Polícia

VÍDEO: Homens furtam portão no bairro dos Bancários em João Pessoa

Dois homens furtaram um portão na madrugada deste sábado, 05, no bairro dos Bancários. A ação foi registrada por câmeras de segurança.

Nem a forte chuva que caia no momento impediu a ação dos meliantes.

Imagina o susto do morador do local que teve o portão levado, ao sair pela manhã e perceber a falta do objeto.

 

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Paraíba

NO SERTÃO: Carretas com madeira com nota fiscal irregular são apreendidas pela Receita

Foto: reprodução

Duas carretas que transportavam madeira com nota fiscal inidônea, avaliada em R$ 83.617,69 foram apreendidas pela Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz-PB), nessa sexta-feira (4), na BR 230, entre os municípios de Cajazeiras e Sousa.

Após os auditores fiscais constatarem irregularidades na operação fiscal com apresentação de nota fiscal inidônea, ou seja, que não correspondia á carga de madeira, foi lavrado o auto de infração e contabilizada a carga para a cobrança do tributo e da multa, que resultou em um total de R$ 26.580,00, já devidamente recolhidos aos cofres públicos.

As duas carretas com madeira tinham destinos às cidades de Lagoa e Juripiranga, mas as placas eram da cidade de São Bento.

Ações fiscais intensificadas – A Sefaz-PB segue com ações fiscais intensificadas nas cinco gerências regionais do Estado como forma de coibir a circulação de mercadoria com documentação inidônea, pendente de regularidade ou sem nota fiscal.

O objetivo da fiscalização, com realização de blitz móveis nas rodovias e de fiscalização de mercadorias em trânsito, por meio de monitoramento, interceptações e de canais de denúncias, é combater a sonegação fiscal e a concorrência desleal.

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Polícia

VÍDEO: Preso suspeito de invadir hospital em Campina Grande e roubar arma de vigilante

Um dos crimes de maior repercussão na Paraíba nestes primeiros dois meses do ano já está parcialmente elucidado pela Polícia Civil, com a prisão em flagrante de um homem de 26 anos de idade, preso nessa sexta-feira, 04 de março, pela Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) de Campina Grande.

Trata-se da invasão a um hospital no bairro do José Pinheiro, na quarta-feira, dia 02 de março, quando dois assaltantes renderam um vigilante do estabelecimento e roubaram sua arma. A ação foi registrada pelas câmeras de segurança do local e presenciada por cerca de 20 pessoas que aguardavam atendimento.

A disseminação das imagens impacta diretamente na repercussão do fato na imprensa e nas mídias sociais, gerando uma natural sensação de insegurança, mas foi graças às imagens também que os policiais chegaram aos nomes dos suspeitos de forma mais rápida.

Identificado pelas equipes de investigação, um dos assaltantes foi preso em menos de 48 horas após o crime, no bairro onde cometeu o roubo. Ele já havia sido autuado pela própria DRF, em janeiro deste ano, devido a um roubo cometido a uma loja de material de construção na feira central de Campina.

O homem preso é apontado ainda como partícipe em outra ocorrência semelhante na cidade de Lagoa Seca, no mês de fevereiro deste ano, quando tentou tomar a arma de um vigilante.

Com o investigado, os policiais apreenderam um tablete de maconha e uma balança de precisão. O preso será submetido a audiência de custódia, e o material apreendido será periciado e encaminhado à justiça.

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Brasil

Presas acusam mãe do menino Henry de atos libidinosos dentro da cadeia

Foto: Aline Massuca/Metrópoles

Mulheres que estão presas no Instituto Penal Oscar Stevenson, em Benfica, zona norte do Rio, acusaram a professora Monique Medeiros de ter praticado atos libidinosos com o advogado dela, dentro do presídio.

Monique está presa na mesma unidade e é acusada de ter participado do assassinato do filho, Henry Borel, de 4 anos. O garoto foi assassinado pelo padrasto, o médico e vereador Dr. Jairinho, em 8 de março de 2021.

Segundo as denúncias, às quais o G1 do Rio de Janeiro teve acesso, Monique teria mostrado os seios, enquanto o advogado se masturbava.

A situação teria ocorrido dentro do parlatório, que é o espaço no presídio em que o cliente conversa com o advogado, separados por um vidro. Nesse espaço, não há câmeras de monitoramento, para preservar o sigilo profissional entre advogado e cliente.

