Brasil

Estados vão aumentar ICMS para compras on-line de 17% para 20%

Foto: Getty Images

Os secretários de Fazenda dos 26 estados e do Distrito Federal (DF) acordaram, por ampla maioria, ampliar a alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre compras on-line de 17% para 20%.

O aumento valerá para as remessas postais e expressas importadas pelo Regime de Tributação Simplificada (RTS) e começará a partir de 1º de abril de 2025.

A elevação da alíquota do ICMS pode acabar por encarecer as compras on-line, em sites como Shein, AliExpress e Shopee, meses depois de ter voltado a incidir o imposto de importação de 20% sobre essas compras.

A decisão foi tomada durante a última reunião ordinária do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) de 2024, realizada na quinta-feira (5/12) em Foz do Iguaçu (PR), e anunciada nesta sexta-feira (6/12). Nesta manhã, o Comsefaz levou a decisão ao Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), chefiado pelo Ministério da Fazenda.

Segundo o comitê de secretários estaduais, a nova alíquota busca alinhar o tratamento tributário aplicado às importações ao praticado para os bens comercializados no mercado interno, “criando condições mais equilibradas para a produção e o comércio local”.

“O objetivo é garantir a isonomia competitiva entre produtos importados e nacionais, promovendo o consumo de bens produzidos no Brasil. Com isso, os estados pretendem estimular o fortalecimento do setor produtivo interno e ampliar a geração de empregos, em um contexto de concorrência crescente com plataformas de comércio eletrônico transfronteiriço”, diz manifesto do Comsefaz.

Nos casos de estados em que a alíquota vigente seja inferior a 20%, a implementação do novo índice dependerá de aprovação pelas respectivas Assembleias Legislativas estaduais.

“Essa mudança reforça o compromisso dos estados com o desenvolvimento da indústria e do comércio nacional, promovendo uma tributação mais justa e contribuindo para a proteção do mercado interno frente aos desafios de um cenário globalizado”, completa o comitê.

Relembre

A retomada da taxação federal foi aprovada pelo Congresso Nacional no primeiro semestre deste ano e sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), entrando em vigor em agosto.

As mudanças foram feitas no âmbito do Programa Remessa Conforme, lançado em 2023 para cadastrar todas as plataformas de e-commerce na base de dados da Receita Federal.

A princípio, compras no valor de até US$ 50 (cerca de R$ 300) tiveram o imposto de importação zerado. Desde 1º de agosto de 2024, todas as remessas internacionais passaram a ser sujeitas ao pagamento de tributos federal e estadual.

Acima dos US$ 50 e até US$ 3 mil (pouco mais de R$ 18 mil) o consumidor paga o imposto de importação de 60% sobre o valor da compra, mais o ICMS.

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Brasil

Mais de 50% das obras contratadas com recursos federais em 2024 estão paradas


Foto: Adriano Abreu

O Rio Grande do Norte possui 478 obras contratadas com recursos federais em 2024 paralisadas, o equivalente a 53,1% das 900 contratações vigentes para o Estado. Essas obras somam, em sua totalidade, pouco mais de R$ 1 bilhão, dos quais R$ 547,6 milhões foram investidos. São necessários, portanto, R$ 472,9 milhões adicionais para a conclusão. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (4), pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e apontam que, em todo o Brasil, 11.941 empreendimentos contratados com recursos federais neste ano estão paralisados. No RN, assim como no restante do País, as áreas da saúde e educação são as mais afetadas.

De acordo com o diagnóstico do TCU, das 478 obras paradas no RN, 190 (39% do total de paralisações) são de empreendimentos da área da saúde, como a construção de centros de saúde em Natal e no interior, intervenções em unidades de Estratégia Saúde da Família (ESF), USBSs e em hospitais regionais, dentre outros. Na educação básica, são 134 obras (28% do total) paralisadas, dentre as quais, coberturas de quadras de esporte, intervenções em creches e escolas das redes estadual e municipais.

A reportagem buscou contato com os ministérios da Saúde e Educação para obter um posicionamento sobre as paralisações, bem como sobre perspectivas de retomada das obras, mas não houve respostas até o fechamento desta edição. Além disso, no Estado são contabilizadas 29 obras paradas no turismo, 18 em saneamento, oito em educação superior, sete em esporte, 5 obras contra a seca, três em agricultura, uma em habitação e 15 de outras áreas. Ainda de acordo com os dados, dentre os empreendimentos paralisados, 161 são obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

O valor total previsto para o PAC no RN em 2024 é de R$ 345,2 milhões. Foram investidos R$ 126,6 milhões, sendo necessário R$ 218,6 milhões adicionais para a finalização. O diagnóstico mostra, ainda, que há interesse em repactuar 108 das 478 obras paralisadas. Esses empreendimentos, especificamente, demandam investimentos da ordem de R$ 115,9 milhões (R$ 14,9 milhões foram investidos). Não há interesse em repactuar 109 obras, cujo investimento total soma R$ 40,4 milhões (R$ 11,5 milhões foram investidos).

