Brasil

CGU aponta uso de CNHs vencidas em esquema de descontos indevidos de aposentados

Foto: Leonardo Pains – Ascom/CGU

Um relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) aponta que a União Brasileira dos Aposentados e Pensionistas (Unibap) apresentou fichas de filiação contendo carteiras de habilitação vencidas para justificar descontos em benefícios previdenciários de aposentados e pensionistas. Segundo o órgão, os documentos indicam possíveis “fraudes, vício de consentimento ou uso indevido de dados pessoais”. A defesa da entidade nega irregularidades.

A apuração teve origem em fiscalização do INSS, que foi analisada posteriormente pela CGU. O processo foi aberto após aumento expressivo de filiações e dezenas de reclamações de beneficiários alegando descontos não autorizados em seus proventos. Entre dezembro de 2023 e 2024, o INSS solicitou à Unibap a apresentação de 86 fichas de filiação para verificar a regularidade das autorizações.

De acordo com o relatório, muitas das CNHs apresentadas estavam vencidas desde 2019, embora as supostas filiações tenham ocorrido a partir de 2021, levantando suspeitas de fraude. Em um exemplo, um beneficiário filiou-se em junho de 2022 e, menos de 30 dias depois, registrou reclamação alegando não ter autorizado o desconto, o que, segundo a CGU, indica “fortes indícios de fraude ou uso indevido de dados pessoais”.

O documento reforça que o uso de CNHs vencidas e a rápida contestação dos descontos por parte de aposentados contribuem para a suspeita de autorizações fraudulentas, dentro do contexto da Operação Sem Desconto, que investiga o esquema nacional de descontos irregulares em aposentadorias e pensões.

Segundo a CGU, “esse cenário indica, com razoável grau de probabilidade, a possível obtenção ilícita de dados pessoais e o preenchimento fraudulento das fichas de filiação, comprometendo a legalidade, a veracidade e a integridade dos documentos apresentados”.

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Brasil

Sanções dos EUA e vida pessoal: os bastidores da decisão de Barroso de deixar o STF

Foto: Antonio Augusto/STF

O ministro Luís Roberto Barroso decidiu antecipar sua saída do Supremo Tribunal Federal (STF) e não permanecerá na Corte até 2033, quando completaria 75 anos e teria de se aposentar compulsoriamente. A decisão, amadurecida desde 2022, foi motivada por uma combinação de fatores pessoais e políticos, entre eles o impacto das sanções impostas pelos Estados Unidos, a perda da esposa e o desejo de passar mais tempo com a família.

Em entrevista à CNN, no fim de setembro, Barroso relembrou o trato que havia feito com a esposa, Tereza, que enfrentava complicações de um câncer no fêmur: assim que deixasse a presidência do STF, em setembro de 2025, deixaria também o cargo para que pudessem viajar e aproveitar a vida juntos. “Infelizmente, ela faleceu antes, essa motivação específica eu já não tenho. Mas a vida é feita de ciclos”, disse.

Nos últimos anos, novos elementos reforçaram sua decisão. As sanções dos EUA, que suspenderam os vistos do ministro e de seus familiares, afetaram diretamente sua rotina. Colaborador da Harvard Kennedy School, Barroso costumava passar parte das férias nos Estados Unidos, onde se dedicava à leitura e à escrita. A restrição se tornou um fator incômodo e simbólico.

Ele também demonstrava desconforto com o clima dentro da Corte fora da presidência. Pela primeira vez desde que assumiu a cadeira, em 2013, passou a integrar a Segunda Turma, formada por ministros com os quais tem menos proximidade — Gilmar Mendes, Dias Toffoli, André Mendonça e Nunes Marques.

No discurso de despedida, Barroso afirmou que sua saída “nada tem a ver com qualquer fato da conjuntura atual”, mas ressaltou os impactos que os ônus do cargo têm sobre familiares: “acabam se transferindo aos nossos entes queridos, que sequer têm responsabilidade pela nossa atuação”.

A vida pessoal também pesou. Barroso se tornou avô há poucos meses e quer dedicar mais tempo ao neto Rafael. Além disso, se anima com a ideia de circular com mais liberdade, sem o aparato de segurança intensificado desde que o STF virou alvo do bolsonarismo.

