Opinião

OPINIÃO ESTADÃO: Com o MST, Lula quer vingança

À primeira vista, a IV Feira Nacional da Reforma Agrária, realizada na cidade de São Paulo entre os dias 11 e 14 de maio pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), pareceu ser apenas uma reunião festiva entre cooperativas de pequenos agricultores – esses que teriam transfigurado o MST do grupo invasor de propriedades alheias que sempre foi no “maior produtor de arroz orgânico do País”, segundo a mitologia petista – e a juventude urbana que veste o boné vermelho do MST como item fashion para usar na balada.

Mas o evento, na realidade, foi um ato político de arrepiar os cabelos de todos os que se preocupam com o respeito à ordem jurídica, em particular ao direito de propriedade, e acreditam que sem paz social, no campo ou na cidade, não haverá a mais tênue chance de o Brasil ser um lugar atrativo para novos investimentos e trilhar o caminho do desenvolvimento sustentável. Ao fim e ao cabo, a feira foi pretexto para que o País inteiro visse que o MST conta com mais do que a simpatia da atual administração federal; conta com o endosso do governo Lula da Silva para seus modos truculentos de fazer reivindicações políticas, corriqueiramente afrontosos à Constituição.

A presença maciça de membros do primeiro escalão do governo na feira, poucos dias após Lula em pessoa ter atacado empresários do agronegócio que não lhe nutrem simpatia, sobretudo os produtores paulistas, chamando-os de “fascistas”, não deixa dúvida de que o presidente usa o MST como mais um instrumento de sua vendeta pessoal contra um Brasil que não se deixa enrolar por sua lábia.

A bem da verdade, além da ligação atávica entre PT e MST, a chancela de Lula às práticas do grupo já havia ficado evidente quando o presidente fez questão de levar a tiracolo o chefão do MST, o notório João Pedro Stédile, em sua comitiva durante viagem à China. Não satisfeito com a mera presença de Stédile no séquito, Lula fez questão de que o arruaceiro figurasse na foto oficial do encontro de cúpula entre ele e o presidente chinês, Xi Jinping. Na volta ao Brasil, Lula ainda incluiu o MST entre os membros do chamado “Conselhão”.

O que se viu na feira do MST foi um desfile de ministros de Estado que só não superou a posse presidencial. Boa parte da Esplanada se fez representar no Parque da Água Branca, na zona oeste da capital paulista. Até o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, lá esteve. O cidadão que porventura tenha acordado de um longo coma e lido o noticiário do sábado passado decerto teve um choque ao ver Alckmin ser saudado pelos simpatizantes do MST, entre uma tietagem e outra, como “guerreiro do povo brasileiro”, epíteto que até outro dia era reservado apenas aos mais empedernidos petistas, os mesmos que Alckmin outrora combatia.

À medida que o tempo passa, Lula parece cada vez mais empenhado em deixar claro para o País que aquele líder de uma formidável “frente ampla em defesa da democracia” não passou de uma personagem que ele inventou para posar de pacificador de uma sociedade profundamente dividida. Como presidente, Lula se mostrou incapaz, até agora, de assumir suas responsabilidades como chefe de Estado e de governo, além de aumentar a aposta na radicalização em muitas frentes, apenas com o sinal invertido em relação ao seu antecessor, como forma de manter a coesão de seus apoiadores.

As revelações inequívocas de quão imbricados estão o governo petista e o MST ocorrem justamente no momento em que Lula enfrenta enormes dificuldades para governar o País sem uma base de apoio sólida e confiável no Congresso e sem o apoio da uma parcela significativa da sociedade que não comunga do ideário petista. Em que esses atos de afronta aos brasileiros moderados, ao agronegócio e a seus representantes no Poder Legislativo ajudarão Lula a angariar apoios fora do seu centro gravitacional nesse momento desafiador, só o “gênio político” do presidente é capaz de responder.

Estadão

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Brasil

EDITORIAL ESTADÃO: Lula e a política de destruição de marcos republicanos

Em editorial publicado neste domingo (23) o jornal Estado de S.Paulo criticou a postura adotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Que país é esse que estaria de volta?”, indaga o jornal, em relação as afirmações do petista ao bradar que “o Brasil voltou”.

