Brasil

Lula reúne sul-americanos em cúpula sem pauta definida e com divergências ideológicas

LULA  BRASÍLIA DF 29.05.2023  LULA / NICOLÁS MADURO    POLITICA OE  - O  Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com o  Presidente da República Bolivariana da Venezuela, Nicolás Maduro, na manhã desta segunda-feira (29) no  Palácio do Planalto  em Brasília.  FOTO WILTON JUNIOR/ ESTADÃO. Foto: WILTON JUNIOR

Líderes de 11 dos 12 países da América do Sul se reúnem nesta terça-feira, 30, em Brasília para discutir um modelo de integração para a região. Organizado pelo governo brasileiro, o encontro marca a estratégia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de projetar a liderança brasileira na região e o protagonismo diplomático do País. As divergências ideológicas entre os líderes presentes ao encontro, a falta de uma pauta clara e até mesmo a indefinição sobre se haverá ou não o relançamento da antiga União de Nações Sul-Americanas (Unasul) criam dúvidas sobre o resultado prático da cúpula, segundo diplomatas.

O Itamaraty confirmou a presença dos presidentes da Argentina, Alberto Fernández, da Bolívia, Luis Arce, do Chile, Gabriel Boric, da Colômbia, Gustavo Petro, do Equador, Guillermo Lasso, da Guiana, Irfaan Ali, do Paraguai, Mario Abdo Benítez, do Suriname, Chan Santokhi, do Uruguai, Luis Lacalle Pou, e da Venezuela, Nicolás Maduro.

“A América do Sul precisa se convencer de que temos de trabalhar como se fosse um bloco. Não dá para ninguém imaginar que sozinho vai resolver seus graves problemas, que já perduram 500 anos. Juntos somos 450 milhões de pessoas, temos um PIB de quase U$ 4,5 trilhões, temos força na negociação”, disse Lula, na segunda-feira, após reunião com o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

 

 

Um ‘novo velho’ foro regional

O governo brasileiro defende um diálogo político periódico entre os líderes da América do Sul, independentemente de orientação ideológica, para tratar de temas de interesse comum como comércio, meio ambiente e crime organizado, entre outros.

“Eles (presidentes) podem propor outra coisa, pode funcionar diferente. A ideia central é formar um bloco para trabalhar juntos. Acho que não é difícil porque temos mais ou menos os mesmos problemas. Penso que vamos ter sucesso”, afirmou Lula.

O único item dado como certo na pauta é a discussão sobre a reativação da Unasul, da qual agora fazem parte somente Brasil, Argentina, Peru, Venezuela, Bolívia, Guiana e Suriname. Mas a Unasul não será necessariamente recriada. Outras alternativas, segundo Lula, estão sobre a mesa.

Análise

Outrora identificada com líderes de esquerda, a organização foi paulatinamente abandonada pelos países-membros e se paralisou. Atualmente, somente sete nações fazem parte do órgão, que não dispõe mais de comitês temáticos e conselhos ativos. Não há orçamento. Até a sede no Equador, inaugurada em Quito, em 2014, ano da última cúpula realizada, deixou de funcionar.

Na prática, no entanto, os líderes vão debater que tipo de modelo de integração desejam. Até o nome do “bloco” pode mudar, assim como o funcionamento, periodicidade e sede. O governo Lula propõe que o mecanismo de consulta multilateral seja permanente, com perfil de Estado, em vez de ficar sujeito às conveniências e à ideologia do governo da vez.

Uma reunião sem decidir nada

Para evitar críticas sobre uma possível fracasso da cúpula, o governo argumenta que a reunião é um ponto de partida, não de chegada, e não necessariamente resultará em decisões comuns. “Queremos ouvir cada um. Cada um vai voltar para seu país com as ideias discutidas, depois vamos ver outro encontro para ver no que a gente avançou”, disse Lula. “A reunião não decide nada. É apenas uma prospecção de possibilidade de fazermos o que tem de ser feito em outras reuniões.”