Denúncias

Seis presas denunciaram os supostos atos libidinosos praticados por Monique. Entre elas, estão duas detentas famosas: Elaine Lessa, que responde por tráfico internacional de armas e é mulher do Ronnie Lessa, acusado de matar a vereadora Marielle, e Fernanda Bumbum, acusada de planejar a morte de um rival da área de procedimentos estéticos.

Monique tem um histórico de problemas de convivência com as outras internas do presídio. Fernanda Bumbum chegou a discutir verbalmente com Monique e a teria ameaçado de morte. Acabou transferida de cela, para evitar conflitos.

Investigação

As denúncias dos atos libidinosos são investigadas pela Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) do Rio de Janeiro. Um procedimento interno vai averiguar a veracidade da informação.

Metrópoles

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Política

Podemos da PB emite nota de repúdio à fala de Arthur do Val sobre ucranianas

Foto: reprodução

O diretório estadual do Podemos na Paraíba emitiu nota de repúdio à fala do filiado do partido em São Paulo, o deputado estadual Arthur do Val, sobre as mulheres da Ucrânia.

Em áudio vazado nessa sexta-feira (4), o parlamentar afirma que as “ucranianas são fáceis porque são pobres”.

O Podemos da Paraíba considerou a declaração misógina e machista.

Veja na íntegra: 

O diretório estadual do Podemos na Paraíba, por meio de sua direção executiva, repudia veementemente as falas proferidas em áudio pelo Deputado Estadual Arthur do Val (SP), nas quais o mesmo usa de expressões extremamente misóginas e machistas para descrever as mulheres ucranianas.

As falas do deputado, além de agredir as mulheres de todo o mundo, demonstra uma completa ausência de humanidade para com um momento tão difícil o qual vivem os ucranianos e, em especial, as mulheres ucranianas.

Desse modo o Podemos da Paraíba defende a abertura imediata de um procedimento disciplinar interno para que sejam apurados os fatos e, comprovada a autoria, seja determinada de imediato a expulsão do referido parlamentar.

Movimento Podemos Mulher Paraíba

Executiva Estadual do Podemos da Paraíba

Jair de Queiroz Pires Júnior
Presidente Estadual do Podemos

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Política

VÍDEO: Arthur do Val, o Mamãe Falei, pede desculpas por áudio sobre ucranianas: “foi um erro, num momento de empolgação”

O deputado estadual Arthur do Val (Podemos), o Mamãe Falei, reconheceu em coletiva à imprensa na manhã deste sábado (5) que o que falou num dos áudios enviados recentemente a colegas do Movimento Brasil Livre (MLB) sobre as mulheres ucranianas “foi um erro, num momento de empolgação”.

O parlamentar, que é pré-candidato ao governo de São Paulo e apoiado pelo pré-candidato à presidência Sérgio Moro (Podemos), voltou ao Brasil após passar três dias na Ucrânia sob a justificativa de que queria ajudar a resistência local contra a invasão russa.

No áudio que vazou, Arthur comenta com os colegas, homens, sobre as refugiadas que encontrou na fronteira entre a Eslovênia e a Ucrânia. “Vou te dizer, são fáceis, porque elas são pobres. E aqui minha carta do Instagram, cheia de inscritos, funciona demais. Não peguei ninguém, mas eu colei em duas ‘minas’, em dois grupos de ‘mina’, e é inacreditável a facilidade”, disse o político.

IRRITADO PELO VAZAMENTO

De volta ao Brasil, ainda no aeroporto, Arthur admitiu aos jornalistas que suas falas na Ucrânia tiveram “tom jocoso e informal” e que ele não teria tido “tempo para fazer nada”, nem mesmo tomar banho.

“Eu fui para fazer uma coisa, mandei um áudio infeliz e a impressão que passou é que fui fazer outra coisa. Então, se as pessoas quiserem me julgar pelo que eu falei, acho que têm esse direito. Eu peço só que as pessoas entendam o contexto”, disse.

Depois disso, o deputado alegou que o áudio havia sido mandado em um grupo privado para os amigos e se mostrou irritado pelo vazamento. “Não foi na melhor das posturas, é nítido. Mas é um áudio privado”.

