
Casos de trabalhadores com transtornos mentais relacionados ao trabalho aumentaram 42% em um ano. Em 2021, o Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação), do Ministério da Saúde, registrou 73 casos e, em 2022, foram 104 notificações.
O alerta foi feito pela procuradora-chefe do Ministério Público do Trabalho na Paraíba (MPT-PB), Andressa Ribeiro Coutinho, durante palestra que ministrou na manhã da última segunda-feira (24), para profissionais de saúde no Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires, em Santa Rita, na Grande João Pessoa.
Os dados estão no Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho (https://smartlabbr.org/sst/), ferramenta pública coordenada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pelo Escritório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil. Segundo o Observatório, 104 casos de transtornos mentais é um número recorde, considerando uma série histórica de 16 anos.
No entanto, a procuradora destacou que esse número pode ser maior, já que o índice de subnotificação é alto. Ela ressaltou que a Paraíba é o 2º Estado do País com maior número de “municípios silenciosos”, ou seja, que não notificam ao Sinan acidentes e adoecimentos relacionados ao trabalho. O 1º Estado é o Piauí em subnotificação.
“Esses dados são muito importantes porque dão um subsídio maior pra gente atuar de forma preventiva e também do ponto de vista de destinação de recursos para os hospitais, para aquisição de insumos hospitalares, medicamentos, entre outros”, discorreu Andressa Lucena, falando para profissionais de saúde.
A procuradora-chefe seguiu sua palestra falando sobre assédio moral e sexual no trabalho e algumas áreas onde os profissionais são mais vulneráveis a essas práticas, que acabam afetando a saúde mental de trabalhadores e trabalhadoras. Ela explicou que o assédio pode vir de várias formas, com gritos, xingamentos, expressões depreciativas, práticas reiteradas que afetam mentalmente o trabalhador, mas também com ameaças de demissão e formas sutis, como mudar o servidor do setor onde ele ama trabalhar. “Vivemos numa sociedade adoecida. A pandemia da Covid-19 e o teletrabalho agravaram os casos de assédio no trabalho. Precisamos de um meio ambiente de trabalho saudável, feliz, para que você trabalhe com prazer dando o seu melhor e sendo feliz com a sua atividade profissional”, observou.
No final, a procuradora-chefe falou que o MPT possui vários canais de denúncias (disponíveis no site da Instituição), onde as pessoas podem denunciar casos de assédio moral, sexual, eleitoral e outras irregularidades no ambiente de trabalho. “Se você sofre algum tipo de assédio, existem os órgãos que podem ajudar, como o MPT, que possui vários canais de denúncias e a vítima pode fazer a denúncia de forma sigilosa. Se você presenciou alguém sofrendo assédio no trabalho, converse com o colega e o incentive a buscar ajuda, a denunciar. O MPT, enquanto órgão parceiro da sociedade, está de portas abertas para ajudar”, concluiu Andressa Coutinho.
Blog do BG PB



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