Saúde

Defeito do sistema imunológico é responsável por 20% das mortes por Covid-19, mostram estudos

Dois estudos esclareceram esta semana por que algumas pessoas se infectaram com o coronavírus e superaram a doença sem problemas, enquanto outras adoeceram até a morte. Um dos estudos aponta que quase 20% das mortes por Covid-19 se devem ao fato de os pacientes gerarem um tipo de proteína do sistema imunológico que, longe de protegê-los contra o vírus, exacerbou seus efeitos.

Há quase um ano um consórcio internacional de cientistas e médicos já alertava que 10% dos pacientes geravam autoanticorpos, proteínas do sistema imunológico que inexplicavelmente se voltam contra o corpo do paciente. Esses anticorpos defeituosos atacam os interferons tipo 1, um conjunto de moléculas fundamentais que, logo após a entrada do vírus no corpo, são responsáveis por interceptá-lo, disparando um alarme generalizado em todos os tecidos para que as células ativem seu mecanismo de proteção. O bloqueio dessa molécula foi suficiente para que a infecção se agravasse e colocasse em risco a vida do paciente.

Esses novos estudos realizados pelo mesmo consórcio são muito mais completos, pois analisaram mais de 3.500 pacientes em estado crítico devido à Covid-19. Os resultados foram publicados esta semana na Science Immunology e mostram que quase 14% dos pacientes gravemente enfermos tinham esses anticorpos defeituosos.

O estudo também mostra que esses autoanticorpos são muito mais comuns em pessoas mais velhas. Até 6% dos maiores de 80 anos têm esses autoanticorpos presentes no corpo antes da entrada do vírus, enquanto nos maiores de 70 é de 1% e entre os de 18 a 60 anos apenas 0,18%, conforme mostra o estudo, que para esta análise estudou amostras de quase 35 mil pessoas.

A presença desses autoanticorpos também é maior em pacientes com algumas doenças imunológicas prévias, como o timoma, que atinge o timo, espécie de quartel onde os membros do sistema imunológico são treinados para diferenciar quais moléculas são suas e não devem ser atacadas e quais pertencem a agentes patogênicos e devem ser mortos.

— É possível que parte das reinfecções que vemos nas pessoas vacinadas se devam a esses autoanticorpos — explica Carlos Rodríguez-Gallego, imunologista do Hospital Universitário de Gran Canaria Doutor Negrín e coautor do estudo. — É lógico pensar que a vacina também protege as pessoas que possuem esses autoanticorpos. Esses novos dados devem ser usados para selecionar bem os grupos de risco que poderiam se beneficiar de uma terceira dose da vacina — acrescenta Rodríguez-Gallego.

O médico lembra que agora é possível fazer um teste especial para detectar essas moléculas e, portanto, saber se uma pessoa infectada tem maior risco de evoluir para casos graves da doença. Também aponta para duas possibilidades de tratamento: nos primeiros dias da infecção, quando ainda quase não há sintomas, pode-se usar o interferon. Se a doença já estiver avançada, seria necessário recorrer à plasmaférese, filtragem do sangue para eliminação de anticorpos malignos e outras moléculas inflamatórias.

O mesmo consórcio esclarece em um segundo estudo um dos segredos de por que a Covid-19 tem sido mais letal para os homens. É uma mutação no gene TLR7 que predispõe à doença mais severa. Esse gene está no cromossomo X, o que torna os homens muito mais vulneráveis. O trabalho aponta que esse defeito hereditário pode explicar quase 2% dos casos de pneumonia grave por Covid-19 em pessoas com menos de 60 anos.

No nível genético, um homem difere de uma mulher por ela ter duas cópias do cromossomo X e ele apenas uma. Este é um seguro de vida para mulheres, pois nesse cromossomo existem vários genes-chave para o bom funcionamento do sistema imunológico. Ter duas versões desse cromossomo torna a cópia saudável capaz de neutralizar os efeitos da cópia defeituosa, se ela existir, algo simplesmente impossível quando há apenas uma versão disponível.

— Esta é uma das poucas evidências que realmente explica por que um subgrupo de pacientes piora e representa pouca esperança para eles — reconhece Manel Juan, imunologista do Hospital Clínic de Barcelona.