A maior parte dos empreendimentos (161) está classificada como “não elegível”, e soma R$ 864 milhões em investimentos, sendo que, deste montante, R$ 521,1 milhões foram aplicados. No Brasil, conforme o diagnóstico do TCU, 52% das contratações vigentes com recursos federais estão paralisadas. São 8.674 empreendimentos nessas condições somente nas áreas de saúde e educação, o que representa 72,6% do total.

O Maranhão lidera o ranking no País, com um total de 1.232 empreendimentos com obras paradas, ou 62% das contratações com recursos federais naquele estado. Em seguida, a Bahia ocupa a segunda posição, com 972, representando 57% do total de contratos no estado e, na terceira posição, está o Pará, com 938, equivalendo a 77% dos contratos. O ministro-relator Vital Rêgo, que assumirá o cargo de presidente do TCU em janeiro de 2025, classifica a situação como alarmante.

Ele avalia que o diagnóstico faz com que “o TCU fomente o controle social, estimule o engajamento dos gestores na busca de soluções e assegure que o cidadão tenha ciência de como eles estão sendo aplicados”. Como consequência dos trabalhos, a Corte de Contas recomendou aos Ministérios das Cidades, da Educação, da Saúde e da Integração e do Desenvolvimento Regional e à Fundação Nacional de Saúde que avaliem a oportunidade de adotar as plataformas Transferegov.br e Obrasgov.br para realização da gestão de seus contratos de obras.

Números
Situação de obras contratadas com recursos federais no RN em 2024

Total de obras contratadas: 900

Obras paralisadas: 478

Valor total de investimentos previstos: R$ 1.020.645.983,02

Valor já investido: R$ 547.669.125,11

Adicional necessário à conclusão das obras: R$ 472.976.857,91

TCU

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Brasil

Após casos de violência da PM, Tarcísio passa a defender câmera na farda de policiais: ‘Tinha visão equivocada’

5 motivos para não votar em Tarcísio de Freitas para o governo de São PauloFoto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Após uma série de casos recentes de violência policial, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), admitiu nesta quinta-feira (5) que “tinha uma visão equivocada” sobre o uso de câmeras corporais na farda dos policiais militares e disse que hoje está “completamente convencido de que é um instrumento de proteção da sociedade e do policial”. Ele acrescentou que não apenas vai manter o programa como o ampliará.

“Você pega a questão das câmeras: eu era uma pessoa que estava completamente errada nessa questão. Eu tinha visão equivocada, fruto da experiência pretérita que eu tive. Não tem nada a ver com a questão da segurança pública. Hoje, estou completamente convencido que é um instrumento de proteção da sociedade e do policial. E nós vamos não apenas manter, mas ampliar o programa. E tentar trazer o que tem de melhor em termos de tecnologia”, afirmou o governador.

Atualmente, os policiais militares de São Paulo já usam câmeras nas fardas, que fazem as gravações automaticamente.

No entanto, a Polícia Militar de São Paulo se prepara para adotar um novo modelo de câmera, em que a gravação de vídeos pode ser acionada pelo próprio policial ou remotamente. A previsão é que esses equipamentos passem a ser usados a partir do dia 17 de dezembro.

Desde a campanha eleitoral em 2022, o então candidato ao governo do estado fez reiteradas críticas às câmeras nos uniformes dos PMs e defendeu que o seu uso fosse reavaliado. Ele chegou a dizer que não estava preocupado com as mortes causadas por PMs e, sim, com a “letalidade dos bandidos”.

Fonte: Portal 98Fm

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Brasil

‘Plano A é Bolsonaro, posso ser o plano B’, diz Eduardo Bolsonaro sobre eleição de 2026

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou nesta quarta-feira (4) que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), segue como o “plano A” do partido para a eleição presidencial de 2026. Ele próprio, contudo, colocou-se à disposição como o “plano B” para a disputa.

