Brasil

Tarifaço: Queda de quase 20% nas exportações é apenas o começo, dizem especialistas

Panorama das Exportações no Brasil - CSS Log

O tarifaço de 50% que os EUA impuseram ao País já se faz sentir nas exportações brasileiras. As vendas para o mercado norte-americano caíram 18,5% em agosto, comparativamente ao mesmo mês do ano passado, para US$ 2,76 bilhões, um tombo que até era esperado, mas não de maneira tão imediata.

Para o diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Herlon Brandão, não é possível saber se a queda das exportações, daqui para a frente, será da mesma magnitude que a observada no mês passado. É possível que parte dessa redução se deva ao fato de os importadores terem antecipado encomendas na expectativa de que o tarifaço não tivesse exceções.

Já o ex-secretário de Comércio Exterior Welber Barral, consultor de comércio internacional, disse a O Globo que o impacto tende a ser ainda maior nos próximos meses. Quase 700 produtos brasileiros receberam tratamento especial e se livraram do adicional de tarifas, mas mesmo esses itens registraram recuo nas exportações, entre eles minério de ferro, aeronaves e combustíveis.

A notícia positiva é que as exportações brasileiras, ainda assim, tiveram um bom desempenho de maneira geral. As vendas externas aumentaram 3,9% em agosto, na comparação com o mesmo mês de 2024, com destaque para o aumento de embarques para Argentina, China e México, que receberam parte da produção que até então era enviada aos EUA.

Para os exportadores, a busca de novos mercados é a melhor alternativa. Se ficar parado na expectativa de que Donald Trump volte atrás de sua decisão não é uma opção, apelar a argumentos técnicos para revertê-la também parece ocioso. Isso ficou claro na missão que a Confederação Nacional da Indústria (CNI) enviou a Washington nesta semana, na qual o vice-secretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, enfatizou que as tarifas têm um componente político.

Felizmente, há mercado para muitos produtos brasileiros. O México se tornou o segundo maior cliente da carne bovina brasileira, superado apenas pela China. Em paralelo, o Ministério da Agricultura tem investido em negociações para abrir mercados para as proteínas na Ásia, em especial no Japão, no Vietnã, na Indonésia e nas Filipinas.

Depois de mais de 20 anos de negociações, a Comissão Europeia finalmente validou o acordo comercial com o Mercosul, primeiro passo para que o tratado de livre comércio seja submetido aos Estados-membros e ao Parlamento. A perspectiva de que ele possa ser assinado ainda neste ano é um alento para o Brasil, mas também para a União Europeia, cujo acordo com os EUA deixou uma legião de insatisfeitos.

Mesmo com o baque norte-americano, o saldo da balança comercial brasileira foi positivo em US$ 6,1 bilhões em agosto e em US$ 42,8 bilhões no acumulado do ano. Mantê-lo em terreno positivo no médio e no longo prazos dependerá não só da busca de novos mercados para os produtos brasileiros, mas do aumento da produtividade da economia brasileira e da remoção de barreiras às importações.

Estadão

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Brasil

Ações judiciais sobre descontos indevidos no INSS subiram 442% em 2024

Foto: RENATO S. CERQUEIRA/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

As reclamações na Justiça contra descontos indevidos das folhas de pagamento do INSS aumentaram em 442% em 2024, quando já havia investigações sobre o assunto na Polícia Federal e na CGU (Controladoria-Geral da União).

É o que mostram dados enviados pelos Tribunais Regionais Federais ao STF (Supremo Tribunal Federal), no processo em que o ministro Dias Toffoli determinou que todos os processos sobre o tema fossem suspensos.

No início de julho, o ministro homologou um acordo para determinar que o INSS devolvesse os valores diretamente para a conta das pessoas lesadas pelos descontos, desde que elas abrissem mão das ações judiciais.

Para ter o controle de quais ações foram suspensas, os tribunais informaram o número de processos em andamento sobre o assunto.

Somando os processos tribunais que forneceram informações sobre todos os anos, houve um salto na quantidade de ações de 2023 para 2024.

O TRF-1 identificou apenas 665 ações sobre o assunto, sem discriminar os dados ano a ano, assim como o TRF-6, que contabilizou 1.610 processos.

Apesar dos números reportados pelo TRF-1, um relatório da CGU apontou que o Maranhão e o Piauí, que ficam sob a jurisdição do tribunal, foram mais afetados pelas fraudes que os demais estados.