Com informações de Diário do Nordeste

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Paraíba

COVID-19: PMJP suspende vacinação no Parque Parahyba III após chuvas

Foto: Kleide Teixeira

A Secretaria de Saúde de João Pessoa informou na manhã deste sábado (5) que a vacinação no posto do Parque Linear Parahyba III, no bairro do Aeroclube, está suspensa. O local atenderia por demanda espontânea no turno da noite.

De acordo com a prefeitura, a medida precisou ser tomada devido às fortes chuvas que atingiram a capital desde a madrugada, com previsão de novas precipitações no decorrer do período.

A gestão municipal orientou a população a se dirigir ao posto instalado no Mangabeira Shopping, que ficará aberto das 18h às 22h, sem a necessidade de agendamento, no formato drive-thru e pedestres.

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Mundo

GUERRA NA UCRÂNIA: Rússia declara cessar-fogo parcial para abrir corredores humanitários

Foto: Vyacheslav Madiyevskyy/Ukrinform/NurPhoto via Getty Imagens

A Rússia declarou cessar-fogo parcial no começo deste sábado (5), no décimo dia da invasão da Ucrânia. De acordo com o Ministério da Defesa russo, os ataques diminuirão para possibilitar os corredores humanitários, que permitem a fuga da população civil ucraniana.

As tropas russas entrarão em “modo silencioso”, e a primeira região com caminho liberado será a cidade portuária de Mariupol, que já se encontrava sem água, luz e comida para os moradores. Volnovakha também terá uma trégua no mesmo horário.

“Hoje, 5 de março, a partir das 10h, horário de Moscou, o lado russo declara regime de silêncio e abre corredores humanitários para a saída de civis de Mariupol e Volnovakha”, informou o órgão.

A medida foi negociada entre os dois países nas últimas reuniões de mediação do conflito, no Conselho de Segurança da ONU. Os moradores terão cinco horas para deixar as cidades, segundo a RIA, agência russa de notícias.

A liberação começará às 10h, no horário da capital Moscou (5h em Brasília). De acordo com Mikhail Podolyak, do gabinete do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, cerca de 20 mil civis têm a intenção de deixar a cidade de Volnovakha. Já em Mariupol, o número chega a 200 mil pessoas.

O governo ucraniano avisou que será aberto um corredor humanitário de Mariupol a Zaporozhye durante o cessar-fogo. “É estritamente proibido desviar da rota”, alertam os ucranianos.

O prefeito da cidade portuária de Mariupol, Vadym Boychenko, confirmou ter sido comunicado sobre a pausa temporária. Ao New York Times ele disse que a informação chegou uma hora e trinta minutos antes do início da liberação.

Metrópoles

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Diversos

Carta para Arthur do Val: a condição feminina na guerra e na paz

Foto: Daniel Leal/AFP

Por Jamil Chade:

Senhor deputado,

Confesso que não conhecia seu nome, e nem sua denominação de guerra. Mas os áudios indigestos que vazaram com seus comentários sobre a situação na Ucrânia me obrigaram a escrever aqui algumas linhas sobre o que eu vi em campos de refugiados e filas de pessoas desesperadas para escapar da guerra e da pobreza ao longo de duas décadas.

Não estou acusando o senhor e sua comitiva do que estará exposto abaixo. Mas considero que, sem entender essa dimensão do sofrimento humano, fica impossível justificar uma viagem como a que o senhor faz para ajudar a defender um povo.

Ao longo da história, a violência sexual é uma das armas de guerra mais recorrentes para desmoralizar uma sociedade. Ela não tem religião, nem raça. Ela destrói. Demonstra o poder sobre o destino não apenas das vidas, mas também dos corpos e almas.

Percorrendo campos de refugiados em três continentes, o que sempre mais me impressionou foi a vulnerabilidade das mulheres nessa situação.

Mas, antes, vamos ser claros aqui. Não precisamos sair do Brasil para saber que as mulheres, simplesmente por serem mulheres, precisam passar a vida se explicando. Como se necessitassem de chancela ou justificativa para determinar o destino de seu corpo ou coração, se podem trabalhar ou ter tesão. Intolerável, não?

Então, o senhor pode imaginar o que isso significa em tempos de guerra, onde a lei e a moral são suspensas?

Conheci certa vez uma garota yazidi. Ela me contou como, depois de sua cidade ser tomada por islamistas, ela foi transformada em escrava sexual. Aqueles olhos verdes intensos se enchiam de lágrimas quando contava que, num calabouço, ela e as demais meninas se dividiam em dois grupos.

