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Documento mostra que Flávio Dino foi avisado previamente dos atos de 8 de janeiro, diz deputado


Foto: Reprodução/Jovem Pan

Em entrevista concedida nesta quarta-feira (29) ao Morning Show, o deputado federal Kim Kataguiri apresentou um documento onde supostamente é mostrado que o ministro da justiça Flávio Dino (PSB) foi avisado antes dos ataques do dia 8 de janeiro.

“Ontem, durante a reunião da CCJC que Dino participou, ele afirmou que não teria recebido documento algum avisando da possibilidade de criminosos depredarem a Praça dos Três Poderes. Porém, o Ministro recebeu esse documento do Diretor-Geral da PF no dia anterior aos ataques”, disse o Kim ao compartilhar imagens do documento nas redes sociais.

Assista a um trecho da entrevista

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Brasil

Senado vai debater “aumento do vício em pornografia”


Foto: Fernando Zhiminaceila/Pixabay.

A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado aprovou, em reunião nesta quarta-feira (29), a realização de uma audiência pública sobre “aumento do vício em pornografia e suas consequências sociais”. A data do debate será agendada futuramente.

A proposta é do senador Eduardo Girão (Novo-CE), que alega ser necessário debater os aspectos “tanto positiva quanto negativamente” que esse conteúdo traz a seus consumidores. Citando pesquisas científicas, o senador sugere que pode ter efeitos prejudiciais, “incluindo mudanças no cérebro, aumento da ansiedade e depressão, diminuição da satisfação sexual e da intimidade nos relacionamentos, e até mesmo o aumento da propensão para comportamentos sexuais de risco.”

O parlamentar sugere nove nomes para participar do debate, incluindo psicoterapeutas especialistas no consumo de pornografia; psicobiólogos, psicólogos e teólogos; e dois membros ligados ao espiritismo.

Por O Antagonista

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OMS muda orientação e recomenda apenas duas doses de vacina contra a Covid-19


Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que adultos saudáveis e crianças não precisam de dose adicional da vacina contra a covid, além da dose primária e de um primeiro reforço.

Os benefícios à saúde de outras doses, além das duas iniciais, para pessoas saudáveis com menos de 60 anos, e para crianças e adolescentes de 6 meses a 17 anos com comorbidade, “são baixos”, segundo decidiu o Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas em Imunização (Sage) da OMS, depois de reunião realizada entre 20 e 23 de março, para revisar o roteiro das vacinas contra a covid.

As novas recomendações consideram o impacto da variante Ômicron e o alto nível de imunidade alcançado entre a população mundial, devido a infecções e à vacinação.

De acordo com o grupo consultivo, idosos, adultos com outras patologias, imunossuprimidos, grávidas e profissionais de saúde da linha da frente são considerados de alta prioridade e aconselhados a tomar uma segunda dose de reforço (depois das duas doses iniciais). Para essas pessoas, os consultores recomendam um reforço adicional seis ou 12 meses depois da última dose.

No grupo de média prioridade estão adultos saudáveis, sem comorbidades, e crianças e adolescentes com comorbidades. Para esses, o Sage recomenda a série primária e as primeiras doses de reforço para o grupo de média prioridade. “Embora reforços adicionais sejam seguros para esse grupo, o Sage não os recomenda rotineiramente, dados os retornos de saúde pública comparativamente baixos”, informou a OMS, no comunicado.

Revista Oeste

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Lula quer remarcar viagem à China para 11 de abril

Depois de cancelar a viagem que faria à China no último fim de semana por conta de uma pneumonia, o presidente Lula quer remarcar a visita para o dia 11 de abril.

O petista indicou que pretende viajar na nova data durante reunião com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, na noite desta terça, quando renovou o convite para que ele integre a comitiva. Mas explicou que ainda precisa acertar com os chineses.

Segundo uma fonte do Itamaraty ouvida pelo Radar, essa é uma das possibilidades, mas o martelo ainda não foi batido. Os dois governos estão fazendo consultas e avaliando as agendas possíveis.

Depois de dar entrada no Hospital Sírio-Libanês de Brasília na quinta-feira passada e ser diagnosticado com uma “pneumonia leve”, Lula inicialmente adiou o início da viagem de sábado para domingo. No sábado, no entanto, a equipe médica da Presidência divulgou que o presidente contraiu uma “broncopneumonia bacteriana e viral por influenza A” e recomendou que ele permanecesse no Brasil até que o ciclo de transmissão viral se encerrasse.

