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Gilmar Mendes desempata julgamento, e STF decide pela soltura de Sérgio Cabral

Gilmar vota pela soltura de Sérgio Cabral, que pode deixar a prisão |  Metrópoles
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta sexta-feira (16) a favor de um pedido de soltura do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral. Com a decisão, a Segunda Turma da corte formou maioria pela libertação do político, que está preso desde 2016 após condenações na Operação Lava Jato.

A Segunda Turma é formada por cinco ministros e dois deles, Ricardo Lewandowski e André Mendonça já tinham votado a favor do pedido da defesa de Cabral. O relator da ação, Edson Fachin, foi contra a soltura, e Nunes Marques acompanhou o entendimento do relator.

Os advogados sustentam que a prisão preventiva, decretada pelo ex-juiz Sergio Moro, se estendeu para um prazo além do razoável. Preso há seis anos, Cabral está detido no Batalhão Especial Prisional da Polícia Militar do Rio de Janeiro, em Niterói, na região metropolitana da capital fluminense.

Na época da prisão, Moro alegou que a influência política de Cabral punha em risco o andamento das investigações da Lava Jato.

Além de acabar com a prisão preventiva de Cabral, a Segunda Turma pode anular as condenações e enviar os casos à Justiça Federal do Rio de Janeiro. A defesa de Cabral alega que os processos não são de competência da Justiça Federal do Paraná.

R7

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Brasil

Janja indica e veta nomes para a equipe de Lula

Onde e quando Lula conheceu Janja e qual o papel dela na campanha do PT | Eleições 2022 | Valor Econômico
A socióloga e futura primeira-dama, Rosângela da Silva, 56 anos, conhecida como Janja, tem participado ativamente das negociações para a montagem do 3º governo do seu marido, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 77 anos. Em ao menos 3 vezes ela influenciou na montagem de ministérios, com argumentos sobre o que considera impróprio ou que possam causar danos de imagem à futura gestão. Janja vetou o anúncio do deputado Pedro Paulo (PSD-RJ) para o Ministério do Turismo. Ele foi indicado pelo seu partido, que já dava como certa a escolha. O presidente do PSD, Gilberto Kassab, e o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), tentam agora reverter a situação.

O motivo foi o histórico de agressões de Pedro Paulo contra sua ex-mulher Alexandra Marcondes Carvalho Teixeira. Em 2015, as revistas Época e Veja revelaram que o congressista havia agredido a então companheira mais de uma vez. O registro policial, segundo as reportagens, era de 2008. Alexandra Teixeira disse em depoimento registrado na 1ª queixa, de 26 de dezembro de 2008, que ela e o então marido discutiram dentro do carro. Pedro Paulo a teria xingado e dado socos em seu corpo e rosto.

Janja também atuou para emplacar um aliado na secretaria executiva do Ministério da Cultura. A cantora Margareth Menezes, que assumirá o comando da pasta, queria ter como secretário-executivo o ex-presidente da Fundação Palmares Zulu Araújo. Porém, o cargo ficara´com o secretário nacional de cultura do PT, Márcio Tavares. Como também contou com o apoio de Janja na sua escolha, Menezes aceitou o pedido. De acordo com reportagem do jornal Folha de S. Paulo, Zulu deverá ser o chefe de gabinete da futura ministra.

Janja também tenta emplacar uma amiga com quem trabalhou na Itaipu Binacional para o Ministério da Mulher. Trata-se da professora paranaense e ex-diretora da estatal Maria Helena Guarezi, que foi coordenadora do Programa de Incentivo à Equidade de Gênero na empresa. Lula delegou a Janja a escolha do nome para a pasta. A sinalização de uma possível indicação de Guarezi, no entanto, desagradou ao PT, que não a considera como representante de movimentos de mulheres ou movimentos sociais.

A assessoria da futura primeira-dama disse que quem define os indicados para ministérios é o presidente eleito, e não a futura primeira-dama. A influência de Janja sobre as decisões de Lula é relatada por aliados desde a pré-campanha eleitoral. No início, houve estranhamento e reclamações. No entanto, ela ganhou espaço e respeito no partido. Suas opiniões também são muito consideradas por Lula.