O médico ressalta que uma das coisas que devemos saber agora é se esses dois fatores de risco também estão por trás de parte das reinfecções em pessoas totalmente vacinadas.

No início da pandemia, ninguém sabia quais eram os fatores de risco para Covid-19. Naquela época, o Human Genetics Consortium (HGE) foi criado para detectar variantes genéticas que pudessem influenciar o prognóstico dos infectados. Em setembro do ano passado, o projeto liderado por Jean Laurent Casanova, pesquisador do Instituto Nacional Francês de Pesquisa em Saúde e Medicina e da Universidade Rockefeller, nos Estados Unidos, e Helen Su, do Instituto de Alergia e Doenças Infecciosas do mesmo país, identificou o problema de autoanticorpos e oito outras variantes genéticas que afetam os interferons tipo 1 e que respondem por 3,5% dos casos de Covid-19 graves. Essas variantes são muito mais comuns em homens do que em mulheres.

Existe uma ligação direta entre o sexo biológico e o funcionamento do sistema imunológico, ponto fundamental, pois na maioria das vezes não é o vírus que mata o paciente, mas a reação defeituosa do seu sistema imunológico. Depois que o vírus entra no corpo, alguns pacientes produzem um grande número de moléculas inflamatórias que agravam a pneumonia. É a temida tempestade de citocinas. A produção desenfreada dessas moléculas é muito mais comum em homens do que em mulheres, principalmente em idades avançadas.

Além disso, os homens mais velhos geram menos linfócitos T capazes de identificar e destruir células infectadas. Um dos principais fatores de risco para Covid-19 é a idade, em parte porque o sistema imunológico envelhece e funciona cada vez pior. Mas esse envelhecimento imunológico geralmente ocorre mais cedo nos homens do que nas mulheres, outro fator que explica parte da diferença entre os sexos observada durante a pandemia.

O Globo

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Paraíba

Davi, Pai que matou filho autista para não pagar pensão pede avaliação de insanidade mental na Justiça da PB


					Pai que matou filho autista para não pagar pensão pede avaliação de insanidade mental na Justiça
Pai que matou filho autista para não pagar pensão pede avaliação de insanidade mental na Justiça – Foto: TV Cabo Branco.

Davi Piazza Pinto, réu por ter matado o próprio filho autista, de 11 anos, dentro de um apartamento no ano passado, em João Pessoa, pediu uma avaliação de insanidade mental a 2ª Vara Metropolitana de Tribunal do Júri da Paraíba. Em depoimento para a Polícia Civil, à época do crime, ele disse que matou a criança por estar endividado e não querer pagar pensão alimentícia.

O Jornal da Paraíba teve acesso a um documento assinado pela juíza Francilucy Rejane de Sousa Mota Brandão que pede ao Ministério Público da Paraíba (MPPB) para se manifestar, no prazo de 10 dias, sobre o pedido da defesa para instaurar o procedimento. O órgão ainda não se manifestou.

Na Justiça, esse procedimento tem como finalidadese avaliar se o réu tinha capacidade de entender o que é certo ou errado no momento do crime e é realizado por uma junta médica, caso seja autorizado.

A juíza também estabeleceu que após a manifestação do MPPB o parecer do órgão volte para ela e, a partir disso, uma conclusão será tomada. O réu está preso em caráter preventivo. Na épóca do crime, ele se entregou para a Polícia Civil, na cidade de Florianópolis, em Santa Catarina.

Em novembro do ano passado, Davi Piazza Pinto foi indiciado pela Polícia Civil pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver. O crime de homicídio foi qualificado por motivo torpe, emprego de asfixia, e pelo fato da vítima ser menor de 14 anos.

Relembre o caso

No ano passado, segundo a Polícia Militar, depois de matar o filho, Davi levou o corpo até o bairro Colinas do Sul, onde o enterrou em uma área de mata, nas imediações de uma antiga fábrica abandonada. O corpo foi encontrado dentro de um saco plástico preto, parcialmente coberto por terra, em uma cova rasa.

