O governador do Rio, Cláudio Castro, atua há pelo menos seis meses junto à gestão de Donald Trump para que os Estados Unidos classifiquem o Comando Vermelho como organização narcoterrorista, o que permitiria aplicar sanções semelhantes às impostas a grupos como o Tren de Aragua (Venezuela) e os Los Zetas (México). A informação é do blog da jornalista Malu Gasper, do O Globo.
O governo Lula é contra a medida, por temer impactos econômicos e diplomáticos — como sanções a empresas, bancos ou até à União, caso Washington entenda que o Brasil não combate o crime organizado com rigor suficiente. A preocupação é que a mudança sirva de pretexto para uma interferência americana no território brasileiro, a exemplo do que ocorre na Venezuela.
Castro e outros governadores de direita querem incluir essa classificação em uma emenda ao projeto de lei antifacção que o Planalto enviará ao Congresso. Em janeiro de 2025, o governo do Rio entregou à embaixada dos EUA um relatório confidencial intitulado “Análise Estratégica: Inclusão do Comando Vermelho nas listas de sanções e designações dos EUA”. O documento argumenta que o CV cumpre os critérios para sanções econômicas, bloqueio de ativos e designação terrorista, o que facilitaria extradições, cooperação internacional com órgãos como Interpol, DEA, FBI e ONU, e sanções a empresas e aliados econômicos ligados à facção.
Esse último ponto é visto com preocupação pelo Planalto, que teme que a medida afete bancos brasileiros e trave transações internacionais, caso os EUA apontem ligações com o CV sem provas sólidas. Um auxiliar de Lula classificou a proposta como “tremenda irresponsabilidade”.
O tema ganhou força após visita ao Brasil, em maio, do assessor do Departamento de Estado americano David Gamble, que discutiu sanções e combate a organizações criminosas. Nenhum representante da Polícia Federal aceitou se reunir com ele, já que a PF é a responsável pelos acordos internacionais sobre crime organizado.
Pouco depois, Castro esteve na sede da DEA, em Nova York, para buscar um acordo direto com o órgão. A megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha e o envio do projeto de lei antifacção ao Congresso reacenderam o debate, e governadores alinhados à direita pretendem pressionar pela nova classificação nas próximas semanas.
Durante o encerramento do Domingão com Huck deste domingo (2), Luciano Huck fez um duro desabafo sobre a megaoperação policial no Rio de Janeiro, que terminou com mais de 120 mortos — entre eles quatro policiais — em ações contra o Comando Vermelho nos complexos do Alemão e da Penha.
“Eu sou paulista, boa parte da minha família segue em São Paulo, mas eu vivo nesta cidade há 25 anos. Foi aqui que a gente escolheu para criar os nossos filhos. E é uma tristeza ver o mesmo modelo de segurança pública se repetindo há décadas sem nenhum resultado”, afirmou o apresentador, visivelmente emocionado.
Huck questionou o alto número de mortes e destacou o sofrimento das famílias das vítimas: “120 mortos numa operação policial. Por trás desse número, tem 120 mães que enterraram os seus filhos. E você acha que foi isso que elas sonharam quando essas crianças eram pequenas e corriam ali pelas vielas do Alemão ou da Penha?”
O apresentador defendeu o combate firme ao narcotráfico, mas com uma nova estratégia: “É preciso sufocar a parte financeira das organizações criminosas, das milícias, dos tráficos e por aí vai. É preciso valorizar a polícia e o policial, mas também gerar oportunidades e perspectivas para quem nasce nesses recortes da cidade.”
Huck ainda ressaltou que a violência se fortalece onde o Estado se ausenta: “Quando o Estado se ausenta, outro poder ocupa esse lugar. A gente precisa reconstruir o sentido de pertencimento e mostrar que existem outros futuros possíveis para essas crianças.”
