
Disputada para o 7 de Setembro, a Avenida Paulista tem sido o local de escolha para atos tanto de manifestantes pró-governo como os contrários ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido).
Segundo levantamento do Poder360, desde 2019, a principal via de São Paulo foi ocupada por esses grupos em ao menos 67 dias – sendo que em 3 deles os grupos tentaram ocupar ao mesmo tempo o local.
Nos 70 atos organizados nestes dias, a oposição a Bolsonaro foi quem mais utilizam a Avenida Paulista: 38 vezes. Já os grupos pró-governo se manifestaram nas imediações do Masp (Museu de Arte de São Paulo) 32 vezes.

Nas 3 vezes em que ocuparam a via simultaneamente, houve confusão. A 1ª ocasião em que isso aconteceu foi em 31 de março de 2019. Defensores da ditadura militar e manifestantes contrários ao golpe de 1964 escalaram da troca de insultos para agressões.
Apesar disso, foi apenas em 31 de maio de 2020 que a situação chegou no que as autoridades consideraram o limite. Grupos que faziam uma manifestação de torcidas pró-democracia e apoiadores de Bolsonaro entraram em confronto na via. A PM (Polícia Militar) interviu e disparou balas de borracha e bombas de gás na ocasião.
Depois disso, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), proibiu que manifestações com pautas em defesa ou contrárias ao governo Bolsonaro sejam realizadas no mesmo local e dia. A decisão foi reforçada depois pelo TJ-SP (Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo).
A decisão judicial motivou a disputa pela principal via de São Paulo para o 7 de Setembro. Bolsonaristas estão se organizando para um “último grito” desde agosto. Os atos ganharam força e importância para o grupo com a escalada de tensão entre Bolsonaro e o STF (Supremo Tribunal Federal).
Em 13 de agosto, o aliado do presidente, o ex-deputado federal e presidente do PTB Roberto Jefferson foi preso. Em 21 de agosto, foi a vez de Sérgio Reis e outros bolsonaristas serem alvo de uma operação da Polícia Federal. As duas decisões foram do ministro Alexandre de Moraes.
Com a manifestação dos movimentos Campanha Fora Bolsonaro e Grito dos Excluídos marcada para o mesmo dia, a Paulista virou uma das protagonistas do próximo 7 de setembro.
Em 23 de agosto, o governo definiu que só os bolsonaristas podem se manifestar na avenida na data. O Estado justificou a decisão afirmando que os apoiadores do presidente solicitaram a utilização da Paulista antes e que não seria seguro permitir que todos se manifestassem no mesmo dia e local.
A oposição ainda insistiu um pouco, mas em 26 de agosto mudou o ato para o Vale do Anhangabaú. O local também tem histórico de grandes protestos. O mais emblemático é o da década de 1980, quando o Anhangabaú foi palco do Diretas Já. Mas a Paulista é mais requisitada pela imagem: mais estreita, a avenida é mais fácil de ser ocupada e garantir imagens impressionantes dos atos.
OS ATOS DO 7 DE SETEMBRO
Com os bolsonaristas na Avenida Paulista e a oposição no Vale do Anhangabaú, os atos estão a uma distância de 2,9 km. A tensão na cidade é grande, com uma caminhada de apenas 40 minutos separando os grupos.
A PM de SP combinou os limites das manifestações com os organizadores e não deve haver encontro entre os atos. Ao Poder360, João Paulo Rodrigues, da coordenação do MST e da Campanha Fora Bolsonaro, afirmou que “a orientação politica é de não cair em provocação e nem de provocar o outro lado”. Segundo ele, o grupo está confiante de que a PM vai saber manter a ordem.
Mas uma das preocupações com o 7 de Setembro é a possível participação de PMs nos atos bolsonaristas.
Como mostrou o Poder360, os policiais se organizam para participar. Praças e oficiais das ativa e da reserva falam em “exigir” o poder, luta contra o comunismo e retirada dos ministros do STF. A ideia do Nas Ruas, que está organizando a manifestação pró-Bolsonaro em São Paulo, é que pessoas de outras cidades se dirijam até a Paulista no 7 de Setembro.
São esperados ônibus de 57 cidades de 8 Estados diferentes, segundo a última divulgação do grupo, na 2ª feira (30.ago.2021). Além disso, há a previsão de caravanas de 115 cidades paulistas.
Poder 360
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