Desde o desaparecimento da criança, equipes da Polícia Militar realizaram buscas na região. A perícia ainda informou à TV Cabo Brancoque a criança apresentava uma queimadura no ombro, mas que, segundo os peritos, a marca teria sido causada pela exposição ao sol.

Enquanto isso, em Florianópolis, o suspeito se apresentou espontaneamente em uma delegacia e foi preso.

A Polícia Civil divulgou imagens registradas por câmeras de segurança que mostram o momento em que Davi Piazza sai do local onde o crime foi praticado em um carro de aplicativo, no Jardim Oceania. As imagens apontam o homem segurando uma trouxa de lençol. Segundo a Polícia Civil, o corpo da criança estava enrolado nesses lençóis.

Os motoristas por aplicativo, tanto o que levou o suspeito até o local onde o corpo foi enterrado, no Colinas do Sul, como o que transportou ele de volta, foram ouvidos durante o inquérito. Ainda segundo a Polícia Civil, ficou comprovado que o pai agiu sozinho e que o crime foi premeditado.

A causa da morte do menino foi asfixia. A informação foi divulgada pelo Instituto Médico Legal (IML) à época do crime.

Segundo o IML, a necropsia apontou que a criança foi morta por asfixia por sufocação. Outros exames, como o toxicológico, também foram feitos.

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Paraíba

Deputados eleitos em 2026 mudam perfil da ALPB, com mais mulheres e parlamentares de 45 a 49 anos

0

SHARES

A composição da Assembleia Legislativa da Paraíba muda de perfil entre 2022 e 2026. Dos 36 deputados eleitos neste ano, 8 são mulheres e 28 são homens. Em 2022, eram 6 mulheres e 30 homens.

A faixa etária que mais cresceu foi a de 45 a 49 anos: passou de 4 eleitos em 2022 para 10 em 2026. Também aumentou o número de deputados entre 35 e 39 anos, de 5 para 7. Já entre os eleitos de 40 a 44 anos, houve redução de 10 para 7.

A mudança também aparece entre os parlamentares mais velhos. A faixa de 55 a 59 anos caiu de 4 para 1 eleito, enquanto a de 60 a 64 anos passou de 4 para 1. Entre 65 e 69 anos, foram 3 eleitos em 2022 e 2 em 2026. Já a faixa de 70 a 74 anos passou de 1 para 2 deputados.

Outro dado é a redução dos extremos de idade. Em 2022, havia 2 eleitos entre 30 e 34 anos e um parlamentar entre 80 e 84 anos. Em 2026, há 1 deputado de 30 a 34 anos e nenhum eleito na faixa de 80 a 84 anos. Os dados são do DivulgaCandContas, do TSE.

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Brasil

Após indicar 11 nomes para o STF ao longo de três mandatos, Lula cogita tirar do presidente poder de indicação de ministros para a Suprema Corte

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Após indicar 11 ministros para o Supremo Tribunal Federal (STF) ao longo de três mandatos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a discutir uma mudança no modelo de escolha dos integrantes da Corte.

Segundo o presidente nacional do PT, Edinho Silva, Lula questionou por que a indicação precisa ser uma atribuição exclusiva do presidente da República e levantou a possibilidade de ampliar a participação da sociedade no processo.

“Por que é o presidente da República que tem que indicar ministro do Supremo? Por que a sociedade civil não pode ser chamada para opinar?”, teria questionado Lula, segundo Edinho, em entrevista à CNN.

A ideia ainda está em discussão. De acordo com o dirigente petista, Lula pretende ouvir juristas antes de definir uma posição sobre uma eventual mudança. Atualmente, cabe ao presidente indicar os ministros, com aprovação do Senado.

Edinho também relacionou a crise envolvendo o Judiciário ao desempenho de Lula no primeiro turno das eleições. Segundo ele, parte da sociedade associou os problemas do STF ao governo federal, criando uma percepção de responsabilidade sobre o presidente.

Dos 11 ministros para o STF, quatro fazem parte da composição atual da Corte. São Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Cristiano Zanin  e Flávio Dino. O Supremo funciona atualmente com um magistrado a menos que o habitual devido à rejeição, pelo Senado, da indicação de Jorge Messias ao cargo, em maio deste ano.