Apesar da declaração, feita durante um painel da CPAC Conferência de Ação Política Conservadora) na Argentina, o filho “03″ do ex-presidente ressaltou que não é pré-candidato ao Planalto. A CPAC é um fórum de lideranças conservadoras e já teve uma edição no Brasil.

Jair Bolsonaro, “plano A” do PL para 2026, está inelegível até 2030 por determinação do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O ex-presidente foi condenado em três ocasiões. Duas penas por inelegibilidade seguem em vigor, enquanto outra decisão foi revogada.

Apesar de estar inelegível, o ex-presidente coloca-se como opção para o próximo pleito presidencial e conta uma anistia para voltar a disputar cargos eletivos. Na Câmara, um projeto de lei que anistia os presos durante os atos golpistas de 8 de Janeiro está com a tramitação congelada, aguardando a criação de uma comissão especial, que depende da presidência da Casa. Apesar de, por ora, não incluir Jair Bolsonaro, o PL da Anistia é encampado por bolsonaristas e sua aprovação poderia pavimentar uma medida que beneficiasse o ex-mandatário.

Eduardo Bolsonaro foi “lançado” como candidato ao Senado por Valdemar Costa Neto em uma agenda no interior paulista em 6 de junho. “Nosso candidato a senador daqui a dois anos. Isso é o futuro”, afirmou o dirigente do PL.

R7

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Política

STF forma maioria para empossar Márcio Roberto na ALPB

O Secretário de Articulação Política do Estado, Márcio Roberto (Republicanos) deve tomar posse na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB). Nesta quarta-feira (5), o Supremo Tribunal Federal formou maioria para acatar o recurso do paraibano, que está inelegível por irregularidades na prestação de contas de quando foi prefeito de São Bento. Em 2022, Roberto teve a candidatura indeferida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por ter se filiado quando estava com os direitos políticos suspensos devido à condenação por improbidade administrativa. No entanto, o relator do caso, o ministro André Mendonça, argumentou que decisões judiciais de 2022 suspenderam os efeitos da condenação, incluindo o reconhecimento da prescrição da ação civil pública. Além de Mendonça, os ministros Edson Fachin e Gilmar Mendes votaram favoráveis ao recurso do político paraibano. Ainda faltam votar Dias Toffoli e Nunes Marques. O julgamento segue até esta sexta-feira (6). Com isso, Márcio deve assumir a vaga hoje de Bosco Carneiro (Republicanos). No entanto, como o deputado Wilson Filho se licenciou para assumir a Secretaria de Estado da Educação, Bosco retornará ao cargo na vaga de Silvia Benjamim. BG com Portal Correio

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Brasil

Estudo revela que os fofoqueiros têm uma ‘vantagem evolutiva’; entenda

Foto: Freepik

Uma pesquisa recente realizada por pesquisadores da Universidade de Stanford e da Universidade de Maryland, conclui que os fofoqueiros – aqueles que trocam informações pessoais sobre terceiros ausentes – têm vantagens evolutivas sobre os seus pares.

O estudo, publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences, utilizou um modelo evolutivo da teoria dos jogos que imita a tomada de decisão humana para observar como seus agentes, ou sujeitos de estudo virtuais, interagiam entre si e alteravam suas estratégias para receber recompensas.

— Quando as pessoas estão interessadas em saber se alguém é uma boa pessoa para interagir, coletar informações por meio de fofocas pode ser muito útil — afirma a coautora do estudo, Dana Nau, ao Maryland Today.

Socialmente, as pessoas fofoqueiras são descritas com uma conotação negativa; e essa descrição é baseada em vários motivos. Em primeiro lugar, a fofoca pode ser prejudicial às relações e vínculos pessoais, pois, dependendo da intenção do mensageiro, pode semear desconfiança e gerar conflitos desnecessários.

Outros aproveitam-se para distorcer ou exagerar informações sobre as quais têm poder, levando a mal-entendidos e preconceitos injustos. Em última análise, há quem recorra a este ato para desviar a atenção das suas próprias ações ou problemas.

Pesquisas recentes em psicologia evolucionista sugerem que a fofoca deveria ser tratada com muito mais respeito já que, segundo a historiadora e acadêmica Esther Eidinow no livro Envy, Poison and Death: Women on Trial in Classical Athens, a fofoca é “o que torna a sociedade humana como sabemos que é possível”.

Teorias anteriores já sugeriam que a fofoca tem a capacidade de unir grandes grupos de pessoas e fomentar a cooperação, mas não se aprofundaram na questão individual de ter essa informação ou de querer ouvi-la.