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Segundo a embaixadora Gisela Padovan, secretária de América Latina e Caribe do Itamaraty, a principal preocupação do governo é criar um foro para decisões de Estado. “Nos últimos anos houve uma fragmentação da integração sul-americana. Uma Unasul de cinco, sete países não resolve. Estamos falando de Estado, não de governos que fiquem mais ou menos alinhados”, disse. “Temos consciência de que há diferenças de visão e de orientação ideológicas entre os países, por isso mesmo consideramos um começo. Não queremos pré-julgar o diálogo dos presidentes.”

Em duas participações recentes no Congresso, o chanceler Mauro Vieira pregou o pragmatismo “acima de efervescências ideológicas”, no novo mandato de Lula. “Não nos interessa uma região em que prevaleçam conflitos e isolamentos. Precisamos encontrar soluções negociadas para os desafios que compartilhamos. Não falar, virar as costas, não resolve, isso é negação da diplomacia”, ponderou Vieira em recente audiência no Congresso.

Lula cumprimenta Maduro em Brasília antes de reunião bilateral no Palácio do Planalto Foto: Gustavo Moreno/AP 

Desconforto com Maduro

Diplomatas brasileiros e de países vizinhos admitem, em conversas privadas, um estranhamento nas delegações com a convocação de um encontro sem pauta concreta. Apesar disso, o modelo “intimista”, sem transmissão dos discursos nem presença de delegação ampliada ou da imprensa, também ajuda a ocultar eventuais divergências e resistências por razões políticas entre os presidentes.

Há um desconforto com a presença de Nicolás Maduro, da Venezuela. Em reuniões multilaterais abertas, delegações costumam mostrar discordância em situações que geram constrangimento, como a recusa em posar para fotos conjuntas ou a retirada da sala durante discurso, em plenário, da figura repudiada.

Houve questionamentos internos nos países com a notícia da presença de Maduro, primeiro a chegar a Brasília. Ciente das divergências, o chavista propôs uma relação menos belicosa entre os países dissonantes da região, sem isolacionismo. “Não podemos deixar que ideologias intolerantes, extremistas e excludentes se imponham”, disse nesta segunda-feira, 29, no Palácio do Planalto.

O governo afirma que a falta de uma agenda própria, sugerida pelo anfitrião, como costuma ocorrer em cúpulas de chefes de Estado, se deve à proposta de “liberdade” de conversas reservadas. Também seria uma forma de deixar o microfone aberto para os presidentes exporem suas visões, sem condicionantes, a respeito da atual descoordenação regional.

“Lula quer que todos se escutem. A cúpula não tem uma agenda. A ideia é um debate bastante desestruturado”, disse Padovan. “É como se fosse um retiro, como se fossem a um wellness (centro de bem-estar), você vai lá e uma guru do wellness fica fazendo a pajelança.”

Estadão

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Brasil

‘Não penso duas vezes em defender Bolsonaro contra Lula’, diz Deltan Dallagnol

O ex-procurador do MPF Deltan Dallagnol - Theo Marques/UOLImagem: Theo Marques/UOL

O deputado federal cassado Deltan Dallagnol (Podemos-PR) disse, durante entrevista ao Roda Viva nesta segunda-feira (29), que “não pensa duas vezes” em defender o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) contra o atual mandatário, Lula (PT).
O que aconteceu:

Deltan afirmou que só votou em Bolsonaro no 2º turno para evitar a eleição de Lula. “Avaliando Lula, avaliando Bolsonaro, eu não penso duas vezes em defender Bolsonaro contra Lula”.

O deputado cassado pelo TSE disse que o atual presidente defende ditaduras. Ele citou o encontro de Lula com o venezuelano Nicolás Maduro hoje. Deltan argumentou que o mesmo não foi feito por Bolsonaro. Porém, o ex-presidente já se encontrou com o príncipe saudita Mohammad bin Salman, herdeiro de um regime acusado de violar direitos humanos, e o governo foi presenteado com joias sauditas.