“É seguro afirmar que não é o Brasil pelo qual ansiavam milhões de eleitores moderados”, destaca a publicação. O jornal observa que os brasileiros que deram a vitória apertada a Lula nas eleições, “mesmo conhecendo bem o passado de malfeitos dos governos petistas”, foram descartados pelo petista “cedo demais — e sem o menor constrangimento, haja vista o discurso arrogante e as atitudes do presidente.”

O jornal afirma que Lula tem conduzido o Brasil por um “caminho perigoso”. “O governo tem tomado um rumo que, se não chega a configurar estelionato eleitoral – pois só o mais lhano dos cidadãos haveria de acreditar que Lula, de volta ao poder, faria algo muito diferente do que está fazendo –, tampouco sinaliza que, se não os esqueceu, ao menos Lula teria aprendido alguma coisa com os erros cometidos em um passado não muito distante.”

O editorial continua: “O governo tem tomado um rumo que, se não chega a configurar estelionato eleitoral – pois só o mais lhano dos cidadãos haveria de acreditar que Lula, de volta ao poder, faria algo muito diferente do que está fazendo –, tampouco sinaliza que, se não os esqueceu, ao menos Lula teria aprendido alguma coisa com os erros cometidos em um passado não muito distante.”

Ainda conforme o Estadão, a realidade “implacável” está diante dos olhos de qualquer brasileiro “que não se deixa enviesar pela vaidade ou pelo fervor ideológico”. “É o Brasil do retrocesso em mais áreas do que Lula, alguns de seus ministros e apoiadores teriam coragem de admitir em público.”

Segundo o editorial, era esperado de Lula, “não só por suas promessas, mas, sobretudo, pelo arco de apoios que o petista construiu”, muito mais do que isso.

“O que se viu até agora, no entanto, é igualmente uma política de destruição de marcos republicanos, tais como a lei das estatais, o marco legal do saneamento, a reforma do ensino médio, entre outros. É o voluntarismo megalomaníaco e o improviso de Lula pautando as relações internacionais do país. É o fisiologismo desbragado na relação entre Executivo e Legislativo. É a tolerância à invasão de terras pelos companheiros do MST.”

O editorial finaliza afirmando que o país que tantos anseiam por ver de volta, “com Lula, ao que parece, esse Brasil não voltará tão cedo.”

Revista Oeste

Opinião dos leitores

  1. Triste e dramática realidade que se o descongelado permanecer irá nos jogar em um buraco tão fundo que nunca mais sairemos. Depositamos nossa confiança na CPMI. Somente ela nos salvará.

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Opinião

Smartphones e redes sociais estão destruindo a saúde mental das crianças

F
Foto: Divulgação

Há algo muito errado com os adolescentes. Entre 1994 e 2010, a proporção de adolescentes britânicos que não se consideravam simpáticos caiu ligeiramente, de 6% para 4%; desde 2010, ela mais do que dobrou. A parcela que se considera um fracasso, que se preocupa muito e que está insatisfeita com a vida também aumentou acentuadamente.

As mesmas tendências são visíveis nos Estados Unidos. O número de estudantes do ensino médio que dizem que sua vida muitas vezes parece sem sentido disparou nos últimos 12 anos. E não é apenas na esfera da língua inglesa. Na França, as taxas de depressão entre jovens de 15 a 24 anos quadruplicaram na última década.

Para onde quer que você olhe, a saúde mental dos jovens está entrando em colapso, e o ponto de inflexão é ameaçadoramente consistente: 2010, mais ou menos um ou dois anos –quando os smartphones passaram do luxo à onipresença.

A teoria de que ter as redes sociais e outras delícias digitais ao alcance da mão 24 horas por dia, sete dias por semana, podem ter um efeito prejudicial na saúde mental não é nova. Sua principal defensora é Jean Twenge, professora de psicologia na Universidade Estadual de San Diego e autora de dezenas de estudos pioneiros sobre o assunto.