Poder360

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Flávio Dino anuncia ex-deputado do PT e ex-advogado de Lula como secretário nacional do consumidor

Flávio Dino diz que Lula não foi exposto a risco e que ordem está garantida | Exame
O futuro ministro da Justiça, Flávio Dino, anunciou nesta sexta-feira o ex-deputado federal Wadih Damous como chefe da Secretaria Nacional de Defesa do Consumidor. Filiado ao PT, Damous foi presidente da OAB do Rio de Janeiro e figurou como advogado de defesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando ele estava preso na carceragem da Polícia Federal em Curitiba.

Dino também anunciou três mulheres para vagas na direção do ministério. A advogada Tamires Sampaio será a coordenadora do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (PRONASCI), que foi lançado no segundo mandato de Lula e agora deve ser retomado.

Já a advogada Estela Aranha assumirá a coordenadoria de assuntos digitais, órgão que será vinculada ao gabinete do ministro e tratará de plataformas online e proteção de dados. E Sheila de Carvalho, que também é advogada, será a assessora especial do ministro e a presidente do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare).

Flávio Dino também anunciou quem será o seu número 3 na pasta – Diego Galdino, que será nomeado secretário-executivo adjunto. Homem de confiança do senador eleito pelo PSB, ele comandou diversas secretarias no governo do Maranhão, como de Estado, Cultura e Turismo, Meio Ambiente e Casa Civil.

Nesta quarta-feira, Dino já havia anunciado os nomes do jornalista Ricardo Capelli como secretário-executivo do ministério (o número dois da pasta); e Marivaldo Pereira como secretário de Acesso à Justiça. Este órgão ainda deve ser criado pelo governo Lula.

Filiado ao PSB, Capelli foi secretário estadual de Comunicação do Maranhão quando Dino era governador. Ele também foi presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) e secretário do ministério dos Esportes nas gestões Lula e Dilma. Já Pereira é associado ao PSOL e foi secretário executivo do ministério da Justiça na gestão de Dilma Rousseff.

Polícia Federal

Outro integrante chave da nova gestão é o delegado Andrei Passos, que será o próximo diretor-geral da Polícia Federal. Ele comanda a equipe de segurança do presidente Lula.

O Globo

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Transição defende revisão de lei do saneamento; Entenda o que está em jogo

Com 47,6% dos brasileiros sem coleta de esgoto, meta de universalização até  2033 é 'impossível', diz especialista | Desafio Natureza | G1
O grupo de Cidades na transição propôs que o governo eleito de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) revogue os decretos que regulamentam o novo marco legal do saneamento e sugeriu que a futura administração retome a possibilidade de estatais de saneamento fecharem contratos sem licitação com municípios – a vedação a esse instrumento é um dos principais pilares da lei em vigor desde 2020.

O grupo que tem entre os integrantes o deputado federal eleito Guilherme Boulos (PSOL-SP) e o ex-governador de São Paulo Márcio França (PSB) ainda sugere revisar a legislação para revogar artigos que viabilizam a privatização de empresas estaduais de saneamento, como a Sabesp (SP) e a Corsan (RS).

Esse documento, assim como os relatórios de outros grupos técnicos, não foi divulgado pelo governo de transição. Lula pode ou não seguir as recomendações dos GTs.

Diferente da revogação dos decretos, cuja decisão cabe exclusivamente ao futuro presidente, a volta da permissão para que prefeituras possam contratar sem licitação (os chamados contratos de programa) dependeria de uma mudança na lei aprovada pelo Congresso.

Esse tipo de contrato foi o grande responsável pelo predomínio das estatais no saneamento brasileiro durante as últimas décadas. Como a lei anterior não obrigava os municípios a abrir licitação para contratar os serviços de água e esgoto, o comum era que prefeituras e companhias estaduais fechassem acordos entre si, muitos deles sem estipular metas de cobertura. A falta de fôlego para essas estatais investirem, no entanto, se apresentou como um problema. Quase metade da população não tem acesso à rede de esgoto. Pelas metas do novo marco, até 2033, as empresas precisam garantir o atendimento de água potável a 99% da população e o de coleta e tratamento de esgoto a 90%.

No relatório, os membros do grupo afirmam que a nova lei causou desequilíbrio com o fim dos contratos de programa, porque dessa forma teria “proibido” a cooperação federativa, causando “insegurança jurídica e obstaculizou a prestação privada”.