Há 19 cidades nesses estados onde mais de 60% dos aposentados tinham descontos associativos em suas contas.

No intervalo de 2023 para 2024, a arrecadação das associações suspeitas com descontos associativos também disparou, como mostrou o UOL em maio.

No esquema revelado pelo portal Metrópoles e que motivou a operação da PF, as associações incluíam aposentados entre seus associados sem o consentimento deles e descontavam uma mensalidade. Muitas dessas associações nem sequer funcionavam ou prestavam qualquer serviço —existiam apenas para desviar o dinheiro dos descontos.

Os dados mostram ainda que, a julgar pela quantidade de reclamações, o problema afetou principalmente os aposentados no Nordeste.

No TRF-5, que abrange Ceará, Alagoas, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe, há 38.292 ações pedindo ressarcimento de descontos indevidos.

Um dos inquéritos sobre as fraudes no INSS —hoje unidos no STF em um só processo— investigou fraudes no Ceará envolvendo a advogada Cecília Rodrigues Mota, suspeita de liderar um grupo de empresas de fachada cujo objetivo era desviar dinheiro do INSS.

As duas associações presididas por ela viram sua arrecadação disparar entre os anos de 2023 e 2024, e o grupo ligado a Cecília é suspeito de ter pago propina para servidores do INSS para facilitar a continuidade do esquema.

A AAPB (Associação dos Aposentados e Pensionistas do Brasil), uma dessas entidades, responde a mais de 1.600 processos no Tribunal de Justiça do Ceará. As ações contra as entidades são movidas na Justiça comum, ao contrário do que ocorre com os pedidos de indenização ao INSS, que tramitam na Justiça Federal.

O UOL não conseguiu contato com a defesa de Cecília Rodrigues Mota. As associações ligadas a ela também não responderam.

No acordo homologado por Toffoli, o beneficiário que tenha sido lesado pelas associações deverá concordar em receber os valores na esfera administrativa e desistir de ações judiciais contra a União e o INSS, mas poderá processar as entidades, se houver outras indenizações a reivindicar.

Natália Portinari, colunista do UOL

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Brasil

Lula sobre redes sociais: “Queremos regular e vamos regular, doa a quem doer”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta sexta-feira (5) que o governo federal vai regular as big techs no país “doa a quem doer”.

Segundo o presidente, as redes sociais facilitam a propagação de informações falsas sem nenhum tipo de controle.

“Queremos regular e vamos a regular, doa a quem doer”, declarou Lula em entrevista ao “SBT Brasil”.”Não pode brincar com a verdade. Não, não é censura. Quando você fala em regular, fala em censura? O país tem que ter regras, o que vale na vida real, vale na digital”, prosseguiu.

 

A declaração do presidente Lula também é uma resposta ao posicionamento do governo dos Estados Unidos, que já chegou a afirmar que o Brasil estaria censurando empresas americanas.

CNN

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Brasil

Lula diz que não passou a hora de ligar para Trump ‘porque ele não quer conversar’

Foto: SBT/Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, nesta sexta-feira (5), que não passou da hora de ligar para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para falar sobre a taxação dos EUA de 50% sobre produtos brasileiros.

“Não, não passou da hora porque ele não quer conversar. Tenho [o vice-presidente Geraldo] Alckmin, o [ministro da Fazenda, Fernando] Haddad e [o ministro das Relações Exteriores] Mauro Vieira para conversar. Pergunte se alguém tem interlocutor [com os EUA]? Não tem. Os americanos estão tendo comportamento político com relação ao Brasil”, disse Lula durante entrevista ao SBT, em Brasília.

Lula criticou o governo Trump por associar a taxação ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo Supremo Tribunal Federal. “Cada um dá palpite no seu quintal, cuida do seu galinheiro, do nosso nós cuidamos.”

Apesar de criticar Trump, Lula disse que está disposto a negociar, quando os EUA estiverem dispostos a isso. “Se tem uma coisa que aprendi foi negociar, e negociar com magnatas. Então no dia que Trump quis negociar ele tem um metalúrgico preparado para negociar (…) O Lula paz e amor está de volta.”

Lula ainda falou que a população dos Estados Unidos pode, no seu entendimento, ser prejudicada pelo tarifaço do governo de Donald Trump.

“Se os Estados Unidos acham que seu presidente virou imperador e que ele pode ficar ditando regras para o mundo, eles vão ver o que pode acontecer. O que vai acontecer nos Estados Unidos é que o povo americano vai pagar mais caro os produtos que eles estão comprando da gente”, afirmou o presidente.