Mas ainda está longe de ser universalmente aceita. O trabalho de Twenge e seu coautor habitual, Jonathan Haidt, foi às vezes criticado por simplesmente surfar na onda de oposição popular à grande tecnologia. No entanto, à medida que aumentam as evidências de seus argumentos, muitos se perguntam por que demoramos tanto para aceitar o que estava bem na nossa frente.

Os sinais estão por toda parte. Primeiro, a socialização digital deslocou as reuniões pessoais. A porcentagem de adolescentes americanos que se encontram pessoalmente com amigos menos de uma vez por mês era de 3% entre 1990 e 2010, mas chegou a 10% em 2019, enquanto a parcela que diz estar “constantemente online” agora atingiu 46%.

Alguns respondem que não pode ser apenas que os aplicativos estejam atrapalhando a vida real –afinal, as pessoas que estão mais ocupadas no Instagram também costumam ser as mais ocupadas no mundo real. Mas isso deixa de lado uma dinâmica fundamental: essas tendências operam no nível geracional, não no individual. Como o tempo de tela aumentou, todo mundo sai menos para encontrar amigos.

Mas a dinâmica no nível individual também é impressionante. Estudos mostram que quanto mais tempo os adolescentes passam nas redes sociais pior é sua saúde mental. O gradiente é mais acentuado para as meninas, que também passam muito mais tempo nas redes sociais do que os meninos, explicando a deterioração mais acentuada da saúde mental entre garotas.

John Burn-Murdoch – Financial Times / Folha de S. Paulo

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Opinião

EDITORIAL ESTADÃO: Bagunça na Educação

Uma confusão se instalou nas escolas do País desde a última segunda-feira (3) com milhões de alunos sem saber se o atual arranjo curricular decorrente da reforma do ensino médio será mantido ou abandonado. A onda de incerteza se espalhou após o ministro da Educação, Camilo Santana, anunciar a suspensão do cronograma de implementação da reforma, adiando, de imediato, a adaptação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), prevista para vigorar em 2024. O próximo passo, quem sabe, é cumprir a ameaça do presidente Lula da Silva, que avisou que a reforma do ensino médio “não vai ficar do jeito que está”.

Não se pode condenar quem suspeite que essa ofensiva contra a reforma do ensino médio seja uma vendeta pessoal de Lula e dos petistas contra o ex-presidente Michel Temer, cujo governo lançou a iniciativa. Como se sabe, o PT considera que o impeachment de Dilma Rousseff foi um “golpe” urdido por Temer, então vice-presidente, embora todo o processo tenha respeitado, ipsis litteris, o que vai na Constituição. Como consequência, os petistas entendem que tudo o que foi produzido sob a Presidência de Temer carece de legitimidade e deve ser derrubado. Assim foi com o teto de gastos; assim está sendo com a reforma trabalhista e com a Lei das Estatais; assim será, aparentemente, com a reforma do ensino médio.

Terra arrasada não é uma boa maneira de fazer política pública, ainda mais numa área tão sensível como a educação, que afeta a vida de crianças e adolescentes de modo muitas vezes irreversível. A reforma do ensino médio não se pretendia perfeita, mas era uma tentativa concreta de reverter um crescente desinteresse dos jovens pela escola, sobretudo porque o currículo e o método não correspondiam às suas expectativas e necessidades.

A mudança proposta pelo governo Temer, embora tenha sido encaminhada por meio do questionável instrumento da medida provisória, foi debatida no Congresso e convertida em lei – que aumenta a carga horária e a possibilidade de que os alunos escolham disciplinas eletivas agrupadas em itinerários formativos que correspondem a cerca de 40% da carga horária. Se havia ressalvas ao que ali estava sendo proposto, elas poderiam ter sido feitas ao longo do processo legislativo. Debates sobre políticas públicas são sempre necessários, mas é preciso implementar as mudanças aprovadas democraticamente. Se há lei, que se cumpra, sem prejuízo de ajustes e aprimoramentos posteriores.

