Política

Governo Lula liberou R$ 1,1 bilhão em emendas no dia da votação do novo marco fiscal

Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles

No dia da votação do novo marco fiscal que vai reger o controle de gastos do governo federal, o Executivo liberou R$ 1,1 bilhões em emendas parlamentares. Os valores constam na plataforma Siga Brasil, painel de registro de emendas, que teve atualização nesta quarta-feira (24/5), com o montante da terça-feira (23/5).

Agora, com a nova liberação, são R$ 2,9 bilhões de emendas empenhadas desde o início do governo Lula 3. Os valores estão empenhados, ou seja, reservado no Orçamento, para serem pagos.

Segundo a plataforma, os principais destinos são para as emendas individuais, rp6, para deputados e senadores.

Aos deputados, foram reservados R$ 800 milhões. Senadores ficarão com R$ 288,4 milhões e um montante de R$ 700 mil será encaminhado às bancadas estaduais.

Na liberação de terça, os maiores beneficiados foram os senadores Chico Rodrigues (PSB-PE), com R$ 25 milhões, Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PE), com 21 milhões e Eduardo Braga (MDB-AL), com 18 milhões.

A Câmara dos Deputados aprovou o texto-base do novo marco fiscal nessa terça-feira (23/5). Em resumo, a proposta detalha o novo mecanismo que substituirá o teto de gastos, com objetivo de controlar as despesas do governo.

Aprovada por 372 votos favoráveis e 108 contrários, o texto sofreu alterações do relator da pauta, Cláudio Cajado (PP-BA).

A matéria prevê mecanismos para limitar os gastos do governo e estabelecer regras para o crescimento das contas públicas. Veja os principais pontos:

  • Para fazer a conta de quanto poderá gastar no ano seguinte, o governo usará as receitas primárias líquidas nos 12 meses até junho do ano anterior;
  • O crescimento dos gastos públicos fica limitado a 70% do crescimento da arrecadação do governo, caso a meta de superávit primário seja cumprida;
  • O crescimento dos gastos públicos fica limitado a 50% do crescimento da arrecadação do governo, caso a meta não seja cumprida;
  • Mesmo que a arrecadação do governo cresça muito, o aumento real da despesa permanecerá entre o mínimo de 0,6% ao ano e máximo de 2,5% ao ano;
  • Com o fim do teto de gastos, os mínimos constitucionais de saúde e educação retornam a ser aplicados como eram até 2016: 15% da RCL (receita corrente líquida) para a saúde e 18% da receita líquida de impostos no caso da educação;
  • Se as receitas não avançarem como projetado, o governo será obrigado a contingenciar despesas.
Metrópoles

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Brasil

Efeito Lula: como 340 mil brasileiros perderam R$ 1 bilhão na Eletrobras


Foto: Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket via Getty Images.

“Agora veja a sacanagem. (…) O governo tem 43% das ações da Eletrobras, mas, no conselho, só tem direito a um voto. Entramos na Justiça para que o governo tenha a quantidade de votos para a quantidade de ações que ele tem.”

O discurso acima, proferido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no dia 11 de maio, em Salvador (BA), escancara o incômodo do governo com a privatização da Eletrobras, aprovada em maio de 2021 pelo Congresso Nacional – a lei foi promulgada em julho daquele ano.

No início deste mês, a Advocacia-Geral da União (AGU) apresentou uma ação ao Supremo Tribunal Federal (STF) na qual pede que a Corte declare parcialmente inconstitucionais alguns dispositivos da Lei de Desestatização da Eletrobras. O Executivo pede mudanças na regra que limita a participação da União e demais acionistas a 10% do direito de voto na companhia.

Os questionamentos sobre uma lei aprovada pelo Legislativo e rumores acerca de uma possível reestatização vêm mexendo com o mercado e afetando as ações da empresa. Desde que Lula foi eleito, em outubro de 2022, a Eletrobras perdeu 30% em valor de mercado, recuando de R$ 115 bilhões para R$ 80 bilhões, segundo dados da TradeMap.