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

CMJP

Dinho cobra “reciprocidade” de Leo após derrota e quer espaço na Prefeitura de João Pessoa


					Dinho cobra “reciprocidade” de Leo após derrota e quer espaço na Prefeitura de João Pessoa
divulgação/cmjp

O presidente da Câmara Municipal de João Pessoa, Dinho Dowsley (MDB), decidiu cobrar a fatura política do prefeito Leo Bezerra (PSB) após a derrota nas urnas. Terceiro suplente do MDB na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), Dinho quer agora espaço na gestão municipal e cobra do prefeito “reciprocidade” pela parceria política.

“Em política, a gente tem que ter reciprocidade. Se a gente é fiel, se a gente é parceiro, a gente precisa dos nossos espaços, precisa também de espaços políticos. Eu preciso saber qual o tamanho de Dinho. Tem que me respeitar. Eu tive 12 mil votos em João Pessoa. Precisamos fazer esse alinhamento político”, afirmou Dinho.

O vereador antecipou nesta terça-feira (6) que não deve mais concorrer ao cargo de vereador nas próximas eleições por “outros compromissos já firmado”. A partir do próximo ano, ele também perde o status de presidente do Legislativo, já que não pode concorrer a mais um biênio.

Dinho recebeu 22.611 votos na eleição para deputado estadual, mas não conseguiu uma das quatro cadeiras conquistadas pelo MDB na ALPB. Ficou atrás de Larúcia e Tovar e terminou como terceiro suplente da legenda.

A campanha ainda foi marcada por uma disputa judicial. Dinho concorreu sub judice depois de ter o registro de candidatura indeferido pelo Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) com base em investigações de relações dele com facções criminosas.

Além da questão judicial, outro fator apontado nos bastidores para a derrota de Dinho foi a prioridade dada pela estrutura política ligada à Prefeitura de João Pessoa às campanhas de Hervázio Bezerra e Camila Toscano, respectivamente, pai e prima de Leo. Os dois foram eleitos para a ALPB juntamente como Felipe Leitão e Fábio Ramalho.

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Brasil

Futura foi o instituto que mais se aproximou do resultado das urnas no 1º turno da eleição presidencial

A pesquisa Futura foi a que mais se aproximou do resultado das urnas no primeiro turno da eleição presidencial de 2026, considerando a diferença entre os dois candidatos mais votados. Apenas Futura, Veritá e Palver acertaram qual candidato à Presidência que terminaria o 1º turno à frente.

O levantamento Futura ficou a apenas 0,33 ponto percentual da diferença registrada na votação oficial. Na sequência aparecem Veritá (1,38 p.p.), Paler (2,13 p.p.), Quaest (2,87 p.p.), Meio/Ideia (2,89 p.p.), AtlasIntel (4,77 p.p.), Datafolha (4,87 p.p.), Real Time Big (6,87 p.p.), Data BTG/Nexus (6,87 p.p.) e CNT/MDA (7,57 p.p.).

Na última pesquisa divulgada antes da eleição, a Futura apontava 44,8% para Flávio Bolsonaro e 42,6% para Lula, uma diferença de 2,20 pontos percentuais. Nas urnas, a vantagem foi de 1,87 ponto, com Flávio em 47,03% e Lula em 45,16%.

A pesquisa Futura ouviu 2 mil pessoas nos dias 2 e 3 de outubro, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Polêmica

De R$ 199 a R$ 15 mil: nova tabela de cartórios provoca reação e pressão sobre a Assembleia e TJPB

 

cartório
© ARQUIVO/FABIO RODRIGUES POZZEBOM/AGÊNCIA BRASIL

O que hoje custa R$ 199 poderá chegar a R$ 15.690. É essa conta que está provocando reação no mercado imobiliário da Paraíba diante da nova tabela de preços dos serviços notariais e de registro que tem previsão de entrar em vigor em janeiro de 2027.

A mudança está prevista na Lei Estadual nº 14.343/2026, de autoria do Tribunal de Justiça da Paraíba, e já mobiliza entidades ligadas ao mercado imobiliário e à construção civil.