No relatório, o GT de Cidades afirma que houve “redução” de recursos públicos no saneamento devido à “falta de igualdade na atuação do mercado” pelas empresas públicas e privadas, o que imporia a necessidade de revisão do marco do saneamento, segundo eles. Nesse ponto, o documento cita a necessidade de revogação de três artigos – dois foram colocados na lei para facilitar a privatização das estatais de saneamento. Um deles é considerado essencial para essas vendas ocorrerem, já que, na prática, ele permite que a empresa mantenha seus contratos em caso de venda. Sem essa segurança, o valor de mercado da estatal é atacado.

Na última sexta-feira, 09, após ser anunciado como futuro ministro da Casa Civil, o governador da Bahia, Rui Costa (PT), apontou que a gestão Lula 3 deverá ajustar pontos do modelo inaugurado em 2020 após “diálogo” com o setor. Para ele, que enquanto governador resistiu a vários trechos do marco legal durante a tramitação no Congresso, não houve a “explosão” de investimentos “como se esperava”. “Nós vamos olhar com carinho essa questão do marco do saneamento”, disse Costa, indicando que, num primeiro momento, o governo deve rever os decretos regulamentadores da lei.

Desde de que o novo marco legal do saneamento entrou em vigor, o governo já editou pelo menos dois decretos regulamentadores, que o GT sugere revogar. Um deles é o que estabeleceu a metodologia de comprovação da capacidade econômico-financeira das empresas de saneamento. Na prática, esse ato foi o responsável por invalidar mais de mil contratos de saneamento fechados entre estatais e municípios, por funcionar como uma “linha de corte” para empresas públicas que não tem estofo para investir no setor.

O outro decreto citado, que o GT sugere revogar no primeiro dia de governo Lula, é o que regulamenta os novos requisitos para o acesso aos recursos federais, decorrentes do novo marco, como a regionalização dos serviços.

Apesar de parte do setor apoiar ajustes nos decretos de saneamento, a revogação completa é vista com extrema preocupação. A mudança nesses atos tem apoio do segmento privado apenas em questões específicas, como a revogação do artigo que reforça a limitação para contratação de PPPs por estatais.

Estadão

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‘Vampiro cuidando do banco de sangue’, diz Bibo Nunes sobre Mercadante no BNDES

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (Progressistas), afirmou que vai votar a ‘PEC fura-teto’ na próxima terça-feira. O texto segue emperrado na casa por dificuldades na negociação entre a equipe de transição e integrantes do chamado Centrão. Já no Senado, Rodrigo Pacheco (PSD) adiou a votação da mudança da Lei das Estatais após a repercussão negativa da indicação de Aloizio Mercadante ao BNDES. Para comentar a semana agitada do Congresso Nacional, o Jornal da Manhã, da Jovem Pan News, entrevistou o deputado federal Bibo Nunes (PL), que criticou a flexibilização da quarentena, de 36 meses para 30 dias, para que políticos possam assumir cargos em estatais.

“O governo novo já chega só com absurdos, estourando teto e fazendo com que se constate que esse governo quer dar cabides de emprego. O empreguismo desenfreado vai voltar, para quê isto? Para beneficiar Mercadante sendo presidente do BNDES. O BNDES foi um caos no governo de esquerda. Colocar Mercadante como presidente do BNDES é como colocar o vampiro cuidando do banco de sangue. Não tem fundamento. E outra, três anos [de quarentena] é o correto (…) Temos que colocar nas estatais e ministérios, como colocou o governo Bolsonaro, pessoas técnicas com capacidade. E não dar cargos para seus apaniguados”, defendeu.

A respeito da PEC da Transição, que pretende furar o teto de gastos em R$ 145 bilhões por dois anos para cumprir as promessas de campanha de Lula (PT), o parlamentar deu detalhes sobre as articulações na Câmara para barrar a proposta ou modificar o texto: “Nós do PL, principalmente no mérito, votaremos não com certeza. Depois, nós temos um destaque supressivo. Onde fala em R$ 145 bilhões nós queremos suprimir, ficando em R$ 45 bilhões. No meu caso, eu voto contra os R$ 45 bilhões também. Porque eu não quero que passe um centavo do teto de gastos. Um governo que já chega querendo gastar e querendo colocar aí 13 ministérios a mais e um salário mínimo além do previsto”.

“Acho muito difícil que eles consigam os 308 votos. Se não fosse o fato de permitir a votação à distância, com certeza absoluta não seria aprovada essa PEC, para o bem do Brasil. Começar o governo com irresponsabilidade fiscal não dá. O que dizem os esquerdistas: ‘Mas, o Bolsonaro prometeu os R$ 600’. Sim, prometeu. Mas Bolsonaro iria enxugar e economizar. Paulo Guedes tinha a solução para pagar os R$ 600 sem furar o teto. Precisamos de responsabilidade fiscal, de minha parte não voto a favor de um centavo a mais sequer”, argumentou.

