Brasil

Operações sobre desvios milionários se multiplicam em órgão cobiçado por partidos

Foto: Divulgação

O Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) foi alvo de pelo menos 11 operações da Polícia Federal e da CGU (Controladoria-Geral da União) desde 2018. O órgão é cobiçado por partidos políticos, com uma influência que se estende por diferentes governos.

As investigações têm o objetivo de combater o desvio de dinheiro público em estados de todas as regiões do país. Os inquéritos envolvem suspeitas de fraude em licitação, cobrança de propina, direcionamento de obras e superfaturamento. Os casos tramitam sob sigilo.

Na última semana, uma ação realizada pela PF teve entre os alvos um suplente de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente do Senado. O parlamentar não é investigado.

O órgão, atualmente vinculado ao Ministério dos Transportes, é palco histórico de escândalos de corrupção e de atuação de partidos, por ser responsável por obras em rodovias e ferrovias federais espalhadas pelas bases eleitorais dos políticos.

No primeiro mandato de Dilma Rousseff (PT), em 2011, suspeitas de irregularidades levaram ao afastamento da cúpula do Dnit e resultaram em um pedido de demissão do então ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento.

A pasta era comandada à época pelo PR, que se tornou o atual o PL —Nascimento foi presidente do partido—, e seguiu sob controle a legenda durante o governo de Michel Temer (MDB).

Atualmente, o Ministério dos Transportes é chefiado por Renan Filho, ex-governador alagoano filiado ao MDB. O Dnit é dirigido pelo ex-superintendente do órgão em Alagoas Fabricio de Oliveira Galvão.

O departamento afirma que atua constantemente para prevenir e sanar casos de fraude e corrupção e, muitas vezes, detecta indícios de irregularidades e os encaminha para órgãos de investigação. Segundo o departamento, esse foi o caso da operação no Amapá.

Mesmo com trocas de gestões presidenciais e de ministérios, as suspeitas sobre irregularidades em obras e ações do órgão não cessaram.

Só uma dessas operações, chamada Rota BR-090, teve oito fases deflagradas de 2019 a 2023. A investigação levantou desconfianças sobre desvios em contratos de mais de R$ 2 bilhões em Minas Gerais.

Outra operação foi a Círculo Fechado, de 2020, centralizada no Distrito Federal. O caso envolveu a suspeita de desvio até em contratações feitas na área de tecnologia da informação e resultou no bloqueio de R$ 40 milhões dos investigados.

Folha de S.Paulo

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Futebol

Sem chances de classificação, Treze e Sousa se despedem do Brasileiro Série C

O Treze e o Sousa se despendem, neste domingo (27), do Campeonato Brasileiro Série D. Ocupando a lanterna e a vice-lanterna do gruo A3, os clubes paraibanos entram em campo hoje só para cumprir tabela pois não existem mais chance nenhuma de classificação.

Para os torcedores do Galo e do Dinossauro que querem prestigiar seus times do coração na última rodada, os jogos ocorrem ambos no mesmo horário, às 16.

Penúltimo no grupo, o Treze, que até agora somou 13 pontos, com 4 vitórias, um empate e oito derrotas, enfrenta o Santa Cruz, terceiro colocado, com 24 pontos. A partida será realizada na Arena Pernambuco.

Último nome na tabela de classificação, o Dinossauro enfrenta o Santa Cruz de Natal. Sousa também tem 13 pontos somados depois de vencer 3 vezes, empatar outras três e perder sete partidas. O jogo será no Estádio Marizão.

Central com 25 pontos, America-RN com 24 e Santa Cruz com 24 já estão classificados. Horizonte e Ferroviáro, ambos com 17 pontos, disputam a outra vaga.

MaisPB

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Brasil

Semana define futuro das tarifas e novas sanções dos EUA ao Brasil


A última semana de julho começa com o Brasil sob o impacto de ameaças inéditas do governo de Donald Trump. Os Estados Unidos avaliam aplicar a Lei Magnitsky contra ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), incluindo o cancelamento de vistos também ao alto escalão do Palácio do Planalto.