O movimento ganhou força com um abaixo-assinado que pede à Assembleia Legislativa da Paraíba a revisão dos valores. O Creci-PB aderiu à mobilização e está convocando corretores de imóveis, familiares e parceiros para pressionar pela reavaliação da tabela.

A conta que assustou o mercado

Um dos exemplos apresentados em parecer técnico elaborado pelas entidades expõe o tamanho da preocupação: uma cobrança atualmente estimada em R$ 199 poderia alcançar R$ 15.690 com a nova sistemática.

A diferença representa mais de 78 vezes o valor atual.

Para o setor, a discussão vai muito além dos cartórios. O temor é que o aumento seja repassado para o consumidor e encareça operações como compra e venda de imóveis, registros, transferências e regularizações.

Em um mercado no qual o cidadão já precisa lidar com entrada, financiamento, impostos, escritura e registro, a possibilidade de uma nova despesa dessa magnitude acendeu o sinal de alerta.

Assembleia vira alvo da pressão

É justamente sobre os deputados estaduais que agora recai parte da pressão das entidades.

O abaixo-assinado solicita que a Assembleia Legislativa reveja a legislação antes que os novos valores passem a ser efetivamente cobrados.

A mobilização coloca os parlamentares diante de uma discussão incômoda: como equilibrar a remuneração dos serviços cartorários sem transformar atos necessários à vida civil e ao mercado imobiliário em uma conta proibitiva para o cidadão?

O setor quer que os números sejam reavaliados antes de janeiro de 2027.

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Economia

REAÇÃO: Efeito Flávio Bolsonaro derruba juros futuros e país pode economizar R$ 66 bi na dívida pública

Divulgação

Os juros futuros com vencimento para os próximos 4 anos caíram cerca de 1 ponto percentual (100 pontos-base) na segunda-feira (5), após Flávio Bolsonaro (PL) terminar o 1º turno das eleições à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Se o patamar dos juros se mantiver, o governo poderá economizar R$ 65,8 bilhões com a dívida pública.

A projeção de queda da dívida pública em caso de redução de 1 ponto percentual na taxa Selic é do Banco Central e consta no relatório de Estatísticas Fiscais referente ao mês de agosto, publicado em 30 de setembro. O valor que pode ser economizado corresponde a quase 3 vezes o custo que o reajuste do Bolsa Família de 15,04% terá em 2027 (R$ 22,7 bilhões) e é maior que o impacto do aumento de R$ 120 do salário mínimo (R$ 54,6 bilhões).

Os juros futuros são as taxas que o mercado espera que sejam cobradas nos próximos anos. Um dos principais indicadores dessas expectativas é o DI (Depósito Interfinanceiro) futuro, negociado na B3. A taxa DI acompanha de perto a Selic. Quando o DI de 2029 cai, por exemplo, significa que o mercado passou a esperar juros menores para aquele ano.

O governo precisa refinanciar a dívida à medida que os títulos vencem. Quando os juros estão menores, consegue emitir novos títulos pagando menos aos investidores. O gasto menor com o pagamento de juros da dívida abre espaço no Orçamento e permite mais investimentos.

O mercado enxerga que Flávio teria um governo mais disciplinado do ponto de vista das contas públicas, o que abriria mais espaço para o BC cortar juros. Uma taxa Selic menor melhora o ambiente de negócios. Empresas tendem a ter acesso a crédito mais barato, o que pode estimular investimentos, expansão e contratações.

A melhora das expectativas também pode elevar o valor das empresas na Bolsa, facilitando a captação de recursos. O Ibovespa bateu recorde na segunda-feira, ao fechar com 207 mil pontos. As empresas ganharam quase R$ 500 bilhões em valor de mercado.

A possibilidade de um governo com maior credibilidade fiscal pode produzir efeitos na economia antes mesmo da adoção de novas medidas, ao reduzir o custo de capital e aumentar a confiança dos investidores.

Os efeitos da curva de juros, porém, não são automáticos. Se as expectativas fiscais ou de inflação piorarem, os juros futuros podem voltar a subir. A mesma condição vale para uma melhora ainda maior das expectativas para o fiscal.