Ao final, o global também se dirigiu às famílias dos policiais mortos em serviço: “Os quatro policiais mortos em combate saíram de casa para trabalhar e não voltaram. Essa também é uma parte devastadora dessa história. Eu espero que, no futuro, a gente não precise mais falar sobre isso dessa forma. Nós, brasileiros, queremos paz e segurança.”
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (2) que acredita que o tempo de Nicolás Maduro no comando da Venezuela “está chegando ao fim”. A declaração foi dada durante entrevista ao programa 60 Minutes, da rede CBS.
“Eu diria que sim. Acho que sim”, respondeu Trump ao ser questionado se os dias de Maduro como presidente estavam contados. No entanto, o republicano evitou confirmar se Washington prepara uma ofensiva militar em solo venezuelano.
“Quer dizer, não estou dizendo que é verdade ou mentira. Não vou dizer o que vou fazer com a Venezuela, se vou fazer ou não”, afirmou.
Mais cedo, Trump também havia minimizado a possibilidade de uma guerra contra o país vizinho, mesmo após o aumento da presença militar americana próximo à costa venezuelana. “Duvido. Não acho que vá acontecer”, declarou.
Nos últimos dois meses, as forças armadas dos EUA intensificaram ataques contra embarcações suspeitas de envolvimento com o narcotráfico em águas internacionais — o que elevou a tensão na região e reacendeu especulações sobre novas ações contra o regime de Maduro.
Pesquisa Genial/Quaest divulgada neste domingo (2) mostra que 87% da população do Rio de Janeiro acha que a cidade vive uma situação de guerra. O levantamento foi realizado após a megaoperação policial deflagrada na última terça-feira (28) nos complexos da Penha e do Alemão, contra a facção criminosa CV (Comando Vermelho), que resultou na morte de 121 pessoas — entre elas, quatro policiais.
Os outros 13% discordaram. Quando questionados se acreditam que outras grandes cidades brasileiras vivem em situação de guerra, 51% responderam que sim, 42% discordaram e 7% não souberam ou não responderam.
O levantamento ouviu 1.500 moradores do estado do Rio de Janeiro, com 16 anos ou mais, entre os dias 30 e 31 de outubro. As entrevistas foram presenciais e domiciliares. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Ainda segundo a pesquisa, 74% dos entrevistados disseram ter medo de uma possível reação do tráfico após a operação. Outros 25% afirmaram não temer e 1% não souberam ou não responderam.
A primeira parte do levantamento, divulgada no sábado (1º), apontou que 64% dos moradores fluminenses aprovam a operação, que se tornou a mais letal da história do estado.
Em contrapartida, 27% da população desaprova a megaoperação. Outros 6% nem aprovam, nem desaprovam; e 3% não sabem ou não quiseram responder.
A população em situação de rua no Brasil era de 358.553 pessoas no mês de outubro, segundo levantamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com População em Situação de Rua (OBPopRua), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
O levantamento indica predominância nos estados do Sudeste. No estado de São Paulo, estão 148.730 pessoas em situação de rua, das quais na capital 99.477 vivem na capital.
Os estados do Rio de Janeiro, com 33.081 pessoas, e de Minas Gerais, com 32.685, vem em segundo e terceiro lugar no levantamento. As três unidades federativas (UF) respondem por cerca de 60% da população de rua do país.
O levantamento considera dados da plataforma CadÚnico, que centraliza os registros de assistência social a partir dos municípios.
As três UFs da região Sul aparecem pouco abaixo no levantamento, embora com grande diferença em números absolutos, assim como Bahia, Ceará e Roraima:
São Paulo: 99.477 pessoas em situação de rua;
Rio de Janeiro: 33.081
Minas Gerais: 32.685
Paraná: 17.091
Bahia: 16.603;
Rio Grande do Sul: 15.906;
Ceará: 13.625;
Santa Catarina: 11.805;
Roraima: 9.954 pessoas.
