
Dos 25 ministros do TST, ao menos 14 são listados nas divulgações de cursos do Ieja (Instituto de Estudos Jurídicos Aplicados) sobre como atuar no tribunal. Segundo a divulgação da entidade, esses cursos contam com “especialistas renomados que vivem a rotina das cortes superiores” e “dominam a construção de teses vencedoras”.
O curso sobre direito trabalhista já teve edições em Belo Horizonte e São Paulo. Ele está previsto para acontecer em Brasília nesta quarta (6) e quinta (7). Interessados devem pagar R$ 1.000 para assistir às aulas de forma virtual e R$ 1.500 de maneira presencial.
O levantamento dos ministros que estão nas divulgações do Ieja foi revelado inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmado pela Folha.
Os ministros que estão nas divulgações do Ieja são Guilherme Caputo Bastos, Ives Gandra Martins Filho, Douglas Alencar, Evandro Valadão, Alexandre Ramos, Morgana Richa, Sergio Pinto Martins, Breno Medeiros, Amaury Rodrigues, Hugo Scheuermann, Liana Chaib, Cláudio Brandão, Augusto Cesar e Antônio Fabrício Gonçalves.
Em entrevista à Folha, o presidente do TST já havia defendido a transparência de palestras e viagens pagas a juízes, para permitir que as partes de um processo peçam impedimento do juiz por conflito de interesses.
Mello Filho afirmou ao jornal O Estado de S. Paulo que pretende cortar o salário de ministros do TST que faltarem a sessões para ministrar palestras pagas.
“Tem ministros do tribunal dando palestras em cursos pagos por advogados ensinando como advogar no tribunal. Isso é completamente antiético. É completamente conflituoso”, afirmou. “Para não falar que pretendo fazer uma coisa grosseiramente, pretendo passar um ofício para todos os ministros pedindo para serem absolutamente claros [sobre as palestras]. Se não tiver justificativa, vai impactar no subsídio”, disse.
O Ieja disse em nota que a participação de magistrados como docentes está amparada pela Loman (Lei Orgânica da Magistratura) e que todos os professores são remunerados por hora-aula.
O instituto disse que o curso é “estritamente acadêmico, voltado ao estudo técnico do direito do trabalho e do processo trabalhista junto ao TST, com análise de sua jurisprudência e conteúdo de caráter geral”. Afirmou que os alunos não são apenas advogados.
Folha de São Paulo









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