Folha de S.Paulo

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Brasil

Moraes pede a Zanin sessão extra na quinta-feira (11) para julgamento de Bolsonaro

Foto: Rosinei Coutinho/STF

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), pediu nesta sexta-feira (5) mais sessões para o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O pedido foi encaminhado ao presidente da Primeira Turma, Cristiano Zanin.

Moraes pediu uma sessão extra na quinta-feira, 11 de setembro. Bolsonaro e outros sete réus são julgados no STF por plano de golpe. As próximas sessões estão previstas apenas para leitura do voto dos ministros.

Inicialmente, para a próxima semana, estavam previstas sessões na terça-feira (9), pela manhã e pela tarde; na quarta-feira (10), pela manhã; e, na sexta-feira (12), pela manhã e pela tarde.

“Solicito ao Excelentíssimo Presidente da Primeira Turma, ministro Cristiano Zanin, o agendamento de novas sessões complementares para a realização do julgamento, a serem realizadas na quinta-feira, dia 11/9/2025”, diz o pedido de Moraes.

Com informações de CNN e g1

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Brasil

Furto de energia no país gerou custo de R$10,3 bilhões em 2024

Funcionários da Enel fazem manutenção em poste de energia elétrica Rovena Rosa/Agência Brasil

O furto de energia, conhecido como perdas não técnicas de energia elétrica no Brasil, representaram um custo de R$ 10,3 bilhões em 2024, de acordo com relatório da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Conhecido como “gato”, o furto de energia ocorre no mercado de baixa tensão, que é composto por consumidores residenciais, pequenos comércios, escritórios e pequenas indústrias. Esse furto de energia gera também um consumo sem controle da carga distribuída. Inúmeros aparelhos, tecnicamente precários, estão conectados a essa carga furtada, o que provoca danos ao sistema e prejudica o atendimento aos demais consumidores.

As concessionárias de grande porte, que têm o mercado maior do que 700 Gwh (gigawatt-hora), são as responsáveis por fazer a gestão dos níveis dessas perdas comerciais, devido à amplitude do mercado de distribuição e à complexidade de combater práticas irregulares.

A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) detalha a complexidade e os desafios impostos por essa prática, considerada crime, no estudo “Furto de energia: Perdas não técnicas”, que acaba de ser lançado. O material explica de que forma os custos com furtos impactam a tarifa de energia de todos os consumidores regulares.

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Banco Central cria teto de Pix para combater crime organizado

PixMarcello Casal Jr./Agência Brasil

O Banco Central anunciou nesta sexta-feira (5) a criação de um teto para transações via Pix para algumas instituições com o intuito de evitar lavagem de dinheiro pelo crime organizado.

Para instituições de pagamento não autorizadas e as que se conectam à Rede do Sistema Financeiro Nacional via PSTI (Prestadores de Serviços de Tecnologia da Informação) fica limitado em R$ 15 mil o valor de TED e Pix.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirma que, para transações de valores maiores, será necessário fazer mais de uma operação.

Muitas instituições, de diversos tipos, se conectam ao sistema financeiro nacional por um prestador de serviço terceirizado, as PSTIs.

Galípolo, explica que o BC identificou uma “infraestrutura crítica” desses prestadores de serviço, o que levou a autoridade monetária a endurecer as regras vigentes.

Segundo o presidente do BC, 99% das transações de Pix ou TED de pessoas jurídicas estão abaixo desse valor de R$ 15 mil. A ideia é identificar movimentações suspeitas com mais facilidade, especialmente as feitas pelo crime organizado. Essa restrição fica vigente até que a intuição financeira se torne autorizada ou que o PSTI atenda os novos processos de controle do BC.

O BC aumentou os requisitos e controles para o credenciamento dos PSTI. Passa-se a exigir capital mínimo de R$ 15 milhões dessas terceirizadas.

O descumprimento estará, segundo o BC, sujeito à aplicação de medidas cautelares ou até ao descredenciamento.

“Vamos requerer tanto requisitos de governança e gestão de riscos e capital mínimo de R$ 15 milhões”, disse Galípolo.

A norma entra em vigor imediatamente e os PSTI em atividade têm até quatro meses para se adequarem. As novas regras serão publicadas pelo BC às 18h00 desta sexta.

Nas novas regras publicadas nesta sexta, o BC também impôs controles adicionais às instituições de pagamento.