Um dos grupos mais diretamente prejudicados pelo derretimento da Eletrobras é o dos brasileiros que decidiram usar parte do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para comprar ações da empresa. Cada trabalhador pôde aplicar até 50% do saldo em conta do FGTS.

Ao todo, foram destinados R$ 6 bilhões para a aquisição dos papéis da companhia, que valiam R$ 42 na época da privatização e hoje rondam a casa dos R$ 35 (queda de 17%). De acordo com um levantamento da Economatica, as perdas desses investidores já somam R$ 1 bilhão em pouco menos de um ano.

“Sem dúvida, o que gerou essa variação abrupta nos papéis da Eletrobras foram os comentários sobre reestatização. Há um temor dos investidores a respeito de uma eventual retomada da força do governo nas votações e até mesmo do possível controle da companhia”, afirma Hugo Queiroz, diretor de Corporate Advisory da L4 Capital.

Segundo o analista, apesar de existirem outros fatores que contribuíram com a desvalorização dos papéis – como o processo de reestruturação interna da Eletrobras, o período de excesso de chuvas e uma oferta maior de fontes renováveis –, o maior responsável é mesmo o governo federal.

“O principal motivo, sem dúvida nenhuma, é o ruído gerado pelo governo. É claro que existe um componente adicional do processo de reestruturação da companhia após a privatização, como mudança de projetos, redução do quadro, alguns ajustes de processos trabalhistas e judiciais. Tudo isso contribui, mas o impacto desses outros pontos é pequeno’, explica Queiroz.

Para Queiroz, o governo Lula é responsável por pelo menos dois terços do tombo da Eletrobras em valor de mercado. “Desses 30% de perda, 10% é causado pela reestruturação da Eletrobras e 20% é causado pelo governo. Ou seja, por volta de 30% do todo da variação pode ser explicado por processos de reestruturação e 70% pelo governo”, avalia.

Uma saída para quem investiu

Como ainda não se passou um ano da operação, o dinheiro do FGTS usado para comprar ações da Eletrobras não pode ser resgatado. Uma alternativa é migrar para os Fundos Mútuos de Privatização (FMPs) Carteira Livre.

Os FMPs são fundos de investimentos em ações de empresas estatais em processo de desestatização. Eles são dedicados exclusivamente para a migração de dinheiro dos investidores que compraram ações com FGTS. Esses fundos podem comprar papéis de diferentes empresas e também adquirir títulos públicos até o limite de 49% da carteira. O formato permite ao trabalhador ter acesso ao mercado acionário de forma indireta, diversificando a aplicação de seu saldo no FGTS.

“Os fundos mútuos podem reduzir a exposição no ativo. Mas o investidor também pode usar a estrutura de opções para se proteger. Pegar o mercado de derivativos da Eletrobras e tentar uma proteção ou fazer antecipação de dividendos”, explica Queiroz.

Reestatização é improvável

De acordo com os analistas consultados pelo Metrópoles, apesar da retórica contra a privatização da companhia, as chances de o governo levar adiante uma possível reestatização são praticamente nulas. “É um discurso político-ideológico do atual governo, contrário às privatizações. E não há novidade nenhuma nisso, a posição sempre foi essa. O fato de ter mudado o governo não significa que a Eletrobras será reestatizada”, afirma Carla Beni Menezes de Aguiar, professora de MBA da Fundação Getulio Vargas (FGV).

“A questão é saber se o atual governo, na condição fiscal em que se encontra, vai querer dispor de dinheiro público para reverter a privatização da Eletrobras, o que representaria um custo muito elevado. Neste momento, não aposto minhas fichas em uma reversão”, prossegue Carla. Estimativas apontam que uma eventual reestatização da Eletrobras custaria quase R$ 200 bilhões aos cofres da União.

“Seria criada uma insegurança jurídica que inviabilizaria investimentos importantíssimos para o PIB. Investimentos na cadeia de infraestrutura, de longo prazo, deixariam de ser feitos no Brasil. Isso condenaria uma geração inteira por uma decisão sem pé nem cabeça”, corrobora Queiroz. “Dado esse impacto gigantesco, não acredito que o governo tenha sucesso em uma eventual tentativa de reversão. Agora, se isso acontecer, teremos um impacto macroeconômico violento e veremos uma desvalorização fortíssima das ações.”