Michele Gelfand, professora da Stanford Business School e professora emérita do Departamento de Psicologia da Universidade de Maryland, elaborou: “Não está claro por que a fofoca, que requer muito tempo e energia, evoluiu como uma estratégia adaptativa”.

Assim, os profissionais analisaram se as pessoas usariam a fofoca para se protegerem ou para explorar outras pessoas. Estes poderiam cooperar com os fofoqueiros ou desertar; tornam-se fofoqueiros ou mudam suas estratégias depois de observar as consequências ou recompensas das decisões dos outros.

Ao final da simulação, 90% dos agentes haviam se tornado fofoqueiros. Concluindo, os pesquisadores argumentam que as pessoas são mais propensas a cooperar na presença de um fofoqueiro conhecido porque desejam proteger sua própria reputação e evitar serem vítimas de boatos. Para os fofoqueiros, receber a cooperação de outra pessoa pode ser uma recompensa por si só.

— Esse benefício inspira outras pessoas a fofocar porque elas identificam que isso lhes proporciona uma recompensa — disse Nau.

Desta forma, graças à sua capacidade de influenciar o comportamento dos outros e incentivar a cooperação, “os fofoqueiros têm uma vantagem evolutiva que perpetua o ciclo da fofoca e presta um serviço útil aos ouvintes”, destaca o estudo.

Jackie Delger, neuropsicoeducadora, destaca que em relação à constatação é fundamental ter em mente que a fofoca é carregada de emoção e como o cérebro se lembra de mais acontecimentos da vida que estão associados aos sentimentos, essa informação dada por terceiros persiste na mente.

— Contamos histórias a partir do estado emocional em que nos encontramos naquele momento. Isso significa que eu conto algo a um amigo com a minha emotividade atual, ele depois acrescenta o seu agradecimento ou um pouco de tempero e a terceira pessoa que transmite a informação ‘tempera’ com outros elementos — afirma.

Alejandro Andersson, neurologista e diretor do Instituto de Neurologia de Buenos Aires, concorda com o citado, garantindo que os fofoqueiros têm vantagens do ponto de vista da neurologia e das habilidades sociais.

— Eles têm maior capacidade de compreensão da dinâmica social, inteligência emocional e capacidade de influenciar o comportamento dos outros — explica.

Essas pessoas que divulgam informações têm maior atividade nas áreas do cérebro relacionadas à empatia e à tomada de decisões, segundo ele.

— Contar fofocas provoca a liberação neuronal das substâncias químicas oxitocina e dopamina que geram sensação de bem-estar e prazer — acrescenta a neurologista Lucía Zavala.

Mas a fofoca também pode ter um lado prejudicial. Ambos os profissionais alertam sobre o lado negativo da prática: realizada de forma excessiva e com intenções prejudiciais, leva à perda de confiança, à deterioração dos relacionamentos e até a situações de estresse e ansiedade crônica.

O Globo

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Brasil

Abin deixa de acompanhar viagens de Lula por alegada falta de verba

Avião de Lula apresenta 'problema técnico' após decolagem no México | Jovem  PanFoto: Ricardo Stuckert / PR

A equipe da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) que acompanhava as viagens nacionais e internacionais do presidente da República não executa a tarefa desde março. A alegação interna é de falta de orçamento.

O núcleo específico para segurança presidencial atuava com baixo investimento na agência até ser criado um setor chamado Inteligência de Proteção durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), sob gestão do Departamento de Operações de Inteligência.

Já na reformulação sob Lula, a equipe foi formalizada por decreto, o que a manteve sob o guarda-chuva do Departamento de Operações de Inteligência.

Compete ao setor, entre outras atribuições, “planejar, coordenar, executar e supervisionar ações de inteligência de proteção relacionadas a eventos e a viagens nacionais e internacionais do presidente da República, observadas as competências dos demais órgãos”.

Uma das promessas do diretor da Abin, Luiz Fernando Corrêa, era ampliar a atuação do setor. Com o decreto, ele o elevou do nível de divisão para o de coordenação-geral, o que proporcionou uma estrutura mais robusta.

No entanto, em meados de março deste ano, a direção da agência cortou a verba para a área e retirou as ferramentas de inteligência.

Segundo relatos de servidores da agência, a equipe ia aos locais de viagem antes e permanecia lá até a volta do presidente. Desde março, porém, esse grupo está ocioso.