Em Pequim, Lula teria reuniões com o presidente Xi Jinping, com o premiê chinês, Li Qiang, e com o presidente da Assembleia Popular Nacional, Zhao Leji, entre outros compromissos, até esta sexta-feira. Uma parte da comitiva brasileira já estava na China, composta pelo ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, e por empresários do agronegócio acompanhados.

VEJA

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Pacheco se une a Lula em ataque ao Banco Central


Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado

Depois de participar de uma reunião com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), juntou-se ao petista e criticou a alta da taxa de juros no país. A declaração, dada na terça-feira 28, aumenta a pressão política sobre o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto.

“Houve o reconhecimento mútuo de que a taxa de juros no Brasil está muito alta e afirmei ao presidente a importância de encontrarmos caminhos sustentáveis para a redução da taxa o mais rápido possível”, afirmou Pacheco, em nota.

Indicações para o cargo de presidente do BC precisam passar pelo Senado. A Casa também tem de aprovar eventuais exonerações de integrantes da autoridade monetária.

Nos últimos dias, Lula tem trabalhado para mediar uma disputa de poder entre o Senado e a Câmara. Os senadores querem a volta das comissões mistas para realizar as análises das medidas provisórias. A Câmara, no entanto, quer manter o rito estipulado durante a pandemia: sem a necessidade dos colegiados, realizando a votação diretamente no plenário.

“Tratamos da tramitação das medidas provisórias e disse ao presidente que estamos trabalhando no encaminhamento da busca de um consenso”, disse o senador.

Lula ainda reiterou o convite para que Pacheco faça parte da comitiva presidencial que irá à China. A visita ao país asiático foi adiada, por orientação do médico do petista. Os governos brasileiro e chinês negociam uma nova data para o encontro. Não há uma definição quanto a isso ainda.

Leia a íntegra da nota de Rodrigo Pacheco

Reuni-me, nesta terça-feira, por mais de duas horas, com o presidente Lula. Na conversa, tratamos da tramitação das medidas provisórias e disse ao presidente que estamos trabalhando no encaminhamento da busca de um consenso. Também ressaltei ao presidente Lula que daremos celeridade devida ao arcabouço fiscal. Dentro disso, houve o reconhecimento mútuo de que a taxa de juros no Brasil está muito alta e afirmei ao presidente a importância de encontrarmos caminhos sustentáveis para a redução da taxa o mais rápido possível. Outro ponto da conversa foi em relação à regulação das redes sociais e de plataformas da internet, tema que será discutido pelo Congresso e que precisará do apoio do governo. Por fim, o presidente Lula renovou o convite para que eu integre a comitiva que irá à China, diante de uma nova perspectiva da visita ao país asiático.

Revista Oeste

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Retorno de Bolsonaro a Brasília deve mobilizar mais de 500 policiais e Esplanada fechada


Foto: Mateus Bonomi/Anadolu Agency via Getty Images

O esquema de segurança para recepcionar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deve envolver ao menos 500 policiais na próxima quinta-feira (30) e a Esplanada dos Ministérios deve ser fechada. A CNN teve acesso com exclusividade às informações do planejamento, que está sendo elaborado pelo Governo do Distrito Federal.

O voo de Bolsonaro está previsto para desembarcar às 7h10 e muitos apoiadores do ex-presidente já confirmaram que vão recepcionar o político no saguão. Por conta disso, todas as forças de segurança do DF estarão a postos desde a madrugada, já às 4h.

Do lado de dentro do aeroporto, a segurança ficará por conta da Polícia Federal, que é responsável pela segurança aeroportuária no Brasil. O saguão também terá esquema da PF, com reforço de agentes.

A Polícia Militar do DF terá mais de 500 policiais no esquema de segurança, do lado de fora do Aeroporto Presidente Juscelino Kubitschek, no policiamento ostensivo. A PM fechará a Esplanada dos Ministérios à meia-noite, sete horas antes de o voo com o ex-presidente chegar.

O motivo do bloqueio na Esplanada é evitar atos como os de 8 de janeiro.

CNN Brasil

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Lula nomeia assessor de Gleisi para cargo de R$ 76 mil mensais

Foto: Cristiano Mariz

O presidente Lula nomeou Carlos Carboni, assessor de Gleisi Hoffmann, diretor de Coordenação na Itaipu Binacional. Na nova função, Carboni receberá salário mensal de R$ 76 mil. Aumento significativo se comparado aos R$ 8,3 mil que embolsava como secretário legislativo no gabinete da deputada. Gleisi é, também, presidente nacional do PT.