Somente integrantes dos segmentos S1, S2, S3 ou S4 que não sejam cooperativas poderão atuar como responsáveis no Pix por instituições de pagamento não autorizadas. Os contratos vigentes deverão ser adequados em até cento e oitenta dias.

O BC também informou que nenhuma instituição de pagamento poderá começar a operar sem autorização prévia.

Além disso, o prazo final para que instituições de pagamento não autorizadas a funcionar pelo BC solicitem autorização para funcionamento é antecipado de dezembro de 2029 para maio do ano que vem.

CNN

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Brasil

Com golaços Brasil vence Chile e segue invicto sob o comando de Ancelotti

Foto: Reprodução/X/@CONMEBOL

O Brasil de Carlo Ancelotti venceu e convenceu os mais de 57 mil torcedores no Maracanã, onde bateu o Chile por 3 a 0, nesta quinta-feira (4), pela penúltima rodada das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2026.

Já garantida no Mundial — e contra um Chile decepcionante e lanterna —, a Seleção jogou mais leve do que vinha se apresentando, especialmente após as trocas no segundo tempo.

Os gols, todos plasticamente bonitos, foram marcados por Estêvão, Lucas Paquetá e Bruno Guimarães. Luiz Henrique, acionado na etapa final, participou ativamente dos dois últimos.

Com a vitória, a Seleção Brasileira segue invicta sob o comando de Ancelotti — dois triunfos consecutivos e um empate — e assume a segunda posição da tabela, atrás apenas da líder disparada Argentina.

Como foi o jogo

Em momento de testes pós-classificação, Ancelotti escalou o Brasil com um quarteto de atacantes — Estêvão, Raphinha, Martinelli e João Pedro — sustentado pela dupla de volantes Bruno Guimarães e Casemiro.

Wesley era o lateral ofensivo, enquanto Douglas Santos fazia as vezes de terceiro zagueiro ao lado de Marquinhos e Bruno Guimarães quando o time atacava. Ainda assim, o lateral-esquerdo participou do primeiro gol.

Aos 38 minutos, Douglas acertou bela enfiada para Raphinha, que chutou para defesa de Vigouroux. A bola subiu e ia na direção do gol, mas Estêvão acertou uma bela bicicleta para garantir que o placar seria aberto.

Foi o primeiro gol do jovem de 18 anos, jogador do Chelsea, pela Seleção Brasileira principal.

Substituições melhoram o time

Na segunda etapa, vendo que o Brasil diminuía o ritmo diante de um Maracanã cheio, Ancelotti optou por dar sangue novo ao time. Acionou Andrey Santos, Luiz Henrique, Lucas Paquetá e Kaio Jorge.

Ex-Botafogo e hoje no Zenit, Luiz Henrique voltou a se destacar com a camisa amarelinha. Aos 28 minutos, ele fez belíssima jogada individual e cruzou para Paquetá apenas completar de cabeça, em sua volta à Seleção após a absolvição.

Três minutos depois, após bela triangulação, Luiz Henrique fintou o zagueiro, acertou o travessão e, no rebote, Bruno Guimarães apenas empurrou para o gol vazio.

Próximo jogo

A Seleção Brasileira agora se despede das Eliminatórias com um desafio difícil. Na terça-feira (9), às 20h30 (de Brasília), o time visita a Bolívia em El Alto, contra uma altitude de mais de 4 mil metros.

Os bolivianos, inclusive, jogarão a partida da vida. Afinal, os donos da casa dependem de uma vitória sobre o Brasil — e de um tropeço da Venezuela contra a Colômbia — para irem à repescagem e ainda sonharem com uma vaga na Copa.

CNN

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Brasil

No primeiro mês de tarifaço, exportações do Brasil aos EUA caem 18,5%

Foto: Dado Galdieri/Bloomberg

As exportações do Brasil para os Estados Unidos registraram uma queda de 18,5% em agosto, no primeiro mês de vigência do tarifaço americano sobre produtos brasileiros, segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e Serviços (MDIC) nesta quinta-feira.

Houve uma diminuição de US$ 600 milhões em relação aos ganhos obtidos pelas exportações em comparação com o mesmo período do ano passado. As importações de produtos americanos, por outro lado, aumentaram 4,6% em agosto, um ganho de US$ 200 milhões.

Com isso, o Brasil registrou um déficit nas transações comerciais dos americanos pelo oitavo mês seguido neste ano, ou seja, importou mais produtos americanos do que exportou para os EUA. Desse modo, o saldo deficitário para o Brasil ficou em US$ 1,23 bilhão em agosto.