Internamente, a Secretaria de Segurança Presidencial, vinculada ao GSI (Gabinete de Segurança Institucional), possui um setor que realiza operações semelhantes de produção de material para proteção presidencial, chamado de Coordenação-Geral de Análise de Risco.

A Folha questionou a Abin, a Casa Civil, a quem a agência está subordinada atualmente, e a Presidência da República sobre o tema. Nenhum dos órgãos quis se manifestar.

Nos bastidores, integrantes da atual direção da agência minimizam a situação, dizendo, por exemplo, que a Abin compôs a equipe de trabalho das organizações do G20, sob presidência rotativa do Brasil, com visitas técnicas a 31 locais de evento, principalmente onde haveria ministros ou chefes de Estado.

Desde o início da gestão Lula, a Abin frequenta o noticiário devido às investigações da Polícia Federal acerca da existência de uma estrutura paralela de espionagem durante o governo Bolsonaro.

A PF, comandada por um grupo que rivaliza internamente no governo com o do hoje diretor-geral da agência, afirmou em relatórios de operações deflagradas que suspeitos de participarem do esquema anterior permaneciam na atual gestão, que teria trabalhado para atrapalhar as investigações.

Em entrevista dada em julho, por exemplo, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou não poder dizer se a Abin estava ou não contaminada.

Andrei é delegado da PF e coordenou a equipe de segurança de Lula na campanha. A PF está subordinada ao Ministério da Justiça. Corrêa também é delegado federal, foi diretor da PF no segundo mandato de Lula e chegou ao comando da Abin após o petista tirar o órgão das mãos dos militares (o Gabinete de Segurança Institucional) e alocá-lo na Casa Civil.

Os números 2 e 3 da Abin acabaram perdendo os cargos em meio às apurações.

A agência nega qualquer relação com a suposta “Abin paralela” da gestão Bolsonaro e diz ter cooperado em todos os momentos com a investigação da PF, que ainda não foi concluída.

No início do mandato de Lula, a PF e o GSI patrocinaram uma disputa para definir quem comandaria a segurança presidencial. O gabinete, formado majoritariamente por militares, estava sob desgaste após os ataques à sede dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023.

Ao final, Lula arbitrou que o GSI ficaria com o comando da sua segurança, em um modelo híbrido. O gabinete ficou com a chefia, mas com participação também de policiais federais e eventualmente policiais dos estados.

A PF também mantém um setor voltado à inteligência de proteção presidencial e de ministros, que é vinculado a Diretoria de Proteção à Pessoa, criada em 2023 após atrito com o GSI.

Folhapress

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Brasil

PEC das Praias: Bancada governista pede vista e adia votação de proposta na CCJ do Senado

Verão: conheça todas as praias da ParaíbaFoto: Google Maps / Reprodução

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado adiou nesta quarta-feira (4) a votação da proposta de Emenda à Constituição (PEC) das Praias, que prevê a transferência de terras de marinha para estados, municípios ou particulares.

A PEC foi adiada após pedido de vista coletivo. A solicitação foi feita pela base governista, contrária à proposta.

Com o adiamento, o projeto pode ser votado na próxima quarta-feira (11), mas, como há outras pautas previstas, a votação corre o risco de não acontecer novamente, segundo a assessoria da CCJ.

Se aprovada na comissão, a PEC precisará ser votada em dois turnos no plenário do Senado. Ela deve ser pautada pela Presidência da Casa e precisa receber apoio de pelo menos 3/5 dos parlamentares (ou seja, 49 dos 81 senadores) para avançar. Se houver mudanças significativas no texto, ela volta para apreciação da Câmara, onde já foi aprovada.

O que é terreno de marinha

É considerada terreno de marinha toda área do litoral brasileiro numa faixa de 33 metros a partir do mar em direção ao continente. Essa medida não é exata, porque se baseia na Carta Náutica de 1831, e as marés se alteraram desde então.

Segundo a Constituição, esses terrenos pertencem ao governo brasileiro. Não há relação desses espaços com a Marinha, uma das três Forças Armadas.

O que diz a PEC?

A PEC prevê transferir a posse integral desses terrenos para estados, municípios ou ocupantes particulares. Nos dois primeiros casos, a transferência seria gratuita; no terceiro, mediante pagamento de taxa.

Apresentada originalmente na Câmara dos Deputados em 2011, a PEC foi aprovada pela Casa em fevereiro de 2022. Começou a ser discutida na CCJ do Senado em maio deste ano. Após a repercussão negativa da proposta, que gerou até briga entre famosos, a votação foi adiada, mas agora havia voltado à pauta.