A nomeação de Carboni para Itaipu Binacional foi oficializada por Lula na última sexta-feira (24/3). O mandato na diretoria da usina hidrelétrica vai até maio de 2027.

Nesta terça (28/3), a Câmara publicou a exoneração de Carboni do gabinete de Gleisi. Antes, ele construiu um histórico de serviços prestados à presidente do PT. Foi seu assessor no Senado e chegou a chefiar o gabinete da petista na Casa Civil quando era ministra de Dilma.

Itaipu Binacional é uma entidade que pertence ao Brasil e ao Paraguai. Foi constituída pelo Tratado de Itaipu para a operação da famosa usina hidrelétrica.

Paulo Cappelli – Metrópoles

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Após ataque em escola de SP, deputados pressionam por redução da maioridade penal


Foto: WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO

O atentado contra a professora Elisabeth Tenreiro, de 71 anos, morta por um aluno menor de idade, em São Paulo, reacendeu o debate na Câmara pela redução da maioridade penal. Deputados pressionam o Senado a dar seguimento à proposta de emenda à Constituição (PEC) que altera o código penal para que adolescentes a partir de 16 anos sejam punidos em casos de crimes hediondos, homicídio doloso e lesão corporal seguida de morte.

Apresentada em 1993, a PEC foi aprovada com alterações pela Câmara em 2015, mas parou no Senado. Ela altera o artigo 228 da Constituição Federal quando diz que “são penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeitos às normas da legislação especial”.

A principal analogia feita pelos parlamentares é o direito ao voto a partir dos 16 anos. “Se o sujeito de 16 anos já pode votar, ele também pode responder criminalmente, igualmente um de maior de idade. É necessário que voltemos à discussão do tema, para evitar que caso como esses, do jovem de 13 anos que matou covardemente a professora, provavelmente, nem preso será”, defendeu o presidente da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, deputado Ubiratan Sanderson (PL-RS).

A deputada Bia Kicis (PL-DF) anunciou estar relançando a Frente Parlamentar pela Redução da Maioridade Penal. “Nós vamos buscar essa PEC que está no Senado, que foi aprovada na Câmara dos Deputados, mas que ficou parada, em um total desrespeito a esse clamor da sociedade brasileira contra a impunidade”. Segundo a parlamentar, a luta se estende “para que adultos criminosos parem de usar os menores no cometimento de crimes”.

Lamentando a morte da professora Elisabeth, o deputado Delegado Mario Palumbo (MDB-SP) criticou o posicionamento de que menores infratores são vítimas de um sistema desigual. “Eles não são vítimas da sociedade. Vítima da sociedade é essa professora que morreu assassinada, covardemente, por um assassino”, disse.

R7

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Justiça nega pedido do MPF para arquivar investigação sobre atentado contra Moro


Foto: REUTERS/Adriano Machado

A juíza Gabriela Hardt, da 9ª Vara Federal de Curitiba, negou o pedido do Ministério Público Federal para arquivar o inquérito sobre o plano da maior facção do país de atentar contra autoridades, entre elas o senador Sergio Moro. Na manifestação, o procurador da República José Soares havia ponderado que a suposta extorsão mediante sequestro descoberta constitui atos preparatórios, e crimes só são puníveis se forem tentados ou consumados. Ele solicitou ainda o encaminhamento das investigações para a Justiça Estadual de São Paulo, o que também foi indeferido pela magistrada.
“(…) a operação policial foi deflagrada há menos de uma semana, de modo que as lacunas porventura existentes poderão ser esclarecidas pelos elementos de informação que já foram e também por aqueles que ainda serão colhidos (como a oitiva dos investigados), não podendo ser interpretadas – neste momento pré-processual e quando ainda não encerradas as diligências policiais – como o reconhecimento da inexistência do crime”, escreveu Hardt, na decisão.

No despacho, a juíza pontua que o crime de extorsão mediante sequestro não é o “único delito descortinado durante a investigação”. Ela discorre que os “planos espúrios” capitaneados pelo grupo criminoso guardam conexão com os fatos que foram ou seriam executados também em Cascavel, em Brasília, em Campo Grande e em Porto Velho. Nesses locais, estão encarcerados em presídios federais os principais chefes dessa facção.