Durante a entrevista, Deltan Dallagnol também disse que os ministros do TSE determinaram sua cassação “por interesse”. “Um ministro chega ao tribunal superior não só porque é indicado pelo presidente, mas porque é apoiado por uma série de partidos e figurões da nossa República. […] Essas pessoas querem vingança, o sistema quer vingança”

O deputado cassado afirmou que o TSE “criou uma inelegibilidade” e que vai recorrer à corte, ao STF e a própria Câmara. “O TSE emitiu uma decisão que criou uma inelegibilidade que não está prevista na lei para me cassar. Isso aconteceu fora da lei”

Deltan também defendeu “individualização de conduta” para as pessoas presas nos atos golpistas do 8/1. “Imagens das câmeras de segurança mostram que tinham pessoas tentando evitar qualquer dano, atentado. Você precisa dizer o que cada um fez, e você tem câmeras de segurança para dizer isso”.

Todo mundo sabe, quem não é ingênuo, como funcionam as decisões em Brasília. Alguns ministros vão decidir em cima da lei, e vários vão decidir por interesse. Isso é sabido, como a coisas funcionam no Brasil Deltan Dallagnol, ao Roda Viva
Cassação de Deltan:

Dallagnol foi cassado por fraude à Lei da Ficha Limpa ao sair do MPF, em novembro de 2021. Ele renunciou ao cargo de procurador da República quando já havia sinais de que poderia ser exonerado por desvio de conduta. Se ele tivesse sido punido no processo disciplinar, teria se tornado inelegível — e, portanto, não seria hoje deputado.

Os ministros do TSE acataram dois recursos apresentados contra a candidatura de Dallagnol no ano passado. Um havia sido movido da Coligação Brasil da Esperança, do presidente Lula (PT), e outro pelo PMN. Dallagnol pode recorrer, mas a decisão do TSE tem validade automática.

UOL

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Brasil

Pedofilia na Igreja deve ser tratada como crime, diz líder da CNBB


Foto: Reprodução

O presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), Dom Jaime Spengler, afirmou em entrevista ao jornal O Globo, publicada nesta 2ª feira (29.mai.2023), que casos de pedofilia na Igreja Católica deverão ser tratados como crimes.

“Ninguém pode com absoluta certeza afirmar que isto ou aquilo jamais lhe acontecerá! Daí o constante chamado do Senhor, em distintas passagens do Evangelho, à vigilância, ao cuidado, à atenção. Crime é crime! E como crime deve ser tratado”, declarou o arcebispo de Porto Alegre (RS).

Dom Jaime Splenger afirmou que a perspectiva da Igreja é de “tolerância zero” para casos de abuso infantil. Além disso, destacou as ações que vem sendo tomadas de combate à pedofilia nas igrejas. Ele afirmou que todas as dioceses devem ter uma Comissão Especial para a Tutela de Menores e Pessoa Vulnerável.

“Muito já foi realizado! Mas há ainda o que fazer!”, afirmou.

O arcebispo de Porto Alegre foi eleito em 24 de abril para presidência da CNBB. Ele chefiará a entidade pelos próximos 4 anos.

Poder360

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Brasil

Governo Lula aprova indenização de R$ 100 mil para ex-presidente do Instituto Lula


Foto: Reprodução

O Diário Oficial da União desta segunda-feira (29) traz portaria concedendo indenização de R$100 mil ao ex-presidente do Instituto Lula Paulo Okamotto. A ação se refere a perseguição durante ditadura militar. O documento é assinado pelo ministro dos Direitos Humanos, Sílvio Almeida.

A anistia de Okamotto já havia sido declarada em 2019, mas acabou vetada pela então ministra da pasta Damares Alves. Na ocasião, Damares, hoje senadora pelo Republicanos-DF, afirmou que não pagaria um centavo a Okamotto.

A listra traz ainda outros nomes, como o do deputado federal Ivan Valente (Psol-SP). A indenização total ao parlamentar chega aos R$332,3 mil.