A decisão surge como resposta ao processo do STF contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe.

Além das possíveis novas sanções, cresce a tensão diante do tarifaço: os EUA prometem taxar produtos brasileiros em 50% a partir de 1º de agosto, próxima sexta-feira.

O governo do republicano justifica a taxação por suposta “caça às bruxas” contra Bolsonaro e censura a redes sociais americanas. O principal impacto recai sobre setores como o agronegócio (principalmente carne, frutas, laranja), a indústria aeronáutica (Embraer), a cadeia madeireira, produtos químicos e açúcar.

O setor do suco de laranja já avalia prejuízo bilionário nos próximos anos.

Para tentar ganhar tempo, uma comitiva de oito senadores brasileiros começou a desembarcar em Washington neste sábado (26).

Já estão na capital americana o senadores Nelsinho Trad (PSD-MS), Tereza Cristina (PP-MS), Marcos Pontes (PL-SP), Esperidião Amin (PP-SC) e Fernando Farias (MDB-AL). O senador Carlos Viana (Podemos-MG) está nos EUA e deve se juntar aos colegas neste domingo (27).

Os parlamentares devem permanecer nos EUA até quarta-feira (30) e terão reuniões com a embaixadora brasileira, entidades empresariais, Câmara de Comércio e parlamentares americanos de ambos os partidos.

Um desafio é que a ida da comitiva brasileira acontece em meio ao recesso da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos — equivalente à Câmara de Deputados.

A agenda começa na manhã de segunda-feira (28) com a chegada à residência oficial da Embaixadora do Brasil. No início da tarde, o grupo deve cumprir o primeiro compromisso público com reuniões na sede da U.S. Chamber of Commerce, onde parlamentares vão se reunir com líderes empresariais e representantes do Brazil-U.S. Business Council.

O segundo dia, terça-feira (29), será reservado para encontros estratégicos com parlamentares norte-americanos — tanto republicanos quanto democratas —, conforme apurou a CNN.

Os compromissos preveem também encontros com grupos setoriais e uma coletiva para detalhar os resultados das negociações. O objetivo é convencer autoridades e empresários dos efeitos negativos para ambos os lados e buscar consenso para atrasar, reduzir ou excluir setores das tarifas.

CNN

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Mundo

Itamaraty minimizou preocupação dos EUA com Bolsonaro, diz oficial de Trump

Foto: Alan Santos/PR

Um funcionário sênior da administração de Donald Trump afirmou que não vê possibilidade de qualquer negociação adiar a entrada em vigor das tarifas de 50% contra o Brasil a partir do dia 1º de agosto. Isso porque até o momento o país não apresentou nada “sério” a ser negociado. O argumento é o mesmo ventilado nos bastidores pela Casa Branca ontem, de que nenhum avanço aconteceu porque os brasileiros não se “engajaram suficientemente” para isso.

As informações são da jornalista Mariana Sanches, colunista do UOL em Washington D.C..

Questionado sobre qual seria o engajamento esperado do Brasil neste momento, este funcionário, que pediu anonimato para comentar o assunto por não ter autorização para falar sobre o tema publicamente, afirmou que a discussão não pode se pautar apenas em comércio, já que a preocupação primordial de Trump seria outra.

“O Itamaraty minimizou as preocupações de Washington sobre o ex-presidente Bolsonaro e a liberdade de expressão, em detrimento de seu governo e de seu povo. O assunto agora se agravou muito além das expectativas deles”, afirmou o funcionário da gestão Trump.

