
As demandas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por reformas no sistema multilateral da ONU (Organização das Nações Unidas) e por maior engajamento global no combate às mudanças climáticas durante a cúpula do G7 não tiveram atenção na mídia internacional no final de semana.
O Poder360 analisou as publicações dos principais jornais do grupo dos 7 (formado por Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Canadá, Itália e Japão) de 6ª feira (19.mai) até às 8h desta 2ª feira (22.mai). Os veículos deram ênfase à missão do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky em atrair o brasileiro e outros líderes emergentes à agenda de sua “fórmula da paz” para encerrar a guerra na Ucrânia. A proposta brasileira de criar um clube de países “neutros” para mediar o diálogo com a Rússia foi ignorada.
Havia expectativa de que Lula e Zelensky se reunissem à mesa em Hiroshima no último dia de encontros da cúpula. Por desencontro de agendas entre os governos, a reunião não ocorreu, e o brasileiro ficou de fora das conversas articuladas pelo ucraniano com outros países do Sul Global, como Índia e Indonésia.
Leia como os principais jornais do G7 noticiaram o presidente e o Brasil no evento:
ESTADOS UNIDOS
- 20.mai.2023 – New York Times: chamou Lula de “aliado próximo” do presidente russo Vladimir Putin ao citar os esforços de Zelensky para atrair mais países à sua “fórmula da paz” para encerrar a guerra;
- 20.mai.2023 – Washington Post: destacou a recente viagem de Lula à China e citou Brasil, Indonésia e Índia como países com “relações complicadas com a China e a Rússia” que foram convidados para o G7;
- 20.mai.2023 – Wall Street Journal: citou Lula, “que também não apoiou sanções contra a Rússia”, como um dos possíveis encontros de Zelensky na cúpula;
- sem menções – USA Today deu pouca atenção ao evento e ignorou a delegação brasileira, assim como o Los Angeles Times;
- 21.mai.2023 – New York Times: disse que o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, “não fez nenhum progresso evidente em conquistar líderes mais céticos”. Falou que o Brasil resistiu quando o assunto foi envio de armas;
- 22.mai.2023 – não houve menção à participação do Brasil e de Lula no G7 nos principais veículos de mídia dos Estados Unidos.
REINO UNIDO
- 19.mai.2023 – Telegraph: publicou reportagem onde diz que Zelensky faria uma visita surpresa ao G7 para se encontrar com Lula e o premiê indiano Narendra Modi, líderes que “não se opuseram à invasão na medida em que aliados ocidentais gostariam”;
- 21.mai.2023 – Guardian: mencionou Lula como um dos entraves de Zelensky na cúpula para uma condenação mais incisiva a Moscou. “O G7 reforçou seu apoio inabalável a Kiev em seu comunicado final, mas o presidente ucraniano teve muito trabalho para persuadir os líderes de outros países a seguir o exemplo. Entre eles está o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que acusou o Ocidente de ‘incentivar a guerra’”;
- 21.mai.2023 – Financial Times: com o título “Zelensky busca conquistar Brasil e Índia na cúpula do G7”, citou Lula e Modi como presidentes de “dois países em desenvolvimento que têm trabalhado para manter laços estreitos com Moscou”;
- 22.mai.2023 – Guardian: mencionou que Lula disse estar “chateado” por não ter encontrado Zelensky, falou que o presidente brasileiro declarou que o ucraniano “parecia desinteressado em negociar a paz com a Rússia”;
- 22.mai.2023 – Financial Times: publicação disse que Zelensky “cortejou a cúpula do G7” e teve a oportunidade de apelar ao Brasil para exigir que a Rússia retire suas tropas. Citou que “o tempo dirá” se a Ucrânia conseguiu convencer Índia e Brasil “a mudar sua visão sobre a guerra e condenar a Rússia”.
FRANÇA
- 21.mai.2023 – Le Monde: destacou a importância da presença de emergentes na cúpula do G7, como Indonésia, Índia e Brasil;
- 21.mai.2023 – Figaro: focou na agenda interna francesa e citou os esforços do presidente Emmanuel Macron em apresentar seu “choque de financiamento” no FMI (Fundo Monetário Internacional) e no Banco Mundial para “dar mais financiamento aos países que mais precisam”, incluindo a “grandes países doadores” das instituições, como o Brasil;
- 21.mai.2023 – RFI: definiu Lula como um líder “muito relutante até agora em condenar a invasão russa” que “havia declarado no mês passado que os Estados Unidos deveriam parar de ‘incentivar a guerra’”;
- 22.mai.2023 – Figaro: citou que Lula disse estar “chateado” por não ter se encontrado com Zelensky. Falou que, “ao contrário de várias potências ocidentais”, o Brasil “nunca impôs sanções financeiras à Rússia ou concordou em fornecer munição a Kiev”.
ALEMANHA
- 21.mai.2023 – Der Spiegel: citou a expectativa frustrado do encontro entre Zelensky e Lula e chamou o brasileiro de “um dos principais representantes dos países que evitaram se aliar à Ucrânia na guerra de agressão liderada pela Rússia e se veem em um papel neutro”. Também disse que Lula “irritou os governos ocidentais ao dizer que as entregas de armas ocidentais estavam prolongando a guerra”;
- 21.mai.2023 – Frankfurter Allgemeine Zeitung: citou brevemente o líder brasileiro como um dos convidados do evento, mas ignorou sua participação na cúpula;
- 21.mai.2023 – Tagesspiegel: deu ainda menos atenção ao Brasil ao dizer ao final da reportagem: “por último, mas não menos importante, o anfitrião Japão convidou Coreia do Sul, Índia, Indonésia, Austrália, Brasil, Vietnã, Comores e Ilhas Cook.”
CANADÁ
- 20.mai.2023 – Toronto Star: afirmou que o G7 busca ampliar consenso em temas como Ucrânia e mudanças climáticas ao convidar líderes de democracias “grandes, mas menos ricas, como Índia e Brasil” para o encontro. Mencionou a participação do Brasil no G20 e no Brics e lembrou a viagem recente de Lula à China.
- 21.mai.2023 – Globe and Mail: citou o Brasil como um dos articuladores da proposta de paz chinesa “amplamente criticada pelo Ocidente como inadequada e unilateral”.
ITÁLIA
- 20.mar.2023 – o tradicional jornal italiano Corriere della Sera não deu atenção à presença de Lula e repercutiu notícias da mídia brasileira, citando suposta pressão do PT para evitar um encontro com Zelensky. Falou que Zelensky apelaria a Lula para exigir que a Rússia deixasse territórios ucranianos;
- 21.mai.2023 – La Repubblica: mencionou Lula ao falar sobre a entrevista em que Zelensky “confirmou a versão do governo brasileiro”, que justificou a suspensão do encontro entre os líderes por “incompatibilidade de agendas”.
JAPÃO
- 20.mai.2023 – Yomiuri Shimbun: focou na reunião bilateral do premiê japonês Fumio Kishida com líderes emergentes, como Lula, mas não mencionou o papel brasileiro na cúpula;
- 21.mai.2023 – Asahi Shimbun: destacou a missão de Zelensky na cúpula para fazer “diplomacia cara a cara” com Índia e Brasil.
Poder360


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