Aumento alarmante em Roraima
Roraima surpreende por ter mais pessoas em situação de rua do que o Distrito Federal, Pernambuco e Amazonas, entre outros estados com populações maiores e maior número de grandes cidades.
Para efeito de comparação, a capital de Roraima, Boa Vista, tem menos de 500 mil moradores, enquanto Brasília, Recife e Manaus têm mais de um milhão e meio de habitantes.
Essa desconexão é ainda mais importante se for comparado crescimento, já que a capital de Roraima tinha pouco mais de 1 mil pessoas em situação de rua em 2018, quase dez vezes menos que no último levantamento. Esse crescimento é bastante superior ao do país, que foi de 138 mil para 358 mil pessoas, e que o da capital paulista, de quase 39 mil para cerca de 100 mil, e chamou atenção do Observatório.
“O descumprimento da Constituição Federal de 1988 com as pessoas em situação de rua continua no Brasil, com pouquíssimos avanços na garantia de direitos dessa população, majoritariamente negra e histoticamente tão vulnerabilizada no nosso país”, afirma o Observatório, em nota.
Os pesquisadores também chamaram atenção para a falta de transparência nos dados sobre a população em situação de rua, que deveriam ser públicos, abertos, transparentes e acessíveis a toda a sociedade.
Cinco anos depois de sancionada a lei nº 13.871/2019, que obriga os agressores de mulheres a pagarem pelos atendimentos das vítimas no SUS (Sistema Único de Saúde), o Ministério da Saúde “não possui registros de valores que tenham sido ressarcidos” e que comprovem a efetividade da norma legal.
O posicionamento foi recebido em resposta a pedido via Lei de Acesso à Informação feito pelo R7. No documento, a pasta explicou que os procedimentos realizados em vítimas de violência doméstica são pagos conforme Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do Sistema Único de Saúde.
Segundo o ministério, todas as vezes em que os serviços têm ciência de casos de violência, os profissionais devem fazer a notificação compulsória de violência contra à mulher. Em 2024, por exemplo, pelo menos 292 mil procedimentos foram feitos em mulheres vítimas de violência.
Questionado sobre a falta de efetividade da Lei nº 13.871/2019, o Ministério da Saúde disse que os ressarcimentos dos valores previstos na legislação “devem ser destinados ao fundo de saúde do ente federado responsável pelo atendimento, estado e/ou município, e não ao fundo da União”.
Após o posicionamento da pasta, a reportagem do R7 entrou em contato com diversas secretarias de saúde estaduais. Até a publicação desta nota, três já haviam respondido e informaram não ter esse tipo de dados: Secretaria de Saúde do DF, de Goiás e de São Paulo.
Em 2024, o gasto em atendimento de mulheres vítimas de violência doméstica chegou a R$ 88,6 mil. Este ano, até agosto, o montante estava em R$ 65,3 mil. O maior gasto, desde 2020, foi contabilizado em 2023, com o valor de R$ 156,1 mil.
O que diz o Ministério da Saúde?
Em nota oficial, o ministério reforçou o compromisso no enfrentamento à violência contra as mulheres, “com foco no cuidado integral, na reconstrução da autonomia e na ampliação do acesso a serviços especializados no SUS”.
“Entre as iniciativas, destacam-se o atendimento odontológico gratuito para mulheres vítimas de violência doméstica, que garante reconstrução dentária pelo SUS, e a expansão das Salas Lilás, espaços localizados em unidades de urgência e emergência que oferecem acolhimento humanizado, escuta qualificada e atendimento multiprofissional às mulheres em situação de violência. Essas salas garantem sigilo, segurança e o encaminhamento adequado para os demais serviços da rede de proteção”, disse.
A nota também citava o “Novo PAC – Saúde da Mulher” que prevê investimentos na ampliação da infraestrutura e dos serviços voltados à saúde feminina, com prioridade para o cuidado integral das vítimas de violência.
