
A cena parece retirada de uma série sobre narcotráfico, mas acontece em plena Paraíba, onde facções criminosas esão instalando câmeras em postes para monitorar a chegada da polícia, rastrear rivais e controlar comunidades inteiras como se fossem donas do território.
Primeiro, Cabedelo ganhou destaque nacional no Fantástico da TV Globo, após investigações apontarem que criminosos no Rio de Janeiro monitoravam a cidade à distância, direto do Complexo do Alemão.
Nesta segunda-feira (18), a Polícia Civil encontrou uma câmera clandestina em Mangabeira, um dos bairros mais populosos de João Pessoa. O recado é claro: o crime organizado deixou de apenas ocupar espaços e passou a administrar as ruas com tecnologia, vigilância e sensação de autoridade.
Enquanto isso, o cidadão comum segue refém da violência, da insegurança e da impressão cada vez mais forte de que há bairros onde o Estado da Paraíba entra apenas para fazer operação, tirar foto e ir embora depois. Porque, na prática, quem vigia, controla e observa a movimentação diária é o crime.
O que deveria servir à iluminação urbana virou suporte para espionagem criminosa. O poste é público, mas o controle parece privado. A presença dessas câmeras revela a ausência de inteligência preventiva, falhas de ocupação urbana e um Estado que perdeu a capacidade de impor presença contínua em determinadas áreas. É o “reality show do crime”, onde cada rua vira corredor monitorado e cada morador, figurante involuntário. O crime observa tudo e o estado, parece fechar os olhos.






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