No pedido de arquivamento, Soares afirma que, no inquérito, há “diversos indícios concretos, colhidos principalmente da interceptação telemática, de que o plano chegou à etapa da preparação”. O procurador cita “viagem de alguns para Curitiba, aluguel de imóveis, colheita de dados do senador e de sua família, filmagem da fachada de prédio residencial vinculado ao senador e observação das medidas de segurança adotadas pelo clube onde o senador votaria no 2º turno das eleições presidenciais de 2022”.

“No caso, é notório, de conhecimento público, que o senador Sergio Moro (ou alguém de sua família) felizmente não chegou a sofrer atentado a sua liberdade, a sua vida ou a sua integridade física. Ou seja, o crime de extorsão mediante sequestro inicialmente planejado e preparado, aparentemente pela organização criminosa PCC, não chegou a ser tentado”, pondera Soares, citando o artigo 31 do Código Penal, que prevê que a instigação não é punível, se o crime não chega, pelo menos, a ser tentado.

O procurador destaca que, ao arquivar inquérito em relação a suposta extorsão mediante sequestro contra Moro, único crime federal que estava sendo investigado, deveria haver a declinação de competência a Justiça Estadual.

“As buscas, se forem confirmadas as expectativas da Polícia Federal, trarão, quanto aos objetos, no máximo mais elementos probatórios do crime de organização criminosa, mas tal crime é de competência estadual em regra se não houve (e no caso concreto não houve) tentativa ou consumação do crime federal investigado. Lembre-se que os outros crimes conexos ao crime de organização criminosa também são em regra de competência estadual: os crimes de posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso permitido ou restrito”, escreveu Soares.

O Globo

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Comissão do Senado aprova PL que equipara atos de grupos criminosos aos de terrorismo

Foto: Roque de Sá

A Comissão de Segurança Pública (CSP) aprovou nesta terça-feira (28) o projeto que tipifica como atos terroristas as condutas praticadas em nome ou em favor de grupos criminosos organizados, tais quais as registradas recentemente no Rio Grande do Norte. A proposta também altera as penas para esses atos.

O PL 3.283/2021 foi apresentado pelo senador Styvenson Valentim (Podemos-RN), e altera a Lei Antiterrorismo (Lei 13.260, 2016), a Lei Antidrogas (Lei 11.343), a Lei das Organizações Criminosas (Lei 12.850), e o Código Penal (Decreto-Lei 2.848, de 1940), para equiparar as ações de grupos criminosos organizados à atividade terrorista.

O parecer foi elaborado pelo senador Alessandro Vieira (PSDB-SE) e lido ad hoc pelo senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) com a inclusão de algumas emendas. Alessandro também incluiu os atentados e ameaças à vida de funcionários públicos nas ações tipificadas como crime. A mudança foi feita depois que, no dia 22 de março, uma operação da Polícia Federal (PF) prendeu nove integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), que planejavam atacar servidores e autoridades públicas.

Com isso, serão equiparados ao crime de terrorismo as condutas de participação, promoção, planejamento, organização, ameaça, comando, facilitação ou financiamento de atentado a vida ou integridade dessas pessoas.

A proposta segue agora para a decisão final da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).

Ameaça às instituições

Styvenson criticou o fato de as organizações criminosas ameaçarem o Estado e suas instituições e, mesmo assim, serem autuadas com uma legislação antiga, à qual, segundo ele, não penaliza de forma correspondente os criminosos.

“Não dá para chegar ao limite de ter autoridades, de ter funcionários públicos, pessoas sendo ameaçadas pelo grupo organizado, pelo crime organizado, pelas milícias. Eu falo de criminosos, não estou falando de organizações civis que buscam ali seus direitos políticos. Estou falando de organizações criminosas que articulam, que planejam, que de forma ardilosa, atentam contra a vida de pessoas que utilizam da lei para manter a segurança, a ordem, a paz dentro dos nossos estados”, afirmou Styvenson.

O projeto prevê que serão punidas com pena de 12 a 30 anos de prisão condutas praticadas em nome ou em favor dessas organizações que, entre outras: limitam a livre circulação de pessoas, bens e serviços e mantenha monopólio territorial, qualquer outro tipo de controle social ou poder paralelo, seja em zona urbana ou rural, com uso de violência ou ameaça.

O texto explicita que as atividades equiparadas a terrorismo serão aquelas consideradas mais gravosas, que afetam e causam terror na vida de comunidades e regiões, o que inclui o tráfico de drogas e a formação de milícias.