O processo de privatização da Eletrobras foi autorizado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), por 7 votos favoráveis contra apenas um contrário, depois de ter sido aprovado pelas duas casas legislativas (Câmara e Senado), como prevê a lei. O imbróglio jurídico envolvendo a participação da União na companhia agora está a cargo do STF. O ministro Nunes Marques pediu informações à AGU e à Procuradoria-Geral da República (PGR) para que possa analisar a ação movida pelo governo. O mérito do caso deve ser levado ao plenário da Corte.

Metrópoles

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Brasil

Haddad minimiza ‘rebelião’ no PT: “Todo partido grande vai ter”

Para especialistas, discurso “economês” de Haddad diz respeito ao povo |  Agência Brasil

Foto: Adriano Machado/O Antagonista

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, minimizou a ‘rebelião’ do PT após a votação e aprovação do texto-base do novo arcabouço fiscal. Deputados petistas votaram a favor do projeto governista, mas divulgaram declaração contra a medida.

Nesta quarta-feira (24), ao chegar na sede da pasta, em Brasília, Haddad contemporizou. “É natural. Todo partido grande vai ter uma ou outra [divergência]”.

Após a aprovação do arcabouço, deputados do PT divulgaram declaração deixando clara a posição contrária ao projeto. Os parlamentares afirmaram que votaram sim na proposta em fidelidade ao governo, mas que discordam da limitação de despesas.

“Consideramos que o relatório do Cajado agravou sobremaneira as normas de contratação dos gastos públicos, limitando fortemente a capacidade do Estado”, destaca trecho da declaração petista.

Com 372 votos a favor, a Câmara dos Deputados aprovou o texto-base do arcabouço. A vitória do governo foi costurada pelo presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), e pelo relator da matéria, deputado Cláudio Cajado (PP-BA). A votação continuará nesta quarta-feira, com a análise dos destaques – que são sugestões de mudanças no texto.

Por O Antagonista

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Judiciário

Justiça proíbe empresa paraibana de utilizar a marca da CBF; Entenda

NOSSAS LOJAS FÍSICAS

Uma decisão do juiz Antônio Sergio, da 13ª Vara Cível da Capital, determinou que a loja de roupas Feel UP suspenda a comercialização de peças com a marca da Confederação Brasileira de Futebol.

“Argumenta o autor que não foi licenciado o uso de sua marca para o réu e, apesar disso, o promovido a utiliza para produzir peças e acessórios, identificando-as como sendo de autoria do demandado e, assim, gerando risco de confusão aos consumidores, prejuízos financeiros ao autor, além de colocar em xeque a reputação de sua marca pelo uso indevido.” diz um trecho do processo.

“Isto posto, DEFIRO A TUTELA PROVISÓRIA pleiteada para que o réu suspenda, imediatamente, a comercialização, por qualquer meio, dos produtos com a identificação da marca do autor, bem como interrompa o uso de folhetos promocionais, catálogos ou materiais de propaganda que violem os sinais, dísticos, símbolos e/ou emblemas da entidade autora.” concluiu o juiz.

Caso a decisão não seja respeitada, a Feel Up poder ser multada diariamente de R$ 500,00 (quinhentos reais) até o limite de R$ 20.000,00 (vinte mil reais).

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Futebol

Nino Paraíba fez delação sobre esquema de manipulação em apostas, diz deputado

Nino Paraíba faz delação em caso de manipulação e abre mão de dívida do  Ceará, diz deputado

O deputado federal Danilo Forte (União Brasil-CE) revelou que o lateral-direito Nino Paraíba, ex-Ceará, fez uma delação na Operação Penalidade Máxima. A informação foi dada em entrevista ao repórter João Paulo Biage, do programa O POVO News.