Ademais, é bom lembrar que o caminho da implementação da reforma do ensino médio foi bastante acidentado. Não bastasse a pandemia de covid-19, que fechou escolas por muito tempo e depois submeteu os alunos a aulas remotas que lhes despertaram escasso interesse, a educação foi negligenciada de forma sistemática pelo governo de Jair Bolsonaro, mais interessado em censurar professores e em militarizar escolas do que em melhorar a qualidade curricular. Tudo isso, é claro, impede que se tenha um quadro claro, neste momento, sobre os méritos da reforma.

Revogá-la, contudo, seria um absurdo. Até a reforma, a educação ainda estava submetida à realidade do século passado, num modelo condenado por quase todos os especialistas como atrasado e insatisfatório. Os petistas, que hoje detonam a reforma, tiveram quase 15 anos de governo para mudar essa situação, mas nada fizeram. Como resultado, o ensino médio continuou incapaz de preparar os jovens brasileiros para os desafios do século 21 e para o exercício da cidadania. Não se sabe se a reforma proposta por Temer e agora sabotada pelos satélites lulopetistas é mesmo a melhor resposta para esses desafios, mas ninguém honesto é hoje capaz de dizer que ela fracassou, pois nem sequer está plenamente em vigor.

O papel do governo, mais que nunca, é apoiar as escolas na implementação da reforma. Especialmente no caso das redes estaduais, que respondem por oito em cada dez alunos de ensino médio no País. O açodamento do governo só serve para gerar instabilidade. Não é assim que se promove um debate sério sobre educação.

Estadão

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Opinião

Com delay de uma semana, ministro da Justiça chega ao RN

Quando o Rio Grande do Norte contabiliza, oficialmente, 300 ataques criminosos, o ministro da Justiça, Flávio Dino, desembarca na capital potiguar, cidade dominada pelo medo provocado por facções criminosas.

A recepção à chegada do ministro foi marcada por novos ataques nesta madrugada, horas depois de Dino pisar no solo da cidade e conceder, enfim, a primeira entrevista coletiva em que prometeu mais recursos e reforço policial.

Uma semana depois da deflagração dos primeiros ataques contra um terço dos municípios do Estado.

Os recados dos marginais não cessam e os prejuízos são incalculáveis. Comércio fechado, escolas vazias, sistemas de ônibus e trens prejudicados, hotelaria e turismo afetados, shows e eventos cancelados. Até o clássico América X ABC foi adiado. É um pedaço do país ajoelhado e impotente diante do crime organizado.

A injustificada demora da pedagógica presença física do ministro no epicentro da crise é incompatível com o tamanho da insegurança que ameaça os potiguares. Pela persistência dos atos criminosos, as providências ainda são desproporcionais.

O ministro preferiu acompanhar a situação à distância enquanto o Estado pegava fogo, literalmente. A leniência está sendo questionada e Dino em vias de ser convocado para questionamentos na Comissão da Câmara dos Deputados.

Mais do que explicações, o povo do Rio Grande do Norte precisa de ações e resultados. E o Brasil espera que parte do seu território, capturado pelos bandidos, seja resgatado. Muito mais rapidamente do que o compasso do ministro da Justiça.

Por Heron Cid

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J. R. GUZZO: O governo Lula é uma fábrica de mentiras

O presidente da República acaba de dizer, com a combinação de má-fé, de má-educação e de ignorância que habitualmente utiliza quando quer se exibir como “chefe de Estado”, que o Brasil não cresceu “nada” em 2022. É uma mentira grosseira, mal-intencionada e irresponsável. O Brasil cresceu 3% no ano passado — mais do que a China, a maravilha permanente da economia universal, coisa que não acontecia havia mais de 40 anos. Como assim, “nada”? Na mesma linha: a Petrobras, que, segundo ele, está em “ruínas” e precisa ser “reconstruída”, deu lucro de quase R$ 190 bilhões em 2022, o maior de sua história. Segundo o presidente da República, o MST “nunca invadiu terra produtiva” — quando está fazendo exatamente isso no presente momento, no sul da Bahia e na cara de todo mundo. É como se houvesse, no cargo mais importante do país, uma linha de montagem para a produção permanente de mentiras.

