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Documentos obtidos pelo Bastidor revelam que a campanha presidencial de Lula em 2022 omitiu do Tribunal Superior Eleitoral serviços prestados ao candidato petista por uma agência de comunicação. Profissionais contratados pela agência, a Polo Marketing Digital, de Niterói, no Rio, trabalharam na estrutura oficial da campanha de Lula. Mas essa participação não consta da prestação de contas do candidato ao TSE. A omissão caracteriza, em tese, crime eleitoral.
No final do ano passado, dois desses profissionais – um redator e um designer gráfico – moveram ações trabalhistas, em Brasília, contra Clarisse Mello Chalreo de Oliveira, proprietária da agência, e o Diretório Nacional do PT. Dizem que foram dispensados sem justa causa após o segundo turno. Afirmam que a Polo Marketing Digital e o Partido dos Trabalhadores feriram seus direitos trabalhistas ao contratá-los sem carteira assinada. Argumentam que suas jornadas de trabalho aumentaram substancialmente durante a campanha presidencial. Pedem que a agência e o PT paguem saldo de salário, férias, décimo terceiro, aviso prévio, FGTS, seguro-desemprego e multa. Os pleitos dos dois somam 139 mil reais.
As provas anexadas por ambos nos autos, aos quais a reportagem teve acesso com exclusividade, incluem troca de mensagens pelo WhatsApp e relatórios de prestação de serviços da agência entregues ao PT. Elas não deixam dúvida quanto à participação dos dois na campanha de Lula. Uma fonte que esteve na comunicação do partido confirmou ao Bastidor, sob reserva, que a Polo Marketing Digital produziu, sem aparecer como responsável, peças para internet usadas na campanha.
A Polo Marketing Digital mantém contrato com o PT desde 2021. Já recebeu do partido cerca de 2,8 milhões de reais. Somente em 2022, ano de campanha, foram 1,2 milhão de reais. O contrato e os aditivos a ele foram assinados pela presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann. O documento prevê que a Polo Marketing Digital produzirá conteúdo para o site do PT e as redes sociais do partido.




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