Após uma “reflexão profunda”, como descreveu a interlocutores, Barroso concluiu que sua missão como magistrado foi cumprida. Agora, pretende focar em “espiritualidade, literatura e poesia”, longe da rotina intensa do tribunal.

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STF

Barroso se despede do STF após 12 anos com legado de decisões que marcaram o país

Foto:  Antonio Augusto/STF

 

O ministro Luís Roberto Barroso anunciou, nesta quinta-feira (9), sua aposentadoria do Supremo Tribunal Federal (STF), encerrando 12 anos de atuação na Corte. A decisão vem dias após passar a presidência do STF ao ministro Edson Fachin.

Tomou posse em 26 de junho de 2013, na vaga deixada pelo ministro Ayres Britto, e ao longo do período se destacou como relator de casos de grande impacto social. Presidiu o STF e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), buscando aproximar o Judiciário da sociedade, simplificar a comunicação das decisões e aumentar a eficiência do Tribunal.

Entre suas decisões de destaque, Barroso autorizou transporte gratuito no segundo turno das eleições de 2023, suspendeu despejos durante a pandemia e conduziu processos sobre violação de direitos no sistema prisional. Também lidou com a compatibilidade da Convenção da Haia, liberdade religiosa em tratamentos de saúde e acesso judicial a medicamentos não incorporados pelo SUS ou planos de saúde.

Na carreira, Barroso presidiu ainda o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de maio de 2020 a fevereiro de 2022, período marcado pelos desafios da pandemia. Entre os primeiros casos de relevância na Corte, atuou nas execuções penais da AP 470, o “Mensalão”.

Curriculum de peso e julgamentos históricos

Natural de Vassouras (RJ), Barroso é professor titular de Direito Constitucional na Uerj, com mestrado em Yale e pós-doutorado em Harvard, além de ter sido professor visitante em universidades da França, Polônia e Brasil.

Como advogado, participou de julgamentos históricos, como a defesa da Lei de Biossegurança, reconhecimento de uniões homoafetivas e autorização de interrupção de gestação em casos de feto anencéfalo.

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Guerra

Chefe do Hamas em Gaza declara fim da guerra com Israel e início de cessar-fogo permanente

Foto: Yousef Masoud/SOPA Images/LightRocket via Getty Images

Khalil Al-Hayya, membro da alta cúpula do grupo terrorista Hamas, declarou nesta quinta-feira (9) o fim da guerra com Israel. Ele afirmou ainda ter recebido garantias dos Estados Unidos e de mediadores de países árabes sobre um cessar-fogo permanente.

Al-Hayya atuou como negociador-chefe do grupo terrorista nas conversas sobre o plano de paz proposto pelos Estados Unidos na Faixa de Gaza. Em setembro, ele sobreviveu a um ataque de Israel contra alvos do Hamas no Catar.

O anúncio de um acordo de paz foi feito na quarta-feira (8). Segundo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Israel e Hamas concordaram com a implementação de uma primeira fase para o fim da guerra.

Até a última atualização desta reportagem, Israel não havia ratificado o acordo oficialmente. Um encontro de ministros para discutir o tratado terminou por volta das 15h desta quinta-feira.

A guerra entre Israel e o Hamas começou em 7 de outubro de 2023, quando os terroristas lançaram um ataque que resultou na morte de mais de 1.200 pessoas e no sequestro de outras 251. De lá para cá, mais de 60 mil palestinos morreram em Gaza, segundo dados de autoridades ligadas ao Hamas.

g1

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Judiciário

TJ vai julgar medida da Prefeitura de João Pessoa que ‘afrouxa’ Lei do Gabarito

Tribunal de Justiça da Paraíba (Foto: divulgação/TJPB)

O Órgão Especial do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) marcou para a sessão da próxima quarta-feira (15) o julgamento da ação movida pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) contra a Lei de João Pessoa que “afrouxou” as regras sobre a altura máxima permitida em prédios construídos na orla da Capital. A matéria foi apresentada pelo prefeito Cícero Lucena (sem partido) e aprovada na Câmara Municipal em abril do ano passado. A ADI é relatada pelo desembargador Carlos Martins Beltrão.

De acordo com Ministério Público da Paraíba, a norma é considerada inconstitucional por ter em seu texto regras que são menos restritivas do que a Lei do Gabarito, que versa sobre o padrão de construções na faixa litorânea da Paraíba. A nova regra alterou o código urbanístico da orla a partir da criação de nove faixas de altura máxima permitida para os prédios, começando com 12,9 metros na faixa mais próxima ao mar e chegando a 35 metros antes do limite dos 500 metros.

