
O anúncio da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e Aliados (Opep+), grupo de maiores produtores do mundo, de que irá reduzir a produção de petróleo causou preocupação mundial. O corte de 2 milhões de barris por dia deve impactar principalmente a Europa e os Estados Unidos, que lidam com o impacto negativo contínuo da invasão da Ucrânia.
Mas o mercado brasileiro também se mostrou receoso com o anúncio. Em nota, a Petrobras afirmou que segue monitorando continuamente o mercado e os movimentos nas cotações de mercado do petróleo e dos derivados, que atualmente experimenta alta volatilidade. “A companhia reafirma seu compromisso com a prática de preços em equilíbrio com o mercado, sem repassar a volatilidade conjuntural nem movimentos especulativos como os que estão sendo observados recentemente.
Sobre as estimativas que circulam nas notícias, é importante lembrar que não existe uma referência única e percebida da mesma maneira por todos os agentes, sejam eles refinadores ou importadores. Para demonstração, basta observar que duas renomadas agências de informação, Argus e Platts, publicam referências de preços para o Brasil com diferenças significativas entre elas”, destacou a estatal.
Especialista em petróleo e superintendente de Petróleo e Tecnologia na Prefeitura de São João da Barra (RJ), cidade beneficiada pelos royalties do combustível fóssil e onde está localizado o Porto de Açu, Wellington Abreu acredita que o conflito entre Rússia e Ucrânia está no centro da decisão. Para ele, quando o presidente russo decidiu entrar em guerra, sabia que ia sofrer sanções. Por isso, fechou acordos com países vizinhos para fornecer o que tem de mais abundante: energia, petróleo e gás. “E ele ofereceu a um preço muito mais barato do que o mercado da Índia e da China.
“Mas com a política de paridade internacional, ficamos reféns do preço internacional do petróleo e do câmbio. Esse aumento de preço vai para o consumidor, mas gera ganhos para o governo e investidores. Enquanto permanecer o conflito entre Ucrânia e Rússia e o embargo da Otan à nação russa, o preço vai continuar subindo, e a Petrobras não vai conseguir segurar. Nós perdemos as rédeas da energia no país, pelos menos na questão de combustível. Só não estamos sofrendo esses aumentos ainda porque nossa matriz energética não depende tanto de combustível fóssil. Se dependêssemos, a população estaria em uma situação bem complicada, porque nossa moeda está muito defasada”, alerta.
Jovem Pan



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