
A primeira-ministra do Reino Unido, Liz Truss, renunciou ao cargo nesta quinta-feira, 20, apósa penas 44 dias de governo, marcados por uma sucessão de crises que aumentou a pressão de parlamentares conservadores a um nível insustentável.
Com isso, aumentou a pressão de parlamentares conservadores sobre a recém-eleita liderança e culminou com a demissão do segundo ministro de seu gabinete em menos de dois meses de mandato.
A pressão dos parlamentares conservadores contra Truss alcançou o ápice na quarta-feira, 19, quando a premiê foi criticada por aliados – e também por opositores do Partido Trabalhista – durante uma ida à Câmara dos Comuns. O descontentamento de parte de sua bancada quase se converteu em uma rebelião partidária durante uma votação sobre a exploração de gás de xisto. A proposta do governo acabou sendo a vencedora, mas o desgaste com o próprio partido ficou evidenciado.
Apesar das tentativas de sinalização de Truss, parlamentares conservadores não diminuíram a pressão sobre a liderança. Em entrevista à rede britânica BBC, o parlamentar conservador Simon Hoare disse que o governo estava em desordem. “Ninguém tem um plano de rota. É todo tipo de luta corpo a corpo no dia-a-dia”, disse, acrescentando que Truss tinha “cerca de 12 horas” para reverter a situação.
“É hora da primeira-ministra ir”, disse a deputada Miriam Cates. Outro parlamentar conservador, Steve Double, disse: “Ela não está à altura do trabalho, infelizmente”.
Truss comunicou sua renúncia após uma reunião na manhã desta quinta com o supervisor da liderança do Partido Conservador, Graham Brady, foi convocado para uma reunião às pressas no número 10 de Downing Street na manhã desta quinta. Brady, que tem como tarefa avaliar se a premiê ainda tem o apoio dos membros do Partido Conservador no Parlamento, é uma figura central para a continuidade ou colapso do governo.
Há seis semanas no cargo, Truss viu sua popularidade despencar rapidamente. Um plano fracassado de recuperação econômica que causou uma crise social e política provocou a queda do secretário de Finanças, Kwasi Kwarteng. Na quarta-feira, em um sinal de indisciplina partidária, mais de dez deputados conservadores pediram a renúncia de Truss — que também viu a sua ministra do Interior, Suella Bravermam, desembarcar do governo.
Braverman, considerada parte da linha-dura do Partido Conservador, alegou como motivo da sua demissão ter usado a sua conta de e-mail pessoal para enviar um documento oficial a um colega, mas os meios de comunicação britânicos apontam principalmente para as diferenças entre as duas mulheres em relação à política de imigração.
Horas depois da demissão de Braverman, o gabinete indicou o ex-ministro dos Transportes de Boris Johnson, Grant Shapps, para o cargo. Shapps apoiou o adversário de Truss nas eleições internas do partido, Rishi Sunak, e sua indicação seria um sinal de “abertura” a outras alas da sigla, segundo observadores.
Estadão
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