A Polícia Civil da Paraíba, por meio da DRACO, deflagrou nesta quarta-feira (26) a Operação Argos, considerada o maior golpe contra o narcotráfico interestadual dos últimos anos no estado.
A ação desarticulou a organização criminosa liderada por Jamilton Alves Franco, conhecido como “Chocô”, apontado como o maior fornecedor de drogas da Paraíba e de regiões do Sertão de Pernambuco e do Ceará. Natural de Cajazeiras (PB), ele se mudou ainda jovem para São Paulo, onde, segundo as investigações, se conectou à cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC), integrando o núcleo conhecido como “Sintonia”, responsável pelas diretrizes da facção.
As investigações começaram em 2023, após sucessivas apreensões de grandes carregamentos de drogas no Sertão paraibano. O cruzamento de dados, análise de celulares e quebra de sigilo bancário revelaram que todas as cargas pertenciam ao mesmo grupo. Ao longo de quase três anos, as apreensões causaram prejuízo superior a R$ 100 milhões à organização criminosa.
Outras apreensões em 2024 e 2025, incluindo 80 kg de cocaína pura com selo “Tio Patinhas”. Segundo a Polícia Civil, o grupo funcionava como uma “holding do crime”, com divisão profissionalizada em três núcleos: transporte (uso de carretas de empresas legais para esconder drogas), varejo (distribuição na Paraíba) e financeiro (lavagem de dinheiro). A movimentação financeira da organização teria chegado a cerca de R$ 500 milhões desde 2023.
A investigação também identificou um esquema sofisticado de lavagem de dinheiro, envolvendo empresas de fachada, uso de “laranjas” e até suspeita de infiltração em contratos públicos, com empresas que receberam recursos milionários mesmo sem estrutura operacional compatível.
A operação mobiliza mais de 400 policiais civis e conta com apoio de forças da Paraíba, São Paulo, Bahia e Mato Grosso. Ao todo, estão sendo cumpridos 44 mandados de prisão preventiva e 45 mandados de busca e apreensão
O nome “Argos” faz referência ao personagem mitológico de cem olhos, simbolizando vigilância permanente. Com a ação, a Polícia Civil afirma ter atingido os três pilares da organização: logística, distribuição e capital, enfraquecendo de forma significativa o narcotráfico interestadual com atuação na Paraíba.









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