A Constituição Estadual, no entanto, fixa a altura máxima em 35 metros apenas no final da faixa de 500 metros a partir da maré de sizígia. Para a procuradora Vasti Cléa Marinho da Costa Lopes, responsável por ingressar com o recurso, “ao agir dessa maneira, permitido que a  altura máxima dos gabaritos de 35 m seja alcançada bem antes do final dos 500 metros da faixa de proteção, o legislador da Capital, ao produzir norma de proteção insuficiente do meio ambiente ecologicamente equilibrado, autorizou e autoriza verdadeiro desvirtuamento das áreas de preservação permanente em perímetros urbanos do Município de João Pessoa, no sentido de permitir atividades e empreendimentos incompatíveis com a preservação do ambiente e da vegetação”.

“Embora os limites de alturas máximas no início de fim da faixa de 500 m sejam os mesmos – 12,9 m e 35 m, respectivamente –, a LUOS/2024 é, em geral, menos restritiva do que o Decreto Municipal/2021. Pelo fato de a LUOS/2024 tomar como referência a altura do piso do último pavimento e, tendo em vista a diferença de até 4 m entre a LUOS/2024 e o Decreto Municipal/2021, o novo Plano Diretor possibilita um ganho de mais de 6 m de altura final de edificações na zona costeira de João Pessoa”, destaca a procuradora.

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Trânsito

CONGESTIONAMENTO: Quem mora em João Pessoa leva até 30 minutos para chegar ao trabalho; veja números



					Maioria da população de João Pessoa leva até 30 minutos para chegar ao trabalho; veja dados
Foto: Reprodução/TV Cabo Branco

A maioria da população de João Pessoa leva até meia hora para chegar ao trabalho, segundo dados do Censo 2022 divulgados nesta quinta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com o levantamento, 39% dos moradores da capital paraibana gastam entre 15 e 30 minutos no trajeto até o trabalho.

Outros 23% levam de 30 minutos a 1 hora. Nesse período, quem mais demora para concluir o deslocamento é a população que utiliza o ônibus como meio de transporte. Já 22% gastam entre 6 e 15 minutos para chegar ao local de trabalho.

O IBGE também apontou que 40% dos trabalhadores usam automóvel como principal meio de transporte, 24% utilizam ônibus, 17% vão de motocicleta e 10% fazem o trajeto a pé.

Pessoas brancas e pessoas pretas e pardas levam, em sua maioria, de 16 a 30 minutos para chegar ao trabalho, sendo 40,37% dos brancos e 38,92% dos pretos e pardos. O levantamento também mostra diferença entre homens e mulheres: 40,82% dos homens e 36,64% das mulheres levam de 16 a 30 minutos para chegar ao trabalho.

No Brasil, dois em cada três trabalhadores brasileiros (67%) levam até meia hora para chegar ao trabalho. Outros 14,5 milhões (20%) gastam entre 30 minutos e 1 hora, e 7,4 milhões (10%) levam de 1 a 2 horas todos os dias até o emprego.

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Brasil

Putin admite culpa da Rússia em queda de avião no Cazaquistão em 2024 que vitimou 38 pessoas

Foto: Reuters

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, admitiu ao líder do Azerbaijão, Ilham Aliyev, que dois mísseis russos detonaram próximos a um avião da Azerbaijan Airlines em dezembro de 2024, causando a morte de 38 pessoas.

Putin disse a Aliyev que dois mísseis de defesa aérea russos detonaram a poucos metros do avião depois que drones ucranianos entraram no espaço aéreo russo. “Os dois mísseis lançados não atingiram o avião diretamente; se isso tivesse acontecido, ele teria caído no local, mas eles explodiram, talvez como medida de autodestruição, a poucos metros de distância, cerca de dez metros”, disse Putin.

Putin reconheceu que Moscou foi responsável pelo acidente e pediu desculpas novamente, prometendo indenização às famílias e uma avaliação legal completa do caso.

O voo J2-8243, que ia de Baku a Grozny, caiu em 25 de dezembro perto de Aktau, no Cazaquistão, após desviar do espaço aéreo russo devido a ataques de drones ucranianos. As gravações das caixas-pretas indicam que o piloto acreditou ter colidido com um bando de pássaros.