Segundo os dados da balança, apesar da queda nas compras de produtos brasileiros pelos EUA, houve um crescimento de 3,9% das exportações do Brasil em agosto. A agropecuária e indústria extrativa foram os setores que puxaram o desempenho para cima, com uma alta de 8,3% e 11,3%, respectivamente.

Este foi o primeiro mês de vigência do tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump ao Brasil. Foi estabelecida uma tarifa adicional de 40% sobre produtos brasileiros, somando-se aos 10% anunciados em abril, elevando o total da tarifa para 50%.

A medida afeta diretamente 35,9% das exportações do Brasil para os Estados Unidos, segundo cálculos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2024, estes itens corresponderam a US$ 14,5 bilhões das exportações brasileiras.

Quase 700 produtos — entre os 4 mil itens que o Brasil exporta para os EUA — foram listados como exceções a essa tarifa adicional de 40%. No entanto, alguns dos principais itens da pauta de exportação brasileira, como café, cacau, carne bovina, frutas, têxteis, calçados e móveis ficaram de fora da lista de produtos que não terão tarifa adicional.

Enquanto isso, a balança comercial brasileira fechou o mês de agosto com um superávit de US$ 6,13 bilhões, resultado da diferença entre US$ 29,86 bilhões em exportações e US$ 23,73 bilhões em importações. Houve um crescimento de 35,8% em relação ao resultado registrado no mesmo mês do ano passado.

O Globo

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Brasil

Motta diz que ainda não há definição sobre análise de anistia na Câmara: ‘Estamos ouvindo a todos’

Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta quinta-feira (4) que ainda não decidiu sobre a possibilidade de colocar em votação uma proposta que perdoa condenações dos ataques de 8 de janeiro de 2023.

Motta sinalizou que o assunto ainda está em discussão e que tem ouvido “todos” os interessados no tema — tanto os interessados quanto os críticos da proposta.

“Estamos muito tranquilos com relação à discussão dessa pauta [anistia], não há ainda nenhuma definição [sobre colocar em votação a proposta]. Nós estamos sempre ouvindo o colégio de líderes nessas pautas, não tem ainda”, disse o presidente da Câmara à imprensa.

A anistia aos condenados pelos ataques às sedes dos Três Poderes voltou ao centro das discussões políticas no Congresso com o início do julgamento, no Supremo Tribunal Federal (STF), contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado.

Prioridade principal da oposição na Câmara e no Senado, nas últimas semanas, a pauta tem recebido apoios de parlamentares do Centrão.

Aliados de Bolsonaro têm elevado a pressão para que o projeto seja analisado no Congresso. Na avaliação de congressistas, as negociações ganharam corpo com o embarque do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), na articulação.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, afirmou no início da semana que o objetivo é apresentar uma proposta de anistia “ampla, geral e irrestrita” — incluindo um perdão a Jair Bolsonaro. Líder do PL na Câmara, o deputado Sóstenes Cavalcante (RJ) afirma que é “inadmissível” discutir a proposta sem estabelecer benefícios a Bolsonaro.

Nos últimos dias, Hugo Motta foi procurado por aliados de Bolsonaro para discutir a proposta de anistia. Um dos encontros, confirmado pelo presidente da Câmara, ocorreu com Tarcísio de Freitas.

Motta colocou o compromisso com o governador de São Paulo como parte dos diálogos mantidos com lideranças políticas em torno da proposta.

“O governador é um querido amigo, é do nosso partido, nós temos dialogado sempre. Não tem nenhuma novidade em relação a isso. O governador tem um interesse de que se paute a anistia e isso é público, e nós estamos ouvindo a todos”, declarou.

Nesta quinta, Motta deve voltar a discutir a proposta de anistia com o líder do PL na Câmara. Sóstenes participou, na noite de quarta, de um jantar com Tarcísio e o pastor Silas Malafaia. O perdão aos condenados pelo 8 de janeiro foi um dos temas conversados.

Sóstenes afirmou que, durante o jantar, Tarcísio de Freitas relatou detalhes da conversa com Motta, que também contou com a participação dos presidentes do PP, Ciro Nogueira, e do Repulicanos, Marcos Pereira.

O parlamentar declarou que espera que, nesta quinta, Hugo Motta apresente um cronograma para discutir a anistia na Câmara. Na avaliação do líder do PL, Motta não parece “confortável” a colocar o tema em debate durante o julgamento de Bolsonaro.

g1

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