Onde está, diante desta manipulação de notícias comprovadamente falsas, o alto-comissariado de combate às fake news e ao “discurso do ódio” que acaba de ser criado no “Ministério dos Direitos Humanos”? Onde está a polícia nacional da verdade que enxertaram na Advocacia-Geral da União? Onde estão os furiosos inquéritos criminais e perpétuos do STF contra a “desinformação”? Onde estão as agências de “verificação” de fatos? Estão no mais perfeito silêncio, é claro, pois seu objetivo nunca foi combater notícias falsas ou promover a verdade, mas, sim, censurar e reprimir a liberdade de expressão de quem se opõe a Lula, ao PT e à esquerda em geral. Mentira é algo que se permite só para um lado — e Lula parece ter descoberto que pode ir dobrando a sua aposta até o infinito. Diz, agora, que o Brasil não cresceu “nada” em 2022. Vai dizer amanhã que o seu governo criou o salário mínimo de R$ 25 mil por mês, acabou com a saúva e inventou o ovo frito.

A mentirada de Lula tem método. Talvez nunca se tenha visto antes na história deste país um governo capaz de produzir tanta notícia ruim, em tão pouco tempo, como o Lula 3. Eles conseguiram, em dois meses, aumentar os preços da gasolina — que vinham baixando. Vão taxar as exportações da Petrobras, o que é puro dinamite. As queimadas na Amazônia bateram recorde em fevereiro. Neste mesmo mês, a venda de veículos teve o seu pior desempenho em 17 anos; o da Bolsa foi o pior dos últimos 22 anos. O MST, que manda cada vez mais no governo, se propõe a destruir o setor mais produtivo da economia brasileira. A política econômica está a cargo de um esquadrão de homens-bomba. Lula não sabe como lidar com nada disso. Diante do desastre em formação, corre para a mentira.

Revista Oeste

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Opinião

LEONARDO BARRETO: “A egocracia de Lula”

Como Lula viu a briga de Ciro Gomes e Dilma Rousseff | Metrópoles
“Um dos elementos obrigatórios de qualquer bom enredo é o fato ou circunstância que força o personagem a entrar na trama”
, diz Leonardo Barreto, em artigo na Crusoé desta semana.

“O crime chocante que exige ser desvendado ou o drama familiar que suga como um buraco negro todo o seu entorno para uma catarse coletiva inevitável, o algo oculto que move o personagem até o derradeiro evento que desencadeará sobre ele as consequências boas ou más que lhes estão reservadas.”

“Na política, a vida também imita a arte. E essa introdução é um convite para analisar Lula [foto] como um personagem ou como ‘uma ideia‘, como ele mesmo se intitulou no discurso que fez pouco antes de ser preso, em 2018. Mas, nem de longe pode-se dizer que este é um exercício apenas metafórico. Nada disso, tem-se à frente um objetivo prático, isto é, entender por que Lula se comporta da maneira que vem agindo e, claro, suas consequências para o país.

“Lula demonstra ter grande pressa e não saber lidar com limites institucionais. Está pressionado pelo curto prazo autoimposto – de apenas quatro anos se não tentar a reeleição –, que vem do objetivo latente, mas bem visível, de querer superar o governo de Jair Bolsonaro em todos os aspectos desde o início […].”

O antagonista

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EDITORIAL O GLOBO: É erro grave a visão do novo governo sobre a Previdência

É um equívoco grave a forma como a equipe de transição encara a questão previdenciária. Pelas informações preliminares, a intenção é rever as regras da reforma da Previdência de 2019 em dois pontos: pensão por morte e aposentadoria por invalidez. Se houver aumento em ambas sem redução equivalente noutras rubricas, estará contratado um aumento substancial num dos maiores gastos do Estado — mais gasolina para inflamar a já explosiva bomba fiscal armada para o início da gestão Luiz Inácio Lula da Silva.