Diário do Poder

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Brasil

Grupo que dava “golpe dos nudes” em homens ricos e políticos da PB é preso no Sul do país

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul cumpre dezenas de mandados de prisão nesta segunda-feira (29) contra suspeitos de participar de uma organização criminosa que aplicava “golpe dos nudes” em homens de classe média e alta. Até a última atualização desta matéria, 31 pessoas haviam sido presas no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.

Segundo a investigação, o grupo entrava em contato com a vítima por meio de perfis falsos de mulheres jovens para obter fotografias íntimas das vítimas. O alvo principal dos golpistas eram os homens mais velhos.

Entre as vítimas estão empresários, médicos e até políticos.

“O esquema era perfeitamente delineado, com vasto material que auxiliava na ilusão das vítimas e que era transmitido entre os criminosos. Para a produção do material, os investigados inclusive aliciavam adolescentes, que mandavam fotografias, áudios e vídeos sob remuneração e até mesmo sob ameaças”, explicou o delegado Rafael Liedtke, segundo texto da Polícia Civil.

Além do Rio Grande do Sul, também havia participantes da quadrilha em Santa Catarina. A polícia identificou vítimas em pelo menos 12 estados: Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.

Outros crimes

Além da extorsão, o dinheiro recebido com o golpe era pulverizado entre laranjas, que ganhavam mesadas do grupo criminoso.

No entanto, a maior parte do dinheiro voltava para os golpistas, que sustentavam uma vida luxuosa. Parte do dinheiro ia parar dentro dos presídios, na mão de detentos que são lideranças criminosas do sistema prisional.

A polícia investiga os crimes de lavagem de dinheiro, tráfico de drogas, porte ilegal de munições e armas de fogo, extorção e corrupção de menores.

As prisões aconteceram em Florianópolis (SC), além dos seguintes municípios do Rio Grande do Sul: Porto Alegre, Canoas, Cachoeirinha, Gravataí, Alvorada, Viamão, Tramandaí e Imbé.

Ao todo, participaram da operação 150 policiais dos dois estados, além de um helicóptero.

Metropóles

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Brasil

Prazo para declarar Imposto de Renda termina próxima quarta-feira

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Termina na próxima quarta-feira (31) o prazo de entrega da declaração do Imposto de Renda Pessoa Física 2023 (IRPF 2023). O procedimento é obrigatório para aqueles que receberam rendimentos tributáveis acima de R $28.559,70 em 2022 ou que obtiveram ganhos acima de R$ 40 mil isentos, não tributáveis ou tributados na fonte ao longo do ano. Até às 19h47 da última sexta-feira (26), 322.975 declarações do RN já tinham sido enviadas, segundo base de dados da Receita Federal.

Saiba como declarar

O preenchimento e a entrega podem ser feitos por meio do Programa Gerador da Declaração relativo ao exercício de 2023, que está disponível para download no site da Receita Federal; por meio do serviço online Meu Imposto de Renda, pelo Portal e-CAC ou pelo aplicativo para tablets e celulares.

Para reduzir o risco de erros, a Receita orienta os contribuintes a utilizarem a declaração pré-preenchida, modelo com diversas informações já disponibilizadas a partir dos bancos de dados do Fisco. Ainda assim, é responsabilidade de cada um conferir e corrigir, se necessário, as informações importadas, além de incluir dados que não constem no sistema.

Quem usar a declaração pré-preenchida ou optar por receber o valor da restituição por meio da chave Pix (desde que a chave seja o CPF do cidadão) terá prioridade no recebimento da restituição, sempre respeitando as prioridades legais, como idosos, professores e pessoas com deficiência. O pagamento das restituições começa em 31 de maio e foi dividido em cinco grupos mensais até 29 de setembro, de acordo com a data de entrega da declaração.