O parlamentar disse que a delação foi feita na última segunda-feira (22). Além disso, o jogador abriu mão de um valor que ainda tinha a receber do Ceará. Nino Paraíba vestiu a camisa do clube em 2022 e, neste ano, estava no América-MG até ter o contrato rescindido em maio após ter seu nome envolvido na Operação Penalidade Máxima.

“Já tem quatro jogadores do Ceará envolvidos, dois dentro do processo. Nino Paraíba fez a delação ontem e até liberou o Ceará da indenização que teria a receber da rescisão contratual. Isso é uma declaração clara de culpa que ele tem. Mas isso é pouco. A torcida do Ceará foi humilhada. Precisamos aprofundar a investigação e ir além do que está sendo dito na imprensa”, disse.

“É preciso investigar se houve manipulação de resultado e de alguma forma buscar indenização clara e compatível com essa situação que o nosso time (Ceará) foi colocado. Vamos investigar a fundo o que aconteceu com o Ceará no ano passado”, completou.

Leia também: CPI da Manipulação no Futebol quer ouvir jogadores, dirigentes e sites de aposta; veja lista

Nino foi citado em conversas de apostadores acusados por manipulação jogos de futebol da Série A de 2022.  O jogo sob suspeita foi Ceará 1 x 1 Cuiabá, no dia 16 de outubro de 2022, onde ele foi um dos jogadores que tomou cartão amarelo – alvo das apostas dos investigados. Na mesma partida, Richard também recebeu o amarelo, assim com Igor Cariús – hoje no Sport e que defendia o Cuiabá.

Leia também: Nino Paraíba é afastado pelo América-MG por suposto envolvimento em esquema de apostas

Com informações de Maurílio Júnior

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Brasil

Conar adverte influencer e ‘Choquei’ por promessa de transformar R$ 100 em R$ 40 mil em um mês

O influencer Pedro Silvestrini promoveu desafio de ir à Europa com R$ 100

O Conar advertiu o influenciador Pedro Silvestrini e a página “Choquei” por uma publicação com um desafio de transformar R$ 100 em R$ 40 mil em menos de um mês para uma viagem à Europa. O órgão pediu a sustação do post.

A denúncia partiu de um consumidor que entendeu se tratar de uma promessa inverossímil, na qual não se especifica a natureza do produto no anúncio. Alegou ainda que não deixa claro que é uma publicidade.

O influenciador não se defendeu ao Conar, enquanto a Choquei argumentou que a publicação é um conteúdo editorial. A página afirmou que, mesmo assim, retirou o post do ar.

O relator do caso, no entanto, não concordou com o argumento. Ele recomendou a sustação agravada de advertência a ambos e foi acompanhado por todos os conselheiros.

Lauro Jardim – O Globo

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Paraíba

Motorista de ônibus escolar é preso suspeito de ameaçar estudantes com arma na PB

Foto: Divulgação/Prefeitura de Baraúna

Um motorista de um ônibus escolar foi preso na tarde desta terça-feira (23), suspeito de ameaçar estudantes com uma arma de fogo, em Baraúna, no interior da Paraíba. De acordo com a Polícia Civil, o crime teria acontecido dentro do próprio veículo.

As vítimas estariam usando o transporte público quando o motorista foi preso em flagrante portando a arma de fogo de forma ilegal. À polícia, os estudantes relataram temor por conta das ameaças.

Após a prisão, o suspeito foi conduzido a delegacia para lavratura do auto. No local, a polícia descobriu que ele já responde a um inquérito de tentativa de homicídio, que teria praticado no ano de 2022.

Com informações de MaisPB

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Economia

IBGE: Mais da metade da população paraibana vive em situação de pobreza

Região Metropolitana de João Pessoa (PB) tem maior nível de desigualdade no país | PSTU

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do IBGE também destaca um dado alarmante: Quase 55% da população da Paraíba, mais de 2 milhões de habitantes, vive em situação de pobreza, o que coloca o estado entre os 9 da federação que têm a maior parte da população composta por pessoas em situação de pobreza. Veja a lista:

  • Maranhão (58,9%)
  • Amazonas (56,7%)
  • Alagoas (56,2%)
  • Paraíba (54,6%)
  • Ceará (53,4%)
  • Pernambuco (53,2%)
  • Acre (52,9%)
  • Bahia (51,6%)
  • Piauí (50,4%)

Como é possível ver acima, os estados estão concentradas no Norte e no Nordeste – regiões que tiveram os maiores avanços na pobreza durante a pandemia, como o IBGE apontou no final de 2022.