Bibo Nunes também ressaltou que as justificativas que o governo de Jair Bolsonaro (PL) teve para furar o teto de gastos durante o mandato já não existem mais no contexto atual: “É muito simples explicar por que foi furado o teto. Estávamos vivendo uma brutal pandemia mundial e uma guerra, afetando toda a economia. Pessoas desempregadas e empresas quebrando e fechando. Vivíamos uma pandemia, hoje não tem mais pandemia. O que querem é simplesmente aumentar o número de ministérios e continuar com os R$ 600 mais R$ 150 para crianças até 6 anos com um dinheiro que não pode ser colocado à disposição”. Confira a entrevista completa no vídeo abaixo.

Jovem Pan

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Brasil

‘Apoiei Lula, mas agora estou com medo’, diz Armínio Fraga


Foto: SÉRGIO CASTRO/ESTADÃO CONTEÚDO

O ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga disse nesta quinta-feira (15) que está com medo do futuro governo do presidente eleito do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O economista declarou que não se arrepende de ter votado no petista no segundo turno das eleições deste ano, mas comentou que políticos que vão compor a gestão dele a partir de 2023 têm dado sinalizações de irresponsabilidade fiscal.

“Eu apoiei a candidatura do presidente [eleito] Lula. Foi um apoio, no meu caso, sem qualquer condicionalidade. Eu votei e não me arrependo, mas agora estou com medo. Vários sinais já foram dados. Não dá para dizer que seja uma conclusão definitiva do que vem por aí, mas os sinais incluem vários comentários negativos sobre responsabilidade fiscal, que apontam para políticas de um estilo mais intervencionista. O todo é bem preocupante”, disse Fraga em entrevista ao Brazil Journal.

Ele criticou a PEC (proposta de emenda à Constituição) do estouro, em análise no Congresso Nacional, que expande o teto de gastos em quase R$ 200 bilhões para que o futuro governo de Lula banque o Auxílio Brasil a R$ 600 e pague um acréscimo de R$ 150 por criança de até 6 anos às famílias beneficiárias. Segundo o ex-presidente do Banco Central, o Brasil está implantando um “megaproblema” do ponto de vista macroeconômico.

“Estamos seguindo um caminho macroeconômico extremamente perigoso. Essa PEC desse tamanho, do ponto de vista macroeconômico, é um absurdo. Entendo as demandas, são todas legítimas. Mas isso precisa ser resolvido de uma maneira tal que a economia se sinta em paz para investir no futuro, para crescer. Se não tiver isso, não vai dar certo”, afirmou.

R7

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Futuro chanceler do governo Lula defendeu embaixador acusado de assédio

Anunciado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como futuro chanceler, Mauro Vieira fez uma defesa enfática do embaixador aposentado João Carlos de Souza-Gomes no depoimento prestado em 2018 no processo que levou ao afastamento e suspensão do diplomata por assédio sexual e moral.

A relação de proximidade entre Vieira e Souza-Gomes tem sido relembrada em tom crítico por diplomatas desde que o presidente eleito anunciou sua escolha para comandar o Itamaraty a partir de 2023.

Vieira lamentou à época o vazamento das informações à imprensa por prejudicarem o colega, um diplomata que, na avaliação do futuro chanceler, “sempre teve uma conduta profissional impecável em relação aos colegas”.

Além da defesa de Souza-Gomes, o futuro ministro das Relações Exteriores condenou o envio de queixas contra chefes de postos diplomáticos direto ao Itamaraty, em Brasília, sem antes uma tentativa de conciliação entre subordinados e superiores.

“O depoente [Vieira] crê que o adequado em uma relação de trabalho sempre é discutir quaisquer desavença e problemas existentes entre subordinados e superiores antes de encaminhar a questão a outras instâncias”, disse, respondendo a questionamento do acusado e seu advogado.

Vieira, por meio de sua assessoria, disse ao Painel que se referia apenas a discordâncias e que defende, sim, a denúncia de casos de assédio. Declarou ainda que o tema será prioridade em sua futura gestão.