Outras situações em que a declaração do IRPF 2023 é obrigatória:

– Aqueles que obtiveram, em qualquer mês de 2022, ganho de capital na alienação de bens ou direitos, sujeito à incidência do imposto, ou realizou operações em bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas cuja soma foi superior a R$ 40.000,00, ou com apuração de ganhos líquidos sujeitas à incidência do imposto;

– Pessoas que tiveram isenção de imposto sobre o ganho de capital na venda de imóveis residenciais, seguido de aquisição de outro imóvel residencial no prazo de 180 dias;

– Contribuintes que tiveram, em 2022, receita bruta em valor superior a R$ 142.798,50 em atividade rural;

– Aqueles que tinham, até 31 de dezembro de 2022, a posse ou a propriedade de bens ou direitos, inclusive terra nua, de valor total superior a R$ 300 mil;

– Pessoas que passaram para a condição de residente no Brasil em qualquer mês e se encontrava nessa condição até 31 de dezembro de 2022.

Tribuna do Norte

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Brasil

Esquerda pressiona Lula, se divide e causa desgaste para o Planalto

Apoio. Integrantes do MST em ato pró-Lula: ligação do PT com os sem-terra serve de munição contra o governoFoto: Jorge William / Agência O Globo

Pressionado por partidos de centro, dos quais depende para formar uma base sólida no Congresso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem encontrado dificuldades para manter a ala mais à esquerda de seus aliados coesa com a frente ampla que montou para governar. Tanto na votação da nova regra fiscal quanto no acordo fechado para aprovar a reestruturação dos ministérios, foram parlamentares de partidos como PT, PSOL e Rede, e não a oposição, os que mais resistiram. Além disso, pautas ligadas a essas siglas, como a questão ambiental e a defesa do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), viraram uma espécie de calcanhar de aquiles do governo.

Frente aos primeiros resultados de votações no Congresso, petistas próximos a Lula avaliam que o governo terá de optar por encampar temas que gerem mais consenso entre parlamentares, como os ligados a educação, saúde e distribuição de renda. Segundo esses auxiliares, o ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais), responsável pela articulação política do governo, já entendeu que temas da agenda da esquerda sofrerão resistência no Congresso.

— Quanto mais se aproximar do centro, mais chance de aprovação. Agenda de esquerda tem tido pouca adesão — resume o líder do União Brasil no Senado, Efraim Filho (PB).

Quanto à pauta ambiental, que Lula tenta usar como vitrine no cenário internacional, aliados afirmam que terá de ser tratada de forma mais ampla, com foco, por exemplo, na preservação da Amazônia e no combustível verde.

Mas é na área econômica que o governo enfrenta fogo amigo de maior calibre. A próxima batalha será a reforma tributária, tema que já opõe petistas e a equipe econômica. O deputado Rui Falcão (PT-SP), que preside a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), é um dos que acreditam que o fatiamento da reforma pode fazer com que a segunda etapa sequer saia do papel. Pela proposta da Fazenda, primeiro será encaminhada a simplificação e unificação dos tributos, para mais tarde se tratar de renda, patrimônio e riqueza.

Como revelou O GLOBO, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, enfrenta desgaste com a bancada do partido na Câmara por defender posições mais à esquerda e que por vezes colidem com a pauta econômica de Lula. Além das críticas ao novo arcabouço fiscal, ela se disse contra a volta da cobrança de impostos sobre combustíveis.

“Imprudência”

O PSOL, por sua vez, votou integralmente contra a nova regra fiscal, enquanto deputados petistas, mesmo chancelando o projeto do governo, o criticaram duramente. Deputados protocolaram uma declaração que fala em “imprudência” e “estrangulamento” do poder público ao criticar a medida, especialmente após as mudanças promovidas pelo relator, Cláudio Cajado (PP-BA).

“Consideramos que o relatório de Cajado agravou sobremaneira as normas de contração dos gastos públicos, limitando fortemente a capacidade do Estado de fazer justiça social e comandar um novo ciclo de desenvolvimento”, diz um trecho do texto que tem entre os signatários Lindbergh Farias (PT-RJ), Rui Falcão e Bohn Gass (PT-RS).