“Em relação à Lei nº 13.871/2019, que prevê o ressarcimento ao SUS pelos custos de atendimentos decorrentes de violência doméstica e familiar, o Ministério informa que os valores devem ser destinados ao fundo de saúde do ente federado responsável pelo atendimento, estado e/ou município, e não ao fundo da União. A pasta ressalta que a norma reconhece a violência contra a mulher como um dano coletivo, que deve ser enfrentado de forma integrada entre os Poderes e esferas de governo, com foco na prevenção, acolhimento e reabilitação das vítimas”, explica.
Pontualmente às 3h chega a saudação no Whatsapp: “Bom dia para todos os amigos e irmãos do grupo. Que Deus abençoe e proteja nós nessa caminhada, família”. Em seguida, começam os primeiros informes dos integrantes do grupo espalhados pelo Rio: são olheiros do Comando Vermelho monitorando 24 horas por dia a movimentação de tropas policiais. É o que revelam mensagens interceptadas pela Polícia Civil fluminense, evidenciando que o tráfico montou um aparato para vigiar portas de batalhões, entradas das favelas e as principais vias da cidade, numa engrenagem que conta ainda com drones e câmeras de segurança nas imediações de comunidades.
Comando Vermelho espalha olheiros pelo Rio para vigiar policiais
Os grupos de mensagens eram acompanhados de perto por Carlos da Costa Neves, o Gadernal, membro da cúpula do CV e um dos alvos da megaoperação da semana passada nos complexos da Penha e do Alemão — ele segue foragido. Segundo investigações da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), o traficante é o “general de guerra” da facção, responsável por estratégias de ataque contra quadrilhas rivais e a polícia. Comunicados de acompanhamento dos passos das forças policiais foram encontradas em um dos celulares monitorados pelos agentes e abastecem várias investigações contra o tráfico.
Um dos grupos usados pelos criminosos leva o nome de um aplicativo de delivery e um emoji de moto. O GLOBO teve acesso a esse conteúdo: ainda de madrugada, os olheiros começam a acompanhar o tráfego de viaturas por todo o Rio. As mensagens expõem que há espiões em diversas vias importantes da cidade, como Avenida Brasil, Linha Amarela, Avenida Paulo de Frontin e Rua 24 de Maio.
Em 6 de novembro de 2023, por exemplo, um olheiro avisou que havia um comboio saindo do 16º BPM (Olaria) pouco antes das 5h. Outro vigia estava na Avenida Francisco Bicalho, no Centro do Rio, que dá acesso às principais vias expressas cariocas. Às 5h, ele tranquilizou os comparsas. No áudio, fica claro que ele estava no trânsito: “Tá passando só ônibus da PM mesmo. Vazio”. Uma hora depois, ele enviou outro informe: “Tá passando aqui umas viaturas da Força Nacional. Tudo vazia”.
Aqueles eram os primeiros dias de patrulhamento da Força Nacional, que teve efetivo empregado para reforçar o policiamento na Avenida Brasil e em outras vias expressas quando o Rio enfrentava mais uma crise na segurança pública.
Mensagens revelam rede de olheiros do Comando Vermelho para vigiar polícia em tempo real no Rio; ouça áudios — Foto: Reprodução
Do Centro ao Itanhangá
Dois dias depois, às 5h, um deles informou que um comboio de sete viaturas do Batalhão de Choque passava pela Avenida Paulo de Frontin, em direção ao Túnel Rebouças. Ele ainda compartilhou um vídeo feito por um pedestre da Praça Condessa Paulo de Frontin, no Rio Comprido, que mostrava os policiais. O homem alertou que havia “blindado, uma ambulância do Gesar (Grupamento Especial de Salvamento e Ações de Resgate) e umas barcas (viaturas) maneiras do Choque”.
Os PMs passaram em direção à Barra da Tijuca, e um dos olheiros se desculpou por não ter conseguido acompanhar o comboio da Zona Sul:
“Eu peguei a moto aqui no sentido da Lagoa (Rodrigo de Freitas), mas ele já tava lá na frente”.