Parece inacreditável que os economistas ligados ao PT não entendam os desafios do Brasil. Com o aumento da expectativa de vida, os gastos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) saíram de 6% do PIB em 2002 para quase 10% no ano passado. Há vários anos a receita fica abaixo da despesa. O problema só tende a piorar com o envelhecimento da população.

Foi com o objetivo de começar a resolvê-lo que há três anos o governo Jair Bolsonaro, aproveitando negociações iniciadas na gestão Michel Temer, promoveu a reforma para aumentar o período de contribuição, elevar a idade mínima para aposentadoria e limitar o valor de pensões, entre outros pontos. Com a aprovação, calculou-se uma economia de R$ 1 trilhão no período entre 2020 e 2029. Caso o PT vá em frente com a ideia de alterar a reforma, aproximadamente 20% desse impacto positivo simplesmente virará pó.

Um novo governo deveria preparar uma nova reforma para enfrentar problemas não resolvidos pela anterior. Não falta o que fazer. Levando em conta as projeções demográficas, é preciso aumentar a idade de aposentadoria para homens, diminuir a distância nas regras para ambos os gêneros e elevar as idades exigidas no meio rural. Para não falar na barafunda de privilégios que restaram intocados, de professores a militares. O economista Paulo Tafner defende um gatilho automático para aumentar a idade de aposentadoria em função de dados demográficos.

Para justificar o aumento na pensão por morte e a aposentadoria por invalidez, integrantes da equipe de transição alegam que a reforma prejudicou os mais pobres. É uma afirmação que precisaria ser embasada com dados. Caso seja comprovado que ela foi determinante no aumento da pobreza, a equipe de transição deveria identificar as famílias afetadas, dizer quem são e onde vivem. De posse de tais informações, seria possível analisar se há programas sociais capazes de atendê-las ou demanda para criar algum outro com novo foco. Daria para atacar assim o problema de quem realmente precisa de ajuda, sem criar uma nova regra que abarca todos, dura para sempre e agrava o déficit da Previdência.

A Previdência jamais deveria ser encarada como programa social. Ela tem outra finalidade, e um dos principais problemas do arcabouço previdenciário brasileiro é justamente cumprir uma função que não está na sua natureza. Desfazer essa confusão é um objetivo que a reforma de 2019 infelizmente foi incapaz de cumprir. Criar programas sociais com foco, separados da Previdência, deveria ser outra meta de quaisquer novas mudanças.

Lula prometeu na campanha que promoveria mudanças na Previdência. Se for em frente com o plano de sua equipe de transição, jamais poderá ser acusado de ter promovido um estelionato eleitoral. O estelionato será com as gerações futuras, que ficarão com a conta.

O Globo

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Opinião

CLAUDIO DANTAS: Deputado Janones e a licença para mentir

Transição: Janones diz que Secom passará por 'ressonância' para apurar  laços com o 'gabinete do ódio' - CartaCapital
André Janones pode mentir à vontade sem ser punido. Talvez seja o único brasileiro a desfrutar dessa prerrogativa, uma espécie de foro privilegiado na era da desinformação. A licença pera mentir lhe é garantida em nome do combate ao bolsonarismo… ou carluxismo, que nada mais é do que uma atualização da máquina petista de assassinar reputações.

A mentira de Janones como método de guerrilha virtual serviu à eleição de Lula e agora o credencia a ocupar lugar de destaque no GT de Comunicação do governo de transição. O deputado federal pode até virar ministro no novo governo, com risco de reproduzir o desastre causado por Carlos Bolsonaro ao debate público.

Sim, pois a instrumentalização da militância nas redes sociais por meio de narrativas disruptivas serve, ao fim, para silenciar a oposição democrática e retroalimentar a histeria raivosa da milícia digital bolsonarista, sua equivalente na criação de inimigos imaginários capazes de justificar a política como extensão da guerra.

Na campanha e depois dela, diversas publicações do deputado já foram sinalizadas como falsas.