Gleisi Hoffman. Presidente do PT fez críticas à nova regra fiscal — Foto: Lucas Tavares / Agência O Globo

Esse descompasso entre governo e esquerda ficou evidente também na votação da MP que reestruturou os ministérios, na semana passada. As mudanças feitas no Congresso enfraqueceram pastas como Meio Ambiente e Povos Indígenas, mas preservaram funções da Casa Civil e mantiveram a extinção da Funasa. Apesar do acordo costurado pelo Planalto, Gleisi ameaça ir ao Supremo Tribunal Federal (STF) para desfazer as alterações. Mas auxiliares de Lula afirmam que o governo não vê possibilidade de judicialização e que a melhor opção é negociar alterações até amanhã, quando a MP deverá ser votada no plenário da Câmara.

A ligação de Lula e do PT com o MST é vista como um dos principais pontos de conflito com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que tem 344 integrantes. Aliados de Lula afirmam que pautas vinculadas aos sem-terra, ao Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e aos indígenas terão dificuldades. Foi a proximidade do PT com os sem-terra um dos motivos da criação da CPI que investiga o movimento e cujos membros são em sua maioria da oposição.

O Globo

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Brasil

Petrobras teria que cortar preço da gasolina em 14% para compensar volta de impostos federais

Petrobras: pedido de combustível para novembro é maior do que produção

A entrada em vigor da nova política de preços da Petrobras vai coincidir, nas próximas semanas, com uma mudança no valor do ICMS sobre combustíveis e com o fim da desoneração de tributos federais. Com isso, o consumidor poderá lidar com uma gangorra nos preços. Segundo cálculos de Andréa Angelo, estrategista de inflação da Warren Rena, a Petrobras precisará reduzir o valor do litro da gasolina em 14% até julho para evitar que a alta de impostos pressione o preço final nas bombas.

Atualmente, as alíquotas do ICMS são definidas por cada estado e variam de 17% a 20%, segundo números do Comitê dos Secretários de Fazenda dos Estados e do DF (Consefaz). A partir de quinta-feira, 1º de junho, o imposto estadual cobrado será de R$1,22 por litro de gasolina ou etanol anidro em todo o território nacional. Na prática, o imposto vai subir, visto que o valor médio do ICMS está em R$ 1,08 por litro, considerando o preço atual da gasolina e as alíquotas dos estados.

A redução de 12,6% da gasolina nas refinarias, anunciada pela Petrobras e que passou a valer no último dia 17, pode mais do que compensar o custo do imposto estadual a partir de junho no preço de revenda do combustível ao consumidor. Mas não dará fim à gangorra dos preços: se a tendência é de leve redução em junho, a perspectiva é de aumento no mês seguinte, o que vai em direção contrária à estratégia do Palácio do Planalto de controlar a inflação e agradar à classe média.

No dia 1º de julho está prevista a volta integral da cobrança de impostos federais (PIS/Cofins e Cide) sobre a gasolina e o etanol, que foi zerada no período eleitoral pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e mantida parcialmente pelo governo Lula, até o dia 30 de junho, via medida provisória.

Aumento seria de 5,64%

Andréa estima que o preço da gasolina nas bombas terá uma queda média de 2% em função da redução de 12,6% nas refinarias até o fim deste mês. Já em junho, quando passa a valer a cobrança única do ICMS, e o consumidor deveria sentir um peso maior no bolso para encher o tanque, ela prevê que haverá mais uma queda de 1,5%, ainda efeito da redução da Petrobras, pois alguns postos levam algumas semanas para repassar a diferença de preço ao consumidor.

“Se não tivesse ocorrido a redução pela Petrobras, o preço da gasolina teria uma alta de 2,35% em junho”, calcula a economista.

Já a reoneração total dos tributos federais Cide e PIS/Cofins, prevista para julho, deve levar o preço da gasolina a uma alta de 5,64%, segundo Andréa. Mas ela avalia que, em função da mudança em sua política de preços — que passa a não depender exclusivamente das cotações do câmbio e do petróleo no mercado internacional —, a Petrobras deve anunciar nova queda para conter o impacto no bolso do consumidor. Para isso, calcula ela, a estatal precisa anunciar uma redução de 14% no preço nas refinarias.