Essa situação fica evidente no mapa abaixo, em que é possível perceber que os estados do Norte e do Nordeste têm, de fato, indicadores mais altos que o resto do país — quanto mais escuro for o vermelho, maior é a proporção da população que vive abaixo da linha da pobreza.

Maranhão, inclusive, já encabeçava o ranking de estado com a população mais pobre do país em 2021, segundo o levantamento. Mas o indicador do estado melhorou de um ano para o outro: passou de 67,5% da população para 58,9%.
Já as menores taxas de 2022 foram contabilizadas no Rio Grande do Sul (18,2%), no Distrito Federal (17,3%) e em Santa Catarina (13,9%).

g1

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Brasil

Mais de 10 milhões deixaram pobreza em 2022, aponta estudo

Mulher vasculha lixo no entorno do Maracanã. Brasil ainda tem mais de 70 milhões de pessoas vivendo em situação de pobreza, aponta estudo. — Foto: Marcos Serra Lima/g1

Mais de 10 milhões de brasileiros saíram da linha de pobreza no país em 2022. Mesmo assim, a maioria da população de nove estados segue na pobreza — ou seja, vive com uma renda mensal de até R$ 665,02.

Estas são as conclusões de um levantamento do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), obtido com exclusividade pelo g1 e feito com base em dados de 2022 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do IBGE. O IJSN é um órgão ligado à Secretaria de Estado de Economia e Planejamento (SEP) do Espírito Santo.

O levantamento aponta que:

  • a taxa de pobreza brasileira caiu de 38,2% para 33% entre 2021 e 2022, para um nível mais próximo de 2020;
  • mesmo com a queda, o número de pobres no país ainda é alto: são 70,7 milhões de brasileiros vivendo em situações precáriaseram 81,2 milhões em 2021
  • todos os estados do país tiveram queda nas taxas de pobreza no último ano;
  • os estados com as maiores reduções foram Roraima (11,7 pontos percentuais) e Sergipe (9,7 p. p.), mas eles seguem com taxas elevadas, acima de 45%;
  • mesmo com queda, Maranhão segue como o estado com os maiores indicadores: seis a cada dez maranhenses vivem na pobreza.

 

Segundo o estudo, dois fatores principais estão por trás da queda de pobreza em 2022: a melhora do mercado de trabalho e a expansão de programas de transferência de renda, como o Auxílio BrasilO programa foi turbinado no último ano do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), quando ele disputou e perdeu a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Melhora após recorde de pobreza em 2021

Mesmo com a melhora, os dados apontam que os indicadores continuam elevados de forma geral.

“A taxa de pobreza alcançada em 2022 retornou a um patamar próximo ao observado em 2020, que era de 32,7%”, diz Pablo Lira, doutor em Geografia e Diretor-Presidente do IJSN.

A queda do ano passado fica ainda mais evidente porque 2021 teve a taxa de pobreza mais alta dos últimos 11 anos.

Segundo dados divulgados pelo IBGE no final do ano passado, a pandemia da covid-19 fez disparar a pobreza no Brasil. Com isso, o número de brasileiros vivendo abaixo da linha da pobreza bateu recorde em 2021 – fato que é confirmado pelos dados da pesquisa do IJSN, como é possível ver no gráfico abaixo.

A pesquisa mostra ainda que o número de brasileiros vivendo na extrema pobreza — ou seja, com até R$ 208,73 por mês — também diminuiu, recuando de 20 milhões em 2021 para 13,7 milhões em 2022. Isso significa que, no ano passado, 6,4% da população vivia nestas condições.

O pico também foi em 2021, com 9,4%. Mas o estudo destaca que, mesmo com a queda em 2022, os números também são considerados altos.