Aquelas que rezavam para sobreviver e aquelas que rezavam para morrer logo.

Ela também me contou que, num ato de solidariedade com as outras mulheres que viriam depois delas, foi iniciado um gesto espontâneo de escrever mensagens nas paredes daqueles quartos imundos, inclusive com dicas de como agir. Escreviam com a única cor que tinham. O vermelho do sangue de suas vaginas estupradas.

O senhor me diria: claro, isso é coisa de terrorista islâmico. Sim, sem dúvida. Mas quero lhe contar o que investigações e auditorias revelaram em um local mais próximo de nós: o Haiti.

Ali e em outros locais onde estão destacadas, as tropas de paz da ONU – repletas de moral, credibilidade e protocolos – foram acusadas de estupro e de abusos com mulheres, meninas e meninos. Alguns, em troca de comida. Num caso específico, um garoto era semanalmente estuprado por oficiais, em troca de bolachas. Há até mesmo uma categoria de crianças hoje nesses países, “os filhos da ONU”.

Na Sérvia, num barracão onde eram depositados os refugiados que aguardavam para chegar até a Europa Ocidental, conheci uma mulher que não falava. Sua irmã, depois, veio me explicar que ela ficou muda depois de ter sido estuprada pelo “guia” que seus pais tinham contratado na Turquia para que elas cruzassem as fronteiras. Para pagar pelo guia, os pais venderam as únicas coisas que tinham: uma casinha e dois animais.

Em Dadaab, no Quênia, entendi toda a minha ignorância quando fui perguntar para um grupo de crianças do que elas tinham mais medo. Achei que a resposta seria: as bombas de Mogadíscio. Mas era do escuro do campo de refugiados. Quando pedi para saber o motivo, uma delas sussurrou: “não podemos nem ir ao banheiro pela noite. Um homem pode fazer coisas ruins com nosso corpo”.

Anos depois, voltei a viajar para a África. Da janela do avião a hélice em que eu voava, podia ver como um garoto usava um pedaço de galho para tentar dirigir o destino de vacas e outros animais. Enquanto ele conseguia dar direção ao gado, algumas reses escapavam um pouco adiante.

Do assento em que eu estava, quase não consegui ouvir quando o piloto se virou para trás e, competindo com o barulho do motor, gritou que estávamos iniciando a aterrissagem. Jamais imaginaria que, minutos depois, era sobre aquele local de terra de onde o garoto estava retirando os animais que o avião iria pousar. O que de fato eu tinha visto era a preparação da pista de pouso.

Eu tinha viajado para um lugar a oeste da cidade de Bagamoyo, na Tanzânia, para escrever sobre o impacto da Aids numa das regiões mais pobres do planeta. Mas seria naquele local que eu descobriria, de uma maneira inusitada, a dimensão do drama de imigrantes e refugiados. Ao longo dos anos, visitei campos de refugiados na fronteira do Iraque, entre o Quênia e a Somália, em Darfur, na rota entre a Turquia e a Europa. Vi milhares de pessoas sem destino. Mas, nas proximidades de Bagamoyo, aquela história era diferente. Oficialmente, não havia uma guerra. Não havia um acampamento de refugiados. Mas eu logo descobriria que nem por isso o desespero deixava de estar presente naquela população.

Eu fazia uma visita a um hospital e esperava para falar com o diretor. Por falta de médicos, ele fora chamado para fazer um parto. Sabia que aquilo significava que eu passaria horas ali, à espera de minha entrevista. Restava fazer o que eu mais gostava nessas viagens: descobrir quem estava ali, falar com as pessoas, perambular pelo local, ler os cartazes e simplesmente observar. No portão do centro de atendimento, centenas de mulheres com seus véus coloridos aguardavam de forma paciente. Tentavam afastar as moscas, num calor intenso, enquanto o choro de crianças rompia os muros descascados daquela entrada de um galpão transformado em sala de espera.

Ao caminhar para uma das alas, fui barrado. Os enfermeiros me pediram que não entrasse no local. Quando perguntei qual era a especialidade daquela área, disseram que não podiam revelar. Em partes da África, o preconceito e o estigma em relação aos pacientes de Aids obrigam os hospitais a não indicar nem em suas paredes o nome da doença. Decidi sair do prédio em ruínas e, num dos pátios do hospital, vi duas garotas brincando.

