
Uma equipe multidisciplinar de pesquisadores do Programa Estratégico de Estruturas Artificiais Marinhas (Preamar) apresentou, nesta terça-feira (29), propostas de adequação para o projeto de construção da Praça do Sol Nascente, na Praia do Seixas, em João Pessoa, na Paraíba.
O local é considerado o ponto continental mais oriental das Américas, de grande relevância geográfica, ambiental e simbólica, combinando paisagem singular, riqueza ecológica, presença de comunidades tradicionais e um cotidiano turístico intenso. As propostas foram apresentadas durante a segunda reunião oficial do Painel Científico do Preamar, realizada no auditório da sede do Ministério Público Federal (MPF), em João Pessoa.
Confira as adequações propostas:
Segundo os cientistas, o recuo da área de construção da praça em 15 metros é considerado um parâmetro geoambiental fundamental para evitar a ocupação do ambiente da praia suscetível à erosão marinha. O recuo visa reduzir o risco de desastres futuros e proteger o investimento público. A análise da linha de preamar do dia 29 de março de 2025, uma maré cheia de sizígia de 2,89 metros, demonstrou que as ondas alcançaram e submergiram áreas iniciais dos perfis analisados, deixando apenas uma faixa estreita de areia exposta em alguns pontos.
A área, densamente ocupada e sem pós-praia desenvolvida, é vulnerável, tornando o monitoramento e gestão costeira essenciais. A proposta de recuo contempla, ainda, uma área para pedestres e eventos, contribuindo para o turismo, semelhante ao Busto de Tamandaré, entre as praias de Tambaú e Cabo Branco.
A equipe do Preamar propõe a delimitação de uma faixa contínua de cinco metros para recomposição da vegetação natural (restinga) no limite da obra. A restinga é crucial para a estabilização dos sedimentos e a manutenção da drenagem natural. Ela funciona como um estoque de areia que ajuda a praia a manter seu equilíbrio dinâmico, especialmente durante eventos de alta energia de ondas.
A vegetação também contribui para fixar a areia transportada pelo vento. A recomposição visa garantir condições mínimas para a fauna e flora local e renaturalizar uma faixa de praia que sofreu severa ação do ser humano. Para isso, são recomendadas Soluções Baseadas na Natureza (NBS) e técnicas de Ecoengenharia ou Engenharia Natural, utilizando materiais inertes e vegetação nativa para conter processos erosivos e estabilizar a praia.



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