
Ossos de 12 humanos com cerca de 1,6 mil anos foram encontrados em Pocinhos, na Paraíba. O responsável pelas escavações foi o professor Flávio Moraes, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), em parceria com o arqueólogo Plínio Araújo Víctor.
De acordo com Moraes, povos indígenas do passado utilizavam afloramentos rochosos da região para sepultar seus mortos. O mais surpreender nesta descoberta, diz o professor da Ufal, são as marcas de cortes nas extremidades dos ossos.
“É como se os ossos fossem cortados pra desmembrar os indivíduos e eles pudessem caber dentro do mesmo espaço.” diz Moraes. “Essa é uma evidência raríssima. No Nordeste, são encontrados uma variedade enorme de formas dos antepassados de sepultar seus mortos, mas só uma duas apresentam marcas como essa e nunca tão evidente como agora.” completou.
Entre a ossada, há 12 pessoas, sendo três adultos. Os ossos de indivíduos não adultos, inclusive bebês de 3 e 6 meses e crianças de 1, 2 e 6 anos, também apresentam marcas de corte de desmembramento, especialmente, nos ossos longos.
Moraes explicou como a equipe descobriu que esse desmembramento foi feito pós-morte. “Certa vez um grupo indígena do Nordeste, os Xucurus, foi perguntado o porquê desse tipo de sepultamento em abrigo sob rocha. Isso detona um cuidado com os mortos. Segundo eles, é como se fosse um ventre materno. Na cosmologia deles, essas pessoas que se foram elas não morrem, mas nascendo para uma nova vida.”
Ele ainda explica como era a vida na Paraíba há 1,6 mil anos. “Esse é um tempo pré-histórico, quando havia muitos povos caçadores e coletores. Existia uma diversidade de povos gigante, de culturas distintas. O meu trabalho é com sítios funerários e nenhum é igual ao outro. Cada grupo tinha uma ritualidade específica. Era um momento em que cada grupo construía essa relação com o universo transcendental.”
Os historiadores afirmam que é comum encontrar material de 1,6 mil anos no Nordeste. Tem outros sítios com datações até mais recuadas. No Rio Grande do Norte, no Seridó, tem o sítio Pedra do Alexandre que tem até 10 mil anos.
O material foi encontrado entre 2017 e 2018. A descoberta só foi divulgada agora porque é preciso passar por uma série de análises em laboratório.
Com informações de O Globo




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