O jato, de fabricação da Embraer, ainda conseguiu voar 450 km sobre o Mar Cáspio antes de cair. Um relatório preliminar do governo cazaque apontou buracos e danos externos na fuselagem. Aliyev, que havia criticado Moscou por tentar encobrir o incidente, agradeceu a Putin por acompanhar pessoalmente a investigação.

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Polêmica

CMCG exonera ex-vereador Cícero Rodrigues por suspeita de trabalho análogo à escravidão

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A Mesa Diretora da Câmara Municipal de Campina Grande exonerou o assessor parlamentar e ex-vereador Cícero Rodrigues da Silva, após o nome dele aparecer em uma lista do Ministério do Trabalho com empregadores que teriam submetido trabalhadores a condições análogas à escravidão.

Em nota divulgada nesta quarta-feira (8), a Mesa informou que a exoneração foi efetivada no dia 30 de setembro, logo após a confirmação do caso. O documento é assinado pelo presidente da Casa, Saulo Germano.

A direção da Câmara destacou que, embora reconheça o princípio da presunção de inocência, decidiu pelo desligamento do servidor por se tratar de um cargo de confiança, permitindo que ele apresente sua defesa sem vínculo com o Legislativo municipal.

A nota também reafirma o compromisso da Casa de Félix Araújo com a legalidade, moralidade pública e a defesa da dignidade humana.

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Polêmica

ABANDONO: Praça Castro Pinto, antigo cartão-postal de João Pessoa sofre descaso

Abandono da Praça Castro Pinto_F. Evandro (6).JPG

O que antes foi um ponto de convivência, lazer e cultura, hoje é território de medo. O acúmulo de lixo, os buracos, as pichações e o mato alto dão o tom do descuido na Praça Castro Pinto, no Centro de João Pessoa.

Mas o maior problema, segundo frequentadores e moradores da região, é a presença constante de andarilhos, pessoas em situação de rua e usuários de drogas.

A cena resume o atual estado de abandono e insegurança de um dos espaços públicos mais tradicionais da capital paraibana.

Desde o fechamento de um hipermercado que ficava ao lado da praça, em junho de 2023 — após mais de quatro décadas de funcionamento no local —, o equipamento e seu entorno apresentam um cenário de abandono. “Nem o quiosque resistiu”, lamenta um idoso de 68 anos, que preferiu não se identificar. Ele, morador de Jaguaribe, confessa, ainda, que só transita no espaço porque não tem opção. “Eu só passo pela manhã, que tem menos gente na praça. À noite, é tomado por usuários de drogas e assaltantes. Eles ficam em toda a frente de onde funcionava o Hiper Bompreço”.

Com Jornal União

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Paraíba

Lauda descarta suspeita de morte por bebida adulterada com metanol na Paraíba

Uma perícia realizada pelo Instituto de Polícia Científica (IPC) da Paraíba descartou, nesta quinta-feira (9), a presença de metanol nas amostras de sangue, urina e estômago de Rariel Dantas, de 32 anos, que morreu no sábado (4), em Campina Grande, por suspeita de intoxicação após consumo de bebida adulterada com metanol.

A diretora-geral do IPC, Raquel Azevedo revelou que foram analisadas amostras de sangue da vítima ainda durante o período em que ela estava internada.

“Foram realizadas as pesquisas toxicológicas gerais de substâncias e todas foram descartadas. Não existia metanol. Não foi detectada a presença de metanol em nenhuma das quatro amostras analisadas. Foi detectada, porém, a presença de etanol em todas elas”, disse Raquel.

O homem, de 32 anos, era natural de Baraúna e deu entrada no Hospital Regional de Picuí com sintomas compatíveis, depois de relatar ingestão de bebida alcoólica nos últimos três dias. Logo após ser atendido, ele foi transferido para Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Trauma.

Garrafas analisadas

Na ocasião, a Vigilância Sanitária e a Polícia Civil interditaram o depósito onde ele havia consumido a bebida e apreenderam os destilados para análise. No entanto, segundo a diretora, não havia presença de metanol nas garrafas analisadas.

“A intoxicação por metanol não existia em nenhuma das amostras da vítima. Também não foi detectado metanol em nenhuma das garrafas encaminhadas para o laboratório, ao todo, foram 51 amostras analisadas”, revelou.

BG com MaisPB

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