Na carta em que anunciou as tarifas contra o Brasil, em 9 de julho, Trump chamou de “caça às bruxas” o processo judicial a que o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro (PL) responde. Entre outros crimes, ele é acusado de tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito —os quais nega. Além disso, Trump acusava o STF (Supremo Tribunal Federal) de censurar cidadãos americanos e prejudicar os interesses comerciais de big techs americanas. Desde a divulgação da carta, a gestão Trump e o próprio presidente repetiram diversas vezes o argumento de que Bolsonaro é um perseguido político.

As declarações ecoam o teor da campanha feita há meses em Washington pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e pelo comentarista político Paulo Figueiredo por punições ao Brasil que possam forçar as autoridades do país a aprovar uma anistia a Bolsonaro, a seus aliados e a seus apoiadores.

Além das tarifas, os EUA iniciaram uma investigação por supostas práticas desleais de comércio do Brasil, e o Departamento de Estado anunciou restrição de acesso ao território americano ao ministro do STF Alexandre de Moraes, relator do processo contra Bolsonaro, e ao que chamou de “seus aliados da corte”, em referência a outros sete ministros e a Paulo Gonet, procurador-geral da República. Mas novas ações de Washington são esperadas, tanto por bolsonaristas como pelo Itamaraty. Uma fonte do governo americano afirmou à coluna já ter visto o formulário escrito para impor sanções financeiras da Lei Global Magnitsky contra Moraes.

“O presidente Trump foi claro e o governo americano dispõe de uma ampla gama de ferramentas que pode — e irá — usar para promover suas prioridades. Moraes e sua turma apenas testemunharam o início disso. Isso está longe de acabar”, disse esta fonte do governo Trump.

Até o momento, Trump escolheu não abrir conversas entre a Casa Branca e o Planalto para tentar diminuir a crise bilateral. O governo brasileiro segue fazendo esforços para sensibilizar a gestão do republicano e aposta especialmente em pesos pesados do PIB dos EUA, que terão seus negócios afetados pelo tarifaço, para desbloquear o canal.

Trump já mobilizou tarifas como instrumento de pressão diplomática e comercial contra quase duas centenas de países, entre aliados e adversários. Mas em nenhum desses casos, o republicano exigiu interferência no Judiciário do país para abrir negociação. Até o momento, o governo brasileiro não fez e afirma que não fará concessões políticas ou judiciais aos Estados Unidos. Em Brasília, tal condição para a negociação é vista como extorsão.

“O Brasil não vai negociar sua soberania ou a independência de Poderes com quem quer que seja. Com nenhum outro país do mundo com o qual estão negociando tarifas, os EUA fizeram exigências como esta, de interferência aberta e indevida em assuntos de ordem doméstica. O Brasil segue disposto a negociar nos temas em que uma negociação é possível, mas não aceitará ingerência estrangeira em questões internas. A independência do Poder Judiciário vale tanto nos EUA quanto no Brasil”, afirmou um embaixador brasileiro com conhecimento direto das negociações.

O embaixador Tom Shannon, que liderou a embaixada americana em Washington durante a gestão de Barack Obama, afirma à coluna que a resposta do Itamaraty até o momento foi “óbvia”, já que o Brasil não poderia ceder ao que considerou “um movimento sem precedentes de um presidente americano de usar tarifas para abertamente interferir em assuntos políticos”.

Segundo Shannon, que também é ex-subsecretário de Estado para o Hemisfério Ocidental, a situação agora “é muito ruim” e o interesse de Trump é “100% em Bolsonaro”. “Brasil está pronto para negociar, mas não existe nenhum interlocutor com quem o país possa ter conversas significativas agora. Trump crê que conseguirá forçar o Brasil a recuar no caso Bolsonaro. Não irá conseguir atingir seu objetivo mas até se convencer disso, a grande perdedora será a relação bilateral”, diz Shannon.