Outro alertou que a tropa poderia estar indo para a Cidade de Deus, também controlada pelo CV. O grupo só se tranquilizou quando descobriu por olheiros que as viaturas passaram pelo Morro do Banco, no Itanhangá, e estavam a caminho da Muzema — na época controlada pela milícia.
Em novo expediente, um homem avisou sobre um comboio da Polícia Civil acompanhando carros do Ministério Público. Em seguida, outro olheiro disse que acabara de ver os veículos: “passou na Linha Amarela sentido Barra da Tijuca”. O primeiro informante disse, em seguida, que os agentes se dividiram e não havia veículo blindado com eles. Até a movimentação do Exército foi avisada no grupo de monitoramento do tráfico. Um dos olheiros informou que viu duas picapes dos militares passando pela Zona Norte em direção à Rua 24 de Maio ou o bairro de Triagem.
Mensagens revelam rede de olheiros do Comando Vermelho para vigiar polícia em tempo real no Rio; ouça áudios — Foto: Reprodução
Controle por drone
Em mais um dia de trabalho, ainda no início da manhã, um dos vigias demonstrou estar ao lado da sede do Batalhão de Choque, no Centro do Rio. Ele avisou que saiu um comboio pelo “sambódromo”, vizinho do prédio dos PMs. Outro alertou que acabara de ver motos da unidade na Avenida Presidente Vargas, sentido Zona Norte.
Em seguida, um dos olheiros, que pilotava uma motocicleta, começou a acompanhar os policiais na altura da Vila Olímpica da Mangueira. Ao chegar à Rua 24 de Maio, escreveu esbaforido:
“Subiu, subiu aqui o viaduto aqui do rato, aqui ó. Região do Jacaré, hein. Nove barcas (viaturas) do Choque, tudo cheia. E a ambulância da Gesar”.
Mensagens revelam rede de olheiros do Comando Vermelho para vigiar polícia em tempo real no Rio; ouça áudios — Foto: Reprodução
O celular de Gadernal mostra ainda outras estratégias de monitoramento. Nas favelas controladas pelas facções, são instaladas câmeras de segurança para monitorar os principais pontos de interesse dos traficantes. Em uma das conversas, quem instala os equipamentos explica os valores:
“Tem que fazer o pedido das câmeras. Demora de três a quatro dias pra chegar. Cada câmera é R$ 200, e cada Wi-Fi, R$ 50. Fica R$ 250 cada ponto”.
No Juramento, câmeras controladas pelo tráfico vigiam o morro. Emoji de urso é referência ao traficante Edgard Alves, o Doca — Foto: Reprodução
Do celular, Gadernal também acompanhava de perto outras favelas controladas pelo CV. Uma delas é o Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho. No grupo em que os traficantes locais compartilham informações, como os plantões das bocas de fumo, um deles enviou a foto do monitoramento das câmeras com um emoji de urso, em referência a Edgar Alves de Andrade, o Doca ou Urso, chefe do CV. Nas favelas da quadrilha, até drones são usados para controlar rivais e a polícia. Alguns são equipados, inclusive, com garras que soltam explosivos remotamente.
Ontem, as polícias Civil e Militar do Rio prenderam um homem em Queimados, na Baixada Fluminense, acusado de monitorar viaturas. A PM diz que alinha estratégias e ações de inteligência com a Polícia Civil, que afirma monitorar as ações criminosas, até em ambiente virtual, e tentar identificar os envolvidos.
Pesquisa Genial/Quaest divulgada na noite deste sábado (1º) apontou que 64% da população do estado do Rio de Janeiro aprova a megaoperação policial realizada na última terça-feira (28) nos complexos da Penha e do Alemão, contra a facção criminosa Comando Vermelho, que resultou em 121 mortos — sendo quatro deles policiais.Em contrapartida, 27% da população desaprova a megaoperação. Ainda segundo o levantamento, 6% nem aprovam, nem desaprovam; e 3% não sabem ou não quiseram responder.