“No cenário atual da inflação e das expectativas do mercado, analistas acreditam que vem alguma coisa para amortecer esse efeito da alta”, diz a economista. “Pode ser que, na fórmula nova, a Petrobras encontre espaço (para queda).”

Em entrevistas recentes, o presidente da estatal, Jean Paul Prates, tem dito que vai analisar a possibilidade de absorver a reoneração dos combustíveis em julho.

“Não sei, vamos ver até lá… Tudo será feito com muita parcimônia, análise, não é chute”, disse Prates à Globonews.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também afirmou, em audiência pública na Câmara, em meados deste mês, que a Petrobras ainda teria espaço para reduzir mais os preços dos combustíveis e que há perspectiva de a estatal anunciar uma nova queda no início de julho, utilizando essa “gordura”.

Estadão

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Brasil

Maduro desembarca em Brasília a convite de Lula para cúpula sul-americana

Foto: Zurimar Campos/Presidência Venezuelana/AFP

O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, chegou ao Brasil na noite deste domingo (28) para um encontro promovido nesta terça (30) com líderes regionais sul-americanos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tem a intenção de retomar a Unasul (União das Nações Sul-Americanas).

“Agradeço a calorosa acolhida com que fomos recebidos em Brasília. Nas próximas horas estaremos desenvolvendo uma agenda diplomática que reforce a necessária união dos povos de nosso continente”, disse Maduro no Twitter.

Com exceção da presidente do Peru, Dina Boluarte, que enfrenta impedimentos constitucionais, todos os 11 presidentes da América do Sul foram confirmados e virão à capital federal. Os encontros com os líderes vão acontecer no Palácio do Itamaraty, sede da diplomacia brasileira, seguidos de um jantar na residência oficial de Lula, o Palácio da Alvorada

A presença de Maduro promete ser um dos pontos de desconforto da reunião. O presidente do Chile, Gabriel Boric, é exemplo de um dos líderes regionais com posicionamento crítico aos abusos de direitos humanos cometidos por Caracas.

Folha de S. Paulo

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Caça às bruxas ao ‘X9’ e exclusão: a confusão no grupo do PT

Foto: Divulgação

O vazamento de uma informação no grupo de assessores do PT na Câmara causou a exclusão de pelo menos 13 pessoas (até agora) e também fez com que fosse alterada a política de publicação de participantes do grupo. Chegou a permitir que só administradores possam publicar, mas voltou atrás e deu novamente permissão a todos os membros.

Tudo começou quando o perfil do PT do Senado comemorou no Twitter a aprovação na comissão da medida provisória que modifica a estrutura ministerial de Lula. O post dizia “Vitória. Comissão acaba de aprovar a MP da organização ministerial do governo Lula”.

A comemoração gerou revolta no grupo dos assessores do PT. A repercussão geral entre petista também foi ruim e, uma hora depois, o perfil precisou se explicar, dizendo:

“A maioria do Congresso impediu que a extrema-direita derrubasse a MP que reorganiza a estrutura ministerial. A medida vence em 1º de junho. A não aprovação do texto representa o retorno da configuração administrativa aos moldes do governo anterior”.

Só que o climão começou no grupo quando postaram a notícia publicada por um blog de que o post havia irritado os assessores. Começaram então as buscas ao X9 que teria vazado a informação e foi iniciada a exclusão de várias pessoas do grupo.

Em meio à confusão, sobrou até mesmo para André Janones, que foi criticado e chamado de “coach de rede social” após ter afirmado que o “governo é analfabeto digital”.

Para pôr fim à discussão, os administradores do grupo mudaram a forma de publicação, permitindo que só um grupo restrito possa publicar informações. Mas a mudança durou pouco. Minutos depois, todos voltaram a poder fazer comentários no grupo.

Lauro Jardim – O Globo

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