Jorge Chastalo Filho, ex-carcereiro da PF em Curitiba, acompanhou Lula enquanto o petista esteve preso — Foto: Ricardo Stuckert
Conversas atribuídas a Lula durante os 580 dias em que esteve preso na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, revelam a irritação do petista com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que chegaram à Corte por indicações dele e de Dilma Rousseff. Os relatos estão no livro Banho de Sol, do policial federal Jorge Chastalo Filho, que atuou como carcereiro do atual presidente. As informações foram publicadas pela coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.
Cármen Lúcia, Edson Fachin e Luiz Fux eram os principais alvos das críticas de Lula, que enfrentava decisões desfavoráveis no Supremo, incluindo negativas a pedidos de liberdade e a suspensão de uma entrevista à imprensa.
Sobre Cármen Lúcia, Lula teria demonstrado arrependimento pela indicação feita em 2006. “A Cármen é uma falsa humilde, Chastalo. Conhece esse tipo de gente?”, teria dito, ao recordar que a ministra falava sobre gratidão e sobre a simplicidade de sua família quando buscava uma vaga no STF. Em outro momento, segundo o livro, afirmou: “Fui dormir cedo ontem, com um ódio muito grande da Cármen Lúcia. Ela falava em gratidão e agora deu nisso. Essa miserável”.
Fachin também foi alvo de ataques após retirar de pauta um julgamento de habeas corpus apresentado pela defesa de Lula. “Esse Fachin é um filho da puta mesmo, Chastalo”, teria afirmado o petista. Ele também criticou o então ministro Luís Roberto Barroso, dizendo que era advogado da Rede Globo.
A irritação com Luiz Fux teria aumentado depois que o ministro derrubou a autorização judicial para que a Folha e o jornal espanhol El País entrevistassem Lula na prisão. “O Fux passou mais de um ano frequentando toda cerimônia quando eu era presidente, com cara de cachorro pidão. Mas nunca confiei nele”, teria dito.
De acordo com Chastalo, Lula demonstrava respeito por poucos integrantes da Corte. Gilmar Mendes e Celso de Mello seriam exceções. Ao comentar a postura dos demais, o petista teria usado a expressão “boi do cu branco”, explicando que se referia a magistrados que, em sua avaliação, evitavam decisões capazes de provocar repercussão negativa.
Lula deixou a prisão em novembro de 2019, após o STF mudar o entendimento sobre a possibilidade de prisão antes do trânsito em julgado. Ele voltou à Presidência em 2023 e passou a manter relações institucionais com os ministros, inclusive com Fachin.
A coluna de Mônica Bergamo procurou a assessoria de Lula e o STF sobre os relatos, mas não havia recebido resposta até a publicação.




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