
Uma hora após o horário previsto para o início, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva cancelou uma esperada entrevista coletiva para encerrar sua passagem de dois dias pela COP27, a conferência climática da ONU. A mudança de planos veio horas após o presidente fazer mais uma crítica ao teto de gastos, que foi mal recebida pelo mercado.
Segundo a assessoria do presidente eleito, a mudança de plano ocorreu após as outras agendas do presidente eleito atrasarem. Além de um encontro com lideranças indígenas no início da tarde, Lula teve encontros com o secretário-geral da ONU, António Guterres, o ministro do Clima norueguês, Espen Barth Eide, e Annalena Baerbock, ministra das Relações Exteriores da Alemanha.
Jornalistas brasileiros e estrangeiros fizeram fila do lado de fora da sala de conferência. Quando o cancelamento foi confirmado, vários deles estavam sentados no chão. Agora Lula segue para Portugal, onde terá reuniões com autoridades locais já na sexta.
Em um evento na manhã desta quinta com a sociedade civil, o presidente eleito disse que “não adianta só ficar pensando em dado fiscal”, mas “em responsabilidade social”. O modelo atual, afirmou, “tenta desmontar tudo o que é da área social”.
— Você tenta desmontar tudo aquilo que faz parte do social e não tira um centavo do sistema financeiro — disse ele. — Se eu falar isso, vai cair a Bolsa, o dólar vai aumentar? Paciência. O dólar não aumenta e a bolsa não cai por conta das pessoas sérias, mas por conta dos especuladores que vivem especulando todo santo dia.
O mercado não recebeu bem a fala do petista: às 15h, a Bovespa caía 2,18% e o dólar passava de R$ 5,43.
O Globo




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