Em um artigo de opinião publicado há dois dias, a revista britânica The Economist afirmou que, “desde o fim da Guerra Fria”, os EUA “raramente” interferiram “tão profundamente” em um país latino-americano como Trump tem tentado fazer com a taxa de 50% direcionada ao Brasil por motivos políticos. A publicação porém destaca que, em vez de fortalecer a direita para a disputa eleitoral de 2026, a medida da Casa Branca até agora fortaleceu a posição de Lula, que deve disputar a reeleição.

UOL, coluna da Mariana Sanches

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Celebridades

Carlinhos Maia e Lucas Guimarães anunciam fim do casamento

Foto: Instagram/Carlinhos Maia/Lucas Guimarães

Os influenciadores Carlinhos Maia, 34, e Lucas Guimarães, 31, anunciaram na noite deste sábado (26) o fim de seu relacionamento, que completou 15 anos em 2025.

Em uma publicação conjunta no Instagram, o ex-casal afirmou que o casamento chegou ao fim sem brigas, mas optaram por seguir caminhos diferentes. “Em gratidão a esse sentimento, que sempre nos protegeu do mundo — e, às vezes, até de nós mesmos —, estamos aqui para comunicar a todos que sempre se importaram conosco que seguiremos caminhos diferentes daqui para frente, como casal.”

De acordo com a dupla, a decisão de encerrar o relacionamento não surgiu agora e partiu de ambos, após reavaliarem a sua relação como casal. “Não foi uma decisão tomada agora. Desde a última (e única) separação que tivemos, sentimos que nos precipitamos por não termos vivido o tempo necessário para reavaliar tudo o que ainda estava fora do lugar”.

“Amamos vocês e esperamos que respeitem nosso espaço — sem maldades, sem picuinhas e sem notícias falsas. Vamos ficar bem”, pediram os influenciadores.

O casal oficializou sua união em 2019, com uma festa para mais de 500 convidados. Na época, Carlinhos aproveitou para ter seus seguidores como parte da celebração, e abriu uma live nas redes sociais para que o público pudesse interagir com o momento.

Em 2022, o casal passou por uma crise e chegou a terminar a relação, mas pouco tempo depois, os dois reataram. Recentemente, Carlinhos confessou, sem citar nomes, que já foi infiel durante um de seus relacionamentos.

CNN

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Economia

Produtos embarcados agora só chegarão aos EUA depois da data prevista do tarifaço

Foto: Fábio Vieira/Estadão

A menos de uma semana do dia anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a entrada em vigor da tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros, os exportadores já não têm mais tempo de fazer seus embarques antes da data, 1º de agosto. Especialistas em comércio exterior e empresários do setor de trading ouvidos pelo Estadão afirmam que as exportações brasileiras levam em média pouco mais de 20 dias para chegar aos EUA.

Os produtos são taxados quando apresentados nas alfândegas com um formulário de importação com detalhes sobre sua origem, similar à declaração alfandegária para a entrada de pessoas físicas nos EUA. A única forma de itens que ainda não deixaram o Brasil escaparem da cobrança nessa semana seria por meio de transporte aéreo, utilizado apenas para exportações de alto valor agregado — de tecnologia, artigos de luxo ou metais preciosos —, de menor volume ou nos casos de vendas de aeronaves, em que o próprio meio de transporte é vendido.

No entanto, no primeiro semestre deste ano, foram por via aérea para os Estados Unidos apenas 12,2% das exportações brasileiras, o equivalente a US$ 2,4 bilhões do total de US$ 20 bilhões vendidos. A grande maioria das vendas trafegou por transporte marítimo, contabilizando US$ 17,3 bilhões, ou 86,6% do total, segundo a Câmara Americana de Comércio (Amcham Brasil).

Os pontos de saída principais do Brasil são os portos de:

  • Santos/SP (33,6% das exportações para os EUA no primeiro semestre)
  • Itaguaí/RJ (9%)
  • Rio de Janeiro/RJ (7,8%)
  • Vitória/ES (7,6%)
  • São Francisco do Sul/SC (4,4%)

Deles saem produtos como minérios, aço, petróleo, calçados e sucos. Apenas na sexta posição aparece o Aeroporto de Guarulhos.

