
A reta final da eleição presidencial chegou e, até agora, o prefeito de João Pessoa, Leo Bezerra (PSDB), decidiu dar um “perdido” em que cobra posicionamento sobre a disputa entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT). O silêncio contrasta com o histórico do tucano, forjado no PSB, mas reflete um cálculo complexo em uma cidade rachada ao meio.
No primeiro turno em João Pessoa, a diferença a favor de Lula sobre Flávio foi de menos de 4 mil votos nas urnas.
Então, em um cenário de polarização extrema, a neutralidade de quem pretende concorrer a reeleição em 2028 pode ser tratada com divergências de entendimento. Há quem chame de falta de coragem, de prudência ou pura estratégia de sobrevivência política.
Leo disse: “Eu estou onde sempre estive”.
O que há de fato é que o prefeito decidiu evitar entrar em uma disputa que pode lhe trazer mais custos do que benefícios, principalmente por que nenhuma das duas campanhas ofereceu garantias concretas de apoio ao seu projeto eleitoral.
PT e PL têm projetos para 2028 em João Pessoa
O PT faz oposição na Câmara Municipal liderado pelo vereador Marcos Vinícius, não abriu diálogo. Sem gestos de reciprocidade do PT para 2028, não houve estímulo para Leo entrar de cabeça na campanha pela virada petista.
O partido, inclusive, está no arco de alianças do governador reeleito Lucas Ribeiro (PP) e o senador eleito João Azevêdo (PSB), e, se não bancar uma candidatura própria, que estar ao lado desse grupo com o nome que for posto para a disputa.
O PL de Bolsonaro até tentou aproximações. Leo guarda boa interlocução com nomes da bancada liberal na Câmara, a exemplo de Durval Ferreira e Eder Jampa (atual secretário municipal da Causa Animal). No entanto, o projeto do PL para a capital entra em rota de colisão direta com os planos do tucano.
O partido do ex-presidente planeja lançar candidatura própria à Prefeitura de João Pessoa em 2028, tendo como nome natural o deputado federal Cabo Gilberto, o parlamentar mais votado do estado no pleito deste ano. Apoiar o PL agora seria encorajar um adversário direto na sua própria sucessão.
Cálculo, aliás, que não foi feito pelo clã político em Guarabira. Nesta semana, sua tia, a prefeita Léa Toscano, e sua prima, a deputada estadual Camila Toscano, selaram apoio oficial a Flávio Bolsonaro no segundo turno.




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