Ao todo, a Quaest ouviu 1,5 mil moradores do estado do Rio de Janeiro de forma presencial e domiciliar entre os dias 30 e 31 de outubro. A pesquisa tem nível de confiabilidade de 95% e margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos.
A ação policial também é considerada um sucesso por 58% dos moradores do estado, enquanto 32% a consideram um fracasso.
Segmentação
Geograficamente, a pesquisa mostra que os moradores da Baixada Fluminense (que inclui parte dos municípios da região metropolitana da capital, como Duque de Caxias e Nova Iguaçu) são os que mais aprovam a ação, com 73% de apoio, seguidos pelos moradores da capital, com 68% de aprovação.
Em termos de posicionamento político, moradores do RJ que se definem como “lulistas” e de “esquerda não lulista” majoritariamente desaprovam a operação (59% e 70%, respectivamente).
Entre “bolsonaristas” e a “direita não bolsonarista” do estado, prevalece a aprovação à operação policial, com índices positivos de 93% e 92%, respectivamente.
E pessoas que se definem como “independentes” politicamente mais aprovam (61%) do que desaprovam (24%) a ação policial.
A megaoperação no Rio de Janeiro, que deixou 121 mortos, reacendeu o debate sobre segurança pública e colocou o presidente Lula (PT) novamente na defensiva. A ação, considerada a mais letal da história, recebeu aprovação de 57% dos moradores da capital e da região metropolitana, segundo o Datafolha, e unificou o discurso da direita em torno do endurecimento contra o crime.
Lula, que costuma adotar tom crítico a operações desse tipo, evitou questionar a ação comandada pelo governador Cláudio Castro (PL) e defendeu “trabalho coordenado” para enfrentar o tráfico sem colocar inocentes em risco. O silêncio calculado, porém, não impediu ataques nas redes e críticas de governadores oposicionistas, que criaram o “Consórcio da Paz” para reforçar a agenda de segurança.
A reação também chegou ao Congresso. O governo destacou nas redes a sanção de uma lei que prevê prisão para quem ameaçar autoridades que combatem o crime — proposta de autoria do ex-juiz Sergio Moro (União Brasil-PR). A medida, vista como um gesto incomum vindo da esquerda, buscou conter o desgaste político.
Aliados de Lula admitem preocupação com o impacto da crise na popularidade do presidente, mas apostam em reforçar o discurso de combate ao crime com inteligência, citando operações integradas como a Carbono Oculto, em São Paulo. Enquanto isso, a direita tenta transformar o tema da segurança em bandeira eleitoral para 2026.
O Comando Vermelho (CV) transformou o domínio de comunidades do Rio de Janeiro em um negócio altamente lucrativo, seguindo o modelo das milícias. Segundo investigações da Polícia Civil, a facção passou a cobrar taxas sobre serviços básicos, como gás, internet, transporte alternativo e até aplicativos de corrida, impondo monopólios dentro das favelas.
De acordo com o delegado André Neves, diretor do Departamento Geral de Polícia Especializada, o tráfico percebeu que o controle territorial gera mais lucro do que a venda de drogas. “Nos complexos da Penha e do Alemão, tudo é deles. Essa lógica miliciana se espalhou, e as taxas rendem milhões por mês”, afirmou.
Em algumas comunidades, um botijão de gás pode custar até R$ 150 — bem acima da média estadual — e mototaxistas pagam valores semanais para circular. Comerciantes e prestadores de serviço também são obrigados a contribuir com “doações” ou pagamentos regulares.
O novo modelo de exploração tem impulsionado a expansão do CV, que avança sobre áreas antes controladas por milícias, especialmente na zona oeste carioca. “Quanto mais área dominada, mais receita garantida”, resume um policial que atua no setor de inteligência.
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