Por outro lado, a constituição de duas ou mais pessoas para organizar, manter ou custear organização paramilitar, milícia particular, grupo ou esquadrão terá pena de cinco a dez anos de prisão e pagamento de R$ 2 mil a R$ 3 mil de multa por dia. Hoje a penalidade é de um a três anos de prisão. A fixação dessa pena veio após pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O parecer de Alessandro previa pena de quatro a dez anos de reclusão.

Em relação à Lei Antidrogas, a proposta enquadra no crime de terrorismo a associação de duas ou mais pessoas para o fim de praticar, reiteradamente ou não, o tráfico de entorpecentes. Também nesse caso, Mourão decidiu acatar de  Flávio Bolsonaro  fixando a mesma pena: reclusão de cinco a dez anos, e pagamento de R$ 1,2 mil a R$ 2 mil de multa por dia. Atualmente, a pena é de três a dez anos de prisão, e pagamento de R$ 700 a R$ 1,2 mil de multa por dia. O parecer inicial previa prisão de quatro a dez anos.

Atentados a autoridades

Alessandro ressalta em seu parecer que “as atividades equiparadas a terrorismo são aquelas consideradas mais gravosas, que afetam e causam terror na vida de comunidades e regiões”. Inicialmente ele havia colocado no seu voto que os atos a serem tipificados são os com a “finalidade de provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo pessoa, patrimônio, a paz pública ou a incolumidade pública”. Mas acabou acatando sugestão de Flávio Bolsonaro e Jaques Wagner (PT-BA) substituindo a expressão “terror social” por “distúrbios civis”.

O texto do relator ainda equipara a terrorismo às condutas de promoção, participação, planejamento, organização, ameaça, comando, facilitação ou financiamento de atentado contra a vida ou integridade física de funcionário público, sem prejuízo das sanções correspondentes à violência, e de fuga de presos, exclusivamente quando praticadas por grupos criminosos. No conceito de funcionário público estão incluídos servidores estatutários, celetistas, membros dos Poderes e eventuais funcionários temporários.

“O agente da lei é que tem que se proteger, não tem liberdade para circular. Então, nós estamos perdendo a guerra. Não reconhecer que nós estamos perdendo a guerra já é ruim. Então eu acho que esse projeto é mais do que oportuno”, disse o senador Esperidião Amin (PP-SC) ao elogiar a iniciativa.

O texto original previa a inclusão do requisito de quatro ou mais pessoas para a configuração dos crimes de associação para o tráfico e constituição de milícia privada, mas o relator retirou a previsão porque considerou que poderia ter como consequência a extinção do delito antes previsto no ordenamento jurídico, descriminalizando as condutas realizadas sob a vigência da lei anterior.

Milícias

O relator considerou o projeto pertinente e necessário para tornar mais efetivo o combate aos grupos criminosos organizados no país. “O desaparecimento do indigenista Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Philips em 2022, encontrados mortos, apontam o fenômeno do alastramento das organizações criminosas oriundas do Sudeste pelo país, direcionando interesses para a Região Amazônica em que são estabelecidas conexões e simbioses entre diferentes tipos de crimes, com a formação de redes transnacionais”, afirmou no parecer.

Durante o debate, os senadores destacaram que as populações que mais sofrem com a atuação de organizações criminosas são aquelas reiteradamente excluídas do acesso a serviços estatais básicos em razão da ação dos próprios grupos criminosos e pela configuração de novos atores que se estabeleceram nos últimos vinte anos: as milícias. Eles ressaltaram que esses grupos têm imposto decisões legais e extralegais às comunidades e controlam a economia de territórios de maneira ilícita e violenta.

“Não é possível que um brasileiro não fique triste com os dados. Nós vivemos num país que, tradicionalmente foi marcado pela convivência, pela coexistência, pela tolerância entre os diferentes, um povo cordial, como se dizia. Mas nós  temos zonas de exclusão”, observou Amin.

O protesto foi reforçado pelos senadores Magno Malta (PL-ES) e Eduardo Girão (Podemos-CE). Eles observaram que essa zona de exclusão vem crescendo ao longo dos anos por uma série de fatores. Entre eles, a falta de políticas preventivas e de políticas de enfrentamento.

“Lá no Ceará tem cidadão, não só em Fortaleza, como no interior do estado, que precisa pedir autorização para entrar no seu bairro. Autorização a facções criminosas. O crime organizado está mandando ao ponto de expulsar famílias (…). Eu acho que a gente está dando um passo”, disse Girão.

Agência Senado

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