
No centro de uma nebulosa história que envolve recursos vultosos de investidores brasileiros e investigada por crimes contra o sistema financeiro e o mercado de capitais, a empresa paraibana Braiscompany, que para alguns já foi sinônimo de esperança e rentabilidade, agora se confunde com frustração e dor de cabeça para milhares de pessoas, de diferentes classes sociais.
De acordo com a Associação das Vítimas da Braiscompany, que tem o auxílio de advogados paraibanos, já são mais de 2.200 pessoas em busca de orientação jurídica em um perfil criado no Instagram. Em outro grupo, no WhatsApp, já são aproximadamente 600 vítimas, que interagem em busca de alguma informação, em meio ao silêncio desanimador de Antônio Inácio Silva Neto, o dono da empresa.
Ao contrário do que muita gente acredita, o perfil predominante daqueles que formam a Associação é de “pessoas humildes do interior nordestino”, revelou a defesa dessas vítimas. “Esses números aumentam vertiginosamente, todos os dias, ao passo que surgem novos desdobramentos da investigação que está em curso”, disse o advogado Gabriel Bulhões, que conduz a defesa juntamente com o paraibano Gustavo Rabay.
É fato público que, entre os investidores prejudicados pela empresa gerida por Antônio Inácio e Fabrícia Farias Campos, há muitos com alto poder aquisitivo, e também funcionários públicos, empresários e até influenciadores digitais, sendo esses os casos que geram maior repercussão nas redes sociais. Mas essa preocupação é compartilhada com milhares de pessoas anônimas e pobres.
“Diversas vítimas foram convencidas a buscarem viver apenas desse tipo de renda, como se fosse uma fórmula mágica da vida. Alguns até pediram demissão de seus empregos para aproveitarem as verbas da rescisão trabalhista para investirem toda a renda, reserva que tinha na Braiscompany”, explicou Bulhões.
Conforme apuração do Agenda Política, há relatos de microempresários, profissionais autônomos e até de pessoas desempregadas. Algumas venderam seus bens por acreditarem no potencial retorno prometido pela autodenominada “maior gestora de criptoativos da América”.
Como isso foi possível?
De acordo com a defesa das vítimas, a inserção do grupo no rol de “investidores” se deu porque, no final de 2022, quando o patamar mínimo dos contratos baixou para R$ 1 mil reais, o perfil sócio-econômico dos novos contratantes foi principalmente de pessoas com menor poder aquisitivo. “Até mesmo a população humilde da zona rural da região de Campina Grande”.
Há pelo menos dois perfis, no Instagram, com informações para as “vítimas da Braiscompany”. Em uma pesquisa feita pelo blog na rede social, é possível constatar a participação de pessoas com diferentes atividades profissionais: líder religioso, advogado, comerciante, comunicador, assistente administrativo, professor universitário, administrador, estudante universitário, arquiteto, entre outros. Algumas vítimas acompanham ambos os perfis, enquanto outras seguem apenas um.
PolêmicaPB



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