O processo disciplinar contra Souza-Gomes foi aberto para apurar denúncias de agressão, assédio sexual e moral, racismo e homofobia supostamente cometidos quando o diplomata chefiava a delegação do Brasil junto à FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), em Roma.
Painel

Funcionárias da delegação relataram comentários de cunho sexual e situações constrangedoras criadas pelo diplomata durante a convivência em Roma. Uma delas afirmou que era obrigada a ajudá-lo a colocar suas camisas, inclusive inserindo ela dentro das calças do embaixador.

Colega de Souza-Gomes da turma de 1974 do Instituto Rio Branco, Vieira foi o primeiro de uma lista de 23 testemunhas arroladas pela defesa do diplomata.

Ele foi ouvido no processo apesar de não ter estado em Roma em nenhuma data em que Souza-Gomes chefiava a delegação do Brasil na FAO. O depoimento foi uma concessão da comissão que conduziu o processo, que havia estabelecido como critério apenas colher depoimentos de testemunhas que tivessem passado pelo posto no período.

“Quanto ao histórico de vida do acusado, a comissão recorda que já examinou seu maço pessoal que é o arquivo por excelência do histórico do funcionário. […] Nestas condições, a comissão considera o suficiente para dispensar quaisquer outros depoimentos que não tenham relação com os fatos acontecidos em Roma”, escreveu a comissão, ao aprovar a oitiva de Vieira.

Na quarta-feira (14), o futuro ministro havia afirmado à Folha que, em seu depoimento, “falou que não tinha conhecimento dos fatos que geraram a acusação, inclusive por residir em cidade diferente da do referido embaixador”.

Contudo, a transcrição do depoimento de Vieira tem seis páginas de elogios ao colega de turma, descrevendo episódios e relatos positivos que ouviu sobre ele durante sua carreira.

Entre as missões de Souza-Gomes elogiadas por Vieira está a do Uruguai, posto em que foi alvo em 2011 de inspeção do então corregedor Gélson Fonseca por denúncias de assédio. O futuro ministro disse que o diplomata promoveu na Embaixada de Montevidéu “clima positivo de convívio e deixou boas lembranças nos servidores e nos contratados locais”.

Vieira também foi questionado pela defesa do diplomata sobre como avaliava o comportamento de servidores que gravam despachos e telefonemas com seus chefes. A pergunta não faz referência, mas parte das provas do caso é composta por gravações feitas por funcionários de Roma.

“[Vieira] Julga tal fato grave e o considera como sendo um desrespeito e uma insubordinação funcional. Segundo a testemunha, atitude dessa natureza só pode ter sido motivada por um conluio ou por uma vingança”, diz a transcrição do depoimento.

Ao final do depoimento, o futuro ministro também afirma, sem ser perguntado, que Souza-Gomes tinha como “inimigo notório” o diplomata Antônio Ricarte, representante-adjunto do posto chefiado pelo investigado.

Ricarte foi quem recebeu as primeiras denúncias de funcionários da delegação sobre o que ocorria. Um dos objetivos da defesa ao longo do processo era desqualificar as informações do diplomata.

A comissão concluiu que Souza-Gomes praticou assédio moral, mas afirmou que o caso de agressão não ficou comprovado. Ele foi suspenso por 85 dias e foi alvo de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal, ainda não julgada. O diplomata se aposentou no ano seguinte.

Procurado diversas vezes ao longo dos anos para reportagens de diferentes veículos de imprensa, Souza-Gomes preferiu não se manifestar.

Vieira nomeou o colega de turma como assessor especial de Assuntos Parlamentares em 2015, quando assumiu o Ministério das Relações Exteriores na gestão Dilma Rousseff (PT), mesmo depois dos relatos de assédio no Uruguai. O futuro chanceler disse que não tinha conhecimento dos fatos à época da escolha.

A lembrança recente dos casos tem um componente adicional: uma das vítimas de comentários racistas de Souza-Gomes, de acordo com depoimento do processo, foi a embaixadora Maria Laura da Rocha, escolhida agora por Vieira como secretária-geral do Itamaraty, primeira mulher a ocupar o cargo.

A embaixadora antecedeu Souza-Gomes na delegação brasileira junto à FAO. De acordo com depoimento do processo, o embaixador “fez um comentário sobre a pele escura da embaixadora Maria Laura da Rocha”.

Havia expectativa entre diplomatas de que o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva escolhesse uma mulher para chefiar o Itamaraty. Rocha era um dos nomes cotados.

