
A Hapvida registrou fortes perdas do Ibovespa na última segunda-feira (22), com queda de 5,72%, a R$ 3,79, liderando as perdas do índice, conforme investidores analisam o noticiário jurídico envolvendo a empresa. Alvo de inquérito do Ministério Público do Estado por descumprir decisões judiciais sobre recusas de tratamento e fornecimento de remédios, a Hapvida disse na sexta-feira (19) que não possui qualquer diretriz para o “descumprimento sistemático” de determinações da justiça.
Diante das notícias, o Citi revisou indicadores de satisfação do consumidor para alguns dos principais players do setor de saúde. Segundo o levantamento, a Hapvida permanece alinhada à média do setor, com as reclamações crescendo menos do que a média das demais empresas. Para os analistas Leandro Bastos e Renan Prata, os dados sugerem que há uma deterioração dos níveis de satisfação no setor como um todo, e não algo específico da empresa. O Citi tem recomendação de compra do papel, com preço-alvo de R$ 6.
O Santander, por sua vez, atualizou as suas indicações para as ações das empresas de saúde, considerando que o setor será negativamente impactado pelo aumento da taxa de desempenho e a piora na acessibilidade aos serviços. O índice de sinistralidade médica (MLR) também permanece alto, o que deve desencadear um aumento de até dois dígitos nos preços cobrados. Para o ano, os analistas do banco esperam que as empresas concentrem os seus esforços na rentabilidade, em meio a um cenário competitivo mais racional.
Com este contexto, o banco elegeu a Hapvida como a sua principal escolha para o setor de saúde, argumentando que, por se tratar de empresa de custos mais baixos, pode ganhar participação no mercado, criando uma base de clientes mais estável ao longo do ano. O Santander manteve a sua indicação de compra sobre as ações da companhia e elevou o preço-alvo de R$ 5,35 para R$ 5,85.
Reação exagerada, diz XP
A reação do mercado às notícias de que a Hapvida poderia ser investigada por se recusar a cumprir liminares judiciais é “incompatível com a perda potencial”, avalia a XP. Na quinta-feira (18) passada, as ações da companhia chegaram a cair 7%, o equivalente a R$ 2,4 bilhões de valor de mercado, por causa dessa questão judicial.
De acordo com as demonstrações financeiras da Hapvida, os processos civis com risco provável ou possível somam R$ 2,3 bilhões, dos quais R$ 1 bilhão está diretamente relacionado aos beneficiários.
A XP explica que esse R$ 1 bilhão representa quase 42% do valor de mercado perdido na última quinta-feira, o que foi interpretado como uma “queda exagerada” nos preços, aos olhos do banco.
O banco ainda destaca que a Hapvida possui uma relação relativamente baixa entre processos relacionados a clientes e receita líquida apresentada nos 12 meses encerrados no segundo trimestre de 2023, variando entre 2,5% e 3,7%.
A XP mantém a sua indicação de compra sobre as ações da Hapvida, com um preço-alvo de R$ 5,70, uma valorização potencial de 41,8% sobre o último fechamento.
com Valor Investe



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