O tempo de transporte das exportações brasileiras por via naval varia bastante, entre 15 e 35 dias, dependendo dos portos de origem e de chegada. Mas, como atualmente a maior parte das mercadorias para os EUA vai para a Costa Leste, eles levam, em média, de 20 a 25 dias de viagem, segundo o professor de relações internacionais da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) José Luiz Pimenta.

“Com o anúncio do tarifaço, várias empresas com mercadorias a serem vendidas estão segurando as exportações, por que, uma vez entrada em vigor a tarifa, imediatamente, se passa a pagar a taxa no momento de internalização do produto”, diz. “Aquilo que já está em águas e vai chegar antes do dia 1º segue, mas o que seria embarcado esses dias não deve chegar a tempo, por conta do prazo logístico e a rota. Já estamos no período de risco para esses embarques.”

Não há certeza se os produtos brasileiros começarão a serem taxados no início de agosto ou se as negociações do governo brasileiro podem fazer as tarifas baixarem, serem adiadas ou eliminadas. Mas as empresas, tanto do lado dos exportadores brasileiros quanto dos importadores americanos, não querem correr o risco de que as mercadorias entrem nos EUA com a taxa de 50% em vigor.

Produtos como o aço, que com ferro é o segundo item mais vendido na pauta exportadora para os EUA, costumam ser levados para o centro-norte do país, como a cidade de Detroit, polo automotivo americano. Dessa forma, entram no território americano, principalmente pelo porto de Nova York. Já produtos agrícolas, como o suco de laranja, vão principalmente para a Flórida, no porto de Miami.

O empresário Carlos Campos Jr, CEO e cofundador da empresas de importações e exportações Target Trading, em atividade há 28 anos, estima em um período médio de trânsito de 18 a 25 dias dos produtos brasileiros para os principais portos de destino americano na Costa Leste, que são Nova York, Miami, Savannah, na Georgia, e Houston, no Texas, que recebe os navios por meio de um canal vindo do Golfo do México.

Já produtos voltados para o mercado consumidor próximo da Costa Oeste americana chegam principalmente em Los Angeles, e o período de trânsito costuma ficar entre 25 e 30 dias, eventualmente levando até 35 dias.

“Temos cargas já embarcadas em trânsito. Dependendo de quando foi o embarque, elas podem chegar antes de as tarifas entrarem em vigor”, afirma Campos. Para as que chegarem depois, a solução deve ser torcer para um adiamento das tarifas ou recorrer a armazéns alfandegados.

Estadão

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Brasil

De olho em 2026, Lula planeja ao menos 6 novos programas sociais

Foto: Reprodução/YouTube

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem ao menos 6 projetos para lançar antes das eleições de 2026. Os novos programas sociais são citados publicamente pelo petista como benefícios que seu governo pretende dar a setores da população. A Justiça Eleitoral determina que os candidatos à reeleição têm até 4 de julho (3 meses antes do pleito) para anunciar e fazer propaganda de novas medidas.

A prioridade do petista é a aprovação da isenção do IR (Imposto de Renda) para quem ganha até R$ 5.000 e o desconto na alíquota para quem recebe de R$ 5.001 a R$ 7.350. O texto, promessa da campanha de 2022, deve ser votado no Congresso até o fim de setembro para que entre em vigor em 2026.

A estimativa para as perdas de arrecadação com a isenção do Imposto de Renda até R$ 5.000 por mês subiu para R$ 31,3 bilhões em 2026 com o parecer apresentado por Arthur Lira (PP-AL), relator do projeto na Câmara. Antes, a Receita Federal calculava uma renúncia de R$ 25,8 bilhões.

Foto: Poder 360

Em outra frente, Lula segue com a ideia de injetar dinheiro em camadas da população que irão aplicar os recursos diretamente em produtos ou serviços, alavancando o PIB (Produto Interno Bruto).

