de golpe, o governo Lula avalia que os Estados Unidos poderão impor novas sanções ao Brasil diante de uma eventual condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Bolsonaro e outros sete réus começarão a ser julgados na Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) na terça-feira (2), a partir das 9h.

Integrantes do governo negam relação direta entre o julgamento e a decisão da última quinta-feira (28) de dar início ao processo que pode levar à retaliação contra as tarifas de 50% impostas por Donald Trump.

Porém, admitem que a iniciativa busca garantir respaldo legal para que o Brasil possa reagir politicamente, caso haja uma escalada das penalidades americanas.

Brasil vê processo de retaliação como “seguro” contra novas tarifas dos EUA

O argumento é que o processo para a aplicação da Lei de Reciprocidade pode levar de seis meses a um ano. Por isso, foi necessário se antecipar.

O Brasil ainda tem a opção de uma reação emergencial dentro da própria Lei de Reciprocidade, com a imposição de tarifas sobre bens, caso a situação com os EUA se agrave.

Aliados de Bolsonaro acreditam que o governo Trump reagirá a uma eventual condenação do ex-presidente. Entre as medidas citadas está a extensão da Lei Magnitsky à esposa de Moraes e a outros ministros do Supremo.

Na sexta-feira (29), a Embaixada do Brasil em Washington comunicou ao USTR (Representante Comercial dos EUA) o início do processo que pode resultar na aplicação da Lei de Reciprocidade.

Embora ao longo do processo haja espaço para manifestações dos EUA e o Brasil tenha reiterado estar aberto ao diálogo, no Planalto não há expectativa de que essa abertura influencie na disposição americana de negociar.

A avaliação é que o interesse de Washington segue voltado para o julgamento de Bolsonaro e que a tensão deverá permanecer até as eleições de 2026.

Desde o anúncio das sanções, em 9 de julho, Donald Trump tem usado a situação jurídica envolvendo Bolsonaro como justificativa. Nesse período, os EUA aplicaram tarifas de 50% a produtos brasileiros, cancelaram vistos de autoridades e sancionaram o ministro Alexandre de Moraes, do STF, com base na Lei Magnitsky.

CNN – Jussara Soares

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Brasil

Homem é preso após afirmar ter explosivos em sua mochila e ameaçar detoná-los na Praça dos Três Poderes

Foto: Divulgação / PMDF

A Polícia Militar do Distrito Federal deteve neste sábado, 30, um homem que afirmava ter explosivos em sua mochila e ameaçava detoná-los na Praça dos Três Poderes, em Brasília. Uma equipe do esquadrão antibombas fez uma varredura do local e inspecionou os pertences do suspeito, e não foi encontrado nenhum explosivo ou arma.

Segundo a corporação, a PM foi acionada às 5h15. “O policiamento local 24h do 6° BPM fez o primeiro contato e iniciou o processo de negociação. Simultaneamente, foram acionados os protocolos das Operações Gerente e Petardo, que incluem o suporte do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope)”, diz nota da PMDF.

O suspeito foi preso por volta das 6h45. O homem foi identificado como Daniel Mourão e “encontrava-se em estado de agitação”, segundo a PM. Ele foi atendido no local pelo Corpo de Bombeiros Militar do DF e, em seguida, conduzido à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de São Sebastião por “apresentar sinais de distúrbios psiquiátricos”, de acordo com a corporação.

Após o atendimento médico, ele será encaminhado à 5ª Delegacia de Polícia (5ª DP) para os procedimentos cabíveis.

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Brasil

Fumantes crescem no Brasil pela 1ª vez em 20 anos; cigarro eletrônico é um dos fatores

Pela primeira vez em duas décadas, o número de fumantes no Brasil voltou a crescer. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde, a proporção de adultos que fumam passou de 9,3% em 2023 para 11,6% em 2024. Embora o hábito seja mais frequente entre homens (13,8%), também houve aumento entre as mulheres, cujo percentual subiu de 7,2% para 9,8%.

O pneumologista da Hapvida, Túlio Petrucci, aponta que a popularização dos cigarros eletrônicos e o enfraquecimento das campanhas antitabagistas estão entre os principais fatores para essa alta. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), 2,6% da população adulta, cerca de 4 milhões de pessoas, eram usuários de vapes em 2024.

“Há uma menor percepção de risco por parte da população. Muitas vezes os vapes são vistos como ‘menos nocivos’ ou ‘modernos’ e atraem novos usuários, inclusive pessoas que nunca fumaram. Além disso, o marketing indireto e a influência nas redes sociais, especialmente com celebridades e influenciadores, acabam estimulando o uso”, afirma o médico. Ele ainda relata que fatores socioeconômicos e emocionais, como estresse, ansiedade e dificuldades financeiras, também podem estimular o consumo.

Entre as mulheres, além do aumento geral do tabagismo, o uso de vapes cresceu de 1,4% em 2023 para 2,6% em 2024. O médico aponta que estratégias de marketing voltadas ao público feminino, com design, cores e sabores atrativos têm influência nesse cenário. Fatores como sobrecarga mental ligada ao acúmulo de funções (trabalho e família), pressão estética e social – incluindo a associação do cigarro ao controle de peso ou à ideia de “independência” e “estilo” –, além da influência de amigas e figuras públicas, também contribuem para o aumento.

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Brasil

Governo Lula reserva R$ 40,8 bilhões no Orçamento de 2026 para emendas parlamentares

Foto: Thiago Melo/CC

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reservou R$ 40,8 bilhões para emendas parlamentares no PLOA (Projeto de Lei Orçamentária) de 2026.

O valor é R$ 1,9 bilhão maior que o inicialmente previsto para as emendas no PLOA de 2025 (R$ 38,9 bilhões), que acabou sendo aprovado com R$ 50,4 bilhões carimbados pelos congressistas.

A exemplo do que ocorreu no Orçamento deste ano, o montante destinado às emendas em 2026 também deve subir. A dotação prevista na peça orçamentária é destinada a emendas individuais e de bancada impositivas, cuja execução é obrigatória, e não inclui as chamadas emendas de comissão.

O acordo do governo com o Congresso Nacional, mediado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) e formalizado em lei complementar, previa um limite de até R$ 11,5 bilhões para as emendas de comissão em 2025, valor a ser corrigido pela inflação nos anos seguintes.

Esses recursos, porém, ainda não estão programados no PLOA, e os parlamentares que quiserem recorrer ao instrumento precisarão cortar de outras despesas livres (como custeio e investimentos). Em 2026, o limite atualizado ficará em R$ 12,1 bilhões.

O Executivo ainda tem uma carta na manga para tentar evitar esse desgaste e pretende usar um espaço extra de R$ 13,4 bilhões a ser incorporado ao limite de 2026 para acomodar as emendas de comissão.

O valor adicional, porém, depende da aprovação da nova PEC (proposta de emenda à Constituição) dos precatórios, que flexibiliza o regime de pagamentos de sentenças judiciais devidas por estados e municípios. O texto também contém um dispositivo que, na prática, amplia o limite de gastos do governo no ano que vem.

A proposta orçamentária ainda prevê R$ 1 bilhão para o financiamento de campanhas eleitorais.

Folhapress

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