
Uma equipe do Ministério Público Federal (MPF) constatou irregularidades na falta de oferta de merenda, transporte e ensino híbrido de escolas em Monteiro. “É preocupante que recursos sejam destinados a escolas em que não há comprovação de serviços”, lamentou a procuradora da República Janaina Andrade.
Em mais uma fiscalização para verificar a correta aplicação de recursos federais, diante da manutenção do sistema híbrido de ensino, nas quatro escolas estaduais do município, sendo três na zona urbana e uma na zona rural, a equipe verificou falhas na prestação de serviços pagos com o dinheiro da União.
De acordo com a procuradora da República Janaina Andrade, foi constatado que há um reduzido número de hora-aula ofertado. “Na nossa avaliação, o sistema não é híbrido, estando essencialmente no online”, destacou a procuradora.
“Conversamos com alguns professores e eles entendem que a volta às aulas presenciais é necessária e que as escolas estão preparadas para receber os alunos com cautela sanitária, no cenário da pandemia. Alguns deles avaliaram que não há o mesmo aproveitamento do aluno com o sistema híbrido que hoje é oferecido”, acrescentou.
Ainda de acordo com Janaina Andrade, a destinação dos recursos públicos da União para a compra de merenda escolar que foram repassados ao estado, como por exemplo, os recursos do Pnae (Programa Nacional de Alimentação Escolar) precisa ser investigado.
“Antes da pandemia havia três refeições diárias nas escolas que ofereciam aula em tempo integral, e hoje só existe uma. Em outra escola, foi constatado que sequer é oferecida uma única refeição. Assim, é preciso que seja apurado como está sendo feita a destinação desses recursos. De igual modo, recursos do Programa Nacional de Apoio ao Transporte do Escolar (Pnate), uma vez que, via de regra, apenas por duas vezes na semana está havendo transporte de alunos da zona rural para escolas da zona urbana”, ressaltou.
Ainda segundo ela, o inquérito sorológico, que foi dado como justificativa para volta gradual às aulas no estado, não pode impedir o retorno das aulas 100% presencial na rede estadual da Paraíba. “Na escola da zona rural, por exemplo, não existe sinal de internet e celular. É preocupante que recursos públicos federais sejam destinados a escolas em que não há comprovação de oferta de serviços mínimos e de qualidade na prestação educacional”, disse a procuradora da República, informando também que outras situações constatadas na fiscalização, de atribuição do Ministério Público Estadual, serão encaminhadas ao órgão para providências que entender cabíveis.




Comente aqui