O presidente já disse que prepara linhas de crédito subsidiadas para diversas áreas. Quer emprestar dinheiro para reformas residenciais e para entregadores comprarem motos elétricas. Já até citou aumentar o teto do Minha Casa, Minha Vida para além dos R$ 12.000 atuais, visando a classe média.

A estratégia segue um mantra repetido pelo petista a exaustão em seu 3º mandato: muito dinheiro na mão de poucos cria desigualdade, enquanto pouco dinheiro na mão de muitos traz prosperidade.

Em ano eleitoral, a percepção da economia do país deve ter um peso relevante na aprovação do governo e, consequentemente, do desempenho nas urnas.

O modus operandi de despejar recursos em benefícios para setores específicos antes das eleições foi criticado por Lula e seu ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), ao longo deste mandato.

O chefe do time econômico já afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) fez uma “bagunça” no orçamento federal de 2022 e gastou US$ 60 bilhões para tentar ganhar as eleições.

Nas contas da época, o Poder360 calculou uma despesa de R$ 27 bilhões antes do pleito. Havia benefícios para caminhoneiros, taxistas, um Auxílio Brasil turbinado e até vale-gas.

Este último programa deve ser ampliado por Lula. O MME (Ministério de Minas e Energia) deve lançar em 5 de agosto o Gás para Todos, novo programa social voltado à ampliação do acesso ao gás de cozinha.

A proposta, que deve ser apresentada por meio de uma MP (Medida Provisória), tem expectativa de alcançar 16,6 milhões de famílias –número 3 vezes maior que o público do Auxílio Gás atual, hoje limitado a 5,4 milhões de famílias.

Cortes no Bolsa Família

O maior programa social do governo deve ser assunto no próximo ano. O Executivo intensificou nesta 2ª metade de 2025 o pente-fino que vem fazendo no benefício. De junho para julho, 855 mil famílias deixaram de receber o auxílio. Essa baixa foi a maior em 1 só mês da história do programa social.

O discurso oficial do Ministério do Desenvolvimento Social é que a maior parte dessas pessoas saiu do Bolsa Família porque aumentou de renda. Só que é muito incomum que um corte dessa magnitude ocorra de forma orgânica.

O ministro Wellington Dias (Desenvolvimento Social) disse ao Poder360 que a estimativa do governo é de que cerca de 2 milhões de pessoas entrem no Bolsa Família. Mas o Executivo cortou o benefício ao menor número em 3 anos. Dias afirma que os cortes, no futuro, serão menores.

Popularidade e Trump

Lula obteve uma melhora na avaliação do governo enquanto capitalizou politicamente nas redes sociais o tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), de 50% sobre os produtos brasileiros a partir de 1º de agosto.

Os novos programas devem alavancar mais positivamente essa avaliação quando esse efeito cessar na população. A avaliação no Executivo é que o petista precisa chegar com uma avaliação positiva em 2026 para conseguir angariar apoios de partidos mais ao centro, que atualmente estão mais próximos do grupo dos Bolsonaros.

Pesquisa da Quaest divulgada em 16 de julho mostrou uma recuperação da popularidade do governo. De maio para julho, caiu de 17 para 10 p.p. (pontos percentuais) a distância entre os eleitores que desaprovam (ainda maioria) para os que aprovam.

Segundo a Quaest, hoje 53% desaprovam a gestão federal petista, contra 57% em maio. No caso dos que aprovam, a taxa oscilou positivamente de 40% para 43% nesses 2 meses.

Essa melhora coincide com a campanha que o governo e o PT, partido de Lula, fizeram nas últimas semanas dizendo que é necessário taxar mais os ricos. Também houve outra iniciativa de marketing relevante do Palácio do Planalto, em defesa do que diz ser a soberania nacional contra a ameaça dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros.