Polêmica

O temor é que, na prática, a PEC privatize as praias. Como o proprietário seria o único dono do espaço, ele poderia transformar a praia em espaço particular.

Diante da polêmica, o relator Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acrescentou uma emenda ao texto, afirmando que as praias são públicas. “As praias são bens públicos de uso comum do povo, sendo assegurado, sempre, livre e franco acesso a elas e ao mar […] não sendo permitida qualquer forma de utilização do solo que impeça ou dificulte o acesso da população às praias”, diz o acréscimo.

Para o senador Humberto Costa (PT-PE), contrário ao texto, essa adição não é suficiente. “Só essa emenda não é o bastante para garantir que as praias continuem acessíveis. Hoje, temos vários planos diretores que garantem o acesso às praias e, mesmo assim, há alguns pontos em que hotéis, por exemplo, fazem praias privadas”, disse.

Costa ressaltou que o texto não ameaça somente o lazer da população. “Em tempos de mudança climática, a propriedade desse terreno é importantíssima para o meio ambiente, para o controle da pesca”, declarou.

UOL

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Política

‘Voto impresso’ e recontagem voltam a ser discutidos na Câmara dos Deputados

Deputados conseguiram retomar, na Comissão de Constituição de Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, um projeto que prevê o voto impresso e a recontagem física das eleições, para eleições federais, estaduais, distritais e municipais. Nesta quarta-feira (4), foi aprovado na comissão um requerimento de inclusão extrapauta da matéria, apresentado pelo deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP). Este dispositivo permite que propostas que não estava previstas para serem apreciadas pelo colegiado, sejam incluídas na ordem de pautas do dia. O requerimento foi aprovado por 36 votos, contra 25. Na sequência, o relator do projeto, José Medeiros (PL-PA), leu o seu relatório, oficializando o início da discussão sobre o tema, mas então foi feito um pedido de vista coletiva, o que suspende o debate naquela sessão. Antes, na segunda-feira (2), foi realizada uma audiência pública na Câmara sobre este projeto. O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Nunes Marques, afirmou ser contra a proposta de voto impresso. O texto já havia sido debatido na CCJ em 2023, mas então, não avançou. O relatório proposto por José Medeiros define que, após realizar seu voto na urna eletrônica, o eleitor deve registrar seu voto também em um meio físico, que será armazenado e lacrado. O projeto prevê então que os partidos possam pedir a recontagem dos votos, por meio físico ou digital, 48 horas após o fim das votações. Folhapress

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Brasil

CORTE DE GASTOS: Lira diz que governo ‘não tem votos’, mas Câmara deve votar urgência nesta quarta

Foto: Mário Agra/Câmara dos Deputados

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), afirmou nesta quarta-feira (4) que a base aliada do governo Luiz Inácio Lula da Silva não tem votos suficientes na Casa, atualmente, nem para aprovar o regime de urgência para os projetos do pacote de corte de gastos.

O governo enviou os textos ao Congresso na última semana e conta com a aprovação das propostas ainda este ano para enviar uma sinalização de responsabilidade fiscal ao mercado.

Para isso, no entanto, será preciso aprovar o chamado “regime de urgência” – um rito acelerado para os textos, que seriam votados diretamente no plenário da Câmara sem passar pelas comissões.

Para aprovar a urgência, o plenário da Câmara precisa atingir a chamada maioria absoluta. Ou seja: no mínimo, 257 votos — mesmo quórum necessário para aprovação de um projeto de lei complementar.

Os pedidos de urgência chegaram a ser incluídos na pauta de terça (3). Mas a análise acabou adiada diante da insatisfação de parlamentares com a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que estabeleceu novas regras para a retomada do pagamento de emendas.

“Hoje, o governo não tem votos sequer para aprovar as urgências dos PLs. A PEC, eu coloquei na CCJ [Comissão de Constituição e Justiça], pedi para ser extra pauta e foi retirado — a pedido do governo —, porque acho que não tinha a certeza de ter os mínimos votos para aprovar a admissibilidade da PEC na CCJ”, afirmou Lira.

“Agora está num momento de muita instabilidade, de muita ansiedade, de muita turbulência interna, por causa desses acontecimentos que não são inerentes ao convívio harmônico, constitucional, de limites entre os Poderes, principalmente nas suas circunscrições do que pode ou não fazer. Você nunca vai ver um deputado julgando alguém, ou condenando alguém num tribunal, como também não deve ver nunca um juiz legislando”, acrescentou.

g1

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