
Fracassou a principal iniciativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no plano internacional. O acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia não será assinado em 2023, como desejava o presidente brasileiro.
Negociado há 23 anos, a conclusão das negociações foi sobrestada depois de o presidente da França, Emmanuel Macron, ter dito ser contrário ao acordo, e de Javier Milei vencer a corrida para a presidência da Argentina.
Em um breve comunicado conjunto (leia a íntegra abaixo), divulgado nesta 5ª feira (7.dez.2023) durante a 63ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, os 2 blocos dizem estar “engajados em discussões construtivas” e que esperam “alcançar rapidamente” um acordo.
Segundo o Poder360 apurou, o governo brasileiro avalia que as negociações podem avançar ao longo dos próximos 3 meses, mas admite-se que haverá dificuldades que podem ser intransponíveis.
“Nos últimos meses, registaram-se avanços consideráveis. As negociações prosseguem com a ambição de concluir o processo e alcançar um acordo que seja mutuamente benéfico para ambas as regiões e que atenda às demandas e aspirações das respectivas sociedades”, diz o texto do comunicado.
No discurso de abertura da 63ª Cúpula dos Chefes de Estado do Mercosul, realizada no Rio, Lula lamentou não poder anunciar a conclusão do acordo durante a presidência temporária do Brasil no Mercosul.
“Confesso a vocês que eu tinha um sonho de que, na minha Presidência e de Pedro Sánchez [presidente do governo da Espanha e presidente temporário da União Europeia] a gente pudesse concluir [o acordo Mercosul-UE]. Eu inclusive tinha feito o convite para ele [Sánchez] vir aqui. Eu achava que a gente merecia. Já participei de muitas reuniões e nunca saio desanimado. Saio com a ideia de que na próxima a gente consegue fazer”, disse.
A principal razão para o acordo ter sido enterrado por ora foi a reclamação de parte dos países europeus a respeito de como o setor agrícola brasileiro produz. Há acusações de práticas destrutivas ao meio ambiente para ter mais produtividade, o que colocaria os agricultores europeus em situação de desigualdade competitiva.
O presidente da França, Emmanuel Macron, foi o líder da União Europeia que mais vocalizou a oposição ao acerto com o Mercosul. Afirmou que o tratado em discussão é “antiquado”.
“Eu sou contra o acordo Mercosul-União Europeia. É um acordo completamente contraditório com o que ele [Lula] está fazendo no Brasil e com o que nós estamos fazendo […] Esse acordo, no fundo, não leva em conta a biodiversidade do clima”, declarou.
Do lado sul-americano, as exigências ambientais feitas pelos europeus não foram aceitas. O Brasil deixa a presidência do Mercosul depois da cúpula do bloco no Rio, nesta 5ª feira. Quem assume é o Paraguai, que já afirmou que não seguirá com as negociações.
Poder360




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