O levantamento da Quaest foi encomendado pela Genial Investimentos. Foram entrevistadas 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em todo o Brasil, de 10 a 14 de julho. A margem de erro é de 2 p.p., para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%.

“O que chama atenção é que a melhora na popularidade se deu principalmente fora das bases de apoio tradicionais do governo”, disse Felipe Nunes, diretor da Quaest.

Segundo Nunes, 3 fatores explicam a melhora na percepção da população com relação ao governo. São eles:

  • confronto entre Lula e o presidente dos EUA, Donald Trump;
  • melhora na percepção econômica;
  • campanha “nós contra eles” promovida pelo governo.

A maioria (79%) diz acreditar que a tarifa de 50% imposta pelos EUA sobre produtos brasileiros vai prejudicar suas vidas. Já 72% consideram que Trump errou ao impor a taxa ao Brasil sob a justificativa de que haveria perseguição ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Poder 360

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Brasil

INSS silencia sobre poupar sindicato de irmão de Lula de ação judicial

Foto: Ricardo Stuckert

O governo Lula deixou de fora das ações judiciais contra sindicatos envolvidos na Farra do INSS duas entidades ligadas à esquerda: a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi).

Respondendo a um pedido de Lei de Acesso à Informação (LAI) formulado pela Liderança da Minoria na Câmara, o INSS se recusou a informar por que não incluiu as duas nas ações movidas. Atualmente, a liderança da minoria é exercida pela deputada Caroline de Toni (PL-SC).

Além da Contag e do Sindnapi, o instituto também optou por não acionar outras duas organizações: a Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais) e a ABCB (Associação Brasileira de Consumidores e Beneficiários).

O Sindnapi tem como vice-presidente o sindicalista José Ferreira da Silva, o Frei Chico. Ele é irmão mais velho do presidente Lula (PT).

As quatro entidades poupadas das ações estão citadas diversas vezes no relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) sobre o tema. Aparecem também nas investigações da Polícia Federal (PF), que resultaram na operação Sem Desconto, deflagrada em abril deste ano.

Na resposta ao pedido da oposição via LAI, o INSS também negou acesso ao processo administrativo que embasou a decisão de excluí-las das medidas judiciais.

As ações foram apresentadas pela Advocacia-Geral da União (AGU), mas a escolha de quem seria processado coube ao INSS. No mês passado, a Justiça determinou o bloqueio de bens de alguns dos investigados, totalizando R$ 2,8 bilhões.

Procurado, o INSS afirmou, em nota, que “as investigações (contra entidades e pessoas envolvidas) continuam” e que “não há impedimento para que novos processos de responsabilização sejam instaurados para outras entidades”, desde que “surjam elementos que justifiquem tal apuração”.

Andreza Matais – Metrópoles

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Economia

Empresas recorrem a férias coletivas e paralisações temporárias para minimizar impactos de tarifaço de Trump

Foto: Reprodução/TV Globo

Empresas brasileiras de diferentes setores que exportam para os Estados Unidos tiveram impactos nas atividades. Férias coletivas e paralisações temporárias têm sido as soluções encontradas pelos empresários brasileiros para enfrentar o “tarifaço de Trump”. Uma maneira de se organizar para tentar evitar mais prejuízos.

O ferro gusa está entre os produtos mais exportados pelo Brasil para os Estados Unidos. Em 2025, até junho, foram mais de US$ 600 milhões. O serviço de manutenção da fundição vai até domingo (27), quando o forno será paralisado.

O operador de sistemas de abastecimento, Carlos Alberto Souza também vai sair de férias, mas não acha que vai conseguir relaxar. “Quando é uma férias programadas você administra as coisas: posso viajar, posso pescar, posso passear com esposa, com filhos, mas uma férias assim, a gente tem que ficar em casa mesmo aguardando”.