“A taxa de miséria brasileira mais recente é superior aos valores constatados em países como Colômbia (6,6%) e México (3,1%), segundo as estatísticas do Banco Mundial”, diz Lira.

O que está por trás da queda em 2022?

O levantamento destaca que, depois de picos históricos registrados em 2021, as taxas de pobreza e extrema pobreza caíram em 2022 por conta, em parte, da expansão de programas de transferência de renda, como o Auxílio Brasil.

“Em 2022, ano eleitoral, o governo federal buscava implementar o Auxílio Brasil com valor de R$ 400. Esse valor foi elevado para R$ 600 pela atuação do Congresso Nacional, o que contribuiu para diminuir a vulnerabilidade social”, diz Pablo Lira.
O estudo aponta que o alcance do Auxílio Brasil cresceu muito entre 2021 e 2022. Em 2021, 8,6% dos domicílios brasileiros eram de beneficiários do programa; um ano depois, a proporção aumentou para 16,9%.

Segundo anúncio do próprio governo federal em novembro do ano passado, o programa bateu recorde naquele mês ao atingir 21,53 milhões de famílias.

Em dezembro de 2022, o Tribunal de Contas da União (TCU) apontou que a quantidade de famílias beneficiadas aumentou de 18 milhões em março de 2022 para 21,1 milhões em outubro – o que foi considerado pelo tribunal um excesso, já que análises estimavam que o número de famílias elegíveis para o programa em 2022 era de 17,62 milhões.

“Ademais, vários governos estaduais e municipais expandiram [programas de transferência de renda] ao longo dos últimos anos. O Espírito Santo é um exemplo disso. O estado conta com o Bolsa Capixaba e outros benefícios que complementam os repasses para pessoas inscritas no CadÚnico”, detalhou Lira.

O pesquisador também diz que, de forma nacional, “foi observada uma melhoria nos indicadores de mercado de trabalho”.

“Uma evidência disso foi o recuo na taxa de desemprego de 13,2% em 2021 para 9,3% em 2022, segundo informações da PNAD/IBGE”, diz Lira.

Políticas públicas e transferência de renda

O pesquisador afirma ainda que, nos últimos anos, o país retornou ao Mapa da Fome da ONU e a questão histórica da miséria voltou a atormentar a vida dos brasileiros.

“É fato que a pobreza e extrema pobreza reduziram em 2022. Entretanto, ainda há um longo caminho para a reconstrução e reestruturação de políticas públicas de assistência social efetivas e com caráter de estado, que perpassem governos. Nesse sentido, será possível consolidar uma tendência de diminuição desses problemas”, diz Lira.

“Por fim, considerando os recentes aprimoramentos proporcionados pela retomada do programa Bolsa Família, bem como levando em conta os efeitos do Benefício Assistencial à Pessoa com Deficiência (BPC-LOAS) e de outras políticas públicas de assistência social nas escalas federal, estadual e municipal, a pobreza e a extrema pobreza provavelmente seguirão em tendência de redução em 2023”, afirma.

g1

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Paraíba

Dois paraibanos votam contra projeto do arcabouço fiscal; Saiba quem são

A Câmara dos Deputados aprovou o texto-base do novo regime fiscal para as contas da União a fim de substituir o atual teto de gastos. A proposta foi aprovada por 372 votos a 108, na forma do parecer do relator, deputado Claudio Cajado (PP-BA). Dos 12 deputados federais paraibanos apenas Cabo Gilberto e Wellington Roberto, ambos do PL, foram contra a proposta.

Leia também:
Por 372 votos a 108, Câmara aprova texto-base do arcabouço fiscal 

Os deputados ainda precisam analisar destaques que podem alterar pontos do texto. A votação será retomada nesta quarta-feira (24), a partir das 13h55.

Na noite desta terça-feira (23), foi votado um dos destaques, da Federação Psol-Rede, que pretendia retirar do texto o capítulo que trata das vedações de gastos impostas ao governo se a meta de resultado primário não for cumprida. Foram 429 votos a favor e 20 contra, mantendo-se o trecho.

BG com informações de MaisPB

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