Com informações do Poder360

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Paraíba

Cinco agências bancárias são autuadas por descumprir lei sobre tempo de espera em João Pessoa

Procon-JP/Divulgação

Cinco agências bancárias de João Pessoa foram autuadas pelo Procon-JP por descumprirem o tempo máximo de espera para atendimento nos caixas. A fiscalização começou na última quinta-feira (1º).

A ação verifica o cumprimento da Lei Municipal 8.744/1998, que estabelece limite de até 20 minutos em dias normais. O prazo é de 30 minutos em dias de pagamento de servidores públicos, vencimento de contas de serviços públicos e recebimento de tributos. Em dias atípicos, como vésperas e dias seguintes a feriados, o limite é de 35 minutos.

Segundo o secretário executivo do Procon-JP, Marcos Souto Maior, a fiscalização é reforçada neste período devido ao aumento da movimentação nas agências, principalmente por causa do pagamento de salários, pensões e aposentadorias.

Os fiscais também verificam outras normas, como a quantidade de caixas eletrônicos e presenciais e a capacidade de atendimento conforme a demanda.

As agências autuadas estão sujeitas às penalidades previstas na legislação, incluindo multas. As instituições financeiras têm prazo de 10 dias, a partir do recebimento do auto de infração, para apresentar defesa.

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Paraíba

VÍDEO: Farmácia é assaltada e tem canetas emagrecedoras roubadas em Campina Grande

Uma farmácia foi assaltada na noite desta segunda-feira (5), no bairro da Conceição, em Campina Grande, no Agreste da Paraíba. O crime aconteceu por volta das 20h20 e foi registrado por câmeras de segurança.

Nas imagens, dois homens chegam ao local em uma motocicleta e usando capacetes. Um deles entra na farmácia e anuncia o assalto, enquanto o outro permanece do lado de fora.

Durante a ação, os suspeitos levaram canetas emagrecedoras, perfumes e dinheiro. A Polícia Militar foi acionada e realiza buscas para identificar e localizar os envolvidos. Até a última atualização, ninguém havia sido preso.

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Política

De bolsonarista a petista: A ruína eleitoral de Julian Lemos na Paraíba

Alçado ao posto de representante do clã Bolsonaro na Paraíba, Julian Lemos, até então pouco conhecido no mundo político, foi eleito um dos deputados federais mais bem votados do estado em 2018, conquistando 71.899 votos.

Surfou na onda do bolsonarismo, que crescia com a candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência da República. No segundo turno das eleições, chegou a aparecer como coordenador de campanha e foi visto como “papagaio de pirata” assim que o nome de Bolsonaro foi oficializado como vencedor.

Pouco tempo depois do início do governo, o casamento se desfez. Todas as rasgações de seda deram lugar a acusações e críticas, culminando no rompimento oficial. Mas ainda lhe restavam o mandato e a confiança daqueles 71.899 eleitores.

Até que, nas eleições de 2022, esse eleitorado minguou. Restaram apenas 36.530 votos. Talvez esses mesmos eleitores tenham resolvido tornar-se súditos do famigerado Cabo Gilberto Silva — este, sim, detentor da chancela do “capitão”.

A Julian Lemos restou migrar para o PT. Sob o lema “Coragem para Mudar”, ele prometeu surpreender muita gente. O verde e amarelo deu lugar ao vermelho, e a fidelidade antes jurada ao bolsonarismo passou a ser oferecida ao lulismo.

O eleitor de Julian, contudo, não o seguiu em manada. O ex-bolsonarista e agora petista só conseguiu convencer 17.306 eleitores. Aqueles que o haviam eleito em 2018 preferiram permanecer à direita e, mais uma vez, escolheram o Cabo Gilberto Silva como seu representante na Câmara dos Deputados.

Julian não agradou aos bolsonaristas e não convenceu os lulistas, mas deixou sua marca na história da política paraibana: provou que o eleitor não é tão volátil quanto o político que jura fidelidade a uma ideologia e acorda abraçado a outra.

Julian não é o único. Assim como ele, outros nomes mudam de lado conforme os próprios interesses. O problema é que se esquecem de combinar com o povo — e é justamente do povo que precisam para chegar aonde querem.

Créditos: Paraíba Mais

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.