
A Paraíba está no centro das investigações sobre o suposto esquema conhecido como “indústria do limpa-nome”, que apura a atuação de associações, advogados e magistrados em ações judiciais destinadas a suspender temporariamente restrições de crédito de consumidores inadimplentes.
Segundo os dados apresentados na reportagem, dois magistrados paraibanos aparecem entre os investigados por decisões relacionadas ao caso. No entanto, ainda existe um terceiro que não foi mencionado na apuração do Fantástico. Juntos, eles teriam atuado em 66 ações apontadas pelas investigações, conforme apuração do Polêmica Paraíba.
O juiz Glauco Coutinho Marques, responsável pela comarca de Gurinhém, aparece vinculado a duas ações. Já a juíza Daniere Ferreira de Souza, da Vara Única da Comarca de Caaporã, é citada em 17 processos. O maior número de ações está relacionado ao juiz Josivaldo Félix Oliveira, da Vara Cível de João Pessoa, com 47 casos.
Ainda, de acordo com a reportagem do Fantástico, as investigações revelam que associações ingressavam com ações coletivas alegando supostas irregularidades em registros de inadimplência. Com base nesses processos, eram concedidas liminares que determinavam a retirada temporária das restrições dos sistemas de consulta ao crédito, como Serasa e SPC.
No caso de Glauco Coutinho, o Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) afirma que a associação Grupo Amigos do Consumidor (GAC), sediada em João Pessoa, teria utilizado um endereço de fachada em Caldas Brandão para direcionar processos à Comarca de Gurinhém. Segundo os investigadores, o objetivo seria fazer com que as ações fossem analisadas pelo magistrado.
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As apurações também investigam a suspeita de concessão sistemática de liminares favoráveis a entidades ligadas aos advogados investigados no caso, além de possíveis vantagens financeiras indevidas.
Já o juiz Josivaldo Félix Oliveira é investigado sob suspeita de recebimento de recursos indevidos em troca de decisões judiciais. Em razão das apurações, ele chegou a ser afastado pelo Tribunal de Justiça da Paraíba.
Em Caaporã, o Fantástico apontou que a juíza Daniere Ferreira de Souza teria concedido segundo a promotoria, 19 liminares à associação, beneficiando milhares de devedores. O Ministério Público e a Corregedoria do Tribunal de Justiça da Paraíba investigam a juíza.
As investigações seguem em andamento, e os magistrados citados têm direito ao contraditório e à ampla defesa. O espaço fica aberto para manifestação dos citados na matéria.




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