O antagonista

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Opinião

OPINIÃO ESTADÃO: A ignorância de Lula sobre o mercado

Eleições 2022: Lula sobre Bolsonaro: “Faz questão de ser ogro, ignorante e  de ofender” | VEJA

Como cidadão, o senhor Luiz Inácio Lula da Silva pode abominar o mercado, achar desprezível o jogo dos preços e comprar arroz, feijão, farinha, sapatos e medicamentos como se fossem produzidos, normalmente, sem a combinação de expectativas de mercado, estimativas de custos, tendências dos juros e, em muitos casos, de prospecções geopolíticas. É muito diferente, no entanto, a situação de um presidente eleito. Quem vai governar um país deve mostrar bom senso, realismo e conhecimento de fatos básicos do mundo real, mesmo sem formação especializada em assuntos econômicos, agronômicos, industriais, militares, legais, diplomáticos, sanitários e educacionais. O mercado, um ente às vezes mal compreendido e nem sempre visto com simpatia, é um componente dessa realidade.

Tendo sido líder sindical, parlamentar e presidente da República por dois mandatos, o vencedor da última eleição presidencial deveria mostrar-se mais familiarizado com esse fato. No entanto, o presidente eleito Lula da Silva tem agido, de forma insistente, como se fosse um recém-chegado ao mundo da responsabilidade pública e das grandes decisões. O tal mercado normalmente reage às declarações e ações de quem exerce ou vai exercer uma função relevante. Reações são especialmente compreensíveis quando essa função é a Presidência da República.

Qualquer pessoa com informação suficiente sobre o dia a dia dos negócios deve ser capaz de entender, portanto, os choques motivados por palavras desastradas de um cidadão recém-escolhido para governar o País.

Palavras desastradas têm sido fartas nos pronunciamentos do presidente eleito. Nada mais previsível que ações em queda e dólar em alta quando ele deixa antever qualquer desmando na condução das finanças públicas. No dia 10, ele falou da “tal estabilidade fiscal” como se fosse um assunto secundário. Diante da repercussão, acusou o mercado de ficar nervoso “à toa”. Mas as declarações infelizes têm mostrado mais que descuido ou imprudência. Revelam desconhecimento e preconceito.

Sim, o experiente político Lula mal conhece o mercado, ignora seu funcionamento e é preconceituoso em relação aos critérios de quem participa do jogo – nas finanças, na indústria, na agropecuária e nos serviços. Essa ignorância foi exibida, de forma inequívoca, na quinta-feira, quando ele se referiu à especulação: “Se eu falar isso, vai cair a bolsa, vai aumentar o dólar. Porque o dólar não aumenta e a bolsa cai por conta das pessoas sérias, mas por conta dos especuladores que vivem especulando todo santo dia”.

Ao revelar sua visão ingênua da especulação, o presidente eleito escancara seu despreparo para cuidar de certos assuntos e um preconceito surpreendente. Especulação, em sentido próprio, é, sim, coisa de gente séria. Quem toma decisões com base na avaliação de hipóteses, na ponderação de sinais às vezes muito limitados e em probabilidades às vezes mal conhecidas está especulando.

Uma alteração repentina do tempo no Brasil, na Austrália ou na Argentina pode motivar uma revisão das projeções no mercado agrícola no qual safras são negociadas desde antes do plantio, com preços sujeitos a muitos fatores, como chuvas ou estiagens fora dos padrões esperados ou mudanças nas políticas de juros.

Não só grandes negociantes participam do jogo. Um pequeno produtor de feijão leva em conta fatores bem definidos, como a política de preços mínimos, e outros bem menos seguros, como a expectativa de mercado, ao decidir a extensão do novo plantio. Com ou sem lances espetaculares, decisões baseadas em projeções, expectativas e às vezes em apostas elementares podem ocorrer em muitos mercados – nos de moedas, de ouro, de títulos públicos e privados, de combustíveis, de minerais estratégicos e de alimentos. Parte do dinheiro movimentado nesse cassino acaba financiando a produção valorizada por quem condena a tal especulação. Talvez algum economista do PT conheça esses fatos. Se passar a informação ao seu líder, poderá poupá-lo de novas demonstrações de apedeutismo.

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