Essa é só uma das siderúrgicas de Minas Gerais que estão paralisando a produção de ferro gusa – usado como matéria prima na produção de aço e ferro fundido para a indústria e a construção civil. O motivo é a mudança tarifária anunciada por Donald Trump, que entra em vigor em 1° agosto.

Em Mato Grosso do Sul, a carne que iria para os Estados Unidos, está sendo direcionada pra outros mercados. Como: China, Sudeste Asiático e Oriente Médio O sindicato que representa os produtores de carne, no estado, informou que a tarifa de 50% do governo americano torna inviável a continuidade das exportações.

Uma empresa, em Santa Catarina, exporta produtos feitos de madeira. São 65 contêineres sendo enviados todos os meses para os Estados Unidos. E pela primeira vez, em 60 anos, decidiu conceder férias coletivas para os colaboradores por tempo indeterminado por falta de comprador.

g1

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Política

Moraes ameaça prender Cabo Gilberto ao determinar fim de acampamentos na Praça dos Três Poderes

Deputado bolsonarista protesta em frente ao STF com jejum e fita na boca

Após ordem do ministro Alexandre de Moraes, o deputado federal Helio Lopes (PL-RJ) e outros parlamentares deixaram na madrugada deste sábado (26) o acampamento que haviam iniciado em frente ao STF (Supremo Tribunal Federal) em protesto a decisões contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Na noite de sexta (25), Moraes determinou, a pedido da Procuradoria-Geral da República, que a Polícia Federal intimasse o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), para remoção imediata dos deputados da praça dos Três Poderes. O próprio governador foi ao local para que a determinação fosse cumprida.

Além de Lopes, a decisão cita Sóstenes Cavalcante (PL-AL), Cabo Gilberto Silva (PL-PB), Coronel Chrisóstomo (PL-RO) e Rodrigo da Zaeli (PL-MT), “assim como quaisquer outros indivíduos que se encontrem em frente ao Supremo Tribunal Federal participando de possível prática criminosa”.

Moraes determinou a prisão em flagrante caso os parlamentares insistissem em continuar no local, com base na prática de resistência ou desobediência “ao ato de autoridade pública, a fim de garantir a efetividade das probabilidades e a preservação da ordem pública”.

Em sua conta de Instagram, Helio havia anunciado que faria a manifestação, alegando que as decisões do parlamento são “rasgadas por ministros do Supremo”.

“Ajoelhei diante do STF com um esparadrapo na boca, a Bíblia na mão e a Constituição no peito. Não vim buscar palco. Vim deixar um recado. Enquanto calarem Bolsonaro, censurarem o povo e zombarem da nossa fé, eu vou resistir — nem que seja com silêncio”, escreveu em uma carta aberta publicada nas redes sociais.

“Ameaçaram nos prender. Ditadura, vivemos em uma ditadura no Brasil”, escreveu Chrisóstomo, no X, após a determinação judicial que desmobilizou o acampamento. “Ditadura. Mil vezes ditadura”, disse Lopes, também na rede social.

Em um complemento à primeira decisão, outra ordem de Moraes, na madrugada deste sábado, proíbe acampamentos em um raio de um quilômetro da praça dos Três Poderes, Esplanada dos Ministérios e em frente a quartéis das Forças Armadas.

A decisão, segundo o despacho, foi tomada para garantir a segurança pública e evitar “novos eventos criminosos semelhantes aos atos golpista ocorridos em 8/1/2023”.

As decisões foram tomadas no âmbito do inquérito das fake news.

“Avisem o ministro Alexandre de Moraes que ele deve estar confundindo os fatos ou surtando. Estou no Rio de Janeiro, trabalhando na minha base eleitoral. Não estou em frente ao STF, como ele decidiu afirmar em sua decisão de me retirar”, disse Sóstenes, líder do PL na Câmara dos Deputados. “O STF agora expulsa deputados eleitos por ‘possível crime’: Sem flagrante. Sem crime. Sem nem estarmos presentes”.

Folha de S. Paulo

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