Folha de S. Paulo

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Brasil

Anvisa aprova uso da dexametasona para a Covid-19

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou nesta quinta-feira, 15, o uso de dexametasona, um medicamento que trata desde problemas reumáticos inflamatórios a alergias, para o tratamento da Covid-19. A nova indicação terapêutica será publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira, 16, e incluirá apenas o Decadron Injetável (Fosfato dissódico de dexametasona), fabricado pela empresa Aché.

O tratamento será indicado apenas para pacientes com quadros graves ou críticos da doença. De acordo com a Anvisa, a aprovação se baseou nas recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) publicadas no documento Therapeutics and COVID-19: living guideline e nas manifestações de autoridades reguladoras estrangeiras equivalentes, em especial, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla em inglês).

A dexametasona é um corticoide (mais especificamente, um glicocorticoide) que se mostrou capaz de reduzir significativamente o risco de morte em pessoas entubadas ou mesmo necessitando de oxigênio sem necessidade de entubação. A reação inflamatória de alguns pacientes diante do novo coronavírus é tão agressiva que chega a ser tão ou mais perigosa que a infecção em si. É essa resposta fora de proporção do organismo que leva tantos casos às formas mais graves de Covid-19, fenômeno conhecido como tempestade inflamatória ou tempestade de citocinas. O remédio alivia isso e permite que o organismo se recupere mais facilmente.

Contudo, os efeitos colaterais desse medicamento se intensificam conforme o tempo de tratamento e a dose – por isso a receita médica e o acompanhamento profissional são indispensáveis. Além disso, a Anvisa alerta que nenhum medicamento substitui as vacinas aprovadas.

VEJA

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Brasil

Lula diz que Mercadante é perseguido, faz defesa e afirma que ele mudou


Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress

O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saiu em defesa do economista Aloizio Mercadante (PT-SP), recém-indicado por ele para presidir o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e criticado por setores do mercado financeiro e até mesmo entre economistas e políticos aliados.

Na terça (13), a Bolsa de Valores caiu 1,71% depois de Lula anunciar Mercadante no comando do banco.

Um dia depois, a Câmara dos Deputados aprovou uma lei mudando a regra de quarentena para que dirigentes políticos possam assumir a direção de empresas estatais.

A alteração foi entendida como feita sob medida para que Mercadante possa assumir o BNDES, o que gerou novas ressalvas à indicação.

Lula mostrou contrariedade com as seguidas críticas a Mercadante.

Em conversas com aliados, disse que ele está sendo “perseguido”, e que “estão colocando na conta do Mercadante” coisas que não são da responsabilidade do economista, como a mudança na lei das estatais.

Folha de S. Paulo

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Câmara aprova PEC para pagamento do piso da Enfermagem; confira votos dos paraibanos

Parecer sobre financiamento do piso da enfermagem pode ser votado na comissão especial - Notícias - Portal da Câmara dos Deputados
A bancada paraibana votou ‘sim’ pela aprovação da PEC 390/14 (Proposta de Emenda à Constituição) que viabiliza o pagamento do piso da Enfermagem no país. Estiveram na sessão de votação em dois turnos, nesta quinta-feira (15), 11 deputados paraibanos. Apenas Edna Henrique não participou da votação.

No total, no primeiro turno, foram 423 votos a favor e 13 contra a aprovação da PEC que viabiliza o pagamento do piso da Enfermagem. A votação foi iniciada às 17h05 desta quinta-feira. No segundo turno, foram 413 a favor e 13 votos contra a PEC.

O ministro Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia suspendido o piso da enfermagem, aprovado pelo Congresso Nacional, por causa da falta de indicação de fonte de recursos para o pagamento. Ministro havia argumentado que a criação do piso sem indicação de uma fonte de recursos garantida provocaria demissões na categoria e causaria risco a prestação de serviços na área da saúde.

Confira a lista dos deputados paraibanos que votaram:

Aguinaldo Ribeiro (Progressistas) – sim

Damião Feliciano (União) – sim

Efraim Filho (União) – sim

Frei Anastácio (PT) – sim

Gervásio Maia (PSB) – sim

Hugo Motta (Republicanos) – sim

Julian Lemos (União) – sim

Pedro Cunha Lima (PSDB) – sim

Ruy Carneiro (PSC) – sim

Wellington Roberto (PL) – sim

Wilson Santiago (Republicanos) – sim

 

Clickpb

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