Não tinham mais de 10 anos de idade. E o único momento em que olharam para o chão, sem resposta, foi quando perguntei o que faziam ali. Mas a curiosidade delas em saber o que um rapaz branco, com um bloco de notas na mão e uma câmera fotográfica, fazia lá era maior que sua vontade de contar histórias. Desisti de seguir com minhas perguntas. Expliquei que era jornalista brasileiro e, para dizer meu nome, mostrei um cartão de visita, que acabou ficando com elas.

Quando iam responder à minha pergunta sobre os seus nomes, nossa conversa foi interrompida por uma senhora que, da porta do hospital, me avisava que o diretor já estava à disposição para a entrevista. Deixei aquelas crianças depois de menos de cinco minutos de conversa. Já caminhando, virei e disse uma das poucas expressões que tinha aprendido em suaíli: kwaheri – “adeus”. Ganhei em troca dois enormes sorrisos.

Terminada a entrevista com o diretor do hospital, confesso que nem sequer notei se as meninas continuavam ou não no pátio. Estava ainda sob o choque de um pedido do gerente da clínica, que, ao terminar de me explicar o que faziam, me perguntou se eu não poderia deixar para eles qualquer comprimido que tivesse na mala. Qualquer um. Até mesmo se o prazo de validade já tivesse expirado.

Alguns meses depois, já na Suíça, abri minha caixa de correio de forma despretensiosa ao chegar em casa. Num envelope surrado e escrito à mão, chegava uma carta de Bagamoyo.

Pensei comigo: deve ser um erro e a carta deve ter sido colocada na minha caixa por engano. Eu não conheço ninguém em Bagamoyo. Mas o envelope deixava muito claro: era para Jamil Chade.

Antes mesmo de entrar em casa, deixei minha sacola no chão e abri o envelope. Uma vez mais, meu nome estava no papel, com uma letra visivelmente infantil. Eu continuava sem entender. Até que comecei a ler. No texto, em inglês, quem escrevia explicava que tinha me conhecido diante do hospital e que tinha meu endereço em Genebra por conta de um cartão que eu lhe havia deixado.

Como num sonho, as imagens daquelas garotas imediatamente apareceram em minha mente. Mas o conteúdo daquela carta era um verdadeiro pesadelo. A garota me escrevia com um apelo comovedor. “Por favor, case-se comigo e me tire daqui. Prometo que vou cuidar de você, limpar sua casa e sou muito boa cozinheira.” A carta contava que sua mãe havia morrido de Aids – naquele mesmo hospital – e que seu pai também estava morto.

Cada um dos oito filhos fora buscar formas de sobreviver e ela era a última da família a ter permanecido na empobrecida cidade. “Preciso sair daqui”, escrevia a garota. A cada tantas frases, uma promessa se repetia: “Eu vou te amar.”

Uma observação no final parecia mais um atestado de morte: “Com as últimas moedas que eu tinha, comprei este envelope, este papel e este selo. Você é minha última esperança.”

Deputado, talvez o senhor classificaria essa pessoa no grupo de “meninas fáceis”. Eu, porém, chorei de desespero e de impotência diante daquele pedido de resgate.

Eu e o senhor- homens brancos – nascemos como a classe mais privilegiada do planeta. Eu e o senhor não tivemos de fazer nada para adquirir esses privilégios. Existimos.

É nossa obrigação, portanto, desmontar o processo de profunda desumanização de uma guerra e da miséria. Cada um com suas armas.

Não sei qual será o destino que a Assembleia Legislativa em São Paulo, seu partido e seus eleitores darão ao senhor. Qualquer que seja ele, só espero que esse episódio revoltante sirva para que haja alguma insurreição de consciências sobre a condição feminina. Na guerra e na paz.

Grato pela atenção

Jamil

*Jamil Chade é jornalista, correspondente na Europa há duas décadas e colunista do UOL

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Paraíba

VÍDEO: Chuva abre cratera em asfalto do bairro do Expedicionários, em João Pessoa

Após as fortes chuvas que caíram na madrugada e ainda caem na manhã deste sábado, 05, na Capital, mais uma cratera se abriu no bairro dos Expedicionários, em João Pessoa.

O asfalto não suportou a força da água e um grande buraco se abriu ao lado do Metropolitan Shopping.

Não é a primeira vez que isso acontece no local, a via já teve problema com surgimentos de três buracos grandes.

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